{"id":22009,"date":"2018-03-09T23:32:34","date_gmt":"2018-03-09T23:32:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/?p=227272"},"modified":"2018-03-09T23:32:34","modified_gmt":"2018-03-09T23:32:34","slug":"megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2018\/03\/ultimas-noticias\/megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa\/","title":{"rendered":"Megafauna reduziu a dispers\u00e3o de sementes, revela pesquisa"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-220581\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS15-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>N\u00e3o foram somente as maiores sementes que perderam o seu meio de transporte. A extin\u00e7\u00e3o da megafauna tamb\u00e9m reduziu o raio de dispers\u00e3o de sementes quando comparado \u00e0 dispers\u00e3o feita pelos maiores mam\u00edferos viventes, como a anta.<\/p>\n<p>Um novo estudo calculou a dist\u00e2ncia que pregui\u00e7as-gigantes (megat\u00e9rios) ou mastodontes (gonfot\u00e9rios) percorriam transportando sementes em seu trato digest\u00f3rio antes de defec\u00e1-las no meio ambiente. \u201cConseguimos dar n\u00fameros aos argumentos verbais sobre a import\u00e2ncia desses grandes animais\u201d, disse o bi\u00f3logo Mathias Mistretta Pires, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, primeiro autor de um estudo que quantifica as dist\u00e2ncias de dispers\u00e3o de sementes pela megafauna.<\/p>\n<p>O estudo foi feito em coautoria com os professores Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, e Paulo Roberto Guimar\u00e3es, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP). Publicado na revista Ecography, o trabalho foi realizado no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico \u201cConsequ\u00eancias ecol\u00f3gicas da defauna\u00e7\u00e3o na Mata Atl\u00e2ntica\u201d, coordenado por Galetti.<\/p>\n<p>Os maiores frug\u00edvoros viventes do continente sul-americano s\u00e3o as antas (Tapirus), os guanacos (Lama guanicoe), as alpacas (Vicugna pacos), os catetos (Pecari tajacu) e o veado-mateiro (Mazama americana). Mas mesmo o maior, a anta, com cerca de 200 quilos, \u00e9 cerca de 10 vezes menor do que as pregui\u00e7as-gigantes e cerca de 30 vezes menor do que os gonfot\u00e9rios.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia de dispers\u00e3o de sementes observada entre os maiores frug\u00edvoros viventes raramente ultrapassa 3,5 mil metros. O novo estudo concluiu que, no passado, a megafauna ia muito al\u00e9m. O raio de dispers\u00e3o de sementes das pregui\u00e7as e dos gonfot\u00e9rios podia superar os 6 mil metros.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi criar um modelo que permitisse quantificar o papel desses animais extintos na dispers\u00e3o de sementes. Constru\u00edmos um modelo matem\u00e1tico onde as v\u00e1rias fases do processo de dispers\u00e3o de sementes s\u00e3o simuladas, de modo a gerar previs\u00f5es quantitativas de como seria esse servi\u00e7o de dispers\u00e3o no passado\u201d, explicou Pires.<\/p>\n<p>Para estimar a capacidade de dispers\u00e3o de sementes entre a megafauna, em primeiro lugar foi preciso determinar tr\u00eas conjuntos de dados b\u00e1sicos entre as maiores esp\u00e9cies viventes de dispersores de sementes. Foi necess\u00e1rio saber: o quanto de alimento, em m\u00e9dia, as diversas esp\u00e9cies comem; quanto tempo o alimento fica retido no sistema digest\u00f3rio; e qual a dist\u00e2ncia percorrida pelo animal antes de defecar as sementes.<\/p>\n<p>\u201cEsses tr\u00eas atributos est\u00e3o relacionados ao tamanho do animal. Temos os dados de elefantes, antas, veados-mateiros e catetos ou porcos-do-mato\u201d, disse Pires. A anta pode reter alimento no trato digest\u00f3rio por mais de 30 horas antes de defecar. \u201cNos elefantes, s\u00e3o mais de 40 horas. Em outras esp\u00e9cies, o tempo pode ultrapassar 50 horas, ou mesmo 100 horas.\u201d<\/p>\n<p>O passo seguinte foi extrapolar as estimativas de cada um dos tr\u00eas atributos (quantidade de comida, tempo de reten\u00e7\u00e3o e dist\u00e2ncia percorrida) para algumas esp\u00e9cies da megafauna extinta que habitaram a Am\u00e9rica do Sul durante o per\u00edodo Pleistoceno \u2013 os \u00faltimos 2,5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O conjunto de dados utilizado para a extrapola\u00e7\u00e3o se refere aos tamanhos corp\u00f3reos estimados que aqueles bichos tinham. Estima-se, por exemplo, que os gonfot\u00e9rios tinham de 5 a 6 toneladas, dependendo da esp\u00e9cie, e que as maiores pregui\u00e7as tinham entre 3,5 toneladas, no caso do eremot\u00e9rio, e mais de 6 toneladas, no caso do megat\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cDeduzimos o volume de alimento que uma pregui\u00e7a terrestre deveria consumir, assim como o tempo que o alimento ficaria em seu intestino e a dist\u00e2ncia percorrida pelo animal\u201d, disse Pires. Fonte Fapesp (#Envolverde)<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa\/\">Megafauna