{"id":2206,"date":"2006-10-10T00:00:00","date_gmt":"2006-10-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2206"},"modified":"2006-10-10T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-10T00:00:00","slug":"direitos-humanos-itlia-quer-a-abolio-mundial-da-pena-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-itlia-quer-a-abolio-mundial-da-pena-de-morte\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: It&aacute;lia quer a aboli&ccedil;&atilde;o mundial da pena de morte"},"content":{"rendered":"<p>Roma, 10\/10\/2006 &ndash; Nos 13 anos transcorridos desde seu surgimento na It&aacute;lia, a campanha global para abolir a pena de morte conseguiu o apoio de mais da metade do mundo. Mas agora quer mais. Seu objetivo &eacute; conseguir o fim, de fato, deste castigo extremo em todo o planeta. <!--more--> Para isso, Roma pressiona a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para que ap&oacute;ie uma iniciativa italiana na atual sess&atilde;o da Assembl&eacute;ia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em favor de uma resolu&ccedil;&atilde;o que exorte todos os pa&iacute;ses para que trabalhem pela morat&oacute;ria universal das execu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para marcar o Dia Mundial Contra a Pena de Morte, celebrado neste 10 de outubro, o vice-presidente da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, Franco Frattini, e o secret&aacute;rio-geral do Conselho da Europa, Terry Davis, dar&atilde;o uma coletiva conjunta hoje para aplaudir os esfor&ccedil;os da sociedade civil em seu apoio. Tamb&eacute;m se espera que esse organismo anuncie seu apoio &agrave; confer&ecirc;ncia internacional contra a pena de morte que acontecer&aacute; em fevereiro, em Paris. Al&eacute;m disso, a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, formada por 25 especialistas de cada Estado-membro, se re&uacute;ne nesta ter&ccedil;a-feira para debater a iniciativa italiana. Uma recomenda&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o poderia ajudar a UE a alcan&ccedil;ar um acordo para apoiar a proposta de Roma.<\/p>\n<p>\u201cA quest&atilde;o &eacute; chave para todo o Parlamento Europeu\u201d, disse &agrave; IPS Luisa Morgantini, presidente do Comit&ecirc; de Desenvolvimento do parlamento. Na semana passada, Morgantini enviou uma carta a funcion&aacute;rios de alto n&iacute;vel da UE e a minist&eacute;rios das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores de todos os pa&iacute;ses-membros enfatizando seu apoio &agrave; iniciativa italiana. \u201cA Uni&atilde;o Europ&eacute;ia poderia e deveria ter um papel importante na promo&ccedil;&atilde;o desta iniciativa na ONU\u201d, afirmou, citando a carta assinada por todos os comit&ecirc;s parlamentares da UE. \u201cEsperamos que o Conselho de Ministros d&ecirc; a devida aten&ccedil;&atilde;o aos nossos pontos de vista\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Riccardo Mosca, porta-voz da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia em mat&eacute;ria de Justi&ccedil;a, Liberdade e Seguran&ccedil;a, disse que, embora a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte seja uma prioridade para Bruxelas, &eacute; improv&aacute;vel que a UE ap&oacute;ie uma resolu&ccedil;&atilde;o de morat&oacute;ria das execu&ccedil;&otilde;es nesta sess&atilde;o da Assembl&eacute;ia Geral da ONU. \u201cNa UE n&atilde;o h&aacute; um projeto de resolu&ccedil;&atilde;o\u201d, disse Mosca &agrave; IPS. Mas acrescentou que \u201ca Comiss&atilde;o gostaria, um dia, de ter uma resolu&ccedil;&atilde;o para uma morat&oacute;ria universal\u201d. A not&iacute;cia deixou desiludida Elisabetta Zamparutti, advogada e coordenadora do informe anual sobre a pena de morte da organiza&ccedil;&atilde;o abolicionista Hands Off Cain.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos nove anos, organiza&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; pena de morte conseguiram que a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU aprovasse resolu&ccedil;&otilde;es de morat&oacute;ria. A &uacute;ltima, aprovada em abril de 2005 diz: \u201cA aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte contribui para fortalecer o respeito pela dignidade humana e o progressivo desenvolvimento dos direitos humanos\u201d. A Comiss&atilde;o da ONU levou suas consultas aos pa&iacute;ses onde a pena de morte ainda &eacute; aplicada \u201cno sentido de estabelecer uma morat&oacute;ria sobre as execu&ccedil;&otilde;es (&#8230;) para acabar completamente com ela\u201d. No come&ccedil;o deste ano, a pedido do partido esquerdista Rosa nel Pugno (Rosa no Punho), o governo da It&aacute;lia decidiu apresentar uma proposta de morat&oacute;ria &agrave; Assembl&eacute;ia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Uma mo&ccedil;&atilde;o neste sentido contou com apoio un&acirc;nime do Parlamento italiano, com extraordin&aacute;ria ades&atilde;o do oficialismo e da oposi&ccedil;&atilde;o. \u201cPenso que &eacute; oportuno retomar a iniciativa italiana de por fim &agrave; pena de morte, que &eacute; uma constante de nossa cultura e nossa civiliza&ccedil;&atilde;o\u201d, disse o primeiro-ministro da It&aacute;lia, Romano Prodi, ao parlamento nesse momento. Mas a iniciativa fracassou porque o governo ainda n&atilde;o conseguiu o aval dos outros membros da UE.