{"id":2195,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2195"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"china-viciados-em-automvel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/china-viciados-em-automvel\/","title":{"rendered":"China: Viciados em autom&oacute;vel"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 09\/10\/2006 &ndash; Na capital da China ainda h&aacute; 2,4 milh&otilde;es de pessoas que diariamente se locomovem de bicicleta, mas a cada dia aparecem nas ruas mil novos autom&oacute;veis, com seu conseguinte impacto ambiental. <!--more--> No dia 22 de setembro foi celebrado o Dia Mundial sem Aut&oacute;movel. Mas as ruas de Pequim estiveram t&atilde;o abarrotadas de ve&iacute;culos como de costume, com o c&eacute;u transformado em uma mon&oacute;tona sombra cinza. A quantidade de autom&oacute;veis que circularam durante essa jornada converteu em goza&ccedil;&atilde;o a iniciativa internacional, adotada por centenas de cidades para que seus cidad&atilde;os utilizassem voluntariamente bicicletas ou transporte p&uacute;blico.<\/p>\n<p>\u201cUso bicicleta desde a escola\u201d, disse o famoso ambientalista chin&ecirc;s Liang Congjie. \u201cMas nos &uacute;ltimos anos n&atilde;o me sinto seguro nas ruas de Pequim. Tenho de pegar t&aacute;xi, porque cada vez mais autom&oacute;veis utilizam os caminhos para bicicletas. Os ve&iacute;culos particulares agora s&atilde;o verdadeiros d&eacute;spotas do asfalto\u201d, afirmou. O Banco Mundial prev&ecirc; que, para 2020, pelas estradas da China circular&atilde;o 170 milh&otilde;es de ve&iacute;culos. Nessa oportunidade, o parque automotivo deste pa&iacute;s ter&aacute; ultrapassado o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cCada vez mais chineses poder&atilde;o comprar seu pr&oacute;prio ve&iacute;culo\u201d, disse John Humphrey, gerente de opera&ccedil;&otilde;es da China da consultora da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica J. D. Power Asia Pacific, com sede nos Estados Unidos. \u201cO ritmo do mercado de ve&iacute;culos da China &eacute; incr&iacute;vel, mas a demanda continua crescendo\u201d, acrescentou. A cada ano s&atilde;o vendidos sete milh&otilde;es de unidades. Esse ano superou o Jap&atilde;o, ao se converter no segundo mercado automotivo do mundo, depois dos Estados Unidos, onde anualmente s&atilde;o vendidos mais de 16 milh&otilde;es de autom&oacute;veis. A eventualidade de que cada fam&iacute;lia chinesa tenha um autom&oacute;vel &eacute; um dos cen&aacute;rios com o qual os especialistas calculam o impacto ambiental desse fen&ocirc;meno.<\/p>\n<p>Os ve&iacute;culos dos Estados Unidos representam cerca de 5% das emiss&otilde;es mundiais de di&oacute;xido de carbono, segundo o Departamento de Energia desse pa&iacute;s. Se a China igualar os EUA na posse de autom&oacute;veis por habitante, o pa&iacute;s teria uma enorme participa&ccedil;&atilde;o na libera&ccedil;&atilde;o mundial desse g&aacute;s na atmosfera, o que eclipsaria qualquer redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es do resto do mundo. \u201cA China j&aacute; n&atilde;o pode se dar ao luxo de sacrificar as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais em nome da prosperidade\u201d, disse &agrave; IPS Xue Ye, diretor-executivo da Amigos da Natureza, a maior organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista chinesa.<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m est&aacute; mais preocupado com as conseq&uuml;&ecirc;ncias desse crescimento t&atilde;o prodigioso do que o governo chin&ecirc;s. As autoridades haviam prometido que os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2008 em Pequim seriam \u201cverdes\u201d, e t&ecirc;m menos de dois anos para solucionar os cada vez maiores problemas de contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica e engarrafamentos na capital. Inclusive, consideram impor uma proibi&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria aos ve&iacute;culos particulares durante os Jogos, mas isso seria apenas uma medida provis&oacute;ria diante do problema real que sofrem as cidades chinesas.<\/p>\n<p>\u201cEm lugar de destinar recursos para mobilizar pessoas e construir uma Rede de Tr&acirc;nsito de Massa, a China investiu fortemente no desenvolvimento de sua ind&uacute;stria automobil&iacute;stica\u201d, explicou o ativista Rob Watson, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, organiza&ccedil;&atilde;o com sede nos Estados Unidos. Na medida em que os cidad&atilde;os ficam mais ricos e pretendem imitar o consumismo de seus pares do mundo industrializado, Pequim caminha na corda bamba na hora de equilibrar a promessa de maior qualidade de vida com um controle r&iacute;gido da contamina&ccedil;&atilde;o e da demanda de petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>O dilema n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para um governo concentrado na moderniza&ccedil;&atilde;o e que pretende ver o pa&iacute;s unido, o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel, &agrave;s fileiras das sociedades de consumo do Norte industrial. Enquanto se preocupa com os problemas do transito urbano e da polui&ccedil;&atilde;o do ar, a prefeitura de Pequim controla e se beneficia da Pequim Automotive Industry Corp., fabricante de autom&oacute;veis que tem empreendimentos conjuntos com as firmas Daimler Chrysler e Hyundai Motor Co.