{"id":22093,"date":"2018-04-04T17:09:58","date_gmt":"2018-04-04T17:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/?p=228068"},"modified":"2018-04-04T17:09:58","modified_gmt":"2018-04-04T17:09:58","slug":"morre-o-ultimo-rinoceronte-branco-do-norte-extinto-pelo-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2018\/04\/ultimas-noticias\/morre-o-ultimo-rinoceronte-branco-do-norte-extinto-pelo-homem\/","title":{"rendered":"Morre o \u00faltimo rinoceronte branco do norte, extinto pelo homem"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-220581\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS15-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Por Sucena Shkrada Resk<\/p>\n<p>O anci\u00e3o Sudan, no alto dos seus 45 anos e cerca de 2,3 mil quilos e 1,82m de altura, n\u00e3o venceu a batalha que travava contra uma infec\u00e7\u00e3o que atingiu sua pata direita traseira, no m\u00eas de mar\u00e7o. O \u00faltimo exemplar macho de rinoceronte-branco do norte do planeta foi submetido a uma eutan\u00e1sia, que foi a op\u00e7\u00e3o considerada mais vi\u00e1vel pelos veterin\u00e1rios que tratavam dele no Ol Pejeta Conservancy, \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o no Qu\u00eania, no continente africano. A sua morte, no entanto, simboliza muito mais. Significa o peso da press\u00e3o predat\u00f3ria praticada pelo ser humano contra diferentes esp\u00e9cies de fauna, ao longo de centenas de anos e a resili\u00eancia de um sobrevivente, que conseguiu ter uma trajet\u00f3ria de vida surpreendente.<\/p>\n<p>O imponente mam\u00edfero conseguiu fugir das estat\u00edsticas de v\u00edtimas fatais de ca\u00e7adores, ao ser transferido d\u00e9cadas atr\u00e1s ao zoo de Dv\u016fr Kr\u00e1lov\u00e9, s\u00f3 retornando ao seu habitat mais recentemente, pouco antes da sua morte. Para se ter uma ideia, nos anos 70, eram encontrados somente cerca de 500 exemplares dessa subesp\u00e9cie de mam\u00edfero. O interesse pelos chifres desses animais em um mercado clandestino principalmente asi\u00e1tico teve um poder devastador de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje restam apenas duas f\u00eameas &#8211; Najin, filha de Sudan, e Fatu, sua neta. Pesquisadores tentam viabilizar por meio de informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas (s\u00eamen) de Sudan ou de rinocerontes-brancos do sul, a insemina\u00e7\u00e3o artificial e, com isso, a possibilidade de que haja a gesta\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es em uma reprodu\u00e7\u00e3o assistida. A chance de \u00eaxito \u00e9 considerada m\u00ednima e o custo do procedimento \u00e9 alto, exigindo angariar recursos. Outro parente desta esp\u00e9cie, o rinoceronte-negro do Oeste Africano tamb\u00e9m foi extinto em 2011.<\/p>\n<p>Um giro pelo mundo<\/p>\n<p>Na lista vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN) 2017, h\u00e1 atualmente na lista de fauna, 748 possivelmente extintas. No Brasil, as baixas de esp\u00e9cies end\u00eamicas s\u00e3o principalmente de aves. De acordo com os cientistas, n\u00e3o teremos oportunidade de ver mais a coruja cabur\u00e9-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum); a ave gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), a ave limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi); a perereca-verde-da-f\u00edmbria, (Phrynomedusa fimbriata); o roedor rato-de-fernando-de-noronha (Noronhomys vespuccii).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desses animais nos remete ao an\u00fancio do encaminhamento da sexta extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em massa relatado por in\u00fameros cientistas. No processo evolutivo da Terra, em quatro bilh\u00f5es de anos, j\u00e1 ocorreram as cinco anteriores que, entretanto, eram atribu\u00eddas a causas naturais, como do impacto do meteorito a 66 milh\u00f5es de anos. Agora, o ser humano est\u00e1 na fun\u00e7\u00e3o central de vil\u00e3o. Nos \u00faltimos 518 anos, estima-se que 322 esp\u00e9cies foram extintas e o processo se acelera cada vez mais. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, desmatamento, guerras, a\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias de ca\u00e7a se somam na lista de a\u00e7\u00f5es que acarretam este crescente decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Not\u00edcias positivas de programas e projetos de reintrodu\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies na natureza e aumento de exemplares existem, mas s\u00e3o processos mais dif\u00edceis e morosos, que n\u00e3o substituem o principal: a cultura da conserva\u00e7\u00e3o permanente. No Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Bidiversidade (ICMBio), h\u00e1 exemplos de iniciativas relacionadas ao lobo-guar\u00e1, \u00e0 on\u00e7a-pintada, o pato-mergulh\u00e3o e ao peixe-boi, entre outras. A esperan\u00e7a \u00e9 que esses animais tenham uma sobrevida por centenas de anos, chance que n\u00e3o est\u00e1 sendo dada aos rinocerontes e outras esp\u00e9cies por causa do modelo de desenvolvimento que adotamos no planeta.