{"id":2203,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2203"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"ambiente-lixo-radioativo-ameaa-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/ambiente-lixo-radioativo-ameaa-o-planeta\/","title":{"rendered":"Ambiente: Lixo radioativo amea&ccedil;a o planeta"},"content":{"rendered":"<p>Monte Porzio Catone, It&aacute;lia, 09\/10\/2006 &ndash; O principal risco ambiental do planeta n&atilde;o s&atilde;o os alimentos contaminados nem as doen&ccedil;as que proliferam por causa da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, mas os res&iacute;duos de ur&acirc;nio de reatores e m&iacute;sseis, alertou o especialista norte-americano Asaf Durakovic, durante o f&oacute;rum ambiental encerrados s&aacute;bado em Roma. <!--more--> As maiores pot&ecirc;ncias nucleares \u2013 Estados Unidos, China, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia \u2013 contam atualmente como o equivalente a cem milh&otilde;es de bombas como a de Hiroshima, o suficiente para destruir sete vezes a Terra, afirmou Durakovic, diretor do Uranium Medical Research Center (UMRC \u2013 Centro de Pesquisa M&eacute;dica sobre o Ur&acirc;nio).<\/p>\n<p>Durakovic falou durante o IV F&oacute;rum Internacional para Jornalistas sobre a Prote&ccedil;&atilde;o da Natureza, que aconteceu entre quarta-feira passada e s&aacute;bado, organizado pela n&atilde;o-governamental Associa&ccedil;&atilde;o Cultural Greenaccord, em Monte Porzio Catone, uma localidade pr&oacute;xima de Roma. Desde a Guerra do Golfo contra o Iraque, em 1991, at&eacute; agora, foram lan&ccedil;ados proj&eacute;teis de ur&acirc;nio empobrecido com 3.601 toneladas de material radioaivo, informou. O UMRC, uma ONG fundada em 1997, com sede nos Estados Unidos e no Canad&aacute;, questiona o uso da express&atilde;o \u201cur&acirc;nio empobrecido\u201d, muito utilizada pelos militares.<\/p>\n<p>O ur&acirc;nio natural extra&iacute;do da natureza &eacute; enriquecido para ser usado como combust&iacute;vel nuclear, em um processo que d&aacute; origem, como subproduto, ao ur&acirc;nio empobrecido. Tanto este quanto o natural s&atilde;o compostos em mais de 99% do is&oacute;topo U328 (um dos elementos que t&ecirc;m o mesmo n&uacute;mero de pr&oacute;tons e diferente n&uacute;mero de n&ecirc;utrons, neste caso do ur&acirc;nio). O material supostamente empobrecido s&oacute; perde menos de 1% do ur&acirc;nio total nos is&oacute;topos U234 e U235. Assim, o ur&acirc;nio empobrecido &eacute; quase t&atilde;o concentrado quanto o natural e pode conter tra&ccedil;os de plut&ocirc;nio (U236), afirma o UMRC.<\/p>\n<p>Ex-coronel do ex&eacute;rcito dos Estados Unidos, onde trabalhou como m&eacute;dico, Durakovic percebeu os riscos das novas armas at&ocirc;micas quando come&ccedil;ou a atender soldados norte-americanos que regressavam do Iraque contaminados com a radia&ccedil;&atilde;o emitida por proj&eacute;teis que tamb&eacute;m foram usados nos conflitos de secess&atilde;o dos Balc&atilde;s nos anos 90, na ofensiva norte-americana contra o Afeganist&atilde;o desde 2001, e na segunda guerra contra o Iraque, iniciada em mar&ccedil;o de 2003. Em 2000, Durakovic j&aacute; era, h&aacute; 12 anos, especialista em medicina nuclear do Departamento de Defesa. O governo o colocou para investigar a chamada s&iacute;ndrome da Guerra do Golfo. Mas diante de suas descobertas, recebeu ordens para suspender a pesquisa, sob pena de perder o emprego.<\/p>\n<p>Durakovic continuou pesquisando por conta pr&oacute;pria e descobriu que os veteranos n&atilde;o s&oacute; tinham o is&oacute;topo U238 em seus organismos, mas tamb&eacute;m plut&ocirc;nio. Sabe-se agora que boa parte da muni&ccedil;&atilde;o com ur&acirc;nio empobrecido fabricada nos Estados Unidos cont&eacute;m esse outro elemento radioativo. Os m&iacute;sseis com is&oacute;topos de ur&acirc;nio, que perfuram facilmente qualquer tanque de guerra, espalham uma nuvem radioativa na atmosfera. A contamina&ccedil;&atilde;o ocorre principalmente quando estes res&iacute;duos s&atilde;o inalados pelos soldados ou pelas comunidades atacadas. Atrav&eacute;s do sistema respirat&oacute;rio, o ur&acirc;nio chega aos ossos e acaba comprometendo o sistema imunol&oacute;gico, explicou o especialista.