{"id":2224,"date":"2006-10-19T00:00:00","date_gmt":"2006-10-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2224"},"modified":"2006-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-19T00:00:00","slug":"iraque-a-ocupao-americana-desmorona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/iraque-a-ocupao-americana-desmorona\/","title":{"rendered":"Iraque: A ocupa&ccedil;&atilde;o americana desmorona"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 19\/10\/2006 &ndash; Se o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Kamal al-Maliki, se sentia plenamente confiante na promessa do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de que manteria seus soldados no Iraque indefinidamente, deveria pensar melhor. <!--more--> A ocupa&ccedil;&atilde;o fica cada vez mais dif&iacute;cil de ser mantida. Embora Bush continue firme em sua determina&ccedil;&atilde;o de conservar as tropas, as circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas, sem mencionar a acelerada queda da situa&ccedil;&atilde;o no Iraque para uma guerra sect&aacute;ria generalizada, claramente conspiram contra seus planos. H&aacute; claros ind&iacute;cios de que o apoio &agrave; estrat&eacute;gia do presidente de \u201cmanter o curso\u201d de seus planos sofre uma eros&atilde;o.<\/p>\n<p>Cada vez mais l&iacute;deres do governante Partido Republicano, com o presidente do Comit&ecirc; de Servi&ccedil;os Armados do Senado, John Warner, expressam preocupa&ccedil;&atilde;o pela situa&ccedil;&atilde;o no Iraque e colocam em d&uacute;vida a promessa do presidente de que esse pa&iacute;s se converter&aacute;, de alguma forma, em um modelo de transforma&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica para o Oriente M&eacute;dio. Al&eacute;m disso, o cada vez mais prov&aacute;vel triunfo do opositor Partido Democrata nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es legislativas norte-americanas no dia 7 de novembro, nas quais poder&aacute; recuperar o controle da C&acirc;mara de Representantes, e, talvez, tamb&eacute;m do Senado, coloca em xeque os planos de Bush.<\/p>\n<p>A grande maioria dos democratas ap&oacute;ia a id&eacute;ia de fixar o prazo de um ano para retirada das tropas. Essa postura lhes permitiu ganhar um crescente apoio popular, apesar de serem classificados de \u201cfracos\u201d na luta contra o terrorismo. Ind&iacute;cios semelhantes s&atilde;o vistos em Londres, o mais pr&oacute;ximo aliado de Washington na \u201cguerra mundial contra o terrorismo\u201d e o maior contribuinte de tropas fora dos Estados Unidos na coaliz&atilde;o que ocupa o Iraque. O novo chefe do exercito da Gr&atilde;-Bretanha, Richard Dannatt, em uma longa entrevista ao jornal Daily Mail, usou os mesmos argumentos apresentados no ano passado pelo mais destacado incentivador da id&eacute;ia de retirada de tropas entre os democratas norte-americanos, o congressista John Murtha.<\/p>\n<p>O governo brit&acirc;nico \u201cdeveria nos retirar do Iraque logo, porque nossa presen&ccedil;a exacerba os problemas de seguran&ccedil;a\u201d, disse Dannatt na entrevista, acrescentando que o menos que se pode esperar agora desse pa&iacute;s no Oriente M&eacute;dio &eacute; que tenha uma democracia liberal tal qual prognosticou Bush. As declara&ccedil;&otilde;es do militar, segundo uma coluna do ex-instrutor da Real Academia Militar Brit&acirc;nica e agora diretor do Centro para An&aacute;lise de Pol&iacute;tica Exterior, Paul Moorcraft, refletem o pensamento de todo o \u201csistema militar brit&acirc;nico\u201d. O fato de a coluna de Moorcraft ter sido publicada segunda-feira pelo The Washington Times, incondicional partid&aacute;rio das pol&iacute;ticas de Bush, passa a impress&atilde;o de que inclusive os republicanos mais conservadores chegaram a um ponto de quebra em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guerra no Iraque.