{"id":2211,"date":"2006-10-11T00:00:00","date_gmt":"2006-10-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2211"},"modified":"2006-10-11T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-11T00:00:00","slug":"mulheres-a-violncia-como-norma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/mulheres-a-violncia-como-norma\/","title":{"rendered":"Mulheres: A viol&ecirc;ncia como norma"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 11\/10\/2006 &ndash; As mulheres continuam sendo vitimas de ass&eacute;dio sexual, tr&aacute;fico humano e flagrante discrimina&ccedil;&atilde;o em todo o planeta, segundo um hist&oacute;rico informe da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <!--more--> \u201cA viol&ecirc;ncia contra as mulheres persiste em cada pa&iacute;s como uma viola&ccedil;&atilde;o dominante dos direitos humanos e um importante impedimento para conseguir a igualdade de g&ecirc;nero\u201d, afirma o primeiro estudo mundial em profundidade sobre este problema, divulgado segunda-feira pelo secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan. Essa viol&ecirc;ncia &eacute; inaceit&aacute;vel \u201cse cometida pelo Estado e seus agentes ou por familiares e estrangeiros, na esfera p&uacute;blica e privada, em tempos de paz ou de conflito\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A investiga&ccedil;&atilde;o, cr&iacute;tica dos Estados-membros da ONU que ainda n&atilde;o penalizaram esses tipos de agress&otilde;es contra mulheres, tem 113 p&aacute;ginas e foi redigida por um comit&ecirc; assessor de dez especialistas de destaque internacional reconhecidos no estudo da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. Pelo menos, 102 dos 192 pa&iacute;ses-membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o t&ecirc;m disposi&ccedil;&otilde;es legais espec&iacute;ficas sobre viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, enquanto a viola&ccedil;&atilde;o conjugal n&atilde;o constitui crime em cerca de 53 pa&iacute;ses. Somente 93 pa&iacute;ses t&ecirc;m alguma disposi&ccedil;&atilde;o legal que pro&iacute;be o tr&aacute;fico humano.<\/p>\n<p>\u201cOnde existe legisla&ccedil;&atilde;o, freq&uuml;entemente &eacute; inadequada em seu alcance e cobertura e\/ou n&atilde;o efetivamente implementada\u201d, diz o informe. O documento tamb&eacute;m destaca que muitos Estados n&atilde;o implementam suficientes medidas de apoio para as mulheres v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia. \u201cAl&eacute;m disso, carecem de dados sistem&aacute;ticos e confi&aacute;veis sobre viol&ecirc;ncia contra a mulher que s&atilde;o necess&aacute;rios para elaborar estrat&eacute;gias\u201d, acrescenta. Al&eacute;m disso, persistem tradi&ccedil;&otilde;es, costumes e estere&oacute;tipos discriminat&oacute;rios que perpetuam a discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres, colocando-as em risco de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Um estudo europeu citado no informe da ONU indica que dos 1.322 casamentos realizados em seis aldeias do Quirguist&atilde;o, quase a metade foi resultado de seq&uuml;estros e dois ter&ccedil;os foram sem consenso. Na Gr&atilde;-Bretanha, uma Unidade de Casamentos For&ccedil;ados criada pelo governo interv&eacute;m em 300 casos por ano. Na &Iacute;ndia, segundo estat&iacute;sticas oficiais, 6.822 mulheres foram assassinadas em 2002 como resultado da viol&ecirc;ncia relacionada com demandas de dotes (pagos em dinheiro ou mercadorias &agrave; fam&iacute;lia da noiva para a fam&iacute;lia do noivo). O Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA) estima que anualmente s&atilde;o assassinadas em todo o mundo cerca de cinco mil mulheres por seus pr&oacute;prios familiares, nos chamados \u201cassassinatos de honra\u201d, crimes em nome da dignidade dentro da fam&iacute;lia ou da comunidade.