{"id":2223,"date":"2006-10-17T00:00:00","date_gmt":"2006-10-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2223"},"modified":"2006-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-17T00:00:00","slug":"alimentao-a-fome-chega-por-injustia-e-excluses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/alimentao-a-fome-chega-por-injustia-e-excluses\/","title":{"rendered":"Alimenta&ccedil;&atilde;o: A fome chega por injusti&ccedil;a e exclus&otilde;es"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 17\/10\/2006 &ndash; Milh&otilde;es de pessoas morrem de fome a cada ano no mundo, n&atilde;o por falta de alimentos, mas por sofrerem injusti&ccedil;a social e exclus&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, alertaram organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais nesta segunda-feira no lan&ccedil;amento da campanha \u201cDireito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o. Urgente\u201d. <!--more--> A campanha teve seu ponto de partida no contexto da celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial da Alimenta&ccedil;&atilde;o, criado em 1979 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO) em homenagem &agrave; cria&ccedil;&atilde;o dessa ag&ecirc;ncia, em 16 de outubro de 1945.<\/p>\n<p>A FAO lan&ccedil;ou este ano o lema \u201cInvestir na agricultura para conseguir a seguran&ccedil;a alimentar\u201d, mas as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais discordam, pois entendem que o problema n&atilde;o est&aacute; em um d&eacute;ficit de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, mas na injusti&ccedil;a que existe no acesso e consumo. Theo Oberhuber, coordenadora-geral da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Ecologistas em A&ccedil;&atilde;o (EEA), disse &agrave; IPS que a quantidade de alimentos produzida no mundo permite que ningu&eacute;m passe fome. Mas acrescentou, h&aacute; duas quest&otilde;es que impedem que isso aconte&ccedil;a. A primeira &eacute; que grande parte dos alimentos, tanto agr&iacute;colas quanto procedentes de mares e rios, s&atilde;o destinados a alimentar o gado, \u201ccuja carne e subprodutos s&atilde;o consumidos principalmente nos pa&iacute;ses do Norte\u201d. A segunda &eacute; a injusti&ccedil;a social que faz com que a popula&ccedil;&atilde;o de muitos pa&iacute;ses care&ccedil;am de meios para comprar alimentos, \u201cmesmo os de menor qualidade\u201d.<\/p>\n<p>Olivier Longu&eacute;, diretor-geral do grupo A&ccedil;&atilde;o Contra a Fome, deu exemplos &agrave; IPS dessa alimenta&ccedil;&atilde;o de menor qualidade. A maioria dos habitantes de Malawi e da Guatemala alimentam-se basicamente com milho, j&aacute; nas Filipinas, al&eacute;m do milho incluem batata e banana, afirmou. Por essa raz&atilde;o, acrescentou o ativista, as mulheres de Malawi t&ecirc;m uma expectativa de vida de apenas 41 anos, \u201cquase a metade da registrada na Noruega, um pa&iacute;s de alimenta&ccedil;&atilde;o mais equilibrada, abundante e saud&aacute;vel onde essa expectativa &eacute; de 77 anos\u201d.<\/p>\n<p>A A&ccedil;&atilde;o Contra a Fome divulgou um documento informando que a cada quatro segundos morre no mundo uma pessoa por uma doen&ccedil;a relacionada com a fome, que quase um bilh&atilde;o de pessoas passam fome e que desse total sete em cada dez s&atilde;o mulheres e crian&ccedil;as. O documento destaca, ainda, que anualmente seis milh&otilde;es de crian&ccedil;as morrem de fome, que este flagelo &eacute; respons&aacute;vel pela metade das mortes de menores de cinco anos e que muitos que se salvam sofrem defici&ecirc;ncias pelo resto de suas vidas.<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais Engenharia Sem Fronteiras, Prosalus, C&aacute;ritas e Veterin&aacute;rios Sem Fronteiras, promotoras da Campanha \u201cDireito &agrave; Alimenta&ccedil;&atilde;o. Urgente\u201d, apresentaram nesta segunda-feira um DVD no qual afirmam que n&atilde;o se pode conseguir a seguran&ccedil;a alimentar sem apoiar o desenvolvimento agr&iacute;cola. Isso porque \u2013 acrescentam \u2013 estimativas da FAO indicam que mais de 70% das pessoas que sofrem fome vivem em zonas rurais, onde a agricultura deveria proporcionar seu sustento, e tr&ecirc;s quartos dos subnutridos vivem e trabalham no meio rural, recebendo pagamentos baix&iacute;ssimos.<\/p>\n<p>A campanha pretende fazer com que os governos a garantam o reconhecimento da alimenta&ccedil;&atilde;o como um direito humano fundamental e que sejam revistas as pol&iacute;ticas e os acordos internacionais a respeito, al&eacute;m de impulsionar o desenvolvimento agr&iacute;cola em um contexto de sustentabilidade ambiental. Mas a organiza&ccedil;&atilde;o EEA questiona a programa&ccedil;&atilde;o da FAO, que pede \u201cinvestimento na agricultura para conseguir a seguran&ccedil;a alimentar\u201d, porque nos &uacute;ltimos anos se assiste a um processo de desenvolvimento e concentra&ccedil;&atilde;o da agroind&uacute;stria. A EEA ressalta que \u201cmais de 70% do mercado mundial de pesticidas est&atilde;o em m&atilde;os de seis gigantes cons&oacute;rcios agroqu&iacute;micos e prev&ecirc;-se que dentro de alguns anos restar&atilde;o somente tr&ecirc;s\u201d.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o acrescenta que essas companhias dominam grande parte das vendas mundiais de sementes, em um lucrativo mercado cativo, com a venda de variedades geneticamente modificadas resistentes aos seus pr&oacute;prios herbicidas. Segundo este grupo ecologista, mais de 80% dos cultivos transg&ecirc;nicos do mundo s&atilde;o variedades resistentes a um herbicida e o objetivo das grandes multinacionais &eacute; desenvolver uma segunda gera&ccedil;&atilde;o de sementes manipuladas, de modo que o produto que venderem necessitaria da propriedade de produzir sementes. Este tipo de produto, que j&aacute; existe, obriga os agricultores a comprar sementes todos os anos.<\/p>\n<p>Por outro lado \u2013 prossegue a EEA \u2013 as 10 maiores empresas do setor de alimenta&ccedil;&atilde;o controlam um quarto do negocio da bebida e dos alimentos elaborados no mundo, e 10 grandes redes de distribui&ccedil;&atilde;o manejam um quarto das vendas de alimentos. Como exemplo do que essa pol&iacute;tica produz, a organiza&ccedil;&atilde;o conclui destacando que \u201cna Espanha o agricultor, em muitos casos, s&oacute; recebe 25% do pre&ccedil;o de venda ao p&uacute;blico de um produto. Se isso acontece um desenvolvido pa&iacute;s europeu, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil pensar o que ocorre nas na&ccedil;&otilde;es do Sul, onde a popula&ccedil;&atilde;o rural vive em condi&ccedil;&otilde;es sub-humanas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 17\/10\/2006 &ndash; Milh&otilde;es de pessoas morrem de fome a cada ano no mundo, n&atilde;o por falta de alimentos, mas por sofrerem injusti&ccedil;a social e exclus&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, alertaram organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais nesta segunda-feira no lan&ccedil;amento da campanha \u201cDireito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o. 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