{"id":22011,"date":"2018-03-09T23:24:58","date_gmt":"2018-03-09T23:24:58","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/?p=227269"},"modified":"2018-03-09T23:24:58","modified_gmt":"2018-03-09T23:24:58","slug":"uma-chance-para-a-esperanca-por-jose-graziano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2018\/03\/ultimas-noticias\/uma-chance-para-a-esperanca-por-jose-graziano\/","title":{"rendered":"Uma Chance para a Esperan\u00e7a, por Jos\u00e9 Graziano"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"alignleft size-full wp-image-219749\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS16.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Por Jos\u00e9 Graziano da Silva, diretor-geral da FAO*<\/p>\n<p>Em 2016, depois de mais de uma d\u00e9cada de sucessivos recuos que reduziram a popula\u00e7\u00e3o subalimentada do planeta, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) constatou uma inflex\u00e3o ascendente.<\/p>\n<p>No seu \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cO Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e a Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo\u201d, a FAO contabilizou um acr\u00e9scimo de quase 40 milh\u00f5es de vidas capturadas pela engrenagem da fome, elevando-se o total global de 777 milh\u00f5es (em 2015) para 815 milh\u00f5es de pessoas (em 2016).<\/p>\n<p>O rebote da fome no mundo n\u00e3o pode ficar sem resposta e a hora de constru\u00ed-la n\u00e3o admite protela\u00e7\u00f5es. Esse jogo n\u00e3o terminou.<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 sendo jogado nesse momento em v\u00e1rios pontos do planeta, com resultados que se alteram a cada minuto. O saldo traduz o ocaso de milh\u00f5es de vidas humanas.<\/p>\n<p>A omiss\u00e3o diante de um retrocesso ainda revers\u00edvel, a um custo ainda irris\u00f3rio, seria descabida em qualquer circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mais ainda agora, quando finalmente avolumam sinais de uma retomada econ\u00f4mica global.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia ensina que um ciclo de alta da economia facilita, mas n\u00e3o corrige sozinho as perdas e danos da etapa negativa que o precedeu.<\/p>\n<p>A qualifica\u00e7\u00e3o do crescimento em desenvolvimento para toda a sociedade persiste como um apan\u00e1gio das pol\u00edticas p\u00fablicas e da a\u00e7\u00e3o coordenada de institui\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>No entanto, o que se passa hoje \u00e9 mais complicado do que simplesmente resgatar o que se perdeu.<\/p>\n<p>A retomada em curso talvez n\u00e3o produza um novo e abrangente ciclo de expans\u00e3o do emprego associado a vagas de qualidade, com ganhos reais de poder de compra por um longo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Ao decl\u00ednio do emprego na d\u00e9cada cr\u00edtica iniciada em 2008, soma-se agora um in\u00e9dito degrau de automa\u00e7\u00e3o trazido pela quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>O conjunto maximizar\u00e1 a produtividade, mas tamb\u00e9m o desafio hist\u00f3rico de redistribuir a riqueza por ela gerada.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa fronteira de m\u00faltiplas encruzilhadas que a FAO constr\u00f3i um repto \u00e0 inquietante recidiva da fome na atualidade.<\/p>\n<p>Um bilh\u00e3o de d\u00f3lares em contribui\u00e7\u00f5es internacionais pode salvar 30 milh\u00f5es de vidas em 26 pa\u00edses e reverter o n\u00facleo duro da inseguran\u00e7a alimentar em nosso tempo. O apelo encerra m\u00faltiplas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>Se a coopera\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o for capaz disso, que chance ter\u00e1 a meta do desenvolvimento sustent\u00e1vel na equa\u00e7\u00e3o do clima no s\u00e9culo XXI, como previsto no Acordo de Paris? Que espa\u00e7o restar\u00e1 \u00e0 meta da\u00ed insepar\u00e1vel de zerar a fome e a pobreza extrema nos pr\u00f3ximos doze anos, com base em novos padr\u00f5es produtivos previstos nos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel?<\/p>\n<p>A agenda da FAO em 2018 est\u00e1 integralmente centrada na constru\u00e7\u00e3o cooperativa das respostas a essas perguntas, que v\u00e3o selar o destino do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de acudir a emerg\u00eancia. As causas da fome precisam ser compreendidas para que se possa agir com a rapidez necess\u00e1ria no presente e prevenir r\u00e9plicas no futuro.<\/p>\n<p>A fome no s\u00e9culo XXI deixou de ser um alvo est\u00e1tico. H\u00e1 tempos n\u00e3o se traduz a fome por escassez de alimento, como foi at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX. Tampouco a inseguran\u00e7a alimentar atual decorre apenas das dificuldades de acesso dos pobres \u00e0 abund\u00e2ncia conquistada.<\/p>\n<p>Guerras fratricidas, desequil\u00edbrios clim\u00e1ticos recorrentes, vulnerabilidade agr\u00edcola e derivas populacionais combinam-se hoje em diferentes pontos do planeta para impulsionar a regress\u00e3o detectada pela FAO em 2016.<\/p>\n<p>Infelizmente, os dados preliminares que a FAO est\u00e1 coletando para 2017 apontam para um novo crescimento do n\u00famero de pessoas com fome no mundo.