{"id":2201,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2201"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"sade-europeus-comem-alimentos-contaminados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/saude\/sade-europeus-comem-alimentos-contaminados\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: Europeus comem alimentos contaminados"},"content":{"rendered":"<p>Monte Porzio Catone, It&aacute;lia, 09\/10\/2006 &ndash; Os alimentos consumidos diariamente em sete pa&iacute;ses europeus cont&ecirc;m subst&acirc;ncias muito t&oacute;xicas, afirma um estudo realizado durante dez anos pela filial italiana do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). <!--more--> A pesquisa descobriu as mesmas subst&acirc;ncias contaminantes em animais e em tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es de 13 fam&iacute;lias, em 18 personalidades e em 14 editores de revistas que participaram e foram analisados no estudo.<\/p>\n<p>A carne bovina, os pescados e os queijos foram os alimentos mais contaminados, com mais de 60 subst&acirc;ncias t&oacute;xicas entre 107 de origem industrial investigadas na Gr&atilde;-Bretanha, Finl&acirc;ndia, Su&eacute;cia, Pol&ocirc;nia, It&aacute;lia, Espanha e Gr&eacute;cia. Compostos usados na ind&uacute;stria do pl&aacute;stico, a eletr&ocirc;nica e a cosm&eacute;tica, entre outras, s&atilde;o o motivo do alarme. Segundo o estudo Cahin of Contamination \u2013 The Food Link (Cadeia de contamina&ccedil;&atilde;o \u2013 o v&iacute;nculo alimentar), divulgado no dia 21 de setembro pelo WWF It&aacute;lia, a propor&ccedil;&atilde;o de contaminantes varia entre 0,1 e 10 nanogramas por grama de alimento. Um nanograma representa a milion&eacute;sima parte de um grama.<\/p>\n<p>\u201cEstamos expostos a graus baixos de contamina&ccedil;&atilde;o. Mas essas subst&acirc;ncias s&atilde;o acumulativas. E tamb&eacute;m h&aacute; o efeito coquetel, pois juntas podem potencializar sua capacidade t&oacute;xica. Por isso defendemos um uso mais sustent&aacute;vel destes produtos\u201d, explicou a bi&oacute;loga Eva Alessi, coordenadora cientifica da campanha Detox da WWF It&aacute;lia. Subst&acirc;ncias proibidas h&aacute; mais de 20 anos na Europa foram encontradas em v&aacute;rias crian&ccedil;as estudadas, que apresentaram mais contaminantes do que suas m&atilde;es.<\/p>\n<p>\u201cEsse estudo &eacute; in&eacute;dito, porque pela primeira vez s&atilde;o investigadas tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es de uma mesma fam&iacute;lia\u201d, destacou Alessi, uma das participantes do IV F&oacute;rum Internacional para Jornalistas sobre a Prote&ccedil;&atilde;o da Natureza, organizado dela Associa&ccedil;&atilde;o Cultural Greenaccord, em Monte Porzio Catone, pr&oacute;xima de Roma, entre quarta-feira passada e s&aacute;bado. O principal objetivo do estudo &eacute; pressionar o Parlamento Europeu, que deve votar em breve uma legisla&ccedil;&atilde;o sobre Registro, Avalia&ccedil;&atilde;o e Autoriza&ccedil;&atilde;o de Qu&iacute;micos (Reach, sigla em ingl&ecirc;s), para criar um sistema de informa&ccedil;&atilde;o sobre subst&acirc;ncias qu&iacute;micas no bloco e estabelecer um mecanismo r&iacute;gido de controle e seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Atualmente, est&atilde;o em uso na Europa 30 mil subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, das cem mil dispon&iacute;veis para uso comercial. Apenas desde 1981 foram obrigat&oacute;rios os testes de toxidade. Segundo Alessi, a maioria destes compostos foi lan&ccedil;ada no mercado antes dessa data sem uma avalia&ccedil;&atilde;o de seus riscos para a sa&uacute;de humana e o meio ambiente. Al&eacute;m de serem neurot&oacute;xicas, algumas destas subst&acirc;ncias podem causar danos no sistema end&oacute;crino, afetando a fun&ccedil;&atilde;o reprodutiva. No organismo, imitam os horm&ocirc;nios, que s&atilde;o mensageiros qu&iacute;micos naturais, e alteram sua produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em 2003, disse Alessi, foi encontrado no Mediterr&acirc;neo um peixe-espada macho com caracter&iacute;sticas sexuais femininas. A contamina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem fronteiras. Animais contaminados \u2013 ursos polares, le&otilde;es marinhos, baleias e p&aacute;ssaros \u2013 j&aacute; foram encontrados por ambientalistas no oceano &Aacute;rtico, onde n&atilde;o h&aacute; fontes de emiss&atilde;o dessas subst&acirc;ncias. Os ftalatos esp&eacute;cie de compostos usados para flexibilizar os pl&aacute;sticos, s&atilde;o considerados respons&aacute;veis por danos ao sistema reprodutor masculino, como a redu&ccedil;&atilde;o da quantidade de esperma. Produtos usados na ind&uacute;stria cosm&eacute;tica, como os almiscares artificiais, e os perfluorocarbonos das panelas com teflon tamb&eacute;m afetam a sa&uacute;de.