{"id":2221,"date":"2006-10-17T00:00:00","date_gmt":"2006-10-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2221"},"modified":"2006-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-17T00:00:00","slug":"coria-do-norte-bomba-respinga-no-acordo-ndia-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/coria-do-norte-bomba-respinga-no-acordo-ndia-eua\/","title":{"rendered":"Cor&eacute;ia do Norte: Bomba respinga no acordo &Iacute;ndia-EUA"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 17\/10\/2006 &ndash; &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o uniram-se h&aacute; oito anos ao \u201cclube nuclear\u201d, mas os cinco s&oacute;cios tradicionais deste seleto grupo ainda n&atilde;o lhes deram as boas-vindas. <!--more--> E isso fica mais dif&iacute;cil depois do teste nuclear por parte da Cor&eacute;ia do Norte. Tamb&eacute;m &eacute; previs&iacute;vel um endurecimento da ret&oacute;rica hostil habitual entre as pot&ecirc;ncias da &Aacute;sia meridional, devido &agrave; responsabilidade do Paquist&atilde;o na fabrica&ccedil;&atilde;o da bomba norte-coreana. Est&aacute; &eacute; uma trama lateral do drama mundial iniciado no &uacute;ltimo dia 9. At&eacute; agora, os sete Estados que admitem possuir armas nucleares condenaram fortemente a Cor&eacute;ia do Norte pelo teste realizado.<\/p>\n<p>Nova D&eacute;lhi descreveu a explos&atilde;o nuclear como um fato \u201cinfeliz\u201d e que viola \u201ccompromissos internacionais\u201d desse pa&iacute;s da pen&iacute;nsula coreana na regi&atilde;o\u201d. Tamb&eacute;m disse que o teste \u201cressalta os perigos da prolifera&ccedil;&atilde;o clandestina\u201d. Estas declara&ccedil;&otilde;es foram muito ampliadas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Referem-se ao Paquist&atilde;o, que nos anos 80 manteve contatos secretos com a Cor&eacute;ia do Norte em mat&eacute;ria de desenvolvimento de armas nucleares.<\/p>\n<p>Acredita-se que a sombria rede clandestina liderada no Paquist&atilde;o por A. Q. Khan, que est&aacute; sob pris&atilde;o domiciliar, possui tecnologia de enriquecimento de ur&acirc;nio que d&aacute; &agrave; Cor&eacute;ia do Norte a mudan&ccedil;a de sua s&eacute;rie Nedong de m&iacute;sseis bal&iacute;sticos. Em suas mem&oacute;rias rec&eacute;m-publicadas sob o t&iacute;tulo \u201cIn at&eacute; line of fire\u201d (Na linha de fogo), o presidente paquistan&ecirc;s, Pervez Musharraf, escreveu: \u201cO doutor Khan transferiu quase duas dezenas de centrifugadoras P-1 e P-12 para a Cor&eacute;ia do Norte. Tamb&eacute;m forneceu a esse pa&iacute;s um medidor de fluxo, alguns combust&iacute;veis especiais para centrifugadoras e capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica\u201d.<\/p>\n<p>Os analistas indianos insistem em usar o teste norte-coreano como \u201cum pau para pegar o Paquist&atilde;o\u201d, disse Kamal Mitra Chenoy, da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Jawaharlal Nehru, de Nova D&eacute;lhi. \u201cAlguns reclamam estridentemente que os Estados Unidos insistam em interrogar Khan e investigar sua rede. Mas esta atitude &eacute; infantil, pois exagera o grau do envolvimento paquistan&ecirc;s na Cor&eacute;ia do Norte e tenta estabelecer registros regionais alheios &agrave; quest&atilde;o nucelar coreana\u201d, acrescentou Chenoy. &Eacute; certo que a rede de Khan proporcionou tecnologia de enriquecimento de ur&acirc;nio para a Cor&eacute;ia do Norte. Mas acredita-se que o material usado no texto foi plut&ocirc;nio, extra&iacute;do pela Cor&eacute;ia do Norte de um pequeno reator de pesquisa constru&iacute;do pela antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em 1965. Assim, &eacute; improv&aacute;vel que a demanda indiana de uma investiga&ccedil;&atilde;o externa sobre as atividades de Khan tenha muito resultado.