{"id":2255,"date":"2006-10-31T00:00:00","date_gmt":"2006-10-31T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2255"},"modified":"2006-10-31T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-31T00:00:00","slug":"mxico-crise-em-oaxaca-aumenta-aps-violenta-ao-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/mxico-crise-em-oaxaca-aumenta-aps-violenta-ao-policial\/","title":{"rendered":"M&eacute;xico: Crise em Oaxaca aumenta ap&oacute;s violenta a&ccedil;&atilde;o policial"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 31\/10\/2006 &ndash; O governo do M&eacute;xico defende a repress&atilde;o das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a federais contra o protesto social na capital do Estado de Oaxaca, no domingo, pois isso permitiu recuperar \u201ca paz e a tranq&uuml;ilidade p&uacute;blicas\u2019. Mas, a evid&ecirc;ncia indica o contr&aacute;rio. <!--more--> \u201cA situa&ccedil;&atilde;o piorou. Somo objeto de uma violenta e inaceit&aacute;vel repress&atilde;o, que no domingo deixou tr&ecirc;s mortos, mais de 50 feridos, v&aacute;rios desaparecidos e alguns casos de tortura\u2019, disse &aacute; IPS Florentino L&oacute;pez, porta-voz da Assembl&eacute;ia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO).<\/p>\n<p>Flavio Sosa, outro dirigente dessa organiza&ccedil;&atilde;o, alertou que as negocia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ficar&atilde;o paralisadas enquanto permanecerem em Oaxaca as for&ccedil;as policiais federais, que a seu ver est&atilde;o integradas por \u201ccriminosos e violadores\u201d. Mas, o presidente Vicente Fox, que em dezembro encerra seu mandato de seis anos, v&ecirc; outro panorama. \u201cHoje, em Oaxaca foi recuperada a paz social\u201d, disse ontem. \u201cEm Oaxaca se pode somar o di&aacute;logo e a busca de acordos com a implanta&ccedil;&atilde;o da ordem e do respeito &agrave; lei. O valor do di&aacute;logo foi fundamental para que hoje tiv&eacute;ssemos o regresso da paz e da tranq&uuml;ilidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Na tarde de domingo, milhares de policiais, ve&iacute;culos antimontins e grandes tratores entraram em Oaxaca, capital do Estado de mesmo nome. A golpes e empurr&otilde;es, mais uso de g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo e jatos de &aacute;gua, os agentes policiais desalojaram os acampamentos e as barricadas nas ruas e parques que a APPO mantinha na cidade. Os rebeldes, que em sua maioria n&atilde;o ofereceram resist&ecirc;ncia e preferiram se entricheirar nos pr&eacute;dios da estatal Universidade Aut&ocirc;noma Benito Juarez, fizeram ontem uma marcha pela cidade exigindo a sa&iacute;da da pol&iacute;tica e a imediata ren&uacute;ncia do governo do Estado, Ulises Ruiz.<\/p>\n<p>O conflito nesse distrito, iniciado dia 22 de maio com protestos de professores exigindo melhores sal&aacute;rios, atingiu um n&iacute;vel mais alto em meio a negocia&ccedil;&otilde;es frustradas entre governo e APPO e sem que as autoridades locais e os legisladores conseguissem chegar a uma solu&ccedil;&atilde;o. A principal demanda hoje dos manifestantes &eacute; a ren&uacute;ncia de Ruiz, a quem acusam de corrupto e opressor. Mas, o governador, do hist&oacute;rico Partido Revolucion&aacute;rio Institucional (PRI), se nega a tomar esse caminho, apesar de tamb&eacute;m ser pressionado por correligion&aacute;rios e pelo governo de Fox.<\/p>\n<p>Ontem, segunda-feira, os deputados do governante Partido A&ccedil;&atilde;o Nacional e do esquerdista Partido da Revolu&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica aprovaram, sem apoio do PRI, um \u201cponto de acordo\u201d no qual exortam publicamente Ruiz a renunciar. Por sua vez, Emilio Gamboa, coordenador do PRI na C&acirc;mara dos Deputados, pediu ao governador para \u201cfazer um ato de consci&ecirc;ncia a fim de analisar sua perman&ecirc;ncia no cargo\u201d. Segundo L&oacute;pez, da APPO, a a&ccedil;&atilde;o policial da v&eacute;spera deixou mais de 50 presos e v&aacute;rios desaparecidos que foram levados para instala&ccedil;&otilde;es militares onde estariam sendo torturados. Al&eacute;m disso, assegurou que houve tr&ecirc;s mortes.