{"id":2229,"date":"2006-10-20T00:00:00","date_gmt":"2006-10-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2229"},"modified":"2006-10-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-20T00:00:00","slug":"lbano-as-mortes-em-uma-guerra-que-no-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/lbano-as-mortes-em-uma-guerra-que-no-existe\/","title":{"rendered":"L&iacute;bano: As mortes em uma guerra que n&atilde;o existe"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 20\/10\/2006 &ndash; A guerra entre Israel e o movimento xiita liban&ecirc;s Hezbollah (Partido de Deus) terminou em agosto gra&ccedil;as a um cessar-fogo patrocinado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Mas, milhares de libaneses continuam morrendo v&iacute;timas de explosivos abandonados no sul. <!--more--> Entre tr&ecirc;s e quatro pessoas morrem ou ficam mutiladas por dia devido &agrave;s bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o usadas pela For&ccedil;a A&eacute;rea israelense durante a guerra, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira na sede da ONU. Esse tipo de bomba tem um dispositivo que, ao se abrir, libera um grande n&uacute;mero de miniexplosivos.<\/p>\n<p>O documento, intitulado \u201cDano previs&iacute;vel: o uso e o impacto das muni&ccedil;&otilde;es de fragmenta&ccedil;&atilde;o no L&iacute;bano\u201d, diz que entre os mortos e feridos h&aacute; muitas crian&ccedil;as menores de 16 anos. Nas 72 horas antes da entrada em vigor do cessar-fogo, no dia 14 de agosto, as for&ccedil;as israelenses dispararam 1.800 bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o no sul do L&iacute;bano, contendo 1,2 milh&otilde;es de pequenas muni&ccedil;&otilde;es, muitas ainda sem explodir. \u201cTr&ecirc;s dias de uso indiscriminado dessas muni&ccedil;&otilde;es deixaram um legado mortal no sul do L&iacute;bano. Que levar&aacute; anos para ser erradicado\u201d, disse Thomas Nash, co-autor do estudo de 52 p&aacute;ginas e coordenador da Coaliz&atilde;o contra as Muni&ccedil;&otilde;es de Fragmenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\u201cPor n&atilde;o funcionarem como se esperava, estas bombas falham na grande maioria dos casos, e ficam, pelo menos, um milh&atilde;o de pequenas muni&ccedil;&otilde;es sem explodir nas estradas, escolas, po&ccedil;os de &aacute;gua, casas, jardins e no campo\u201d, disse Nash. Ele e outros ativistas da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Landmine Action, que elaborou o estudo, alertaram que as bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o afetam seriamente a vida dos libaneses, bloqueando o fornecimento de &aacute;gua, prejudicando o trabalho de restaura&ccedil;&atilde;o das linhas de energia el&eacute;trica e impedindo a remo&ccedil;&atilde;o dos escombros. A investiga&ccedil;&atilde;o destaca que, devido &agrave; presen&ccedil;a dessas muni&ccedil;&otilde;es, a maioria dos agricultores n&atilde;o pode realizar suas colheitas no ver&atilde;o boreal e ter&atilde;o dificuldades para trabalhar a terra no inverno.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo reflete a realidade no terreno\u201d, disse &agrave; IPS Justin Brady, do Departamento de Opera&ccedil;&otilde;es de Manuten&ccedil;&atilde;o de Paz da ONU, que acompanha de perto a situa&ccedil;&atilde;o no sul do L&iacute;bano. Brady disse que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em colabora&ccedil;&atilde;o com v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais realiza opera&ccedil;&otilde;es de remo&ccedil;&atilde;o de minas terrestres no sul do territ&oacute;rio liban&ecirc;s desde setembro, e j&aacute; removeu mais de 45 mil explosivos de fragmenta&ccedil;&atilde;o. \u201cPoderemos encontrar um milh&atilde;o\u201d desses artefatos, acrescentou. Alarmados pela devasta&ccedil;&atilde;o causada na popula&ccedil;&atilde;o e no meio ambiente do sul do L&iacute;bano, Landmine Action e outros grupos da sociedade civil lan&ccedil;aram uma campanha para proibir esse tipo de armas.<\/p>\n<p>A press&atilde;o da sociedade civil j&aacute; conseguiu a proibi&ccedil;&atilde;o das bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o por parte da B&eacute;lgica em fevereiro de 2006, e agora realiza campanha semelhante na Alemanha, &Aacute;ustria, Fran&ccedil;a, Holanda e Noruega. V&aacute;rios grupos tamb&eacute;m exortaram a Gr&atilde;-Bretanha a suspender imediatamente o uso dessas bombas, destruir as que tem armazenadas e apoiar a iniciativa para uma proibi&ccedil;&atilde;o mundial. Est&aacute; prevista uma reuni&atilde;o internacional em Genebra no pr&oacute;ximo m&ecirc;s para discutir o uso das bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o. Ativistas acreditam que v&aacute;rios pa&iacute;ses se defender&atilde;o argumentando que essas armas podem ser usadas de forma mais precisa. Enquanto um grande n&uacute;mero de na&ccedil;&otilde;es admite os problemas humanit&aacute;rios causados por estes explosivos, somente B&eacute;lgica e Noruega deixaram de us&aacute;-los.<\/p>\n<p>Pa&iacute;ses-chave como Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha, Israel e R&uacute;ssia afirmam que o uso de bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o &eacute; legal. Ativistas respondem que, se assim for, diante do dano freq&uuml;ente que causam na popula&ccedil;&atilde;o civil, do qual o L&iacute;bano &eacute; apenas o exemplo mais recente, ent&atilde;o a lei internacional &eacute; defeituosa. \u201cA afirma&ccedil;&atilde;o de que estas armas podem ser usadas de uma forma mais precisa &eacute; uma mentira. A evid&ecirc;ncia s&atilde;o as casas e as planta&ccedil;&otilde;es de oliveiras destru&iacute;das no sul do L&iacute;bano\u201d, afirmou o diretor da Landmine Action, Simon Conway. \u201cMulheres, meninas e meninos morrem diariamente ou ficam feridos quanto tentam remover os escombros de suas casas destru&iacute;das por bombas de fragmenta&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o explodiram quando deveriam. Se estes explosivos fossem outro tipo de produto, j&aacute; teriam sido retirados do mercado. Devem ser proibidos\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 20\/10\/2006 &ndash; A guerra entre Israel e o movimento xiita liban&ecirc;s Hezbollah (Partido de Deus) terminou em agosto gra&ccedil;as a um cessar-fogo patrocinado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 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