{"id":2227,"date":"2006-10-19T00:00:00","date_gmt":"2006-10-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2227"},"modified":"2006-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-19T00:00:00","slug":"sade-poluio-do-ar-a-peste-urbana-do-sculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/sade-poluio-do-ar-a-peste-urbana-do-sculo-xxi\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: Polui&ccedil;&atilde;o do ar, a peste urbana do s&eacute;culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>Monte Porzio Catone, It&aacute;lia, 19\/10\/2006 &ndash; A contamina&ccedil;&atilde;o da atmosfera amea&ccedil;a se converter na peste urbana do novo s&eacute;culo, causando mais e mais doen&ccedil;as nos habitantes das cidades e refazendo o mapa de doen&ccedil;as infecciosas antes presentes nas zonas tropicais, afirmam especialistas. <!--more--> Mais da metade do petr&oacute;leo consumido no mundo corresponde ao setor do transporte. Quase 25% dos gases causadores do efeito estufa lan&ccedil;ados na atmosfera se devem &agrave; queima desse e outros combust&iacute;veis f&oacute;sseis, como carv&atilde;o e g&aacute;s, que al&eacute;m de esquentar o clima na Terra elevam incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as nas cidades.<\/p>\n<p>A contamina&ccedil;&atilde;o do ar mata prematuramente dois milh&otilde;es de pessoas por ano, mais da metade delas em pa&iacute;ses em desenvolvimento, segundo as Diretrizes sobre a Qualidade do Ar, divulgadas pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de no &uacute;ltimo dia 5, como um apelo aos governos para que adotem normas mais r&iacute;gidas sobre emiss&otilde;es. \u201cDiante da prolifera&ccedil;&atilde;o de provas sobre o impacto da contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica na sa&uacute;de, a OMS reviu e ampliou suas Diretrizes sobre a qualidade do ar j&aacute; em vigor para a Europa, elaborando, assim, as primeiras aplic&aacute;veis em todo o mundo\u201d, informou em um comunicado.<\/p>\n<p>De acordo com essas normas, a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de part&iacute;culas inal&aacute;veis com di&acirc;metro inferior a 10 micra, o PM 10 (o m&iacute;cron &eacute; a mil&eacute;sima parte do mil&iacute;metro), poderia reduzir as mortes nas cidades em cerca de 15% ao ano. Em muitas cidades, a concentra&ccedil;&atilde;o atual de PM 10, emitido, sobretudo, durante a queima de combust&iacute;veis, excede as 70 micra por metro c&uacute;bico de ar. As Diretrizes recomendam que seja reduzido at&eacute; 20 microgramas para prevenir infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias, doen&ccedil;as card&iacute;acas e c&acirc;ncer de pulm&atilde;o.<\/p>\n<p>A OMS tamb&eacute;m estabeleceu limites mais r&iacute;gidos para as concentra&ccedil;&otilde;es de oz&ocirc;nio na atmosfera baixa, de 120 para 100 microgramas por metro c&uacute;bico. Este contaminante se forma por a&ccedil;&atilde;o da luz e do calor do sol sobre res&iacute;duos industriais e do transporte, com os compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis, o &oacute;xido de nitrog&ecirc;nio e o di&oacute;xido de nitrog&ecirc;nio. &Eacute; causador de problemas respirat&oacute;rios e ataques de asma. Tamb&eacute;m foram reduzidas as concentra&ccedil;&otilde;es permitidas do di&oacute;xido de enxofre, de 125 para 20 migrocramas por metro c&uacute;bico.<\/p>\n<p>Um dia antes do lan&ccedil;amento das Diretrizes, o impacto da contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica no ambiente e na sa&uacute;de humana foi analisado por cientistas e mais de 50 comunicadores de todos os continentes, no IV F&oacute;rum Internacional para Jornalistas sobre Prote&ccedil;&atilde;o da Natureza, prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de\u201d, promovido pela Associa&ccedil;&atilde;o Cultural Greenaccord entre os dias 4 e 7 deste m&ecirc;s, em Monte Porzio Catone, perto de Roma. \u201cAl&eacute;m de causar mortes, a contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica aumenta a quantidade de interna&ccedil;&otilde;es hospitalares e de casos cr&ocirc;nicos de problemas respirat&oacute;rios e cardiovasculares. &Eacute; responsabilidade dos governos proteger os seres humanos de um ambiente nocivo. Respirar ar limpo deve ser um direito humano\u201d, argumentou a diretora da Escola Su&iacute;&ccedil;a de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Ursula Ackermann-Liebrich.<\/p>\n<p>O aumento dos ve&iacute;culos movidos a combust&iacute;vel para motores diesel nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas preocupa os especialistas, pois sua combust&atilde;o libera contaminantes mais sutis e mais prejudiciais, afirmou a especialista. \u201cQuanto mais contaminado o ar, mais diminui a fun&ccedil;&atilde;o pulmonar, gerando mais cansa&ccedil;o e morte. A contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica nas cidades do s&eacute;culo XXI &eacute; semelhante ao que foi a peste em &eacute;pocas medievais. Estudos mostram que na Europa caiu em 8,6 meses a expectativa de vida de seus habitantes\u201d, destacou Ackermann-Liebrich. O impacto tende a piorar, pois nos pr&oacute;ximos 30 anos a maioria da popula&ccedil;&atilde;o mundial nascer&aacute; em cidades de pa&iacute;ses em desenvolvimento, com falta de recursos para enfrentar esse r&aacute;pido crescimento e a concentra&ccedil;&atilde;o populacional em &aacute;reas urbanas, disse Pierre Quiblier, coordenador da Iniciativa relativa aos v&iacute;nculos entre sa&uacute;de e meio ambiente da OMS e do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente.