{"id":2258,"date":"2006-11-01T00:00:00","date_gmt":"2006-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2258"},"modified":"2006-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-01T00:00:00","slug":"energia-bolvia-e-venezuela-querem-mudar-a-geopoltica-do-gs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/energia-bolvia-e-venezuela-querem-mudar-a-geopoltica-do-gs\/","title":{"rendered":"Energia: Bol&iacute;via e Venezuela querem mudar a geopol&iacute;tica do g&aacute;s"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 01\/11\/2006 &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o de postos de vigil&acirc;ncia na fronteira da Bol&iacute;via e uma hipot&eacute;tica defesa m&uacute;tua com a Venezuela brilha na superf&iacute;cie da alian&ccedil;a entre estes dois paises, mas, no fundo vibra uma estrat&eacute;gia para controlar e usar politicamente as formid&aacute;veis alavancas energ&eacute;ticas da Am&eacute;rica do Sul. <!--more--> O an&uacute;ncio de que a Bol&iacute;via construir&aacute;, com ajuda da Venezuela, dois postos para controlar e melhorar o fluxo de transporte em sua fronteira, um em Riberalta, departamento de Beni, a nordeste de La Paz e de frente para o Peru, e outro em Puerto Quijarro, no sudeste pr&oacute;ximo ao Paraguai, incentivou especula&ccedil;&otilde;es divulgadas pela imprensa regional nas &uacute;ltimas semanas.<\/p>\n<p>\u201cMas a quest&atilde;o de fundo n&atilde;o &eacute; esse modesto pacto militar, mas a alian&ccedil;a energ&eacute;tica que parece se traduzir no afastamento da Petrobras em favor das companhias de petr&oacute;leo estatais da Venezuela e Argentina, isto &eacute;, do eixo Caracas-Buenos Aires que coloca sua m&atilde;o no g&aacute;s boliviano\u201d, disse &agrave; IPS o analista venezuelano de assuntos internacionais Alberto Garrido. Petr&oacute;leos da Venezuela AS (Pdvsa) j&aacute; tem pronto para investir US$ 1,5 bilh&atilde;o em neg&oacute;cios de hidrocarbonetos na Bol&iacute;via, e a Energia Argentina AS (Enarsa) acaba de assinar um conv&ecirc;nio por 20 anos para se abastecer com at&eacute; 27,7 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos di&aacute;rios de g&aacute;s boliviano, e para isso ser&atilde;o mobilizados nessas duas d&eacute;cadas para La Paz quase US$ 50 bilh&otilde;es entre investimentos e compras.<\/p>\n<p>Por seu lado, a Petrobras parece pressionada diante da negocia&ccedil;&atilde;o de um novo acordo com a Bol&iacute;via para compra de seu g&aacute;s natural a pre&ccedil;os superiores aos de 1&ordm; de maio, quando o governo esquerdista de Evo Morales anunciou a nacionaliza&ccedil;&atilde;o de suas reservas de hidrocarbonetos, a par de tratar de defender seus investimentos nesse pa&iacute;s de US$ 1,5 bilh&atilde;o. Segundo Garrido, La Paz e Caracas apostam forte com estas jogadas a favor de suas estrat&eacute;gias de poder. No caso da Bol&iacute;via, \u201co conv&ecirc;nio com a Argentina estabelece que esse g&aacute;s n&atilde;o deve ir para o Chile, porque o acesso a essa energia &eacute; a &uacute;nica press&atilde;o que Santiago tem para negociar a quest&atilde;o da sa&iacute;da para o mar\u201d perdida desde o final do s&eacute;culo XI&Ccedil;X com a chamada guerra do Pac&iacute;fico.