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, os Estados Unidos ser&atilde;o extremamente reticentes em pressionar Musharraf quando necessita de sua ajuda na fronteira paquistanesa com o Afeganist&atilde;o. No passado, o Paquist&atilde;o todos os pedidos para interrogar Khan. O governo do Paquist&atilde;o n&atilde;o passa credibilidade quando afirma nada teve a ver com as opera&ccedil;&otilde;es \u201caut&ocirc;nomas\u201d de Khan. No Paquist&atilde;o, delicados materiais e aparelhos nucleares, incluindo equipamentos pesados como cilindros de metal de quase dois metros de altura, n&atilde;o poderiam ter sido levados dos laborat&oacute;rios de Khan para um aeroporto e depois transportados por um avi&atilde;o militar at&eacute; Pyongyang sem o conhecimento ou a cumplicidade do governo. Pelo menos 18 toneladas de diversos materiais com destino a instala&ccedil;&otilde;es nucleares norte-coreanas foram transportadas na d&eacute;cada de 90.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos sabiam das atividades de Khan, mas escolheu ignorar seu pr&oacute;prio servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia, especialmente depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 que deixaram tr&ecirc;s mil mortos em Nova York e Washington. &Eacute; prov&aacute;vel que agora fa&ccedil;a o mesmo. O argumento de Islamabad de que n&atilde;o teve nenhum papel no programa nuclear da Cor&eacute;ia do Norte &eacute; fraco, mas as acusa&ccedil;&otilde;es de Nova D&eacute;lhi contra Pyongyang tamb&eacute;m carecem de credibilidade. A &Iacute;ndia afirma em tom de superioridade moral que os testes que fez em 1998 n&atilde;o infringiram nenhuma obriga&ccedil;&atilde;o internacional, j&aacute; que nunca assinou o Tratado de N&atilde;o-Prolifera&ccedil;&atilde;o de Armas Nucleares (TNP), de 1968. A Cor&eacute;ia do Norte tamb&eacute;m n&atilde;o violou nenhum \u201ccompromisso internacional\u201d. Retirou-se do TNP em 2003.<\/p>\n<p>Poderia-se considerar legitimamente que os testes feitos pela &Iacute;ndia em 1998 puseram em perigo \u201ca paz, a estabilidade e a seguran&ccedil;a\u201d na &Aacute;sia meridional, exatamente o mesmo que acontece agora com o teste da Cor&eacute;ia do norte no nordeste da &Aacute;sia. Tanto &Iacute;ndia quanto Paquist&atilde;o est&atilde;o se comportando como Estados nucleares mais antigos, e imitam seus discursos duplos e suas hipocrisias: os que n&atilde;o integram o clube nuclear devem praticar a abstin&ecirc;ncia, mas, os membros mant&ecirc;m suas armas porque s&atilde;o \u201crespons&aacute;veis\u201d. Mas ambos s&atilde;o membros de segunda ou terceira classe do clube. Eles, especialmente o Paquist&atilde;o, podem ficar em uma posi&ccedil;&atilde;o inc&ocirc;moda na hora de demonstrar que tomaram fortes medidas espec&iacute;ficas para impedir a propaga&ccedil;&atilde;o de tecnologia nuclear ou bal&iacute;stica.<\/p>\n<p>Para a &Iacute;ndia, o teste norte-coreano dificultar&aacute; a ratifica&ccedil;&atilde;o no Congresso norte-americano do tratado de coopera&ccedil;&atilde;o nuclear assinado pelo primeiro-ministro, Manmohan Singh, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em julho do ano passado. \u201c&Eacute; um contratempo para o processo de sua ratifica&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; enfrenta obst&aacute;culos\u201d, afirmou M. V. Ramana, pesquisador em assuntos nucleares do Centro para os Estudos Interdisciplinares em Meio Ambiente e Desenvolvimento