{"id":2214,"date":"2006-10-13T00:00:00","date_gmt":"2006-10-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2214"},"modified":"2006-10-13T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-13T00:00:00","slug":"comrcio-todos-falam-em-reviver-a-rodada-de-doha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/comrcio-todos-falam-em-reviver-a-rodada-de-doha\/","title":{"rendered":"Com&eacute;rcio: Todos falam em reviver a Rodada de Doha"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 13\/10\/2006 &ndash; Em uma tentativa de explorar novas vias para retomar as negocia&ccedil;&otilde;es da Rodada de Doha sobre liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial, funcion&aacute;rios e especialistas da Am&eacute;rica Latina, dos Estados Unidos e da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia se reuniram por dois dias em Buenos Aires para reiniciar um di&aacute;logo suspenso na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. <!--more--> \u201cFoi um espa&ccedil;o muito proveitoso para ver em quais pontos poder&iacute;amos avan&ccedil;ar, onde flexibilizar posi&ccedil;&otilde;es e debater sem a press&atilde;o de uma negocia&ccedil;&atilde;o formal na qual os grupos de interesse v&ecirc;em com lentes de aumento\u201d, explicou &agrave; IPS Fl&aacute;vio Damico, chefe do Departamento de Agricultura do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Brasil.<\/p>\n<p>A Reuni&atilde;o Regional sobre Agricultura e Com&eacute;rcio em pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina foi convocada para ter&ccedil;a e quarta-feira pela Organica&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), pela OMC e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Entre os 90 delegados presentes ao encontro, na maioria latino-americanos, houve consenso sobre a necessidade de abandonar as pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses ricos, que distorcem o com&eacute;rcio agr&iacute;cola internacional. Em Buenos Aires, os delegados latino-americanos, acad&ecirc;micos e representantes das entidades que convocaram a reuni&atilde;o discutiu-se o impacto da liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio na regi&atilde;o, o acesso aos mercados, a ajuda interna &agrave; produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola dos pa&iacute;ses ricos e os subs&iacute;dios &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es, entre outros temas.<\/p>\n<p>A diretora da Divis&atilde;o de Agricultura da OMC, a costarriquenha Anabel Gonz&aacute;lez, disse que a id&eacute;ia do encontro foi a de \u201capresentar subs&iacute;dios para a reflex&atilde;o e promover um di&aacute;logo entre os representantes de dentro e de fora da regi&atilde;o\u201d, e nesse sentido foi muito positiva. Gonz&aacute;lez destacou o consenso manifestado no encontro sobre a import&acirc;ncia de reiniciar as negocia&ccedil;&otilde;es, lan&ccedil;adas em 2001 em Doha, capital do Qatar, e suspensas em julho deste ano para dar lugar a uma reflex&atilde;o, segundo definiu na &eacute;poca o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.<\/p>\n<p>Este interesse se deve ao fato de haver \u201cuma agenda muito ambiciosa sobre a mesa, na qual se apresentaram propostas de redu&ccedil;&atilde;o significativa de tarifas aduaneiras, cortes nas ajudas internas e elimina&ccedil;&atilde;o dos subs&iacute;dios para a exporta&ccedil;&atilde;o at&eacute; 2013\u201d, resumiu Gonz&aacute;lez. \u201cSe estes ganhos t&atilde;o valiosos n&atilde;o puderem se concretizar ser&aacute; uma oportunidade perdida muito grave, sobretudo para os pa&iacute;ses menos desenvolvidos\u201d, alertou. Por isso, \u201cningu&eacute;m duvida que devemos reiniciar a rodada. A pergunta &eacute; como e quando\u201d, acrescentou. Desde seu come&ccedil;o, a Rodada de Doha trope&ccedil;ou em diferen&ccedil;as insuper&aacute;veis entre os interesses das na&ccedil;&otilde;es industrializadas e os dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, principalmente em quest&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; agricultura e &agrave; ind&uacute;stria.