{"id":2215,"date":"2006-10-13T00:00:00","date_gmt":"2006-10-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2215"},"modified":"2006-10-13T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-13T00:00:00","slug":"ambiente-debate-sobre-infra-estrutura-na-amrica-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/ambiente-debate-sobre-infra-estrutura-na-amrica-do-sul\/","title":{"rendered":"Ambiente: Debate sobre infra-estrutura na Am&eacute;rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 13\/10\/2006 &ndash; Com algum atraso e em voz baixa, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil colocaram em discuss&atilde;o o impacto da Iniciativa para a Integra&ccedil;&atilde;o da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), lan&ccedil;ada pelos governos da regi&atilde;o em 2000 e que tem em carteira 335 grandes obras. <!--more--> Preocupado pela escassa informa&ccedil;&atilde;o que circula sobre estes projetos, alguns j&aacute; em andamento, o Comit&ecirc; Regional Sul-Americano da Uni&atilde;o Mundial para a Natureza (UICN-Sul) convocou o F&oacute;rum Eletr&ocirc;nico Perspectivas da Sociedade Civil sobre IIRSA, iniciado em setembro e que concluiu este m&ecirc;s com um resumo das participa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\u201cSer&aacute; a IIRSA efetiva para o desenvolvimento sustent&aacute;vel?\u201d, perguntou Silvia S&aacute;nchez, da Associa&ccedil;&atilde;o Peruana para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza. \u201cAs estradas s&atilde;o valiosas, mas somente se est&atilde;o de m&atilde;os dadas com um ordenamento territorial que coloque o ser humano no centro do desenvolvimento\u201d, afirmou. Do f&oacute;rum participaram mais de 300 pessoas, em sua maioria integrantes de entidades sociais, ambientais e acad&ecirc;micas, que alertaram para o perigo de as obras aprofundarem um modelo de desenvolvimento baseado na explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais sem acrescentar solu&ccedil;&otilde;es para a pobreza ou o desemprego regionais, mas apenas mais d&iacute;vida.<\/p>\n<p>Os participantes alertaram que as obras de infra-estrutura, sobre cuja prioridade os governos n&atilde;o consultaram a sociedade civil, poderiam representar \u201cum alto risco ambiental\u201d, pois comprometem zonas de \u201calta concentra&ccedil;&atilde;o de biodiversidade\u201d e v&atilde;o derivar em maior endividamento dos pa&iacute;ses destinat&aacute;rios dos projetos. Foram mencionados diversos casos nos quais hidrovias, estradas ou portos identificados com o desenvolvimento surgem para garantir um modelo que exige a expans&atilde;o do monocultivo &agrave;s custas de um vasto desmatamento. Esse esquema, alertaram os participantes, n&atilde;o gera emprego em massa e, por outro lado, degrada o meio ambiente. Tamb&eacute;m concordaram que tudo o que diz respeito &agrave; IIRSA &eacute; manejado de maneira \u201crestrita\u201d. \u201cPor um lado, n&atilde;o existe informa&ccedil;&atilde;o sobre os impactos que esses projetos poderiam ter e, por outro, a informa&ccedil;&atilde;o sobre seus poss&iacute;veis benef&iacute;cios &eacute; manejada como publicidade das obras, o que dificulta a an&aacute;lise cr&iacute;tica\u201d, ressaltaram.<\/p>\n<p>No contexto do f&oacute;rum, a UICN-Sul e duas das organiza&ccedil;&otilde;es que a integram, a Funda&ccedil;&atilde;o Proteger, da Argentina, e Corpora&ccedil;&atilde;o de Gest&atilde;o e Direito Ambiental, do Equador, propuseram a cria&ccedil;&atilde;o de um Observat&oacute;rio Ambiental da IIRSA, que servir&aacute; para concentrar a informa&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o e fazer um acompanhamento das obras em andamento. A IIRSA nasceu em 2000 na C&uacute;pula Sul-Americana de Bras&iacute;lia, como um projeto para aumentar oportunidades econ&ocirc;micas nos 12 pa&iacute;ses da regi&atilde;o atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de estradas, pontes, represas, portos, hidrovias, gasodutos, redes el&eacute;tricas e da amplia&ccedil;&atilde;o e do melhoramento das telecomunica&ccedil;&otilde;es, entre outras iniciativas. Em alguns casos s&atilde;o obras novas, em outros se trata de melhorar a infra-estrutura existente.<\/p>\n<p>Um projeto emblem&aacute;tico da iniciativa, considerado o cora&ccedil;&atilde;o da IIRSA, &eacute; o gasoduto Camisea, no Peru, com 730 quil&ocirc;metros, para levar g&aacute;s desde a selva tropical amaz&ocirc;nica at&eacute; a costa do oceano Pac&iacute;fico. A empresa foi severamente questionada por ambientalistas e comunidades ind&iacute;genas afetadas pelo projeto. Do mesmo modo, ind&iacute;genas da Col&ocirc;mbia e Venezuela resistem a outro projeto da IIRSA, de amplia&ccedil;&atilde;o das jazidas carbon&iacute;feras e constru&ccedil;&atilde;o de dois portos para exportar o mineral na fronteira entre os dois pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Outro plano considerado fara&ocirc;nico, emblem&aacute;tico das den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica do Sul, &eacute; a represa argentino-paraguaia de Yacyret&aacute;, um investimento milion&aacute;rio que for&ccedil;ou o deslocamento de comunidades, afetou negativamente o ecossistema e deixou uma enorme d&iacute;vida p&uacute;blica. Tamb&eacute;m no contexto da integra&ccedil;&atilde;o regional surgiu nos &uacute;ltimos tempos o Gasoduto do Sul, projetado para percorrer oito mil quil&ocirc;metros, do Caribe venezuelano at&eacute; o Rio da Prata. \u201cEstamos muito preocupados com todos os projetos da IIRSA que avan&ccedil;am sem que seja dada nenhuma informa&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade sobre seus impactos\u201d, disse &agrave; IPS Victor Ricco, do Centro de Direitos Humanos e Meio Ambiente da Argentina, que interveio no f&oacute;rum.