{"id":2241,"date":"2006-10-25T00:00:00","date_gmt":"2006-10-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2241"},"modified":"2006-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-25T00:00:00","slug":"educao-aprender-um-milagre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/educao-aprender-um-milagre\/","title":{"rendered":"Educa&ccedil;&atilde;o: Aprender &eacute; um milagre"},"content":{"rendered":"<p>Wiondhoek, Nam&iacute;bia, 25\/10\/2006 &ndash; \u201cQuando Deus olha meu trabalho, sorri. Mas quando observa meu sal&aacute;rio, chora\u201d, diz um cartaz pendurado na sala de Norbert Booi, professor secund&aacute;rio de uma escola p&uacute;blica de Katutura, o mais antigo sub&uacute;rbio da capital da Nam&iacute;bia. <!--more--> A frase evidencia o que passa pela cabe&ccedil;a deste professor de ingl&ecirc;s da escola A. Shipena enquanto olha a se&ccedil;&atilde;o de classificados do Republikein, um dos tr&ecirc;s jornais do pa&iacute;s. \u201c&Eacute; preciso um milagre para dar aula sem as ferramentas b&aacute;sicas\u201d, disse Booi se referindo &agrave;s suas desfavor&aacute;veis condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Entretanto, tem sorte por trabalhar na capital.<\/p>\n<p>Seu colega Martin Natangwe, um expatriado de Z&acirc;mbia e professor de ci&ecirc;ncias na regi&atilde;o de Kavango, na fronteira norte, n&atilde;o tem a mesma sorte. A cabana que divide com sua mulher e filha de 4 anos corresponde &agrave; era do ferro. A escola n&atilde;o tem servi&ccedil;o de &aacute;gua nem esgoto. H&aacute; poucos livros de texto e materiais de escrita. Tampouco h&aacute; laborat&oacute;rios para aulas pr&aacute;ticas de ci&ecirc;ncias. \u201c&Eacute; dif&iacute;cil dar uma aula. Com raz&atilde;o, t&atilde;o poucos estudantes s&atilde;o aprovados por ano\u201d, afirmou Natangwe. Al&eacute;m disso, Kavango &eacute; uma regi&atilde;o propensa a inunda&ccedil;&otilde;es. E os professores se preparam para a esta&ccedil;&atilde;o de chuvas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da crescente evas&atilde;o escolar registrada nessa &eacute;poca, alguns t&ecirc;m de dar aula debaixo das &aacute;rvores. Outros devem enfrentar salas inundadas ou prestes a inundar, j&aacute; que as estruturas s&atilde;o muito d&eacute;beis para suportar as inclem&ecirc;ncias do clima. Entretanto, Natangwe n&atilde;o pode mudar de trabalho, pois tem um contrato para estrangeiros que o impede de buscar outro emprego. Pasilius Haingura, secret&aacute;rio-geral da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Sindicatos de Professores da Nam&iacute;bia confirmou que muitos dos 20 mil profissionais querem mudar de profiss&atilde;o.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s indicar que os professores t&ecirc;m melhores sal&aacute;rios do que outros funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, Haingura disse que as condi&ccedil;&otilde;es em que devem trabalhar s&atilde;o t&atilde;o ruins que n&atilde;o tem outro rem&eacute;dio a n&atilde;o ser procurar outro emprego. Al&eacute;m disso, h&aacute; poucos incentivos para reter os mais qualificados. \u201cOs professores n&atilde;o somente trocam as escolas p&uacute;blicas pelas privadas, mas tamb&eacute;m v&atilde;o trabalhar em empresas paraestatais ou do setor privado. As condi&ccedil;&otilde;es de trabalho s&atilde;o pat&eacute;ticas\u201d, afirmou. Os professores recebem subven&ccedil;&otilde;es de moradia e transporte, mas n&atilde;o s&atilde;o suficientemente boas para compensar outros problemas.<\/p>\n<p>Professoras e professores tamb&eacute;m tem de enfrentar classes lotadas. \u201cNa maioria das escolas, podem ter at&eacute; 50 alunos, isto &eacute;, 15 a mais do que o estimado nas cifras mundiais, e n&atilde;o contam com recursos\u201d disse Haingura. Segundo a Associa&ccedil;&atilde;o dos Professores, dois mil profissionais do setor p&uacute;blico abandonam o sistema educacional todos os anos, enquanto nas escolas superiores e na universidade s&atilde;o formados apenas 1,2 mil novos professores anualmente para substitu&iacute;-los, neste pa&iacute;s de aproximadamente dois milh&otilde;es de habitantes.