{"id":227,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=227"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"empresas-a-extorso-da-monsanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/empresas-a-extorso-da-monsanto\/","title":{"rendered":"Empresas: A &quot;extors&atilde;o&quot; da Monsanto"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 23\/01\/2005 &ndash; A corpora&ccedil;&atilde;o biotecnol&oacute;gica Monsanto questionou judicialmente mais de cem agricultores norte-americanos e investigou outros milhares pelo que considera uso ilegal de suas sementes transg&ecirc;nicas, uma pol&iacute;tica qualificada de &quot;extors&atilde;o&quot; por ativistas. A Monsanto pro&iacute;be aos agricultores armazenar sementes das variedades que desenvolveu atrav&eacute;s da engenharia gen&eacute;tica, resistentes a pragas e ao uso do herbicida glifosato, que a pr&oacute;pria empresa venda com o nome de RoundUp. Em 1998, o agricultor Kem Ralph, da localidade norte-americana de Convington, no Estado do Tennessee, foi talvez o primeiro a ir para a pris&atilde;o por guardar e cultivar sementes RoundUp da Monsanto, neste caso de soja. Ralph passou quatro meses atr&aacute;s das grades e ainda deve pagar &agrave; companhia uma indeniza&ccedil;&atilde;o de US$ 1,8 milh&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> Os tribunais norte-americanos concederam &agrave; empresa indeniza&ccedil;&otilde;es num total de US$ 15 milh&otilde;es, informou o n&atilde;o-governamental Centro para a Seguran&ccedil;a alimentar (CFS), com sede em Washington, em um estudo intitulado &quot;Monsanto versus agricultores norte-americanos&quot;. O &quot;plano de neg&oacute;cios da Monsanto em mat&eacute;ria de sementes transg&ecirc;nicas depende das demandas judiciais contra os agricultores&quot;, disse Joe Mendelson, diretor legal do CFS. O informe desta organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; o primeiro relat&oacute;rio detalhado do impacto dos lit&iacute;gios de uso de sementes transg&ecirc;nicas sobre os agricultores dos Estados Unidos. O assunto est&aacute; vivo entre ativistas de todo o mundo, que o debater&atilde;o durante o F&oacute;rum Social Mundial que acontece este m&ecirc;s em Porto Alegre.<\/p>\n<p> No entanto, a companhia insiste em afirmar que &quot;a Monsanto nunca processou um agricultor que tenha plantado nossas sementes sem saber que o fazia&quot;, disse &agrave; IPS, contradizendo numerosas queixas de agricultores norte-americanos, Chris Horner, porta-voz da empresa. Ao ser perguntado como a &quot;pol&iacute;cia da semente&quot; da Monsanto distinguia o uso intencional do involunt&aacute;rio de seus produtos, Horner respondeu: &quot;Isso se sabe apenas olhando a planta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o significa que vamos atr&aacute;s dos agricultores que usam ilegalmente nossas sementes. Mas se algo nos leva a uma investiga&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s investigamos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Horner, que se negou a fazer maiores coment&aacute;rios sobre o relat&oacute;rio do CFS, confirmou que a Monsanto conta com um n&uacute;mero de telefone gratuito para que agricultores informem sobre supostos abusos de colegas. O estudo do CFS, segundo o porta-voz, considera um grupo muito pequeno em compara&ccedil;&atilde;o com seu universo de clientes. &quot;Concedemos mais de 300 mil licen&ccedil;as para agricultores que usam nossos produtos&quot;, explicou. Segundo o documento, as indeniza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o apenas uma parte do dinheiro que a companhia exige de agricultores de fora desse universo. Centenas deles foram obrigados a assinar acordos secretos nos &uacute;ltimos oito anos para evitar um processo.<\/p>\n<p> Em geral, os agricultores precisam dos conhecimentos e da assist&ecirc;ncia legal que lhes permitam se defender contra as acusa&ccedil;&otilde;es da Monsanto, disse Mendelson. &quot;Freq&uuml;entemente n&atilde;o h&aacute; provas, mas os produtores se rendem sem lutar&quot;, afirmou. Pouco se sabe sobre esses acordos secretos. Um produtor da Carolina do Norte concordou em pagar US$ 1,5 milh&atilde;o, segundo Mendelson. A empresa conta com um or&ccedil;amento anual de US$ 10 milh&otilde;es e 75 especialistas dedicados unicamente a investigar e acusar os agricultores, segundo o relat&oacute;rio. A t&aacute;tica teve sucesso. Em 2004, quase 85% de todos os produtores de soja e colza semeavam variedades transg&ecirc;nicas, bem como tr&ecirc;s quartos dos produtores de algod&atilde;o e quase a metade dos de milho.