{"id":2220,"date":"2006-10-17T00:00:00","date_gmt":"2006-10-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2220"},"modified":"2006-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-17T00:00:00","slug":"direitos-humanos-pena-de-morte-complica-mais-a-cena-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-pena-de-morte-complica-mais-a-cena-no-iraque\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Pena de morte complica mais a cena no Iraque"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 17\/10\/2006 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e grupos defensores dos direitos humanos est&atilde;o cada vez mais preocupados com o aumento das execu&ccedil;&otilde;es e do n&uacute;mero de pessoas condenadas &agrave; morte no Iraque. <!--more--> A ONU e outras organiza&ccedil;&otilde;es no final do m&ecirc;s passado divulgaram informes sobre dez homens, ou mais, pertencentes ao grupo isl&acirc;mico radical sunita curdo Ansar al-Islam, acusados de seq&uuml;estros e assassinatos, que foram executados na forca na cidade iraquiana de Arbil.<\/p>\n<p>Segundo as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Anistia Internacional, essas execu&ccedil;&otilde;es foram as primeiras que se tem conhecimento na regi&atilde;o do Curdist&atilde;o desde que foram levantadas as restri&ccedil;&otilde;es sobre a pena capital, e as primeiras desde 1992. Al&eacute;m disso, h&aacute; outros informes, n&atilde;o confirmados, de acordo com uma declara&ccedil;&atilde;o feita por essa organiza&ccedil;&atilde;o com sede em Londres. \u201cNos preocupam muito as matan&ccedil;as atrav&eacute;s da pena de morte\u201d, disse &agrave; IPS Zahir Janmohamed, diretor da Anistia para Oriente M&eacute;dio e &Aacute;frica setentrional. \u201cFazem parte de nossa preocupa&ccedil;&atilde;o geral por causa do sistema judicial e das acusa&ccedil;&otilde;es de tortura no Iraque\u201d.<\/p>\n<p>O representante especial do secret&aacute;rio-geral da ONU para o Iraque, Asharaf Qazi, expressou sua \u201cprofunda preocupa&ccedil;&atilde;o\u201d pela quantidade de pessoas executadas e sentenciadas e pediu urg&ecirc;ncia ao governo iraquiano no sentido de comutar as condena&ccedil;&otilde;es &agrave; morte e \u201cbasear sua busca de justi&ccedil;a na prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; vida\u201d. Desde que em agosto de 2004 o governo interino do Iraque reinstaurou a pena capital, entre 150 e 200 pessoas foram sentenciadas &agrave; morte. O informe recebido pela ONU estima que mais de 50 pessoas teriam sido executadas desde ent&atilde;o, embora n&atilde;o se conhe&ccedil;a os n&uacute;meros exatos.<\/p>\n<p>O Conselho de Direitos Humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e grupos com Anistia e Human Rights Watch (HRW, com sede em Nova York), repudiam a pena de morte e reclamam de todos os governos sua aboli&ccedil;&atilde;o ou, pelo menos, uma morat&oacute;ria sobre as condena&ccedil;&otilde;es. A delega&ccedil;&atilde;o iraquiana na ONU, ao ser consultado sobre a declara&ccedil;&atilde;o de Qazi, disse que seu governo n&atilde;o tinha uma resposta oficial nem pensava em ter imediatamente. A Anistia n&atilde;o est&aacute; presente no Iraque por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a, embora acompanhe de perto os abusos dos direitos humanos em outros pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio. Tamb&eacute;m recebe informes de viola&ccedil;&otilde;es dentro do sistema legal iraquiano, o que Janmohamed qualificou de \u201cmuito viciado\u201d.<\/p>\n<p>A falta de transpar&ecirc;ncia e de acesso aos centros de deten&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s dificulta muito o trabalho das organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos para determinar as cifras exatas e as condi&ccedil;&otilde;es dos condenados &agrave; morte no Iraque, disse Janmohamed. Den&uacute;ncias de abusos e execu&ccedil;&otilde;es costumam ser conhecidos v&aacute;rios meses \u2013 inclusive at&eacute; seis \u2013 depois de ocorridos, acrescentou. Durante o regime de Saddam Hussein (1979-2003) as execu&ccedil;&otilde;es se generalizaram. O governo condenava seus cidad&atilde;os &agrave; pena capital por v&aacute;rias raz&otilde;es, desde delitos menores at&eacute; por se oporem ao partido Ba\u2019ath, do ent&atilde;o presidente. Ap&oacute;s a invas&atilde;o do pa&iacute;s encabe&ccedil;ada pelos Estados Unidos, em 2003, a pena de morte foi suspensa.<\/p>\n<p>Mas no ano seguinte, o governo interino a restabeleceu para crimes como assassinato, viola&ccedil;&atilde;o, seq&uuml;estro e tr&aacute;fico de drogas. A legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m permite as execu&ccedil;&otilde;es para punir atividades como financiar ou cometer atos terroristas. \u201cO Iraque segue o mesmo modelo do I&ecirc;men e da Jord&acirc;nia\u201d, disse Janmohamed. \u201cNo I&ecirc;men, as &uacute;ltimas execu&ccedil;&otilde;es foram em nome da luta contra o terrorismo\u201d, acrescentou. Segundo a Anistia, no ano passado, 24 pessoas foram executadas no I&ecirc;men e 11 na Jord&acirc;nia. Janmohamed afirmou que as autoridades iraquianas sentenciavam e executavam cada vez mais pessoas sem o devido processo pela crescente press&atilde;o dos Estados Unidos para que combata o terrorismo.<\/p>\n<p>Tampouco se sabe realmente o tempo em que os condenados permanecem nas pris&otilde;es antes da execu&ccedil;&atilde;o. A IPS fez v&aacute;rias tentativas para conseguir coment&aacute;rios do Departamento de Estado norte-americano a respeito dessas especula&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o teve &ecirc;xito. \u201cPela informa&ccedil;&atilde;o que temos, n&atilde;o &eacute; certo que os condenados &agrave; morte tenham um julgamento justo\u201d, disse, desde Washington, Joe Stork, subdiretor da HRW para Oriente M&eacute;dio e &Aacute;frica do Norte. \u201c&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia, e presumo que o governo pense que com as execu&ccedil;&otilde;es seja poss&iacute;vel diminuir o n&uacute;mero de respons&aacute;veis por crimes violentos. Naturalmente, n&atilde;o compartilhamos dessa opini&atilde;o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O jornalista Ayub Nuri disse que, embora os jornais em que trabalha n&atilde;o tenham feito exaustivas pesquisas de opini&atilde;o, sua cobertura da guerra em v&aacute;rios lugares do Iraque o convenceu de que a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; a favor da pena de morte. Essa foi a situa&ccedil;&atilde;o, sobretudo, depois da queda de Saddam, quando muitos iraquianos queriam que os ex-membros de seu governo pagassem por seus crimes, afirmou. \u201cPelo fato de o sistema jur&iacute;dico n&atilde;o funcionar no Iraque, n&atilde;o creio que algu&eacute;m se beneficie de um julgamento justo\u201d, disse Nuri, que trabalha para os jornais curdos independentes Hawlati e Awene. \u201cMe preocupa que pessoas inocentes estejam sendo executadas\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 17\/10\/2006 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e grupos defensores dos direitos humanos est&atilde;o cada vez mais preocupados com o aumento das execu&ccedil;&otilde;es e do n&uacute;mero de pessoas condenadas &agrave; morte no Iraque. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-pena-de-morte-complica-mais-a-cena-no-iraque\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1516,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4],"tags":[16],"class_list":["post-2220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1516"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}