<\/p>\n<p>No total, s&atilde;o 335 iniciativas em energia, transporte e telecomunica&ccedil;&otilde;es, que implicam um investimento de quase US$ 38 bilh&otilde;es e que ter&atilde;o apoio t&eacute;cnico e financeiro da Corpora&ccedil;&atilde;o Andina de Fomento, do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata, entre outras entidades de cr&eacute;dito regionais. Os bancos prepararam um plano de a&ccedil;&atilde;o para encarar as obras consideradas priorit&aacute;rias e h&aacute; uma Autoridade Sul-Americana de Infra-Estrutura, em n&iacute;vel ministerial, para identificar os projetos que entram nesta iniciativa dentro de dez eixos de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Esses eixos foram projetados em fun&ccedil;&atilde;o dos fluxos atuais e potenciais de com&eacute;rcio e muitas das obras ultrapassam as fronteiras nacionais.<\/p>\n<p>\u201cQuem decidiu que esses projetos ser&atilde;o priorit&aacute;rios para nossos pa&iacute;ses?\u201d, perguntou no f&oacute;rum Gonzalo Varillas, da Corpora&ccedil;&atilde;o de Gest&atilde;o e Direito Ambiental do Equador. \u201cN&atilde;o ser&aacute; melhor investir esses milh&otilde;es de d&oacute;lares em sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o?\u201d, insistiu. Em conversa com a IPS, Jorge Cappato, diretor-geral da Funda&ccedil;&atilde;o Proteger, da Argentina, alertou que \u201cexiste uma contradi&ccedil;&atilde;o muito grande entre a magnitude dos projetos IIRSA, incluindo as transforma&ccedil;&otilde;es que representam, e a desinforma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica. \u201cA sociedade reage quando o problema est&aacute; diante dela: uma chamin&eacute;, um lix&atilde;o ou a &aacute;gua de seu rio que muda de cor\u201d, disse, preocupado. \u201cOs impactos de obras em grande escala em lugares remotos como a Amaz&ocirc;nia s&atilde;o dif&iacute;ceis de notar, mas s&atilde;o muito mais graves, e alguns s&atilde;o irrevers&iacute;veis\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Cappato considerou que a experi&ecirc;ncia do f&oacute;rum foi positiva, porque \u201cabriu-se um canal de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o de um tema que est&aacute; meio na penumbra. Ningu&eacute;m pode nos garantir hoje que, com os projetos da IIRSA, estaremos mais integrados ou que nossa qualidade de vida vai aumentar\u201d, afirmou. At&eacute; agora, muitos dos grandes projetos em infra-estrutura na regi&atilde;o tiveram \u201cduvidosos benef&iacute;cios\u201d para as comunidades, como, por exemplo, o gasoduto Camisea, recordou. Cappato acrescentou que \u201ctampouco est&aacute; claro que por est&aacute; via se avan&ccedil;ar&aacute; para uma integra&ccedil;&atilde;o maior nem que a pobreza ser&aacute; reduzida. Ao contr&aacute;rio, muitos destes planos destru&iacute;ram empregos, provocaram um &ecirc;xodo rural e maior pobreza\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cO grande desafio &eacute; n&atilde;o ficar como estraga-festa do desenvolvimento. N&atilde;o estamos contra a infra-estrutura, mas a favor do crescimento econ&ocirc;mico que permita melhorar a qualidade de vida de nossas sociedades\u201d, afirmou o Cappato. \u201cSe faltam obras, &eacute; preciso discuti-las com as comunidades afetadas para ver a quem beneficiar&atilde;o. Isto pode ser uma contribui&ccedil;&atilde;o do observat&oacute;rio, acrescentou. \u201cUm dos prop&oacute;sitos do observat&oacute;rio &eacute; que os governos e os organismos multilaterais de cr&eacute;dito entendam que &eacute; necess&aacute;rio um di&aacute;logo com a sociedade civil, com os afetados pelos projetos, pois, do contr&aacute;rio, pode-se prever que surgir&atilde;o conflitos\u201d, destacou o ativista. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 13\/10\/2006 &ndash; Com algum atraso e em voz baixa, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil colocaram em discuss&atilde;o o impacto da Iniciativa para a Integra&ccedil;&atilde;o da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), lan&ccedil;ada pelos governos da regi&atilde;o em 2000 e que tem em carteira 335 grandes obras. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/ambiente-debate-sobre-infra-estrutura-na-amrica-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[],"class_list":["post-2215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2215"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2215\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}