{"id":2219,"date":"2006-10-16T00:00:00","date_gmt":"2006-10-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2219"},"modified":"2006-10-16T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-16T00:00:00","slug":"pobreza-desafios-do-sul-e-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/pobreza-desafios-do-sul-e-do-norte\/","title":{"rendered":"Pobreza: Desafios do Sul e do Norte"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 16\/10\/2006 &ndash; Para remediar os males do colonialismo o Norte deve assumir a obriga&ccedil;&atilde;o moral de ajudar o Sul, mas o que ocorreu no passado n&atilde;o priva o mundo pobre de sua obriga&ccedil;&atilde;o de respeitar os direitos humanos e a democracia, disse Kumi Naidoo, da rede Civicus. <!--more--> Essa &eacute; uma das mensagens da campanha \u201cLevante-se contra a fome\u201d, desenvolvida na &uacute;ltima semana. Milhares de pessoas em todo o mundo ficaram em p&eacute; contra a pobreza, &agrave;s 10 horas da manh&atilde; desses dois dias e nesta ter&ccedil;a-feira &eacute; celebrado o Dia Internacional da Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza.<\/p>\n<p>A inten&ccedil;&atilde;o da campanha organizada pela alian&ccedil;a Chamado Global de A&ccedil;&atilde;o contra a Pobreza (GCAP) &eacute; pressionar os governos para que incentivem o com&eacute;rcio justo e os compromissos assumidos em 2000 pela comunidade internacional e conhecidos como Objetivos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio. Uma das finalidades das atividades de domingo e segunda-feira &eacute; colocar a campanha no Livro Guiness dos Recordes, explicou &agrave; IPS Kumi Naidoo, secret&aacute;rio-geral da Alian&ccedil;a para a Participa&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde; Civicus, formada por 112 coaliz&otilde;es, organiza&ccedil;&otilde;es religiosas, sindicatos grupos comunit&aacute;rios e indiv&iacute;duos independentes.<\/p>\n<p>IPS &#8211; Como foi concebida a campanha \u201cLevante-se contra a pobreza\u201d. Como avaliar o impacto deste gesto simb&oacute;lico no mundo real?<\/p>\n<p>Kumi Naidoo &#8211; No ano passado, convocamos os \u201cdias de pulseira branca\u201d (que identifica os que exigem maior compromisso contra a pobreza\u201d, por ocasi&atilde;o da c&uacute;pula do Grupo dos Oito (pa&iacute;ses mais poderosos do mundo), da C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio e da confer&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. Pensamos, ent&atilde;o, que era muito importante manter a press&atilde;o sobre os governos dos pa&iacute;ses ricos para que cumpram os fracos compromissos que assumiram no G-8. A id&eacute;ia &eacute; estabelecer um recorde para o Livro Guiness e chamar a aten&ccedil;&atilde;o de todos os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, conseguir que as pessoas se sintam parte de algo inovador. Mas, sobretudo, o prop&oacute;sito real &eacute; come&ccedil;ar a reconstruir uma opini&atilde;o p&uacute;blica mundial favor&aacute;vel &agrave;s demandas feitas aos pa&iacute;ses ricos para cancelamento de d&iacute;vidas, melhoria na qualidade da assist&ecirc;ncia e seu aumento.<\/p>\n<p>IPS &#8211; Em seu site na Internet o senhor observa que os simpatizantes do GCAP realizaram mais de 30 milh&otilde;es de a&ccedil;&otilde;es contra a pobreza desde 2005. &Eacute; um n&uacute;mero bastante expressivo. Um ano depois, est&aacute; satisfeito com a a&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Kumi Naidoo &#8211; Vale a pena recordar que, quando o G-8 se reuniu dissemos, em resumo que as pessoas rugiram e o G-8 sussurrou. O que se p&ocirc;s sobre a mesa e o que foi implementado no ano passado esteve muito abaixo das aspira&ccedil;&otilde;es que mobilizaram a opini&atilde;o p&uacute;blica mundial. Fic&aacute;vamos ansiosos pelos condicionamentos da ajuda, pelo modo como seria manejada e quer&iacute;amos que muitos mais pa&iacute;ses aderissem ao esfor&ccedil;o, pelo menos 65. O G-8 se comprometeu a faz&ecirc;-lo, mas at&eacute; agora isso n&atilde;o aconteceu. Em termos de ajuda, disseram que a elevariam para US$ 50 bilh&otilde;es at&eacute; 2010, com US$ 25 bilh&otilde;es para a &Aacute;frica e a outra metade para o resto do mundo. Mas