<\/p>\n<p>No f&oacute;rum, realizado com apoio da ag&ecirc;ncia internacional de noticias IPS (Inter Press Service), o especialista defendeu a ado&ccedil;&atilde;o de um sistema de mobiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel baseado em igualdade social, transporte integrado a corredores, administra&ccedil;&atilde;o do uso da terra, prioridade para os ve&iacute;culos n&atilde;o-poluentes e melhoria da tecnologia do transporte. \u201cAs novas tecnologias veiculares n&atilde;o resolver&atilde;o por si mesmas o problema. Todo o sistema de transporte deve ser reformulado\u201d, disse Quiblier. Al&eacute;m da mortalidade e das crescentes hospitaliza&ccedil;&otilde;es, a queima de combust&iacute;vel f&oacute;ssil lan&ccedil;a na atmosfera gases que agravam o efeito estufa (o principal deles &eacute; o carbono) respons&aacute;veis pelo aquecimento global, segundo a maioria dos cientistas.<\/p>\n<p>Em um planeta mais quente, muda o mapa de doen&ccedil;as infecciosas, como mal&aacute;ria, dengue, febre amarela e leishmaniose. \u201cO pr&oacute;ximo informe do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (IPCC), que ser&aacute; divulgado em meados de 2007, trar&aacute; muitas evidencias de que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas induzem altera&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de humana de maneira global\u201d, afirmou o cientista Andrei Karanja Githeko, do Instituto de Pesquisas M&eacute;dicas do Qu&ecirc;nia e um dos que trabalhou no novo estudo.<\/p>\n<p>O aumento de casos de doen&ccedil;as infecciosas ocorre durante as ondas de calor, inunda&ccedil;&otilde;es e secas prolongadas. Estes fen&ocirc;menos clim&aacute;ticos extremos tendem a ser mais freq&uuml;entes e intensos com o aumento da temperatura do planeta, que j&aacute; aumentou 0,7 grau desde o s&eacute;culo XIX. \u201cA mal&aacute;ria se estender&aacute; da Amaz&ocirc;nia at&eacute; a Argentina. O mesmo ocorre na &Aacute;frica. Na Europa, onde as condi&ccedil;&otilde;es de vida s&atilde;o melhores, a tend&ecirc;ncia &eacute; contr&aacute;ria a uma epidemia desta enfermidade. Mas h&aacute; surpresas, como ocorre com a febre amarela do Rio Nilo, que de Nova York passou rapidamente para outras regi&otilde;es dos Estados Unidos\u201d, disse Githeko em entrevista &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem criar sistemas de vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria e controle de vetores, com os mosquitos, em todas as regi&otilde;es, inclusive naquelas onde atualmente essas doen&ccedil;as n&atilde;o se apresentam, como forma de prevenir as epidemias, afirmou o especialista. \u201cOs sistemas de sa&uacute;de destes pa&iacute;ses n&atilde;o est&atilde;o preparados para enfrentar as conseq&uuml;&ecirc;ncias das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. A maioria est&aacute; preocupada apenas com os problemas j&aacute; existentes e somente reagem diante da crise\u201d, acrescentou. J&aacute; surgiram casos de leishmaniose em &aacute;reas onde n&atilde;o existia, como norte da It&aacute;lia, norte da Cro&aacute;cia, Su&iacute;&ccedil;a e Alemanha.<\/p>\n<p>Antes existiam picos no ver&atilde;o, e agora tamb&eacute;m nas demais esta&ccedil;&otilde;es, informou Bettina Menne, m&eacute;dica do Centro Europeu Ambiente e Sa&uacute;de da OMS e uma das autoras do cap&iacute;tulo sanit&aacute;rio do estudo do IPCC. \u201cSem reduzir as emiss&otilde;es (de gases causadores do efeito estufa), as medidas de adapta&ccedil;&atilde;o a um planeta mais quente n&atilde;o ser&atilde;o suficientes\u201d, afirmou. Com o calor aumentam as doen&ccedil;as intestinais causadas, por exemplo, pela salmonela. \u201cAl&eacute;m disso, a m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o pode ser um dos piores efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas\u201d, alertou. O aquecimento pode reduzir a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola em grande parte do planeta, principalmente nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, disse Menne. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monte Porzio Catone, It&aacute;lia, 19\/10\/2006 &ndash; A contamina&ccedil;&atilde;o da atmosfera amea&ccedil;a se converter na peste urbana do novo s&eacute;culo, causando mais e mais doen&ccedil;as nos habitantes das cidades e refazendo o mapa de doen&ccedil;as infecciosas antes presentes nas zonas tropicais, afirmam especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/sade-poluio-do-ar-a-peste-urbana-do-sculo-xxi\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1504,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4,7],"tags":[21],"class_list":["post-2227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1504"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2227\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}