{"id":2202,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2202"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"ambiente-salmo-silvestre-ameaado-por-criadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/ambiente-salmo-silvestre-ameaado-por-criadores\/","title":{"rendered":"Ambiente: Salm&atilde;o silvestre amea&ccedil;ado por criadores"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 09\/10\/2006 &ndash; Os criadores de salm&atilde;o em mar aberto matam um grande n&uacute;mero de peixes silvestres, amea&ccedil;ando v&aacute;rias esp&eacute;cies deste g&ecirc;nero, afirma um estudo feito pela prov&iacute;ncia canadense de Columbia Brit&acirc;nica. <!--more--> A pesquisa mostra que o piolho marinho, um parasita dos peixes existente nos criadouros de salm&atilde;o localizados ao longo da costa desta prov&iacute;ncia, mata mais de 95% das crias que nadam para mar aberto. \u201c&Eacute; uma conclus&atilde;o alarmante\u201d, disse a bi&oacute;loga Alexandra Morton, da Sociedade de Pesquisa Raincoast e co-autora do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. \u201cNeste ritmo, n&atilde;o teremos mais salm&atilde;o silvestre\u201d, disse Morton &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O estudo apresenta a quase certeza de que a fonte de infesta&ccedil;&atilde;o de piolhos marinhos e a aq&uuml;icultura, em auge na Columbia Brit&acirc;nica, onde dezenas de milh&otilde;es de salm&otilde;es de uma esp&eacute;cie aut&oacute;ctone do Oceano Atl&acirc;ntico s&atilde;o criados, em redes, em mar aberto ao longo da costa do Oceano Pacifico. \u201cO debate terminou\u201d, afirmou a bi&oacute;loga. O impacto de mais de cem grandes criadouros na costa dessa prov&iacute;ncia canadense foi muito questionado na ultima d&eacute;cada. A regi&atilde;o &eacute; a quarta produtora, registrando vendas acima de US$ 300 milh&otilde;es ao ano, principalmente para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A esp&eacute;cie cultivada, por n&atilde;o ser originaria do Pacifico, &eacute; propensa a infestar-se de piolhos marinhos \u2013 pequenos parasitas que se alimentam das membranas da mucosa e da pele \u2013 que normalmente n&atilde;o s&atilde;o encontrados em grandes quantidades, exceto nos criadouros de peixes, onde cerca de um milh&atilde;o de indiv&iacute;duos podem ser contagiados. Por outro lado, o salm&atilde;o adulto origin&aacute;rio do Pac&iacute;fico vive em mar aberto. Mas remonta os rios e cursos de &aacute;gua de muitas montanhas da regi&atilde;o para desovar na primavera e no outono,antes de morrer. Pouco depois de nascer os jovens salm&otilde;es descem a corrente para as desembocaduras e entradas de rios e cursos de &aacute;gua, onde se encontram com os criadouros e com nuvens subaqu&aacute;ticas de piolhos marinhos.<\/p>\n<p>O padr&atilde;o de imigra&ccedil;&atilde;o das crias as mant&ecirc;m afastadas dos adultos, portadores dos piolhos, disse o co-autor do estudo Martin Krksek, doutorando do Centro de Matem&aacute;tica Biol&oacute;gica da Universidade de Alberta. \u201cMas os criadouros costumam estar nos piores lugares\u201d, afirmou &agrave; IPS. Os pesquisadores seguiram a trajet&oacute;ria dos peixes ao longo de sua rota migrat&oacute;ria, por mais de cem quil&ocirc;metros, tomando amostras a cada dois quil&ocirc;metros. Encontraram piolho marinho em mais de 14 mil peixes. \u201cPode-se ver como aumenta a infesta&ccedil;&atilde;o na medida em que se aproximam dos criadouros\u201d, afirmou Krkosek.<\/p>\n<p>O piolho do mar pode se deslocar mais de 50 quil&ocirc;metros para investar um hospedeiro, segundo a nova pesquisa da Universidade de Auckland, na Nova Zel&acirc;ndia. Krkosek e outros cientistas usaram modelos matem&aacute;ticos sofisticados para saber se a concentra&ccedil;&atilde;o de piolhos do mar procede dos criadouros ou de outras fontes prov&aacute;veis, e conclu&iacute;ram que eles s&atilde;o a causa principal. \u201cO trabalho &eacute; de um impec&aacute;vel alto n&iacute;vel e ser&aacute; muito dif&iacute;cil de ser questionado\u201d, disse Andy Dobson, epidemiologista da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, especializado em doen&ccedil;as relativas &agrave; fauna e &agrave; flora natural. Al&eacute;m disso, junta muitas pontas soltas de outros estudos sobre o parasita e quantifica seus impactos, destacou Dobson.