{"id":222,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=222"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"mdia-jornalismo-e-a-busca-da-verdade-em-portugus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mdia-jornalismo-e-a-busca-da-verdade-em-portugus\/","title":{"rendered":"M&iacute;dia: Jornalismo e a busca da verdade em portugu&ecirc;s"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 23\/01\/2005 &ndash; Eles informam diariamente leitores de audi&ecirc;ncias de um universo de 220 milh&otilde;es de pessoas que habitam oito pa&iacute;ses de quatro continentes. S&atilde;o os jornalistas de l&iacute;ngua portuguesa que buscam se unir para lutar contra a desinforma&ccedil;&atilde;o. Reunidos esta semana em Lisboa, representantes da imprensa do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique, Portugal S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e Timor Leste debateram sobre &quot;Meios e Cidadania, a eterna busca da verdade&quot;. &Eacute; a sexta vez que se re&uacute;nem os profissionais da informa&ccedil;&atilde;o deste universo ling&uuml;&iacute;stico por iniciativa do Observat&oacute;rio da Imprensa do Brasil, presidido pelo jornalista e professor de jornalismo, Alberto Dines. &quot;Unir os representantes desses quatro continentes&quot; &eacute; uma quest&atilde;o de suma import&acirc;ncia, afirmou a brasileira Norma Couri, relatora do encontro aberto segunda-feira pelo presidente de Portugal, Jorge Sampaio, e encerrado quinta-feira pelo seu ministro da Presid&ecirc;ncia do Conselho, Nuno Morais Sarmento.<br \/> <!--more--> <br \/> Norma, com 18 anos de experi&ecirc;ncia no Jornal do Brasil e cinco como correspondente em S&atilde;o Paulo do jornal lisboeta Vis&atilde;o, lembrou &agrave; IPS que &quot;o portugu&ecirc;s &eacute; a s&eacute;tima l&iacute;ngua entra as 6.800 l&iacute;nguas vivas do mundo que nos obriga a pensar na lusofonia, a refletir e nos voltarmos aos nossos temas comuns&quot;. Reconhecendo este sentimento, Filomena Silva, de Cabo Verde, que presidiu o VI Congresso, prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de observat&oacute;rios, &quot;para nos comunicarmos todos os dias, um congresso permanente e n&atilde;o a cada dois ou quatro anos&quot;, entre pa&iacute;ses com cinco s&eacute;culos de hist&oacute;ria, l&iacute;ngua e muitos aspectos culturais comuns. O conhecimento da realidade do mundo de l&iacute;ngua portuguesa, &quot;no que diz respeito ao Brasil, &eacute; relativamente novo&quot;, disse &agrave; IPS o jornalista Duda Genes, do Jornal do Com&eacute;rcio, de Pernambuco.<\/p>\n<p> No Brasil &quot;existia um total desconhecimento sobre a &Aacute;frica e a primeira vez que se fez um esfor&ccedil;o foi por iniciativa do professor Agostinho da Silva, em 1959, quando fundou uma c&aacute;tedra de estudos africanos na Universidade da Bahia, para a qual se inscreveu apenas um aluno, Vivaldo da Costa e Lima, que depois se converteu em um especialista nesse continente. Embora pare&ccedil;a uma piada de mau gosto, at&eacute; a independ&ecirc;ncia das ent&atilde;o col&ocirc;nias portuguesas (1975), a &Aacute;frica era conhecida no Brasil apenas pelas revistas do Tarz&atilde;&quot;, a famosa saga do norte-americano Rice Burroughs, concluiu Genes. O angolano Rafael Marques refor&ccedil;ou a id&eacute;ia de que esta realidade perdura at&eacute; hoje. &quot;&Eacute; evidente que nossa comunidade de fala portuguesa ainda n&atilde;o se conhece e vai demorar muito tempo para que isso ocorra&quot;.<\/p>\n<p> Ao fazer um balan&ccedil;o da situa&ccedil;&atilde;o no jornalismo do Brasil e de Portugal, por um lado, e dos africanos e de Timor Leste, por outro, Silva lamentou uma certa indiferen&ccedil;a destes dois pa&iacute;ses mais ricos e mais poderosos, exortando-os a desenvolverem uma colabora&ccedil;&atilde;o maior com os seis restantes, de desenvolvimento mais modesto. Por sua vez, o portugu&ecirc;s Jos&eacute; Carlos de Vasconcelos, diretor editorial de um dos tr&ecirc;s grandes grupos de imprensa de seu pa&iacute;s, apoiou a sugest&atilde;o de Silva, propondo a cria&ccedil;&atilde;o de uma Federa&ccedil;&atilde;o de Jornalistas de L&iacute;ngua Portuguesa. O feroz atraso do jornalismo dos cinco pa&iacute;ses luso-africanos foi o tema escolhido por Joaquim Gustavo, da Guin&eacute;-Bissau, que destacou os inconvenientes que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o dessa na&ccedil;&atilde;o enfrentam ao se &quot;dirigirem a um p&uacute;blico que convive com a fome e a destrui&ccedil;&atilde;o e que se recupera de 30 anos de uma guerra dom&eacute;stica&quot;.