<\/p>\n<p> A Monsanto controla quase 90% da soja, da colza e do algod&atilde;o transg&ecirc;nicos e tem grande participa&ccedil;&atilde;o no mercado de milho. A empresa &eacute; acusada de &quot;obrigar a realizar cultivos transg&ecirc;nicos no Brasil e no resto do mundo&quot;, segundo a organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace. Por que os agricultores simplesmente n&atilde;o se decidem a cultivar as variedades n&atilde;o transg&ecirc;nicas? O produtor norte-americano Rodney Nelson, do Estado de Dakota do Norte, explicou que hoje restam poucas sementes convencionais, pois os comerciantes n&atilde;o ganham muito dinheiro com elas. A Monsanto cobra direitos pelo uso de sua tecnologia que variam de US$ 6,25 por saca de soja colhida a, em m&eacute;dia, US$ 230 pela saca de algod&atilde;o. Nesse caso, os direitos s&atilde;o tr&ecirc;s maiores do que os do algod&atilde;o convencional.<\/p>\n<p> Segundo a companhia, essa faturamento &eacute; necess&aacute;rio para recuperar seus investimentos em tecnologia. O outro problema &eacute; que as sementes n&atilde;o transg&ecirc;nicas acabam contaminadas pelos genes patenteados pela Monsanto, segundo Nelson. A empresa processou este agricultor e sua fam&iacute;lia em 1999 por viola&ccedil;&atilde;o de sua patente, pois afirmava que ele havia guardado sementes de soja RoundUp em sua propriedade. Dois anos de batalha legal acabaram em um acordo judicial sobre o qual est&aacute; proibido de comentar. &quot;Ganhamos, mas nos sentimos contaminados para sempre&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Segundo o relat&oacute;rio, mesmo quando um agricultor decide deixar de cultivar as sementes da Monsanto, novas plantas transg&ecirc;nicas crescem naturalmente nos terrenos no ano seguinte. Essa situa&ccedil;&atilde;o pode durar at&eacute; cinco ou seis anos. Segundo as leis de patente norte-americanas, um agricultor comete uma falta mesmo se cultiva sem saber variedades contaminadas pelos genes da Monsanto. Outros pa&iacute;ses t&ecirc;m leis semelhantes. A Suprema Corte de Justi&ccedil;a do Canad&aacute; apoiou no ano passado a patente de colza transg&ecirc;nica da companhia, embora se tratasse, como afirma o processado, o agricultor Percy Schmeiser, de sementes cultivadas sem seu conhecimento.<\/p>\n<p> O tribunal decidiu tamb&eacute;m que Schmeiser n&atilde;o estava obrigado a pagar &agrave; Monsanto as custas judiciais, estimadas em US$ 200 mil, e que podia conservar os US$ 20 mil ganhos com sua colheita de 1997, o que desatou uma batalha de seis anos na Justi&ccedil;a. Em sua acusa&ccedil;&atilde;o, a empresa afirmou que Schmeiser violou deliberadamente os direitos de patente ao semear, colher, armazenar e vender colza da variedade RoundUp sem pagar a necess&aacute;ria licen&ccedil;a. As pradarias canadenses por milh&otilde;es de anos estiveram no fundo do oceano. S&atilde;o muito planas e o vento sopra com for&ccedil;a a maior parte do tempo. Estes ventos carregam grandes quantidades de sementes de colza do tamanho da cabe&ccedil;a de um alfinete, e, inclusive, plantas inteiras depois de colhidas.<\/p>\n<p> Boa parte dos dois milh&otilde;es de hectares cultivados com colza est&aacute; coberta de variedade transg&ecirc;nica. Os genes patenteados aparecem, sem interven&ccedil;&atilde;o humana, em plantas que crescem ao longo de estradas, p&aacute;tios de escolas, parques e terrenos baldios. Schmeiser disse que sua fazenda foi contaminada em anos anteriores por p&oacute;len dos campos de um vizinho e por sementes ca&iacute;das de caminh&otilde;es em seu caminho rumo a uma processadora. Para muitos ativistas e especialistas, a vit&oacute;ria da Monsanto significa que os agricultores n&atilde;o estar&atilde;o dispostos a armazenar suas pr&oacute;prias sementes, pois poderiam conter tra&ccedil;os gen&eacute;ticos desenvolvidos pela empresa e invis&iacute;veis a olho nu. Assim dever&atilde;o compr&aacute;-las antes de cada semeadura, o que reduzir&aacute; a diversidade natural, do mesmo modo que o &quot;cont&aacute;gio&quot; acidental dos genes patenteados pela Monsanto. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 23\/01\/2005 &ndash; A corpora&ccedil;&atilde;o biotecnol&oacute;gica Monsanto questionou judicialmente mais de cem agricultores norte-americanos e investigou outros milhares pelo que considera uso ilegal de suas sementes transg&ecirc;nicas, uma pol&iacute;tica qualificada de &quot;extors&atilde;o&quot; por ativistas. A Monsanto pro&iacute;be aos agricultores armazenar sementes das variedades que desenvolveu atrav&eacute;s da engenharia gen&eacute;tica, resistentes a pragas e ao uso do herbicida glifosato, que a pr&oacute;pria empresa venda com o nome de RoundUp. Em 1998, o agricultor Kem Ralph, da localidade norte-americana de Convington, no Estado do Tennessee, foi talvez o primeiro a ir para a pris&atilde;o por guardar e cultivar sementes RoundUp da Monsanto, neste caso de soja. Ralph passou quatro meses atr&aacute;s das grades e ainda deve pagar &agrave; companhia uma indeniza&ccedil;&atilde;o de US$ 1,8 milh&atilde;o.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/empresas-a-extorso-da-monsanto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}