<\/p>\n<p>Segundo a Coaliz&atilde;o de Alabama Contra a Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica, dos Estados Unidos, \u201c40% das adolescentes entre 14 e 17 anos dizem conhecer algu&eacute;m de sua idade que apanhou do noivo, e uma em cada cinco universit&aacute;rias experimentar&atilde;o alguma forma de viol&ecirc;ncia por parte de seu companheiro\u201d. J&eacute;ssica Neuwirth, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o Igualdade J&aacute;, destacou que o estudo da ONU &eacute; claro completo, e assinala reiteradamente a liga&ccedil;&atilde;o entre viol&ecirc;ncia e discrimina&ccedil;&atilde;o. Neuwirth disse, tamb&eacute;m, notar a aparente falta de vontade pol&iacute;tica para levar a serio a viol&ecirc;ncia contra as mulheres, apesar de sua gravidade. \u201cA viol&ecirc;ncia contra as mulheres s&oacute; terminar&aacute; quando houver vontade pol&iacute;tica. Todos os passos a serem dados est&atilde;o detalhados no novo informe, nenhum pela primeira vez. A pergunta &eacute; se, de fato, ser&atilde;o dados\u201d, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Consultada se o aumento da viol&ecirc;ncia se deve a uma falta de vontade pol&iacute;tica ou de recursos financeiros, a diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Obaid, disse &agrave; IPS que \u201c&eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o das duas coisas\u201d. No UNFPA \u201cacreditamos fortemente que o sistema da ONU e todos os outros doadores deveriam proporcionar mais recursos para planos de a&ccedil;&atilde;o nacional a fim de impedir e eliminar a viol&ecirc;ncia contra mulheres e crian&ccedil;as. Isto, por&eacute;m, requer um firme prop&oacute;sito pol&iacute;tico por parte dos governos no n&iacute;vel mais elevado para condenar a viol&ecirc;ncia contra as mulheres e agir para elimin&aacute;-la\u201d, afirmou Obaid.<\/p>\n<p>A especialista disse que alguns l&iacute;deres pol&iacute;ticos \u2013 como a primeira chefe de Estado da &Aacute;frica, a presidente liberiana Ellen Johnson-Sirleaf \u2013 est&atilde;o fazendo deste assunto uma prioridade e colocando em pr&aacute;tica importantes medidas. \u201c&Eacute; este tipo de lideran&ccedil;a ousada e vis&iacute;vel que se precisa\u201d, disse Obaid. Por sua vez, Charlotte Bunch, diretora-executiva do Centro para a Lideran&ccedil;a Global das Mulheres e uma das dez especialistas que ajudaram a elaborar o informe, disse que a ONU e a comunidade internacional n&atilde;o podem ser culpadas pela viol&ecirc;ncia. \u201cMas s&atilde;o respons&aacute;veis por n&atilde;o a considerar priorit&aacute;ria e n&atilde;o comprometer mais recursos para atac&aacute;-la\u201d, disse Bunch &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Como o estudo, Bunch criticou a falta de financiamento para enfrentar o problema, cada vez maior. Em especial, destacou a car&ecirc;ncia de recursos para desenvolver medidas efetivas. Entretanto, destacou que a ONU deu passos importantes para a cria&ccedil;&atilde;o de um contexto de trabalho normativo para enfrentar a viol&ecirc;ncia nos &uacute;ltimos 15 anos. \u201cMas agora se deve fazer um acompanhamento com mais a&ccedil;&atilde;o e recursos para implementar essas normas. A este respeito, o problema &eacute; a falta de vontade pol&iacute;tica, que tamb&eacute;m se v&ecirc; expressa na car&ecirc;ncia de recursos adequados comprometidos\u201d para sua solu&ccedil;&atilde;o, acrescentou Bunch.<\/p>\n<p>Por sua vez, Obaid disse que um dos principais fatores que perpetuam a viol&ecirc;ncia contra as mulheres &eacute; a ampla impunidade, que n&atilde;o somente incentiva mais abusos e sofrimento, mas tamb&eacute;m envia o sinal de que a viol&ecirc;ncia de homens contra mulheres &eacute; aceit&aacute;vel ou inevit&aacute;vel. \u201cDevemos deter a impunidade. Tamb&eacute;m creio que nunca poremos ponto final &agrave; viol&ecirc;ncia contra mulheres at&eacute; que os homens sejam transformados em s&oacute;cios e tanto meninos quanto meninas sejam criados em uma cultura de m&uacute;tuo respeito baseados em uma profunda compreens&atilde;o da cultura, na qual estas viola&ccedil;&otilde;es ocorrem e dependem da participa&ccedil;&atilde;o ativa das comunidades envolvidas. O progresso come&ccedil;ou e agora precisamos constru&iacute;-lo e elaborar uma resposta que seja proporcional &agrave; escala e ao alcance do problema\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 11\/10\/2006 &ndash; As mulheres continuam sendo vitimas de ass&eacute;dio sexual, tr&aacute;fico humano e flagrante discrimina&ccedil;&atilde;o em todo o planeta, segundo um hist&oacute;rico informe da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/mulheres-a-violncia-como-norma\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4],"tags":[21],"class_list":["post-2211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}