<\/p>\n<p>\u201cNossa aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentar a morat&oacute;ria junto com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, e depois tentar envolver ativamente pa&iacute;ses de fora do bloco\u201d, disse &agrave; IPS o subsecret&aacute;rio de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, Gianni Vernetti, senador pelo partido de centro-esquerda L\u2019Olivo. \u201cTemos muitos avais de nossos s&oacute;cios europeus. Alguns ainda t&ecirc;m algumas poucas incertezas, mas acredito que seremos capazes de cumprir nosso compromisso\u201d, acrescentou Vernetti. Hads Off Cain, junto com 53 organiza&ccedil;&otilde;es que integram a Coaliz&atilde;o Mundial para Abolir a Pena de Morte, acredita ter o consenso dos parlamentos de 92 pa&iacute;ses que co-patrocinariam uma resolu&ccedil;&atilde;o de morat&oacute;ria na ONU.<\/p>\n<p>Dados divulgados pela Hands Off Cain mostram que tal resolu&ccedil;&atilde;o seria aprovada por uma esmagadora maioria. A organiza&ccedil;&atilde;o estima que entre 95 e 107 pa&iacute;ses votariam a favor e entre 61 e 68 se oporiam. O governo da It&aacute;lia foi o primeiro a abordar a quest&atilde;o em 1997, obtendo a aprova&ccedil;&atilde;o, pela Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU (agora Conselho de Direitos Humanos), de uma resolu&ccedil;&atilde;o contra a pena de morte. Desde 1999, uma declara&ccedil;&atilde;o sobre a pena capital foi apresentada conjuntamente com a UE e aprovada pela comiss&atilde;o a cada ano.<\/p>\n<p>Agora, entretanto, a unidade sobre a pena de morte come&ccedil;ou a se desfazer porque alguns dos membros mais antigos da UE n&atilde;o querem pressionar sobre pa&iacute;ses influentes com Ar&aacute;bia Saudita e Ir&atilde;. Al&eacute;m disso, o novo primeiro-ministro da Pol&ocirc;nia declarou publicamente que quer restaurar a pena de morte para desestimular a criminalidade. Mosca, da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, concorda que conseguir o consenso &eacute; um problema. \u201cH&aacute; alguns pol&iacute;ticos que t&ecirc;m uma agenda pol&iacute;tica que se afasta da UE. Isso n&atilde;o &eacute; nenhum segredo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A Bielor&uacute;ssia executou dois condenados no ano passado, ap&oacute;s ter concordado com uma morat&oacute;ria, apesar de integrar o Conselho da Europa. A R&uacute;ssia implementou a sua, mas ainda n&atilde;o eliminou as leis que prev&ecirc;em a pena de morte. Como a UE toma suas decis&otilde;es por consenso, desentranhar a unidade que cerca a quest&atilde;o se tornou um desafio. \u201cUm problema-chave e de alcance mundial como este n&atilde;o pode ser deixado apenas &agrave; responsabilidade dos pa&iacute;ses europeus\u201d, disse Zamparutti. \u201cComo h&aacute; muitas na&ccedil;&otilde;es que se unem na campanha internacional a cada ano, &eacute; preciso evitar definir o assunto como europeus e ocidentais e tentar, por outro lado, criar alian&ccedil;as com Estados representativos de todos os continentes\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mosca concordou que os pa&iacute;ses europeus n&atilde;o podem agir sozinhos. \u201cN&atilde;o est&aacute; dentro de nossa compet&ecirc;ncia pedir &agrave; China ou &agrave; Tail&acirc;ndia que parem. Tampouco temos o poder de pedir o mesmo aos Estados Unidos\u201d. Espera-se que a maior oposi&ccedil;&atilde;o dentro do organismo mundial venha de dois dos maiores executores de condenados do mundo: China e Estados Unidos, dois dos mais destacados membros da ONU. Estes dois pa&iacute;ses integram o Conselho de Seguran&ccedil;a. Zamparutti considera isto um obst&aacute;culo, mas n&atilde;o intranspon&iacute;vel. \u201cEstados Unidos e China sempre rejeitaram a proposta de uma morat&oacute;ria\u201d, disse &agrave; IPS, \u201cmas para sermos honestos, eles nunca pressionaram outros pa&iacute;ses para que n&atilde;o votassem pela resolu&ccedil;&atilde;o. Simplesmente devem votar contra a causa de seu sistema interno\u201d, disse. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, 10\/10\/2006 &ndash; Nos 13 anos transcorridos desde seu surgimento na It&aacute;lia, a campanha global para abolir a pena de morte conseguiu o apoio de mais da metade do mundo. Mas agora quer mais. 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