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com Xangai, cujos l&iacute;deres recebem pagamento da estatal Shanghai Automotive Industry Corp., e com a cidade de Guangzhou, bem como com quase todas as demais cidades de primeiro n&iacute;vel do pa&iacute;s. \u201cH&aacute; enormes ganhos a serem obtidos com a ind&uacute;stria automobil&iacute;stica\u201d, afirmou Li Dun, do Centro de Pesquisas Contempor&acirc;neas da China na Universidade Tsinghua. \u201cMas isso tem seu pre&ccedil;o: a tens&atilde;o do meio ambiente e dos recursos energ&eacute;ticos\u201d, acrescentou. A ind&uacute;stria automobil&iacute;stica da China, que emprega 1,7 milh&atilde;o de pessoas, &eacute; um dos pilares da economia nacional, dando trabalho e gerando grandes ganhos com impostos.<\/p>\n<p>Os fabricantes de caminh&otilde;es e autom&oacute;veis da China agora come&ccedil;am a incursionar em mercados externos, e vendem seus ve&iacute;culos para Ir&atilde;, S&iacute;ria, Egito, Indon&eacute;sia, Vietn&atilde; e outros pa&iacute;ses. Limitar o r&aacute;pido crescimento desse mercado nesta fase pode ser n&atilde;o apenas dif&iacute;cil, mas tamb&eacute;m politicamente explosivo. Para a classe m&eacute;dia em expans&atilde;o, comprar um ou dois carros significa aspirar o n&iacute;vel de vida do mundo industrializado. Alguns especialistas consideram impens&aacute;vel transformar em cacos o sonho da classe m&eacute;dia chinesa. \u201cA maioria dos consumidores individuais que compra autom&oacute;veis novos na China \u2013 mais de 80% &#8211; o fazem pela primeira vez\u201d, disse Humphrey ao Clube de Correspondentes Estrangeiros em Pequim.<\/p>\n<p>A capital chinesa, com 2,5 milh&otilde;es de ve&iacute;culos \u2013 mais do que qualquer outra cidade do pa&iacute;s \u2013 praticamente n&atilde;o tem limites no uso de autom&oacute;veis. Preocupados com o descontentamento p&uacute;blico, os l&iacute;deres chineses tamb&eacute;m evitam um imposto sobre o consumo de combust&iacute;vel. Por outro lado, as autoridades centrais optaram por instituir novos crit&eacute;rios de economia de combust&iacute;vel para autom&oacute;veis e caminh&otilde;es produzidos internamente, bem como regulamenta&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m r&iacute;gidas para as emiss&otilde;es geradas pelos ve&iacute;culos. Uma vez plenamente implementadas, em 2008 e 2010, respectivamente, estas regulamenta&ccedil;&otilde;es colocar&atilde;o os carros chineses em acordo com as normas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.<\/p>\n<p>A campanha para melhorar o meio ambiente do pa&iacute;s corre paralela &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o pelo impacto do crescimento do parque automotivo na seguran&ccedil;a nacional em mat&eacute;ria de abastecimento de petr&oacute;leo. Os carros chineses utilizam uma propor&ccedil;&atilde;o cada vez maior do petr&oacute;leo consumido na China, de at&eacute; 10% em meados dos anos 90 at&eacute; prov&aacute;veis 40% em 2010, segundo o governo. Cerca de um ter&ccedil;o do atual consumo de petr&oacute;leo chin&ecirc;s procede da importa&ccedil;&atilde;o, e os especialistas projetam que para 2010 o pa&iacute;s depender&aacute; de importa&ccedil;&otilde;es para atender 70% de suas necessidades petrol&iacute;feras.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o deste ano, o governo revogou a proibi&ccedil;&atilde;o de uma d&eacute;cada &agrave; circula&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos pequenos na capital, criada na &eacute;poca para incentivar a compra de modelos mais eficientes. Tamb&eacute;m imp&ocirc;s taxas aos autom&oacute;veis que consomem grande quantidade de combust&iacute;vel e come&ccedil;ou a experimentar tecnologias mais amigas do meio ambiente, como motores movidos a hidrog&ecirc;nio e biocombustivel. Mas para a China se converter em uma pioneira ambiental depender&aacute; do compromisso de seu governo para implementar os padr&otilde;es que estabelece e cumprir seus ambiciosos pronunciamentos verdes, segundo especialistas.<\/p>\n<p>\u201cH&aacute; consenso p&uacute;blico no sentido de que n&atilde;o temos de seguir o caminho dos Estados Unidos, construindo tantas estradas, produzindo tantos carros e usando tanto petr&oacute;leo\u201d, afirmou Li Dun. \u201cO problema &eacute; como implementar esse consenso. Ainda h&aacute; muitos dirigentes da cidade, e inclusive alguns minist&eacute;rio do governo central, que nos levam por este mesmo caminho\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Este artigo &eacute; parte de uma s&eacute;rie sobre desenvolvimento sustent&aacute;vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Jornalistas Ambientais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 09\/10\/2006 &ndash; Na capital da China ainda h&aacute; 2,4 milh&otilde;es de pessoas que diariamente se locomovem de bicicleta, mas a cada dia aparecem nas ruas mil novos autom&oacute;veis, com seu conseguinte impacto ambiental. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/china-viciados-em-automvel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[17],"class_list":["post-2195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}