<\/p>\n<p>O governo da Nam&iacute;bia admite que nem tudo est&aacute; bem no campo educacional. A vice-primeira-ministra Libertina Amathila expressou sua preocupa&ccedil;&atilde;o pela deser&ccedil;&atilde;o de professores qualificados do ensino p&uacute;blico em busca de melhores oportunidades. Em mar&ccedil;o, o setor recebeu US$ 52 milh&otilde;es de um total de US$ 400 milh&otilde;es destinados &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, a maior propor&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento nacional 2006-2007, que chega a cerca de US$ 2 bilh&otilde;es. Mas esta soma &eacute; insuficiente para cobrir todas as necessidades.<\/p>\n<p>No total, 90% do or&ccedil;amento educacional vai para os sal&aacute;rios, deixando muito pouco para infra-estrutura, material e equipamentos. Subsiste um d&eacute;ficit e a desigualdade na distribui&ccedil;&atilde;o de professores qualificados. H&aacute; muito poucas salas de aula para a crescente quantidade de alunos. Freq&uuml;entemente, estudantes mal preparados s&atilde;o admitidos em graus superiores, embora n&atilde;o tenham passado nas provas. A Nam&iacute;bia adotou a pol&iacute;tica de progress&atilde;o autom&aacute;tica dos estudantes dos cursos prim&aacute;rio e m&eacute;dio, da primeira &agrave; nona s&eacute;rie e da d&eacute;cima &agrave; d&eacute;cima-primeira, j&aacute; que a maioria das escolas n&atilde;o tem espa&ccedil;o para repetentes.<\/p>\n<p>Este ano, o baixo &iacute;ndice de aprova&ccedil;&atilde;o no exame final despertou vozes a favor de reformar o ensino. Dos 13.850 alunos que terminaram o 12&ordm; grau em 2005, apenas 2.840 foram admitidos na Universidade da Nam&iacute;bia e na Escola Polit&eacute;cnica Nacional. As duas institui&ccedil;&otilde;es se queixam de serem obrigadas a admitir estudantes que n&atilde;o falam nem escrevem o ingl&ecirc;s b&aacute;sico. Desde o ano passado, o governo estuda revitalizar o setor educacional pela contrata&ccedil;&atilde;o de professores qualificados em ci&ecirc;ncia e ingl&ecirc;s.<\/p>\n<p>Atrav&eacute;s do governamental Programa de Melhoramento da Educa&ccedil;&atilde;o e Capacita&ccedil;&atilde;o (ETSIP) espera-se \u201cproduzir cidad&atilde;os com boa prepara&ccedil;&atilde;o secundaria e que possam aplicar o conhecimento cientifico, usar a informa&ccedil;&atilde;o e desenvolver as destrezas necess&aacute;rias para ter acesso a melhores sal&aacute;rios\u201d, disse o ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Nangoloh Mbumba. A iniciativa d&aacute; &ecirc;nfase na forma&ccedil;&atilde;o dos professores e no desenvolvimento de destrezas cient&iacute;ficas para o mercado de trabalho. Haingura n&atilde;o se tranq&uuml;iliza com o programa governamental. \u201cNos preocupa os recursos para captar professores\u201d, disse. O sindicalista tamb&eacute;m duvida da exist&ecirc;ncia de fundos suficientes para desenvolver o ETSIP.<\/p>\n<p>O governo pretende reunir US$ 322 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos cinco anos para financiar o programa. De acordo com toivo Mvula, chefe de imprensa do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, \u201co problema &eacute; que os centros de forma&ccedil;&atilde;o de professores n&atilde;o t&ecirc;m a capacidade de preparar suficientes profissionais\u201d. Mvula disse &agrave; IPS que, no contexto do ETSIP, o governo est&aacute; enviando professores ao Zimb&aacute;bue e a Cuba para que se capacitem em ingl&ecirc;s, matem&aacute;ticas e ci&ecirc;ncias. Cinco novas escolas foram constru&iacute;das em Windhoek e algumas outras foram reformadas para aliviar o d&eacute;ficit de salas de aula registrado no inicio deste ano. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wiondhoek, Nam&iacute;bia, 25\/10\/2006 &ndash; \u201cQuando Deus olha meu trabalho, sorri. Mas quando observa meu sal&aacute;rio, chora\u201d, diz um cartaz pendurado na sala de Norbert Booi, professor secund&aacute;rio de uma escola p&uacute;blica de Katutura, o mais antigo sub&uacute;rbio da capital da Nam&iacute;bia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/africa\/educao-aprender-um-milagre\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1567,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[20],"class_list":["post-2241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","tag-educacion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1567"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}