{"id":2234,"date":"2006-10-23T00:00:00","date_gmt":"2006-10-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2234"},"modified":"2006-10-23T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-23T00:00:00","slug":"energia-aposta-nuclear-da-argentina-causa-dvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/energia-aposta-nuclear-da-argentina-causa-dvidas\/","title":{"rendered":"Energia: Aposta nuclear da Argentina causa d&uacute;vidas"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/10\/2006 &ndash; A Argentina convoca engenheiros, qu&iacute;micos, f&iacute;sicos, t&eacute;cnicos e especialistas em comunica&ccedil;&atilde;o e cuidados ambientais para ocupar vagas na ind&uacute;stria nuclear, paralisada desde os anos 90. Diante deste entusiasmo, ativistas se perguntam se desta vez haver&aacute; melhor seguran&ccedil;a e maior transpar&ecirc;ncia. <!--more--> Apesar de um dos argumentos para impulsionar o renascimento da energia nuclear no pa&iacute;s ser a necessidade de atenuar a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica provocada pelos combust&iacute;veis de origem f&oacute;ssil, a maioria dos ambientalistas considera que est&aacute; fonte &eacute; potencialmente perigosa e produz uma amea&ccedil;a latente de longa dura&ccedil;&atilde;o, como o lixo radioativo.<\/p>\n<p>Mas se forem consultados especialistas nessa atividades, estes n&atilde;o duvidam em afirmar que a energia at&ocirc;mica &eacute; a mais limpa e segura do mundo. O governo do presidente Nestor Kirchner optou ouvir este &uacute;ltimo grupo e em agosto anunciou um plano de reativa&ccedil;&atilde;o de centrais nucleares e a implementa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de seus insumos: &aacute;gua pesada e ur&acirc;nio enriquecido. A Argentina &eacute; pioneira na produ&ccedil;&atilde;o de energia nuclear na Am&eacute;rica Latina. Na metade do s&eacute;culo XX, o Estado come&ccedil;ou a investir em pesquisa e desenvolvimento em 1974 foi inaugurada a primeira central at&ocirc;mica da regi&atilde;o, Atucha I, que produz 357 megawatts e fica na prov&iacute;ncia de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Em 1984, foi inaugurada a segunda central, Embalse, na prov&iacute;ncia de C&oacute;rdoba, fornecendo 648 megawatts. J&aacute; em 1981 come&ccedil;ou a constru&ccedil;&atilde;o de Atucha II, na mesma regi&atilde;o da primeira, mas ficou inconclusa em 1994 por falta de fundos e vontade pol&iacute;tica do ent&atilde;o governo direitista de Carlos Menem (1989-1999). O projeto original argentino contemplava construir seis reatores no total. Mas o plano foi truncado. Nos anos 80, a raz&atilde;o do desinteresse foi a abundante oferta de g&aacute;s natural, e na d&eacute;cada de 90 foi a decis&atilde;o do Estado de se retirar de uma atividade que exigia grandes investimentos.<\/p>\n<p>Menem tirou as centrais nucleares da &oacute;rbita de seu organismo-m&atilde;e, a Comiss&atilde;o Nacional de Energia At&ocirc;mica (CNEA), em 1994, com a inten&ccedil;&atilde;o de leilo&aacute;-las. A oferta fracassou e a opera&ccedil;&atilde;o delas ficou para a Nucleoel&eacute;trica SA, financiada pelo Estado. Esta paralisia se sente na oferta de energia. A contribui&ccedil;&atilde;o nuclear para a matriz el&eacute;trica da Argentina caiu de 15% nos anos 80 para 8% atualmente. Agora, o governo de Kirchner pretende finalizar Atucha II at&eacute; 2010 com 745 megawatts, prolongar a vida &uacute;til tanto de Atucha I quanto de Embalse, e analisar a constru&ccedil;&atilde;o de uma quarta central. Tamb&eacute;m foi anunciada a coloca&ccedil;&atilde;o em marcha de uma produtora de &aacute;gua pesada e o rein&iacute;cio da gera&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio enriquecido.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, o engenheiro Dar&iacute;o Jinchuk, porta-voz da CNEA, admitiu que o plano &eacute; um forte apoio para a atividade. \u201cNos anos 90 foram congeladas as vagas na CENEA e hoje a m&eacute;dia de idade &eacute; de 54 anos. Das cinco mil pessoas que trabalhavam no pico da atividade, restam apenas 1,9 mil\u201d, afirmou. Muitos dos recursos humanos formados aqui com bolsas estatais foram para o estrangeiro ou mudaram de setor. A convoca&ccedil;&atilde;o para preencher cerca de 60 vagas e a oferta de 68 bolsas est&aacute; mobilizando o setor.<\/p>\n<p>S&atilde;o necess&aacute;rios engenheiros nucleares, mas tamb&eacute;m especializados em engenharia civil, qu&iacute;mica, industrial, ambiental, eletr&ocirc;nica e mec&acirc;nica. Tamb&eacute;m licenciados em f&iacute;sica, qu&iacute;mica, contadores, especialistas em seguro ambiental, bem como t&eacute;cnicos para operar centrais, estudantes avan&ccedil;ados nessas &aacute;reas e advogados especialistas no tema, al&eacute;m de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Para Jinchuk, o relan&ccedil;amento da atividade segue a linha internacional e necessidades locais. Entre as primeiras mencionou o horizonte de curto prazo para as reservas de hidrocarbonetos, seu pre&ccedil;o cada vez mais alto, a instabilidade das regi&otilde;es onde esses recursos se concentram e seus efeitos no meio ambiente.