<\/p>\n<p>Para determinar as conseq&uuml;&ecirc;ncias, foram feitos testes de mortalidade com mais de tr&ecirc;s mil peixes. \u201cBasta somente um, ou dois, piolho do mar para matar uma cria de salm&atilde;o vermelho\u201d, disse Krkosek. \u201cAs crias s&atilde;o muito vulner&aacute;veis por serem muito pequenas, medem entre tr&ecirc;s e cinco cent&iacute;metros de comprimento\u201d, explicou. \u201cNo melhor dos casos, um aumento de 10% na mortalidade causada pelo piolho do mar presente nos criadouros para colocar a reserva de peixes em alerta m&aacute;ximo,\u201d afirmou o bi&oacute;logo John Volpe, co-autor de uma pesquisa da Universidade de Victoria. \u201cCreio que nosso estudo mostra claramente que h&aacute; graves problemas com o cultivo do salm&atilde;o em mar aberto\u201d, afirmou Krkosek.<\/p>\n<p>Est&aacute; pesquisa &eacute; a mais detalhada j&aacute; feita at&eacute; agora, mas os especialistas j&aacute; sabiam, ou suspeitavam, que o piolho do mar existente nos criadouros estava diretamente implicado na redu&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es de peixes silvestres da Esc&oacute;cia, Irlanda e Noruega, os principais centros de cria&ccedil;&atilde;o de salm&atilde;o. \u201cSacrificaram seu salm&atilde;o silvestre pelo de criadouro\u201d, afirmou. Mas a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito diferente na Columbia Brit&acirc;nica, onde todo o ecossistema natural da costa oeste depende das abundantes reservas de salm&atilde;o selvagem. \u201cO salm&atilde;o &eacute; o alimento de &aacute;guias, ursos, baleias, lobos e, inclusive, florestas\u201d, explicou Krkosek. A hist&oacute;ria do salm&atilde;o do Pac&iacute;fico &eacute; extraordin&aacute;ria, pois passa dois anos se alimentando em mar aberto para depois voltar &agrave; sua &aacute;gua natal para desovar e morrer.<\/p>\n<p>V&aacute;rias esp&eacute;cies de outros animais se alimentam de peixes moribundos que, por sua vez, deixam grandes quantidades de restos na floresta. Os corpos mortos em decomposi&ccedil;&atilde;o enriquecem o solo e servem de adubo para muitas plantas, como o imponente cedro vermelho da regi&atilde;o e a p&iacute;cea &#8211; tamb&eacute;m chamado abeto falso &#8211; de Sitka. Os pesquisadores encontraram nutrientes procedentes do salm&atilde;o em folhas da copa de &aacute;rvores de dois mil anos, contou Krkosek. A cria do salm&atilde;o n&atilde;o se alimenta at&eacute; chegar ao oceano. <\/p>\n<p>A infesta&ccedil;&atilde;o do piolho pode ser reduzida com o uso de inseticidas, mas os produtos qu&iacute;micos prejudicam os camar&otilde;es e outros organismos. Al&eacute;m disso, o tratamento &eacute; caro e o parasita pode se tornar resistente. J&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel cultivar o salm&atilde;o em sistemas fechados para que a ind&uacute;stria trate os dejetos de forma adequada, em lugar de jog&aacute;-los ao mar, reconheceu Morton. Isso seria muito caro, mas a aq&uuml;icultura prejudica a ecologia oce&acirc;nica enquanto obt&eacute;m benef&iacute;cios das correntes marinhas que limpam suas redes sem nenhum custo. Um foco de piolho do mar em criadouros no arquip&eacute;lago Brougthton, ao norte da ilha de Vancouver, em 2001, exterminou 99% dos peixes aut&oacute;ctones salm&atilde;o vermelho, entre 3,5 milh&otilde;es e cinco milh&otilde;es de exemplares.<\/p>\n<p>Apesar disso, o governo de Columbia Brit&acirc;nica p&ocirc;s fim, um ano depois, a uma morat&oacute;ria de sete anos sobre a amplia&ccedil;&atilde;o do cultivo do salm&atilde;o. O governo local nega o problema do piolho do mar, disse Morton. Doen&ccedil;as e infesta&ccedil;&otilde;es podem aparecer em qualquer lugar onde h&aacute; grande concentra&ccedil;&atilde;o de peixes de criadouro ou outros animais em recintos de engorda e estabelecimentos de cria&ccedil;&atilde;o intensiva de gado, disse Dobson. \u201cQuando veremos os primeiro humanos doentes por culpa da aq&uuml;icultura?\u201d, perguntou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 09\/10\/2006 &ndash; Os criadores de salm&atilde;o em mar aberto matam um grande n&uacute;mero de peixes silvestres, amea&ccedil;ando v&aacute;rias esp&eacute;cies deste g&ecirc;nero, afirma um estudo feito pela prov&iacute;ncia canadense de Columbia Brit&acirc;nica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ambiente\/ambiente-salmo-silvestre-ameaado-por-criadores\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[14],"class_list":["post-2202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2202\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}