{"id":2256,"date":"2006-11-01T00:00:00","date_gmt":"2006-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2256"},"modified":"2006-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-01T00:00:00","slug":"trabalho-onu-caa-os-abusos-contra-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/mundo\/trabalho-onu-caa-os-abusos-contra-imigrantes\/","title":{"rendered":"Trabalho: ONU ca&ccedil;a os abusos contra imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 01\/11\/2006 &ndash; Em resposta &agrave; chuva de den&uacute;ncias de trabalhadores imigrantes, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas abriu uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre poss&iacute;veis viola&ccedil;&otilde;es de direitos trabalhistas, explora&ccedil;&atilde;o, d&iacute;vidas salariais, deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias e deporta&ccedil;&otilde;es coletivas. <!--more--> \u201cAs queixas recebidas foram transmitidas aos respectivos governos com chamados urgentes ou cartas\u201d, informou Jorge Bustamante, relator especial da ONU para os direitos humanos dos imigrantes. Embora n&atilde;o tenha dado os nomes dos pa&iacute;ses, sabe-se que Bustamenta solicitou oficialmente visitas &agrave; Austr&aacute;lia, Canad&aacute;, Cor&eacute;ia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Indon&eacute;sia, Jap&atilde;o, Mal&aacute;sia, Maurit&acirc;nia e &Aacute;frica do Sul. Nesta lista est&atilde;o inclu&iacute;dos tanto pa&iacute;ses que recebem imigrantes quanto os que enviam, em sua maioria pessoas procedentes do mundo em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Entre as reclama&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m figuram a falta de cuidados com os doentes os postos de fronteira, as mortes por uso excessivo da for&ccedil;a por parte da seguran&ccedil;a do Estado, deporta&ccedil;&otilde;es, viol&ecirc;ncia contra mulheres, trabalho for&ccedil;ado pr&oacute;ximo da escravid&atilde;o, reten&ccedil;&atilde;o de passaporte, restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de deslocamento e nega&ccedil;&atilde;o do direito de associa&ccedil;&atilde;o e reuni&atilde;o. Dos 191 milh&otilde;es de imigrantes registrados no ano passado, cerca de 115 milh&otilde;es viviam em paises industrializados, segundo a ONU. Tr&ecirc;s quartos deles residiam em 28 na&ccedil;&otilde;es e um em cada cinco moravam nos Estados Unidos. Tamb&eacute;m este pa&iacute;s lidera a lista mundial de pa&iacute;ses receptores, com mais de 38 milh&otilde;es de imigrantes em 2005, o que representa quase 13% de sua popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As Na&ccedil;&otilde;es Unidas dizem que \u201co problema principal &eacute; prevenir a imigra&ccedil;&atilde;o irregular ou n&atilde;o autorizada\u2019. Os Estados Unidos estimam que em seu territ&oacute;rio residem entre 10 milh&otilde;es e 12 milh&otilde;es de estrangeiros sem documenta&ccedil;&atilde;o, na Cor&eacute;ia do Sul s&atilde;o cerca de 140 mil, no Jap&atilde;o 221 mil, na Austr&aacute;lia 60 mil e na Nova Zel&acirc;ndia 20 mil pessoas. Em um informe dirigido aos 192 Estados-membros da Assembl&eacute;ia Geral da ONU, Bustamante diz que \u201cest&aacute; muito preocupado pela alarmante quantidade de relat&oacute;rios recebidos este ano referentes a emigrantes que perderam a vida no mar\u201d, a maioria na &aacute;frica e &Aacute;sia.<\/p>\n<p>\u201cA Pol&iacute;tica Marco de Emigra&ccedil;&atilde;o para a &Aacute;frica\u201d, adotada pelo conselho executivo da Uni&atilde;o Africana (UA), destaca \u201ca crescente preocupa&ccedil;&atilde;o dos 54 Estados-membros pelo aumento da discrimina&ccedil;&atilde;o e xenofobia contra os emigrantes\u201d desse continente. \u201cA discrimina&ccedil;&atilde;o contra os imigrantes cria tens&otilde;es sociais tanto nos pa&iacute;ses de origem quanto nos receptores, coloca obst&aacute;culo em sua boa integra&ccedil;&atilde;o nas sociedades de destino e limita o pleno desfrute de seus direitos fundamentais\u201d, acrescenta a UA. A luta contra o racismo e a xenofobia &eacute;, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, um elemento fundamental para uma completa pol&iacute;tica nacional de imigra&ccedil;&atilde;o, acrescentou.<\/p>\n<p>Perguntado se os pa&iacute;ses em desenvolvimento t&ecirc;m raz&atilde;o em acusar as na&ccedil;&otilde;es ricas de encobrir racismo em suas decis&otilde;es de controle seletivo de imigrantes em suas fronteiras, Peter Sutherland respondeu que as conven&ccedil;&otilde;es de Genebra acertadamente obrigam seus signat&aacute;rios a dar abrigo aos que t&ecirc;m leg&iacute;timos temores de serem perseguidos em sua terra natal. Este &eacute; um direito indiscut&iacute;vel que todos os pa&iacute;ses europeus e outras na&ccedil;&otilde;es signat&aacute;rias devem respeitar, acrescentou o representante especial da secretaria geral da ONU para a Imigra&ccedil;&atilde;o Internacional e o Desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade internacional fez muitos esfor&ccedil;os para criar um sistema de asilo mediante conven&ccedil;&otilde;es, pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas que desenvolvam as promessas feitas em Genebra em 1951. N&atilde;o &eacute; um sistema perfeito por muitos motivos, mas, foi