{"id":2265,"date":"2006-11-06T00:00:00","date_gmt":"2006-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2265"},"modified":"2006-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-06T00:00:00","slug":"clima-brasil-prope-fundo-para-proteger-florestas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/clima-brasil-prope-fundo-para-proteger-florestas\/","title":{"rendered":"Clima: Brasil prop&otilde;e fundo para proteger florestas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 06\/11\/2006 &ndash; O crescente reconhecimento de que o aquecimento do clima &eacute; mais grave do que aparenta pode favorecer a negocia&ccedil;&atilde;o de uma proposta brasileira para estimular a conserva&ccedil;&atilde;o de florestas tropicais atrav&eacute;s de um fundo internacional que compense o esfor&ccedil;o de reduzir o desmatamento. <!--more--> A proposta, que ser&aacute; apresentada na XII Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP \u201312), que come&ccedil;a nesta segunda-feira e vai at&eacute; o pr&oacute;ximo dia 17, em Nair&oacute;bi, faz parte de um movimento de v&aacute;rios atores para incluir a quest&atilde;o no conv&ecirc;nio.<\/p>\n<p>Estima-se que o desmatamento contribui com 20% a 25% dos gases causadores do efeito estufa, que aquecem a atmosfera, e &eacute; um dos grandes fatores de perda de biodiversidade no mundo, afetando as metas de outra conven&ccedil;&atilde;o mundial firmada no contexto da ONU. Um relat&oacute;rio do Banco Mundial, divulgado h&aacute; duas semanas, prop&otilde;e desenvolver mecanismos para compensar os propriet&aacute;rios e governos que conservarem suas florestas, argumentando que os cr&eacute;ditos de carbono que poderiam obter valeriam muito mais do que a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola ou pecu&aacute;ria em igual extens&atilde;o de terra.<\/p>\n<p>Uma iniciativa encabe&ccedil;ada por Costa Rica e Papua Nova Guin&eacute; pretende, justamente, criar um novo sistema para que a redu&ccedil;&atilde;o no desmatamento entre no mercado de carbono, criado pelo Protocolo de Kyoto sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica assinado em 1997 e em franca expans&atilde;o. O chamado mercado de carbono (em raz&atilde;o do di&oacute;xido de carbono) est&aacute; destinado a facilitar para os pa&iacute;ses industriais obrigados pelo Protocolo a alcan&ccedil;ar suas metas de redu&ccedil;&atilde;o de gases atrav&eacute;s de investimentos em projetos limpos em outras na&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A proposta do Brasil busca contornar as dificuldades de incorporar essa quest&atilde;o nos mecanismos desse mercado, que permitem aos pa&iacute;ses ricos, ou empresas, adquirir \u201ccr&eacute;ditos\u201d de empresas ou projetos que, de alguma maneira, conseguem reduzir as emiss&otilde;es que est&atilde;o aquecendo o clima do planeta. A id&eacute;ia &eacute; criar um fundo internacional, com contribui&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias, para compensar financeiramente os pa&iacute;ses em desenvolvimento que reduzirem os &iacute;ndices de destrui&ccedil;&atilde;o de florestas tropicais. Trata-se de uma proposta ainda em constru&ccedil;&atilde;o, \u201cn&atilde;o fechada\u201d, para que seus detalhes e mecanismos sejam fixados em um processo de discuss&atilde;o nacional e internacional, o que parece positivo, segundo Rubens Born, coordenador da Vitae Civilis, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental brasileira ativa no debate sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a id&eacute;ia deixa d&uacute;vidas sobre sua efetividade, especialmente por n&atilde;o prever compromissos nem gera&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos de carbono, j&aacute; que n&atilde;o assegura formas de \u201catrair fundos\u201d, disse Born &agrave; IPS. &Eacute; preciso que o governo brasileiro prove seu argumento de que os pa&iacute;ses ricos se ver&atilde;o \u201cconstrangidos politicamente\u201d a contribuir, se as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento protegerem de fato suas florestas. O Brasil vem reduzindo o desmatamento na Amaz&ocirc;nia, o maior fator de gases estufa no Pa&iacute;s. O governo anunciou no &uacute;ltimo dia 26 uma redu&ccedil;&atilde;o de 30% no ano encerrado em agosto, em compara&ccedil;&atilde;o com os 12 meses anteriores, que j&aacute; haviam apresentado uma queda de 31%.<\/p>\n<p>Entretanto, n&atilde;o se pode prever o fracasso da id&eacute;ia brasileira por se tratar de um fundo volunt&aacute;rio. Um programa de colabora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o obrigat&oacute;ria por parte dos pa&iacute;ses ricos a projetos amaz&ocirc;nicos atraiu quase US$ 300 milh&otilde;es e esse mecanismo tem a vantagem de promover \u201cmaior transpar&ecirc;ncia\u201d na aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos, j&aacute; que exige \u201cconfian&ccedil;a, credibilidade e bom uso dos recursos\u201d, afirmou Born.<\/p>\n<p>A proposta &eacute; \u201cum provocador passo &agrave; frente\u201d, saudou o F&oacute;rum Brasileiro de Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, uma coaliz&atilde;o de 500 grupos fundada em 1990 para participar da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de 1992 no Rio de Janeiro, que aprovou a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica e outros tratados ambientais. Este ser&aacute; um dos temas principais em Nair&oacute;bi, diante do dramatismo que ganhou a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e o \u201cmomento cr&iacute;tico\u201d que vive o Protocolo de Kyoto, com o abandono de fato do Canad&aacute;, somando-se &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o rebelde de Austr&aacute;lia e Estados Unidos, destacou Born.<\/p>\n<p>Isso deixa a Europa e o Jap&atilde;o isolados no compromisso de Kyoto de reduzir, at&eacute; 2012, os gases estufa a volumes 5,2% inferiores aos de 1990. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento foram eximidos de metas pelo princ&iacute;pio de \u201cresponsabilidades comuns, mas diferenciadas\u201d no aquecimento do planeta, provocado por gases lan&ccedil;ados na atmosfera, em sua imensa maioria, pelos pa&iacute;ses industriais nos &uacute;ltimos s&eacute;culos. Mas, &eacute; necess&aacute;rio rediscutir essa quest&atilde;o na COP-12, que iniciar&aacute; as negocia&ccedil;&otilde;es para fixar metas de redu&ccedil;&atilde;o em um per&iacute;odo posterior a 2012 para que os pa&iacute;ses em desenvolvimento possam contribuir para minimizar a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, diz a posi&ccedil;&atilde;o adotada pelo F&oacute;rum.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio distinguir pa&iacute;ses rec&eacute;m-industrializados, como Cor&eacute;ia do Sul, Cingapura e Kuwait, que j&aacute; apresentam capacidade de reduzir suas emiss&otilde;es, de outros mais pobres, afirma o F&oacute;rum em um documento que reflete o consenso de seus membros. \u201cN&atilde;o se pode dar o mesmo peso a Burundi e &agrave; Cor&eacute;ia do Sul\u201d, ou ao Kuwait com sua ind&uacute;stria petrol&iacute;fera, concluiu Born. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 06\/11\/2006 &ndash; O crescente reconhecimento de que o aquecimento do clima &eacute; mais grave do que aparenta pode favorecer a negocia&ccedil;&atilde;o de uma proposta brasileira para estimular a conserva&ccedil;&atilde;o de florestas tropicais atrav&eacute;s de um fundo internacional que compense o esfor&ccedil;o de reduzir o desmatamento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/clima-brasil-prope-fundo-para-proteger-florestas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,4],"tags":[21],"class_list":["post-2265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2265\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}