a palavra magia &eacute; \u201cpara\u201d. &Eacute; como responder ao tsunami cinco anos depois deste ocorrer. Infelizmente, depois da c&uacute;pula do G-8, vimos que a quantidade de dinheiro para cancelamento das d&iacute;vidas acabava sendo inclu&iacute;da na conta dos fundos de assist&ecirc;ncia. No ano passado, a maior desilus&atilde;o foi a total aus&ecirc;ncia do movimento de justi&ccedil;a comercial. As quest&otilde;es de assist&ecirc;ncia e cancelamento de d&iacute;vida s&atilde;o para remediar as injusti&ccedil;as hist&oacute;ricas do colonialismo, enquanto a justi&ccedil;a comercial significa olhar para o futuro, dar aos pa&iacute;ses a possibilidade de escapar da armadilha da ajuda. Supunha-se que a rodada de negocia&ccedil;&otilde;es da OMC iniciada em Doha teria o objetivo de incentivar o desenvolvimento, mas os pa&iacute;ses ricos, e em especial Estados Unidos e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, violaram totalmente esse esp&iacute;rito. &Eacute; uma grande, grande, trai&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS &#8211; Que diferen&ccedil;a acredita que deve haver entre a mensagem de seus respectivos governos aos ativistas do mundo industrial e a do mundo em desenvolvimento?<\/p>\n<p>Kumi Naidoo &#8211; Nos pa&iacute;ses industriais devemos nos concentrar em incentivar os governos a cumprirem seus compromissos internacionais quantitativos em mat&eacute;ria de assist&ecirc;ncia, que j&aacute; 35 anos e foram feitos em uma &eacute;poca em que o mundo era um lugar muito diferente e muito mais pa&iacute;ses ainda estavam saindo do colonialismo. Nessa &eacute;poca, as na&ccedil;&otilde;es industriais compreenderam, embora nunca tenham admitido oficialmente, que se tratava de compensar os crimes do colonialismo. E agora lhes dizemos que 35 anos &eacute; muito tempo para esperar que destinem, pelo menos, 1% do produto interno bruto &agrave; ajuda. De fato, apenas cinco pa&iacute;ses cumprem essa meta, e a Gr&atilde;-Bretanha fala em alcan&ccedil;&aacute;-la at&eacute; 2013. Isso reflete uma grande falta de compreens&atilde;o sobre a urg&ecirc;ncia da trag&eacute;dia que a pobreza implica, com milhares de pessoas morrendo diariamente de fome e doen&ccedil;as que podem ser prevenidas. Mas tamb&eacute;m reclamamos melhorias na qualidade da ajuda, porque o Norte imp&otilde;e condi&ccedil;&otilde;es, as quais privam as na&ccedil;&otilde;es pobres de sua soberania econ&ocirc;mica. Algumas s&atilde;o exig&ecirc;ncias legitimas de governabilidade, mas muitas vezes, v&atilde;o al&eacute;m e determinam que a ajuda retorne aos doadores. Outra demanda &eacute; a justi&ccedil;a comercial e o fim dos imorais subs&iacute;dios. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia subsidia cada vaca com dois euros por dia, e a maioria das pessoas do resto do planeta est&aacute; obrigada a sobreviver com muito menos que isso. Ao Sul, dizemos que entendam que, em n&iacute;vel macro, boa parte da responsabilidade cabe aos governos dos pa&iacute;ses ricos. Entretanto isso n&atilde;o pode servir de desculpa para n&atilde;o se avan&ccedil;ar em quest&otilde;es que est&atilde;o sob controle imediato dos governos dos pa&iacute;ses pobres. N&atilde;o podemos acusar o colonialismo de n&atilde;o respeitar agora os direitos humanos, a democracia efetiva e a igualdade de g&ecirc;nero e n&atilde;o lutar contra a corrup&ccedil;&atilde;o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 16\/10\/2006 &ndash; Para remediar os males do colonialismo o Norte deve assumir a obriga&ccedil;&atilde;o moral de ajudar o Sul, mas o que ocorreu no passado n&atilde;o priva o mundo pobre de sua obriga&ccedil;&atilde;o de respeitar os direitos humanos e a democracia, disse Kumi Naidoo, da rede Civicus. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/pobreza-desafios-do-sul-e-do-norte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1499,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4],"tags":[21],"class_list":["post-2219","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1499"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2219"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2219\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}