<\/p>\n<p>Sucena Resk \u00e9 editora do Blog Cidad\u00e3os do Mundo e jornalista especializada em meio ambiente (#Envolverde)<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/morre-o-ultimo-rinoceronte-branco-do-norte-extinto-pelo-homem\/\">Morre o \u00faltimo rinoceronte branco do norte, extinto pelo homem<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/\">Envolverde - Revista Digital<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sucena Shkrada Resk O anci&atilde;o Sudan, no alto dos seus 45 anos e cerca de 2,3 mil quilos e 1,82m de altura, n&atilde;o venceu a batalha que travava contra uma infec&ccedil;&atilde;o que atingiu sua pata direita traseira, no m&ecirc;s de mar&ccedil;o. O &uacute;ltimo exemplar macho de rinoceronte-branco do norte do planeta foi submetido a uma eutan&aacute;sia, que foi a op&ccedil;&atilde;o considerada mais vi&aacute;vel pelos veterin&aacute;rios que tratavam dele no Ol Pejeta Conservancy, &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o no Qu&ecirc;nia, no continente africano. A sua morte, no entanto, simboliza muito mais. Significa o peso da press&atilde;o predat&oacute;ria praticada pelo ser humano contra diferentes esp&eacute;cies de fauna, ao longo de centenas de anos e a resili&ecirc;ncia de um sobrevivente, que conseguiu ter uma trajet&oacute;ria de vida surpreendente. O imponente mam&iacute;fero conseguiu fugir das estat&iacute;sticas de v&iacute;timas fatais de ca&ccedil;adores, ao ser transferido d&eacute;cadas atr&aacute;s ao zoo de Dv&#367;r Kr&aacute;lov&eacute;, s&oacute; retornando ao seu habitat mais recentemente, pouco antes da sua morte. Para se ter uma ideia, nos anos 70, eram encontrados somente cerca de 500 exemplares dessa subesp&eacute;cie de mam&iacute;fero. O interesse pelos chifres desses animais em um mercado clandestino principalmente asi&aacute;tico teve um poder devastador de destrui&ccedil;&atilde;o. Hoje restam apenas duas f&ecirc;meas &ndash; Najin, filha de Sudan, e Fatu, sua neta. Pesquisadores tentam viabilizar por meio de informa&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas (s&ecirc;men) de Sudan ou de rinocerontes-brancos do sul, a insemina&ccedil;&atilde;o artificial e, com isso, a possibilidade de que haja a gesta&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es em uma reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. A chance de &ecirc;xito &eacute; considerada m&iacute;nima e o custo do procedimento &eacute; alto, exigindo angariar recursos. Outro parente desta esp&eacute;cie, o rinoceronte-negro do Oeste Africano tamb&eacute;m foi extinto em 2011. Um giro pelo mundo Na lista vermelha da Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza (IUCN) 2017, h&aacute; atualmente na lista de fauna, 748 possivelmente extintas. No Brasil, as baixas de esp&eacute;cies end&ecirc;micas s&atilde;o principalmente de aves. De acordo com os cientistas, n&atilde;o teremos oportunidade de ver mais a coruja cabur&eacute;-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum); a ave gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), a ave limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi); a perereca-verde-da-f&iacute;mbria, (Phrynomedusa fimbriata); o roedor rato-de-fernando-de-noronha (Noronhomys vespuccii). A hist&oacute;ria desses animais nos remete ao an&uacute;ncio do encaminhamento da sexta extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies em massa relatado por in&uacute;meros cientistas. No processo evolutivo da Terra, em quatro bilh&otilde;es de anos, j&aacute; ocorreram as cinco anteriores que, entretanto, eram atribu&iacute;das a causas naturais, como do impacto do meteorito a 66 milh&otilde;es de anos. Agora, o ser humano est&aacute; na fun&ccedil;&atilde;o central de vil&atilde;o. Nos &uacute;ltimos 518 anos, estima-se que 322 esp&eacute;cies foram extintas e o processo se acelera cada vez mais. Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, desmatamento, guerras, a&ccedil;&otilde;es predat&oacute;rias de ca&ccedil;a se somam na lista de a&ccedil;&otilde;es que acarretam este crescente decl&iacute;nio. Not&iacute;cias positivas de programas e projetos de reintrodu&ccedil;&atilde;o de algumas esp&eacute;cies na natureza e aumento de exemplares existem, mas s&atilde;o processos mais dif&iacute;ceis e morosos, que n&atilde;o substituem o principal: a cultura da conserva&ccedil;&atilde;o permanente. 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