<\/p>\n<p> Nesses pa&iacute;ses, durante o sistema de partido &uacute;nico (1975-1990), o resultado foi &quot;um jornalismo encomendado e monopolizado&quot;, e depois da instaura&ccedil;&atilde;o do multipartidarismo, entre 1991 e 1992, come&ccedil;ou a era de uma comunica&ccedil;&atilde;o social &quot;amea&ccedil;ada por uma democracia imberbe&quot;. Entretanto, &quot;a diferen&ccedil;a entre jornalismo estatal e privado n&atilde;o est&aacute; correta: o jornalismo pode ser bom ou mau&quot;, afirmou Gustavo. Por sua vez Sim&atilde;o Aguilaze, da Televis&atilde;o de Mo&ccedil;ambique, reconheceu que em seu pa&iacute;s a informa&ccedil;&atilde;o deveria privilegiar a defesa de uma paz duradoura, a preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as como mal&aacute;ria, c&oacute;lera e aids, &quot;mas para colocar esse jornalismo no ar devemos competir com as novelas brasileiras de enorme audi&ecirc;ncia&quot;.<\/p>\n<p> &quot;A concentra&ccedil;&atilde;o empresariam n&atilde;o &eacute; necessariamente m&aacute;&quot;, afirmou por outro lado, Adelino Gomes do jornal P&uacute;blico, de propriedade de Belmiro de Azevedo, o empres&aacute;rio mais poderoso deste pa&iacute;s, mas conhecido por sua pol&iacute;tica de dar total liberdade ao matutino lisboeta. O que de fato tem um efeito perverso no jornalismo controlado por alguns grandes grupos econ&ocirc;micos &quot;&eacute; que muitas vezes se transforma a not&iacute;cia em um simples produto e o jornalista em um simples produtor de uma cadeia de comercial de conte&uacute;dos&quot;, afirmou Gomes. Muitas vezes a informa&ccedil;&atilde;o cont&eacute;m &quot;insinua&ccedil;&otilde;es torpes e o car&aacute;ter necessariamente chamativo que deve ter, &eacute; substitu&iacute;da por doses de sensacionalismo populista&quot;, o que se verifica especialmente nos &quot;telejornais di&aacute;rios saturados de banalidades e desinforma&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou. Em jornalismo, &quot;faz muito tempo que n&atilde;o sabemos o que &eacute; a verdade, mas sabemos o que &eacute; a busca da verdade&quot;, concluiu Gomes.<\/p>\n<p> Consultado pela IPS, Alberto Dines, fundador h&aacute; 10 anos em Lisboa dos observat&oacute;rios de imprensa do Brasil e de Portugal, falou sobre os controles empresariais das reda&ccedil;&otilde;es, que se servem de uma certa predisposi&ccedil;&atilde;o das jovens gera&ccedil;&otilde;es em aceitar as novas regras do jogo. &quot;A substitui&ccedil;&atilde;o de gera&ccedil;&otilde;es nas reda&ccedil;&otilde;es, normalmente saud&aacute;vel, funcionou ao contr&aacute;rio: o jornalismo perdeu densidade, a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o trouxe consigo conhecimento, a satura&ccedil;&atilde;o produziu banalidades, diminuiu drasticamente o pluralismo e aumentou a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o em poucas empresas&quot;, afirmou. Segundo Dines &quot;o pior vil&atilde;o est&aacute; sendo o avassalador apetite pol&iacute;tico para controlar a imprensa a qualquer custo, n&atilde;o s&oacute; por parte de governos ou partidos, mas tamb&eacute;m por religi&otilde;es, seitas, corpora&ccedil;&otilde;es, confrarias, conglomerados e at&eacute; sindicatos&quot;.<\/p>\n<p> No Brasil, controlar esta realidade apresenta s&eacute;rias dificuldades, &quot;j&aacute; que 30% dos parlamentares receberam concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o, deputados, governadores e caciques pol&iacute;ticos controlam a imprensa regional e em n&iacute;vel nacional, e O Globo &eacute; um conglomerado que desfigura o sistema de m&iacute;dia brasileiro&quot;, acrescentou Dines. Todos querem participar &quot;deste banquete canibal que transforma a busca da verdade em uma f&aacute;brica de mentiras, e isto de tal forma que a Era da Informa&ccedil;&atilde;o corre s&eacute;rios riscos de se transformar na Era da Desinforma&ccedil;&atilde;o&quot;, lamentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 23\/01\/2005 &ndash; Eles informam diariamente leitores de audi&ecirc;ncias de um universo de 220 milh&otilde;es de pessoas que habitam oito pa&iacute;ses de quatro continentes. S&atilde;o os jornalistas de l&iacute;ngua portuguesa que buscam se unir para lutar contra a desinforma&ccedil;&atilde;o. Reunidos esta semana em Lisboa, representantes da imprensa do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique, Portugal S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e Timor Leste debateram sobre &quot;Meios e Cidadania, a eterna busca da verdade&quot;. &Eacute; a sexta vez que se re&uacute;nem os profissionais da informa&ccedil;&atilde;o deste universo ling&uuml;&iacute;stico por iniciativa do Observat&oacute;rio da Imprensa do Brasil, presidido pelo jornalista e professor de jornalismo, Alberto Dines. &quot;Unir os representantes desses quatro continentes&quot; &eacute; uma quest&atilde;o de suma import&acirc;ncia, afirmou a brasileira Norma Couri, relatora do encontro aberto segunda-feira pelo presidente de Portugal, Jorge Sampaio, e encerrado quinta-feira pelo seu ministro da Presid&ecirc;ncia do Conselho, Nuno Morais Sarmento.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mdia-jornalismo-e-a-busca-da-verdade-em-portugus\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-222","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}