de Bangalore. \u201cNo &uacute;ltimo dia 9 foi dado um choque s&iacute;smico nos pol&iacute;ticos norte-americanos, e &eacute; prov&aacute;vel que isso endure&ccedil;a a oposi&ccedil;&atilde;o ao acordo. Parece quase certo que n&atilde;o ser&aacute; aprovado na sess&atilde;o especial do Congresso posterior &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de novembro\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Se a ratifica&ccedil;&atilde;o ficar para o pr&oacute;ximo ano, todo o processo legislativo dever&aacute; ser revisto pelos novos congressistas. Quanto mais longa a demora, maiores ser&atilde;o as possibilidades de o tratado perder for&ccedil;a e surgirem novos obst&aacute;culos. Um projeto que habilita a implementa&ccedil;&atilde;o do tratado est&aacute; parado no Senado, embora a C&acirc;mara de Representantes tenha aprovado uma resolu&ccedil;&atilde;o semelhante. Muitos senadores impuseram ao texto condi&ccedil;&otilde;es que restringem o alcance da coopera&ccedil;&atilde;o nuclear civil entre Estados Unidos e &Iacute;ndia, ou exigem garantias de que a &Iacute;ndia est&aacute; exercendo um autocontrole nuclear, incluindo a produ&ccedil;&atilde;o de material f&iacute;ssil.<\/p>\n<p>Nova D&eacute;lhi considerou alguns destes elementos inaceit&aacute;veis ou excessivamente restritivos de sua soberania. \u201cAa condi&ccedil;&otilde;es podem endurecer nas pr&oacute;ximas semanas por causa da ansiedade provocada pelo texto da Cor&eacute;ia do Norte\u201d, disse Ramana. \u201cNo ano que vem come&ccedil;ar&aacute; outro jogo, embora, em princ&iacute;pio, n&atilde;o haja obje&ccedil;&otilde;es ao tratado, pelo contr&aacute;rio, muito apoio\u201d, acrescentou. Depois do teste norte-coreano, especialistas norte-americanos em n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear demonstraram maior determina&ccedil;&atilde;o e exigem mais severidade contra quem viola as normas sobre restri&ccedil;&atilde;o nuclear. Do mesmo modo, os opositores democratas resistiram em dar uma vit&oacute;ria f&aacute;cil ao presidente Bush, enquanto sua popularidade diminui.<\/p>\n<p>Finalmente, existe um crescente temor de que ainda mais pa&iacute;ses, particularmente Ir&atilde; e Cor&eacute;ia do Sul, possam aprender li&ccedil;&otilde;es negativas com o caso &Iacute;ndia-EUA e considerem o desenvolvimento pr&oacute;prio de armas nucleares. \u201cIsto poderia significar ainda mais emendas aos projetos do Congresso, bem com maiores atrasos\u201d, disse Ramana. \u201cAgora, ficar&aacute; dif&iacute;cil para a &Iacute;ndia reclamar que continuem lhe fornecendo insumos nucleares, inclusive se realizar um teste\u201d. Isto &eacute; uma m&aacute; not&iacute;cia para o tratado entre &Iacute;ndia e Estados Unidos, mas, provavelmente, seja m&aacute; para a causa das restri&ccedil;&otilde;es nucleares, da redu&ccedil;&atilde;o de armas e, diretamente, do desarmamento. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 17\/10\/2006 &ndash; &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o uniram-se h&aacute; oito anos ao \u201cclube nuclear\u201d, mas os cinco s&oacute;cios tradicionais deste seleto grupo ainda n&atilde;o lhes deram as boas-vindas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/coria-do-norte-bomba-respinga-no-acordo-ndia-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":827,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2221","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/827"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2221"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2221\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}