<\/p>\n<p>Na Argentina, al&eacute;m desses fatores h&aacute; outros que somam a favor de reimpulsionar est&aacute; ind&uacute;stria. \u201cO pa&iacute;s cresce ao ritmo de 8% ao ano e a demanda energ&eacute;tica aumenta entre 4% e 5% no mesmo prazo\u201d, explicou o porta-voz da CNEA. \u201cOs empres&aacute;rios quase n&atilde;o investem, e por isso o Estado decidiu faz&ecirc;-lo\u201d, acrescentou. E n&atilde;o somente atrav&eacute;s das centrais nucleares tradicionais. Jinchuk disse que finalmente haver&aacute; or&ccedil;amento para o prot&oacute;tipo de um reator pequeno que produza eletricidade. A Argentina f&aacute;brica e exporta reatores pra produzir radiois&oacute;topos, mas, a CNEA projetou um para a produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade que ainda est&atilde;o em planejamento.<\/p>\n<p>A respeito da seguran&ccedil;a, garantiu que \u201ca tecnologia melhorou muito\u201d desde os anos 80. \u201cOs sistemas de seguran&ccedil;a s&atilde;o redundantes e com m&uacute;ltiplas barreiras de conten&ccedil;&atilde;o. H&aacute; sistemas passivos que n&atilde;o precisam ser acionados\u201d, afirmou. Sobre os temores dos ativistas que criticam o governo pela falta de estudos de impacto ambiental na hora de prolongar a vida das centrais que est&atilde;o prontas para sair do circuito, engenheiro Jinchuk disse que se trata de uma pratica habitual. \u201cNos Estados Unidos h&aacute; 102 centrais e a metade ter&aacute; sua vida &uacute;til prolongada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas h&aacute; outras d&uacute;vidas ainda sem resposta. As centrais nucleares parecem ter nascido com uma rejei&ccedil;&atilde;o cong&ecirc;nita ao controle da sociedade, um fator que as torna mais tem&iacute;veis. A IPS tentou durante uma semana falar com um membro da dire&ccedil;&atilde;o da Nucleoel&eacute;trica SA (NA-SA), mas n&atilde;o conseguiu passar do encarregado de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. O site da empresa na Internet, em constru&ccedil;&atilde;o, tampouco fornece fatos em profundidade. \u201cH&aacute; 12 anos que NA-SA est&aacute; gerando energia limpa e segura\u201d, afirma o slogan que d&aacute; as boas-vindas ao espa&ccedil;o virtual com uma tranq&uuml;ilizadora m&uacute;sica de fundo.<\/p>\n<p>Jinchuk admitiu que o grande fantasma que persegue a atividade &eacute; o acidente de 1986 em Chernobyl, na Ucr&acirc;nia, ainda sob o dom&iacute;nio central da hoje extinta Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. \u201cN&atilde;o houve outro acidente dessa gravidade desde ent&atilde;o, com perda de radia&ccedil;&atilde;o, e o reator n&atilde;o contava com a seguran&ccedil;a necess&aacute;ria\u201d, garantiu. A prova de solidez da ind&uacute;stria, disse, &eacute; que no mundo funcionam 443 centrais nucleares e h&aacute; outras 33 em constru&ccedil;&atilde;o, sem um acidente. \u201cToda atividade humana tem impacto ambiental, e esse impacto ser&aacute; maior ou menor segundo o controle feito pelo Estado. O Estado deve velar para que a atividade seja feita dentro das normas de seguran&ccedil;a adequadas\u201d, ressaltou. Na Argentina, a responsabilidade de fiscalizar a opera&ccedil;&atilde;o da atividade nuclear &eacute; a Autoridade Regulat&oacute;ria Nuclear, criada em 1996.<\/p>\n<p>O certo &eacute; que com a futura coloca&ccedil;&atilde;o em funcionamento de Atucha II, a contribui&ccedil;&atilde;o nuclear para a matriz energ&eacute;tica poder&aacute; passar de 85 para 12%, sempre e quando a energia de outras origens n&atilde;o aumentar, uma alternativa descartada. O governo convocou os empres&aacute;rios para a constru&ccedil;&atilde;o de novas centrais t&eacute;rmicas e est&aacute; investindo em hidrel&eacute;trica. \u201cO interesse dos que trabalham na ind&uacute;stria nuclear &eacute; chegar a 17%, que &eacute; a m&eacute;dia mundial de energia dessa origem, e o ideal seria 35%, que &eacute; a m&eacute;dia europ&eacute;ia\u201d, afirmou. na Fran&ccedil;a, quase 80% da energia s&atilde;o produzidos em centrais at&ocirc;micas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/10\/2006 &ndash; A Argentina convoca engenheiros, qu&iacute;micos, f&iacute;sicos, t&eacute;cnicos e especialistas em comunica&ccedil;&atilde;o e cuidados ambientais para ocupar vagas na ind&uacute;stria nuclear, paralisada desde os anos 90. 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