reduziu a dispers\u00e3o de sementes, revela pesquisa<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/\">Envolverde - Revista Digital<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o foram somente as maiores sementes que perderam o seu meio de transporte. A extin&ccedil;&atilde;o da megafauna tamb&eacute;m reduziu o raio de dispers&atilde;o de sementes quando comparado &agrave; dispers&atilde;o feita pelos maiores mam&iacute;feros viventes, como a anta. Um novo estudo calculou a dist&acirc;ncia que pregui&ccedil;as-gigantes (megat&eacute;rios) ou mastodontes (gonfot&eacute;rios) percorriam transportando sementes em seu trato digest&oacute;rio antes de defec&aacute;-las no meio ambiente. &ldquo;Conseguimos dar n&uacute;meros aos argumentos verbais sobre a import&acirc;ncia desses grandes animais&rdquo;, disse o bi&oacute;logo Mathias Mistretta Pires, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, primeiro autor de um estudo que quantifica as dist&acirc;ncias de dispers&atilde;o de sementes pela megafauna. O estudo foi feito em coautoria com os professores Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, e Paulo Roberto Guimar&atilde;es, do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo (IB-USP). Publicado na revista Ecography, o trabalho foi realizado no &acirc;mbito do Projeto Tem&aacute;tico &ldquo;Consequ&ecirc;ncias ecol&oacute;gicas da defauna&ccedil;&atilde;o na Mata Atl&acirc;ntica&rdquo;, coordenado por Galetti. Os maiores frug&iacute;voros viventes do continente sul-americano s&atilde;o as antas (Tapirus), os guanacos (Lama guanicoe), as alpacas (Vicugna pacos), os catetos (Pecari tajacu) e o veado-mateiro (Mazama americana). Mas mesmo o maior, a anta, com cerca de 200 quilos, &eacute; cerca de 10 vezes menor do que as pregui&ccedil;as-gigantes e cerca de 30 vezes menor do que os gonfot&eacute;rios. A dist&acirc;ncia de dispers&atilde;o de sementes observada entre os maiores frug&iacute;voros viventes raramente ultrapassa 3,5 mil metros. O novo estudo concluiu que, no passado, a megafauna ia muito al&eacute;m. O raio de dispers&atilde;o de sementes das pregui&ccedil;as e dos gonfot&eacute;rios podia superar os 6 mil metros. &ldquo;Nosso objetivo foi criar um modelo que permitisse quantificar o papel desses animais extintos na dispers&atilde;o de sementes. Constru&iacute;mos um modelo matem&aacute;tico onde as v&aacute;rias fases do processo de dispers&atilde;o de sementes s&atilde;o simuladas, de modo a gerar previs&otilde;es quantitativas de como seria esse servi&ccedil;o de dispers&atilde;o no passado&rdquo;, explicou Pires. Para estimar a capacidade de dispers&atilde;o de sementes entre a megafauna, em primeiro lugar foi preciso determinar tr&ecirc;s conjuntos de dados b&aacute;sicos entre as maiores esp&eacute;cies viventes de dispersores de sementes. Foi necess&aacute;rio saber: o quanto de alimento, em m&eacute;dia, as diversas esp&eacute;cies comem; quanto tempo o alimento fica retido no sistema digest&oacute;rio; e qual a dist&acirc;ncia percorrida pelo animal antes de defecar as sementes. &ldquo;Esses tr&ecirc;s atributos est&atilde;o relacionados ao tamanho do animal. Temos os dados de elefantes, antas, veados-mateiros e catetos ou porcos-do-mato&rdquo;, disse Pires. A anta pode reter alimento no trato digest&oacute;rio por mais de 30 horas antes de defecar. &ldquo;Nos elefantes, s&atilde;o mais de 40 horas. Em outras esp&eacute;cies, o tempo pode ultrapassar 50 horas, ou mesmo 100 horas.&rdquo; O passo seguinte foi extrapolar as estimativas de cada um dos tr&ecirc;s atributos (quantidade de comida, tempo de reten&ccedil;&atilde;o e dist&acirc;ncia percorrida) para algumas esp&eacute;cies da megafauna extinta que habitaram a Am&eacute;rica do Sul durante o per&iacute;odo Pleistoceno &ndash; os &uacute;ltimos 2,5 milh&otilde;es de anos. O conjunto de dados utilizado para a extrapola&ccedil;&atilde;o se refere aos tamanhos corp&oacute;reos estimados que aqueles bichos tinham. [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa\/\">Megafauna reduziu a dispers&atilde;o de sementes, revela pesquisa<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/\">Envolverde &#8211; Revista Digital<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2018\/03\/ultimas-noticias\/megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2044,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,1],"tags":[1319,1440,3156,3158,3043,3154],"class_list":["post-22009","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-ultimas-noticias","tag-biodiversidade","tag-ciencia","tag-contentengine","tag-destaques","tag-mundo-inter-press-service","tag-ods15"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2044"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22009"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22015,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22009\/revisions\/22015"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}