<\/p>\n<p>Em Caracas, o presidente venezuelano, Hugo Ch&aacute;vez, \u201cfalou em consolidar uma pot&ecirc;ncia energ&eacute;tica na regi&atilde;o, como base para enfrentar o imp&eacute;rio norte-americano\u201d, disse o analista. \u201cVenezuela e Bol&iacute;via coligadas t&ecirc;m a reserva de petr&oacute;leo n&uacute;mero um e a segunda e terceira de g&aacute;s, em todo o hemisf&eacute;rio\u201d, acrescentou. Dessa forma, o general Alberto Muller, chefe do Estado Maior presidencial da Venezuela, disse em uma confer&ecirc;ncia na Escola Superior de Guerra A&eacute;rea de seu pa&iacute;s que \u201co petr&oacute;leo &eacute; uma arma e deve ser usada, tanto para coopera&ccedil;&atilde;o quanto para resist&ecirc;ncia. Trata-se de chantagear com o petr&oacute;leo para conseguir os objetivos deste processo\u201d, afirmou. Tamb&eacute;m Ch&aacute;vez disse que se alguma for&ccedil;a interna ou externa atacar o governo da Bol&iacute;via \u201cnosso pa&iacute;s n&atilde;o ficar&aacute; de bra&ccedil;os cruzados, porque dali depende o destino da integra&ccedil;&atilde;o do continente\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, quando meios de comunica&ccedil;&atilde;o reproduziram inquieta&ccedil;&otilde;es ventiladas no Chile, Paraguai e Peru sobre um acordo, o ministro venezuelano da Defesa, general Ra&uacute;l Baduel, explicou que esse conv&ecirc;nio se baseia em um contexto de \u201ccoopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para melhorar as capacidades de cada pa&iacute;s\u201d e contribuir para o desenvolvimento de zonas deprimidas. De concreto, disse Baduel, engenheiros militares venezuelanos ajudar&atilde;o a melhorar a infra-estrutura de Puerto Guijarro e a construir um forte em Riberalta \u201cpara assentar exclusivamente tropas bolivianas\u201d, ressaltou, recha&ccedil;ando a hip&oacute;tese de unidades ou bases das for&ccedil;as armadas venezuelanas se estabelecerem no pa&iacute;s do altiplano da cordilheira dos Andes.<\/p>\n<p>Em La Paz, o ministro da Presid&ecirc;ncia, Juan Ram&oacute;n Quintana, disse &agrave; IPS que somente esses dois pontos receber&atilde;o ajuda t&eacute;cnica venezuelana, por isso \u201c&eacute; uma id&eacute;ia absurda, il&oacute;gica e que beira o rid&iacute;culo afirmar que a Bol&iacute;via esta em uma corrida armamentista\u201d. Quintana recordou que a Bol&iacute;via gasta apenas US$ 14 por pessoa na &aacute;rea da defesa e seu or&ccedil;amento para o setor, de US$ 114 milh&otilde;es anuais, n&atilde;o se compara nem de longe com os dos vizinhos Chile, que gasta US$ 2,2 bilh&otilde;es ao ano, ou o Peru, com US$ 1 bilh&atilde;o, e menos ainda do que o Brasil, que destina &agrave; seguran&ccedil;a entre US$ 7 bilh&otilde;es e US$ 8 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>A Bol&iacute;via vai destinar em cinco anos US$ 12,5 milh&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de fortes em regi&otilde;es de fronteira, incluindo um na regi&atilde;o de Silala, na fronteira com o Chile. Santiago subestimou a import&acirc;ncia do acordo Caracas-La Paz, pois \u201cesse apoio &eacute; dirigido &agrave; prote&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio muito dif&iacute;cil que tem a Bol&iacute;via, com problemas de contrabando e migra&ccedil;&atilde;o em sua fronteira\u201d, admitiu a ministra da Defesa do Chile, Vivianne Blanlot. O chefe do ex&eacute;rcito chileno, general Oscar Izurieta tamb&eacute;m concordou que o conv&ecirc;nio \u201cn&atilde;o &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o importante para seu pa&iacute;s. Temos todos os antecedentes, estamos informados e mantemos um relacionamento permanente com o exercito boliviano\u201d, afirmou o militar.