<\/p>\n<p>De fato, o jornal anunciava em sua primeira pagina desse dia um artigo que contrastava as avalia&ccedil;&otilde;es otimistas do inicio deste ano feitas pelo Maximo comandante dos Estados Unidos no Iraque, George Casey, com suas mais recentes declara&ccedil;&otilde;es, nas quais colocava em d&uacute;vida a capacidade das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a iraquianas para substituir as norte-americanas, a condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de Bush para iniciar uma retirada gradual. Casey havia previsto no in&iacute;cio deste ano que os Estados Unidos poderiam reduzir o n&uacute;mero de soldados no Iraque dos atuais 130 mil para, aproximadamente, 30 mil at&eacute; dezembro. Entretanto, Washington aumentou seu contingente para mais de 1409 mil homens nos &uacute;ltimos meses, um n&iacute;vel que para o chefe do exercito, Peter Schoomaker, deveria ser mantido at&eacute; 2010.<\/p>\n<p>Esta estimativa provocou verdadeiro p&acirc;nico entre os congressistas republicanos, conscientes de que a ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque &eacute; o maior obst&aacute;culo para sua vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es de novembro. O aumento do n&uacute;mero de efetivos se deveu, principalmente, ao agravamento da viol&ecirc;ncia em Bagd&aacute;, onde as mortes mensais registradas pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de do Iraque aumentaram de 1.400, no come&ccedil;o do ver&atilde;o boreal, para mais de 2.600 em setembro. Aumentando a presen&ccedil;a de tropas na capital iraquiana, Washington espera conter a viol&ecirc;ncia sect&aacute;ria, mas, isso parece muito distante.<\/p>\n<p>\u201cOs militares norte-americanos t&ecirc;m um programa de duas fases para a seguran&ccedil;a em Bagd&aacute;\u201d, explicou em entrevista na televis&atilde;o, segunda-feira, o analista Juan Cole, especialista em Iraque da Universidade de Michigan. \u201cMas, a batalha por Bagd&aacute; j&aacute; vem sendo travada desde agosto, e n&atilde;o houve nenhuma diminui&ccedil;&atilde;o dos ataques, que, pelo contr&aacute;rio, aumentaram. Temos 50, 60, 70 sendo encontrados na capital todos os dias, com disparos atr&aacute;s das orelhas\u201d, disse Cole, que prop&ocirc;s uma \u201cretirada paulatina\u201d. Mas, a viol&ecirc;ncia n&atilde;o est&aacute; limitada a bagd&aacute; nem ao reduto rebelde sunita na prov&iacute;ncia de Al Anbar, fronteiri&ccedil;a com a Jord&acirc;nia.<\/p>\n<p>No fim de semana, uma s&eacute;rie de assassinatos em repres&aacute;lia entre sunitas e xiitas deipo mais de cem mortos na cidade de Balad, 80 quil&ocirc;metros ao norte da capital, em uma &aacute;rea cuja vigil&acirc;ncia foi cedida &agrave;s for&ccedil;as iraquianas pelos Estados Unidos no m&ecirc;s passado. Por outro lado, as baixas norte-americanas tamb&eacute;m aumentaram desde agosto, quando foram enviados mais soldados para pacificar Bagd&aacute;. O n&uacute;mero de efetivos mortos aumentou de 63, em agosto, para 75 em setembro, e agora em outubro j&aacute; chegou a 60. Este poder&aacute; ser o m&ecirc;s com mais baixas em quase dois anos, acrescentando argumentos a favor dos que pedem uma retirada urgente.<\/p>\n<p>Tudo isto serviu para criar p&acirc;nico entre os partid&aacute;rios da ocupa&ccedil;&atilde;o, inclusive, e especialmente, entre os neoconservadores que impulsionaram com entusiasmo a invasao em 2003. Em um artigo publicado est&aacute; semana na Weekly Standard, o analista Reuel Marc Gerecht, do centro acad&ecirc;mico conservador American Enterprise Institute, admitiu que \u201ccresce um consenso em Washington\u201d, em todos os setores pol&iacute;ticos, sobre a necessidade de uma \u201cr&aacute;pida sa&iacute;da\u201d do Iraque. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 19\/10\/2006 &ndash; Se o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Kamal al-Maliki, se sentia plenamente confiante na promessa do presidente dos Estados Unidos, George W. 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