<\/p>\n<p>A equipe do UMRC tamb&eacute;m analisou a contamina&ccedil;&atilde;o radioativa no Afeganist&atilde;o. \u201cEncontrei U236 (plut&ocirc;nio) em todos meus pacientes. Este is&oacute;topo n&atilde;o existe na natureza. Foi produzido pelo homem nestes 15 anos de guerra nuclear\u201d, disse o m&eacute;dico. Nos &uacute;ltimos 60 anos, houve um grande ac&uacute;mulo de lixo radioativo no planeta, que coloca em risco a vida terrestre, acrescentou. H&aacute; meio milh&atilde;o de metros c&uacute;bicos destes res&iacute;duos de alto n&iacute;vel gerados pela produ&ccedil;&atilde;o de armas nucleares e mais de 40 mil toneladas de combust&iacute;vel usado nos reatores das centrais de gera&ccedil;&atilde;o de energia, segundo Durakovic.<\/p>\n<p>Todas as alternativas de armazenamento desses dejetos aplicadas at&eacute; hoje s&atilde;o inseguras, acrescentou o especialista. Em 1957, houve uma explos&atilde;o em uma usina russa em Kyshtym, nos Montes Urais, por causa do calor gerado pela grande concentra&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos radioativos em um s&oacute; lugar, recordou. Em sua opini&atilde;o, a proposta de lan&ccedil;ar cont&ecirc;ineres com este lixo no espa&ccedil;o &eacute; uma grande bobagem, por causa do elevado custo e do risco de explos&otilde;es no lan&ccedil;amento dos foguetes. Os dep&oacute;sitos marinhos foram usados no passado, mas j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o aceitos. \u201cTodos os dep&oacute;sitos que existem s&atilde;o inseguros, verdadeiras bombas de tempo\u201d, advertiu este especialista em radia&ccedil;&otilde;es ionizantes. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais grave nos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cUm novo informe da Universidade de Ibadan destacou a total inefic&aacute;cia de um dep&oacute;sito de lixo radioativo na Nig&eacute;ria\u201d, informou. Al&eacute;m disso, os testes com armas nucleares feitos tanto no mar quanto em terra tamb&eacute;m deixam grandes quantidades de res&iacute;duos e danos ambientais, destacou Durakovic. \u201cEstamos diante de um problema, que n&atilde;o percebemos porque &eacute; invis&iacute;vel. &Eacute; necess&aacute;rio deixar de produzir armas radioativas. Mas a fabrica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o p&aacute;ra por causa dos muitos interesses econ&ocirc;micos em jogo. A retirada e o ac&uacute;mulo de res&iacute;duos nucleares movem milhares de bilh&otilde;es de d&oacute;lares\u201d, ressaltou o especialista. Em sua opini&atilde;o, a energia at&ocirc;mica n&atilde;o poder&aacute; ser vista nunca como alternativa aos combust&iacute;veis que causam o aquecimento global. \u201cPode causar um efeito contr&aacute;rio, o inverno nuclear, pelo enorme risco de contamina&ccedil;&atilde;o\u201d, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monte Porzio Catone, It&aacute;lia, 09\/10\/2006 &ndash; O principal risco ambiental do planeta n&atilde;o s&atilde;o os alimentos contaminados nem as doen&ccedil;as que proliferam por causa da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, mas os res&iacute;duos de ur&acirc;nio de reatores e m&iacute;sseis, alertou o especialista norte-americano Asaf Durakovic, durante o f&oacute;rum ambiental encerrados s&aacute;bado em Roma. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/ambiente-lixo-radioativo-ameaa-o-planeta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1504,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[],"class_list":["post-2203","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1504"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2203\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}