<\/p>\n<p>As subst&acirc;ncias inflam&aacute;veis usadas para fabricar aparelhos eletr&ocirc;nicos, teres de prolibromobifenilos (PBDE), s&atilde;o motivo de grande preocupa&ccedil;&atilde;o, disse Alessi. Dos tr&ecirc;s tipos existentes deste grupo de compostos \u2013 conhecidos com Octa e Penta BDE \u2013 j&aacute; s&atilde;o proibidos na Europa. Mas o Deca BDE ainda est&aacute; em uso. A ecologista assegura que hoje h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es menos t&oacute;xicas. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso mais controle dos biocidas aplicados aos cascos dos navios, Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia o tributilo de estano, ou TBT, pois causam enorme dano ambiental e acabam contaminando a fauna marinha.<\/p>\n<p>Todos estes compostos n&atilde;o se degradam facilmente e t&ecirc;m uma vida longa nos tecidos org&acirc;nicos. Seu potencial de bioac&uacute;mulo (de persistir em organismos vivos) depende das propriedades de cada subst&acirc;ncia e de fatores ambientais e bi&oacute;ticos desses organismos, como idade, quantidade de gordura, metabolismo e a posi&ccedil;&atilde;o na cadeia alimentar. Segundo Alessi, uma alimenta&ccedil;&atilde;o rica em frutas e verduras ajuda a reduzir os efeitos nocivos dos contaminantes qu&iacute;micos alojados em outros alimentos e at&eacute; nos utens&iacute;lios dom&eacute;sticos, na roupa, nos cosm&eacute;ticos, nos produtos de limpeza e nas tinturas. Al&eacute;m disso, recomenda-se consumir alimentos org&acirc;nicos, cultivados sem agrot&oacute;xicos.<\/p>\n<p>Enquanto os europeus se preocupam cada vez mais com a qualidade dos alimentos que consomem, os pa&iacute;ses em desenvolvimento aumentam de modo incessante o uso de pesticidas e fertilizantes qu&iacute;micos em seus cultivos. Para a colheita 2003-2004, os pa&iacute;ses em desenvolvimento aplicaram 98,4 milh&otilde;es de toneladas de fertilizantes qu&iacute;micos. No mesmo per&iacute;odo, as na&ccedil;&otilde;es ricas usaram menos da metade: 44,2 milh&otilde;es de toneladas. Em 1997-98, os volumes foram, respectivamente, 83 milh&otilde;es e 54 milh&otilde;es. Segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), os pa&iacute;ses industriais usavam uma m&eacute;dia de 1,55 quilos de pesticidas por hectare entre 1998 e 2000, o que representou redu&ccedil;&atilde;o de 8,5$ na compara&ccedil;&atilde;o com a quantidade m&eacute;dia aplicada entre 1989 e 1991.<\/p>\n<p>Por outro lado, nas na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento era usado 1,02 quilos por hectare entre 1998 e 2000, o que significou aumento de 25% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quantidades aplicadas dez anos antes. Al&eacute;m disso, os produtos menos t&oacute;xicos s&atilde;o os mais caros, e, portanto, os menos usados nos pa&iacute;ses pobres. Esses dados foram apresentados no F&oacute;rum pela diretora do Programa de Agricultura, Alimenta&ccedil;&atilde;o e Ambiente da norte-americana Tufts University, Kathleen Merrigan. A pesquisadora afirmou que tr&ecirc;s quartos das frutas e verduras consumidas pelas crian&ccedil;as nos Estados Unidos cont&ecirc;m restos de agrot&oacute;xicos. O interesse pela agricultura org&acirc;nica aumenta continuamente nesse pa&iacute;s. As vendas destes alimentos cresceram cerca de 20% na &uacute;ltima d&eacute;cada. &Eacute; o setor agr&iacute;cola que mais cresce, apesar de apenas 2,7% dos produtores participarem deste tipo de produ&ccedil;&atilde;o, afirmou. <\/p>\n<p>\u201cOs cultivos org&acirc;nicos podem produzir mais do que os convencionais. Mas precisam de 12 a 15 anos para atingir uma boa produtividade, segundo novos estudos feitos nos Estados Unidos. N&atilde;o podemos comparar uma planta&ccedil;&atilde;o onde se usa qu&iacute;micos com outra org&acirc;nica.\u201d, disse Merrigan. Em sua opini&atilde;o, a humanidade est&aacute; diante de uma encruzilhada. Ou continua o caminho da chamada revolu&ccedil;&atilde;o verde, brincando com subst&acirc;ncias qu&iacute;micas t&oacute;xicas nos alimentos, ou toma o da nova revolu&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica. Os cultivos sem venenos, e sem organismos geneticamente modificados, t&ecirc;m todas as condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas para alimentar o mundo, concluiu Merrigan. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monte Porzio Catone, It&aacute;lia, 09\/10\/2006 &ndash; Os alimentos consumidos diariamente em sete pa&iacute;ses europeus cont&ecirc;m subst&acirc;ncias muito t&oacute;xicas, afirma um estudo realizado durante dez anos pela filial italiana do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/saude\/sade-europeus-comem-alimentos-contaminados\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1504,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,7],"tags":[18],"class_list":["post-2201","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-saude","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1504"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2201\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}