<\/p>\n<p>Conflitos intermin\u00e1veis no Iraque, Sud\u00e3o do Sul, na S\u00edria e no I\u00eamen, assim como a escalada da viol\u00eancia na Rep\u00fablica Centro-Africana, no Congo e em Mianmar, tornaram evidente a correla\u00e7\u00e3o entre a aus\u00eancia da paz e o desmanche de sistemas alimentares, com impactos irrevers\u00edveis na vida das popula\u00e7\u00f5es locais e de seus meios de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Consequ\u00eancias semelhantes acarretam acidentes clim\u00e1ticos extremos cada vez mais frequentes. Os furac\u00f5es no Caribe, ou as secas devastadoras na \u00c1frica, mostram que o custo do desequil\u00edbrio ambiental j\u00e1 est\u00e1 sendo pago pelos mais pobres.<\/p>\n<p>Os recursos que a FAO busca junto \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional tem o aval de uma bem-sucedida experi\u00eancia em acudir e semear a resili\u00eancia justamente no flanco mais sens\u00edvel \u00e0 instabilidade formado pelas comunidades rurais.<\/p>\n<p>Na Nig\u00e9ria, Som\u00e1lia, Sud\u00e3o do Sul e I\u00eamen, mais de 6 milh\u00f5es de fam\u00edlias receberam sementes, equipamentos, fertilizantes e capacita\u00e7\u00e3o para plantar e colher mesmo em condi\u00e7\u00f5es adversas.<\/p>\n<p>Outros 2 milh\u00f5es de agricultores em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade tiveram acesso a recursos financeiros para evitar a venda de suas terras e animais, o que tornaria imposs\u00edvel a sua regenera\u00e7\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p>Parcerias com a FAO garantiram a vacina\u00e7\u00e3o de mais de 43 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de bovinos e caprinos nesses pa\u00edses, al\u00e9m do abastecimento de \u00e1gua perene, sem o qual seria impratic\u00e1vel dar resili\u00eancia \u00e0 economia comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A FAO tem experi\u00eancias, estruturas e v\u00ednculos locais para dobrar a aposta nessas iniciativas e converter o repto em um duplo ganho.<\/p>\n<p>De um lado, redimir a seguran\u00e7a alimentar de milh\u00f5es de seres humanos elevando sua capacidade de produzir em sintonia com a natureza; de outro, provar a n\u00f3s mesmos que o futuro sustent\u00e1vel continua a ser o nome da esperan\u00e7a no s\u00e9culo XXI. Fonte ONUBr (#Envolverde)<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/uma-chance-para-a-esperanca-por-jose-graziano\/\">Uma Chance para a Esperan\u00e7a, por Jos\u00e9 Graziano<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/\">Envolverde - Revista Digital<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos&eacute; Graziano da Silva, diretor-geral da FAO* Em 2016, depois de mais de uma d&eacute;cada de sucessivos recuos que reduziram a popula&ccedil;&atilde;o subalimentada do planeta, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) constatou uma inflex&atilde;o ascendente. 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A experi&ecirc;ncia ensina que um ciclo de alta da economia facilita, mas n&atilde;o corrige sozinho as perdas e danos da etapa negativa que o precedeu. A qualifica&ccedil;&atilde;o do crescimento em desenvolvimento para toda a sociedade persiste como um apan&aacute;gio das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e da a&ccedil;&atilde;o coordenada de institui&ccedil;&otilde;es voltadas &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o internacional. No entanto, o que se passa hoje &eacute; mais complicado do que simplesmente resgatar o que se perdeu. A retomada em curso talvez n&atilde;o produza um novo e abrangente ciclo de expans&atilde;o do emprego associado a vagas de qualidade, com ganhos reais de poder de compra por um longo per&iacute;odo. Ao decl&iacute;nio do emprego na d&eacute;cada cr&iacute;tica iniciada em 2008, soma-se agora um in&eacute;dito degrau de automa&ccedil;&atilde;o trazido pela quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial. O conjunto maximizar&aacute; a produtividade, mas tamb&eacute;m o desafio hist&oacute;rico de redistribuir a riqueza por ela gerada. &Eacute; nessa fronteira de m&uacute;ltiplas encruzilhadas que a FAO constr&oacute;i um repto &agrave; inquietante recidiva da fome na atualidade. Um bilh&atilde;o de d&oacute;lares em contribui&ccedil;&otilde;es internacionais pode salvar 30 milh&otilde;es de vidas em 26 pa&iacute;ses e reverter o n&uacute;cleo duro da inseguran&ccedil;a alimentar em nosso tempo. O apelo encerra m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es. Se a coopera&ccedil;&atilde;o internacional n&atilde;o for capaz disso, que chance ter&aacute; a meta do desenvolvimento sustent&aacute;vel na equa&ccedil;&atilde;o do clima no s&eacute;culo XXI, como previsto no Acordo de Paris? Que espa&ccedil;o restar&aacute; &agrave; meta da&iacute; insepar&aacute;vel de zerar a fome e a pobreza extrema nos pr&oacute;ximos doze anos, com base em novos padr&otilde;es produtivos previstos nos Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel? A agenda da FAO em 2018 est&aacute; integralmente centrada na constru&ccedil;&atilde;o cooperativa das respostas a essas perguntas, que v&atilde;o selar o destino do s&eacute;culo XXI. N&atilde;o se trata apenas de acudir a emerg&ecirc;ncia. As causas da fome precisam ser compreendidas para que se possa agir com a rapidez necess&aacute;ria no presente e prevenir r&eacute;plicas no futuro. A fome no s&eacute;culo XXI deixou de ser um alvo est&aacute;tico. 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