<\/p>\n<p>Entretanto, porta-vozes do governo nacional negaram essas vers&otilde;es, mas, reconhecendo que a atua&ccedil;&atilde;o policiai de domingo deixou saldo de 23 deten&ccedil;&otilde;es e um morto, que seria um jovem ferido por um petardo feito com p&oacute;lvora que ele mesmo manipulava. A estatal mas independnete Comiss&atilde;o Nacional de Direitos Humanos, que enviou 18 observadores para Oaxaca, concorda que a a&ccedil;&atilde;o policial registrou morto, o mesmo jovem de que fala o governo. Segundo sua vers&atilde;o, morreu ao ser atingido por uma bomba de g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo.<\/p>\n<p>O dialogo com a APPO se mant&eacute;m aberto e os professores sindicalizados de Oaxaca, que s&atilde;o o motor central da revolta social nesse Estado, suspenderam a paralisa&ccedil;&atilde;o de suas atividades e voltaram &agrave; sala de aula nesta segunda-feira, disse o porta-voz presidencial, Rub&eacute;n Aguilar. Mas, a entidade negou que vai dialogar com o governo se a pol&iacute;cia n&atilde;o deixar Oaxaca, e as aulas n&atilde;o foram anunciadas. Nas principais ruas e parques da cidade a pol&iacute;cia manteve-se vigilante no dia de ontem, mas, em outras, simpatizantes da APPO voltaram a montar barricadas. Por outro lado, as atividades comerciais e tur&iacute;sticas nessa cidade se mantiveram &agrave; meia for&ccedil;a.<\/p>\n<p>O ministro da Seguran&ccedil;a, Eduardo Medina, explicou que a decis&atilde;o de usar a for&ccedil;a em Oaxaca partiu da tese de que n&atilde;o se podia permitir que a viol&ecirc;ncia e a desordem continuassem imperando nesse Estado. \u201cO uso da for&ccedil;a n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o de um conflito social e pol&iacute;tico. Mas, foi necess&aacute;ria e agora o que vem &eacute; o di&aacute;logo e a negocia&ccedil;&atilde;o pelos caminhos institucionais\u201d, afirmou. Medina recha&ccedil;ou a tese da APPO de que a decis&atilde;o de usar a pol&iacute;cia visou respaldar o questionado governador Ruiz. Foi uma a&ccedil;&atilde;o dirigida exclusivamente ao restabelecimento da ordem, enfatizou.<\/p>\n<p>A chegada da pol&iacute;cia aconteceu um dia depois de violentos choques entre membros da APPO e grupos contr&aacute;rios ligados &agrave;s autoridades estaduais, os mais graves desde o in&iacute;cio do conflito social em maio. Nesses choques foram usadas armas de fogo pelos dois lados, segundo se constatou pelas imagens feitas por um cinegrafista e fot&oacute;grafos, com saldo de quatro mortos, entre elas o norte-americano Bradley Roland Will, colaborador do grupo jornal&iacute;stico independente Indymedia, fato que provocou um protesto da embaixada dos Estados Unidos no M&eacute;xico. Os assassinos s&atilde;o homens armados, vestidos de civil e identificados como policiais e autoridades municipais ligadas ao PRI.<\/p>\n<p>Diversos grupos humanit&aacute;rios denunciam que os membros da APPO foram atacados em diversas ocasi&otilde;es por esses grupos e aparentes sic&aacute;rios. A grande maioria dos 15 mortos deste conflito em Oaxaca contabilizados pelas autoridades faziam parte dessa organiza&ccedil;&atilde;o. Para o acad&ecirc;mico e especialista pol&iacute;tico do Col&eacute;gio do M&eacute;xico, Sergio Aguayo, a a&ccedil;&atilde;o policial n&atilde;o resolveu o conflito, mas o agravou. Semelhante opini&atilde;o expressou o historiador Lorenzo Meyer, para quem pesou na decis&atilde;o de usar a for&ccedil;a press&otilde;es da embaixada dos Estados Unidos depois da morte de Roland Will. Miguel Granados, colunista do jornal Reforma e do seman&aacute;rio Processo, advertiu que, se o conflito n&atilde;o encontrar um caminho pol&iacute;tico imediato, a pol&iacute;cia que ocupa Oaxaca pode acabar sendo atacada pela popula&ccedil;&atilde;o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 31\/10\/2006 &ndash; O governo do M&eacute;xico defende a repress&atilde;o das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a federais contra o protesto social na capital do Estado de Oaxaca, no domingo, pois isso permitiu recuperar \u201ca paz e a tranq&uuml;ilidade p&uacute;blicas\u2019. 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