<\/p>\n<p>Dessa forma, o processo de negocia&ccedil;&atilde;o descumpriu sucessivos prazos estabelecidos pelos representantes at&eacute; que este ano se tornou evidente que tamb&eacute;m n&atilde;o seria observado o &uacute;ltimo prazo fixado, com vencimento no final de 2006. \u201cN&atilde;o quer ser excessivamente otimsta,mas h&aacute; um circunst&acirc;ncia muito forte em favor de voltar &agrave; negocia&ccedil;&atilde;o o quanto antes\u201d, disse &agrave; imprensa Ken Ash, subdiretor de Agricultura, Alimenta&ccedil;&atilde;o e Pesca da OCDE. Ash insistiu no debate sobre a pol&iacute;tica agr&iacute;cola aplicada em pa&iacute;ses desenvolvidos. Nesse sentido, destacou que os delegados latino-americanos valorizam a ado&ccedil;&atilde;o de medidas que favore&ccedil;am pequenos produtores e respeitem o meio ambiente, mas advertiram que h&aacute; pol&iacute;ticas mais eficientes do que o protecionismo para chegar a tais objetivos.<\/p>\n<p>\u201cNos Estados Unidos e na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, 25% da ajuda interna acaba nas m&atilde;os de grandes produtores e operadores agr&iacute;colas, e n&atilde;o no bolso dos pequenos agricultores que s&atilde;o os que deveriam ser beneficiados\u201d, disse Ash. \u201cA reforma que se reclama n&atilde;o &eacute; para negar instrumentos aos pa&iacute;ses, mas para melhorar essas ferramentas, torn&aacute;-las mais eficientes. H&aacute; pol&iacute;ticas mais adequadas para transferir renda a setores sociais que necessitam ou para proteger a biodiversidade, sem distorcer a produ&ccedil;&atilde;o ou os pre&ccedil;os\u201d, acrescentou. O representante da OCDE afirmou que a UE e os Estados Unidos progrediram em suas pol&iacute;ticas agr&iacute;colas, mas \u201cainda h&aacute; muito a ser feito\u201d, afirmou. Foram \u201cmuito consistentes\u201d as argumenta&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses em desenvolvimento a favor do livre com&eacute;rcio agr&iacute;cola, ressaltou Ash.<\/p>\n<p>Damico considerou que &eacute; preciso ser \u201cmuito cauteloso\u201d porque os debates informais conseguem avan&ccedil;os que depois podem se freados no momento de tomar as decis&otilde;es no mais alto n&iacute;vel pol&iacute;tico, mas admitiu que o semin&aacute;rio serviu para explorar caminhos, conhecer em que ponto cada posi&ccedil;&atilde;o poderia ser mais flex&iacute;vel. Tamb&eacute;m o delegado argentino demonstrou otimismo e cautela. \u201cEste foi um encontro que reuniu basicamente pa&iacute;ses latino-americanos, mas h&aacute; grupos de na&ccedil;&otilde;es que buscam fechar seus mercados para a importa&ccedil;&atilde;o, apesar de serem altamente deficientes em mat&eacute;ria agr&iacute;cola\u201d, disse &agrave; IPS Fernando Nebbia, subsecret&aacute;rio de Pol&iacute;tica Agropecu&aacute;ria e Alimentos da Secretaria de Agricultura da Argentina, se referindo ao Grupo dos 33.<\/p>\n<p>Esse grupo, de mais de 40 na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, defende a agricultura familiar e est&aacute; prevenido pelo impacto que poderia ter a abertura em suas agriculturas e em seus produtores. \u201cAnalisamos as diferentes posi&ccedil;&otilde;es, apontamos os impactos das pol&iacute;ticas e vamos continuar trabalhando\u201d, afirmou Nebbi. A pr&oacute;xima reuni&atilde;o do Grupo dos 20 ser&aacute; no come&ccedil;o de novembro, provavelmente em Genebra, sede da OMC, informou. O G-20 surgiu e se consolidou como protagonista das negocia&ccedil;&otilde;es de Doha em 2003, durante a confer&ecirc;ncia ministerial da OMC realizada no balne&aacute;rio mexicano de Cancun. Est&aacute; integrado por mais de 20 pa&iacute;ses em desenvolvimento, entre eles, Brasil, Argentina, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul, e defende o fim do que considera perniciosas prote&ccedil;&otilde;es do mundo rico. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 13\/10\/2006 &ndash; Em uma tentativa de explorar novas vias para retomar as negocia&ccedil;&otilde;es da Rodada de Doha sobre liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial, funcion&aacute;rios e especialistas da Am&eacute;rica Latina, dos Estados Unidos e da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia se reuniram por dois dias em Buenos Aires para reiniciar um di&aacute;logo suspenso na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/comrcio-todos-falam-em-reviver-a-rodada-de-doha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4],"tags":[],"class_list":["post-2214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}