constantemente melhorado, disse Sutherland &agrave; IPS. Tamb&eacute;m afirmou que os 25 pa&iacute;ses integrantes da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, em particular, desenvolveram uma ampla legisla&ccedil;&atilde;o desde o final da d&eacute;cada de 90 para criar um enfoque comum para as pol&iacute;ticas de asilo e ref&uacute;gio. Mais al&eacute;m dos casos leg&iacute;timos de asilo estabelecidos pelas regras de Genebra, os pa&iacute;ses n&atilde;o est&atilde;o obrigados a permitir a entrada de imigrantes econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>\u201cCertamente, h&aacute; legisla&ccedil;&atilde;o que amplia os direitos de imigra&ccedil;&atilde;o muito al&eacute;m das conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, por exemplo, o direito de unifica&ccedil;&atilde;o familiar &eacute; aceito pela maior parte do mundo desenvolvido. Al&eacute;m disso, h&aacute; regimes relativamente liberais que admitem os que querem estudar ou se capacitar em outros pa&iacute;ses\u2019, disse Sutherland. \u201cCreio que os que v&ecirc;m ao mundo desenvolvido, seja sob programa de reunifica&ccedil;&atilde;o familiar ou como refugiados, devem gozar do direito de trabalhar desde o momento de sua chegada\u2019, acrescentou. Mas, ressaltou que a imigra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica n&atilde;o &eacute; um direito. As na&ccedil;&otilde;es mant&ecirc;m a soberania sobre a decis&atilde;o de permitir a entrada de indiv&iacute;duos sob essa categoria.<\/p>\n<p>N&atilde;o sem raz&atilde;o essa decis&atilde;o &eacute; tomada com base nas necessidades econ&ocirc;micas de cada pa&iacute;s, ou seja, que as na&ccedil;&otilde;es podem permitir a entrada de pessoas para preencher um d&eacute;ficit em seu mercado de trabalho, acrescentou Sutherland. \u201cDe fato, diria que, se os pa&iacute;ses fossem mais abertos e honestos ao fazerem isto e se criassem os meios necess&aacute;rios para por em contato os que buscam trabalho com os empregadores, aumentaria o apoio geral &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o\u201d, acrescentou. Sutherland afirmou que muito da atitude geral contra a imigra&ccedil;&atilde;o est&aacute; ligada ao fato de n&atilde;o ter uma regulamenta&ccedil;&atilde;o, a falta de legisla&ccedil;&atilde;o sobre imigra&ccedil;&atilde;o &eacute; corrente hoje, os criminosos e os contrabandistas est&atilde;o fazendo as pol&iacute;ticas de imigra&ccedil;&atilde;o em muitos casos, al&eacute;m de estarem obtendo ganhos imorais com isto. Est&aacute; situa&ccedil;&atilde;o deve mudar, disse Sutherland.<\/p>\n<p>Por fim, &eacute; &oacute;bvio que os esfor&ccedil;os para selecionar os imigrantes devem ter por base suas destrezas econ&ocirc;micas e em nenhum caso sua ra&ccedil;a, g&ecirc;nero, religi&atilde;o ou origem &eacute;tnica. Assim, os sistemas de sele&ccedil;&atilde;o em si mesmos n&atilde;o s&atilde;o ruins, pelo contrario, podem ser &uacute;teis para os pa&iacute;ses receptores e para os de origem. \u201cMas, os sistemas de sele&ccedil;&atilde;o, como qualquer outra coisa, podem ser objeto de abuso. Precisamos prevenir isso energicamente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Dirigindo-se ao Comit&ecirc; Econ&ocirc;mico e Financeiro da ONU na semana passada, o embaixador brasileiro nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Ronaldo Mota Sardenberg, disse aos delegados que os Estados t&ecirc;m o direito de controlar suas fronteiras, mas, n&atilde;o devem punir legalmente a imigra&ccedil;&atilde;o irregular. Quando se faz isto, acrescentou, abre-se caminho para maci&ccedil;as deporta&ccedil;&otilde;es e deten&ccedil;&otilde;es ilegais. A crescente onda de imigrantes, tanto legais quanto ilegais, tamb&eacute;m tem impacto nas na&ccedil;&otilde;es que buscam restringir sua entrada.<\/p>\n<p>John Reid, ministro brit&atilde;nico do Interior, anunciou esta semana que com a proposta de entrada da Bulg&aacute;ria e da Rom&ecirc;nia na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia no pr&oacute;ximo ano, seu governo planeja impor r&iacute;gidos crit&eacute;rios de emprego para os imigrantes desses pa&iacute;ses. Embora v&aacute;rios estudos mostrem o positivo impacto dos imigrantes, Reid disse que o aumento de residentes (incluindo os procedentes da Pol&ocirc;nia depois que este pa&iacute;s entrou na UE, no ano passado) implicou uma press&atilde;o na disponibilidade de moradia e escola, pois muitos imigrantes vivem na Inglaterra. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 01\/11\/2006 &ndash; Em resposta &agrave; chuva de den&uacute;ncias de trabalhadores imigrantes, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas abriu uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre poss&iacute;veis viola&ccedil;&otilde;es de direitos trabalhistas, explora&ccedil;&atilde;o, d&iacute;vidas salariais, deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias e deporta&ccedil;&otilde;es coletivas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/mundo\/trabalho-onu-caa-os-abusos-contra-imigrantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,4],"tags":[],"class_list":["post-2256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-globalizacao","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}