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Peru, cujo presidente, Alan Garc&iacute;a, manteve embates ret&oacute;ricos com Ch&aacute;vez, expressou preocupa&ccedil;&otilde;es pela constru&ccedil;&atilde;o de uma nova base diante de sua fronteira. \u201cSe for mudado o status quo ser&aacute; um gesto de desconfian&ccedil;a, para cham&aacute;-lo de alguma maneira\u201d, disse &agrave; IPS o chanceler peruano, Jos&eacute; Antonio Garc&iacute;a Bela&uacute;nde. Entretanto, como o acordo entre Caracas e La Paz est&aacute; parado no Senado ap&oacute;s ter sido aprovado na C&acirc;mara de Deputados, \u201cainda &eacute; uma possibilidade, n&atilde;o uma decis&atilde;o tomada\u201d, acrescentou. Bela&uacute;nde e seu companheiro de gabinete, o ministro da Defesa, Allan Wagner, esperam pela visita a Lima, este m&ecirc;s, o ministro da Defesa da Bol&iacute;via, Walter Santa Cruz, para tratar extensamente da quest&atilde;o.<\/p>\n<p>Na oposi&ccedil;&atilde;o peruana, Juan Mari&aacute;tegui, membro do Parlamento Andino, acusou o governo de Alan Garc&iacute;a de exagerar, pois a Bol&iacute;via \u201cn&atilde;o vai construir bases, mas m&oacute;dulos com n&atilde;o mais do que 15 efetivos para vigiar a linha de fronteira. Que invas&atilde;o far&atilde;o com 15 soldados\u201d, perguntou. \u201cQuando se produz uma interven&ccedil;&atilde;o norte-americana na regi&atilde;o a chancelaria peruana fica muda, mas, quando se informa sobre a colabora&ccedil;&atilde;o da Venezuela com o pa&iacute;s-irm&atilde;o Bol&iacute;via se fala exageradamente de intervencionismo\u201d, disse Mari&aacute;tegui. Jos&eacute; Robles, da &aacute;rea da defesa no Instituto de Defesa Legal em Lima, disse &aacute; IPS que, \u201cde todo modo, preocupa e he l&oacute;gico que o Peru pergunte por que da noite para o dia a Bol&iacute;via decidiu instalar uma de suas bases militares na fronteira\u201d.<\/p>\n<p>No Paraguai (que travou uma guerra com a Bol&iacute;via em 1932-1935), o senador Eusebio Ram&oacute;n Ayala, do opositor Partido Radical Aut&ecirc;ntico, disse ter \u201cespecial sensibilidade para este assunto, embora, segundo Morales, a substitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o de grande porte. \u201cMesmo procedendo (o acordo) de Ch&aacute;vez, que est&aacute; em um af&atilde; armamentista que pode romper o equil&iacute;brio de for&ccedil;a na regi&atilde;o\u201d, alertou.<\/p>\n<p>A Venezuela vai comprar da R&uacute;ssia 53 helic&oacute;pteros MI-25, 26 ca&ccedil;a-bombardeios Sukhoi 30 e cem mil fuzis de assalto Kalashnikov AK-30 com uma f&aacute;brica de muni&ccedil;&otilde;es para eles, a fim de renovar seus equipamentos b&eacute;licos muito velhos. Entretanto, Garrido advertiu que tamb&eacute;m Brasil e M&eacute;xico est&atilde;o comprando Sukhoi russos e a Argentina adquire novas baterias de m&iacute;sseis. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Com contribui&ccedil;&atilde;o de Franz Ch&aacute;vez, em La Paz e &Aacute;ngel P&aacute;ez, em Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 01\/11\/2006 &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o de postos de vigil&acirc;ncia na fronteira da Bol&iacute;via e uma hipot&eacute;tica defesa m&uacute;tua com a Venezuela brilha na superf&iacute;cie da alian&ccedil;a entre estes dois paises, mas, no fundo vibra uma estrat&eacute;gia para controlar e usar politicamente as formid&aacute;veis alavancas energ&eacute;ticas da Am&eacute;rica do Sul. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/energia-bolvia-e-venezuela-querem-mudar-a-geopoltica-do-gs\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,10],"tags":[],"class_list":["post-2258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-energia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}