{"id":2273,"date":"2006-11-08T00:00:00","date_gmt":"2006-11-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2273"},"modified":"2006-11-08T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-08T00:00:00","slug":"desenvolvimento-brasil-produz-e-china-compra-petrleo-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/africa\/desenvolvimento-brasil-produz-e-china-compra-petrleo-em-angola\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Brasil produz e China compra petr&oacute;leo em Angola"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa\/Luanda, 08\/11\/2006 &ndash; O anunciado aumento da ajuda oficial ao desenvolvimento e as promessas dos ricos pa&iacute;ses credores de perdoar as d&iacute;vidas das na&ccedil;&otilde;es mais pobres continuam sendo apenas o sonho do cumprimento de um prop&oacute;sito de boa vontade. <!--more--> A maioria dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, muito especialmente os africanos, segue com graves distor&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e s&eacute;rios problemas estruturais. Apesar dos esfor&ccedil;os para promover um crescimento mundial equitativo e equilibrado, a fome e a pobreza permanecem e parecem se perpetuar.<\/p>\n<p>Estas poderiam ser as conclus&otilde;es centrais da interven&ccedil;&atilde;o do primeiro-ministro de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, na c&uacute;pula afro-chinesa realizada s&aacute;bado passado em Pequim. Neste contexto, Santos defendeu a necessidade de elaborar estrat&eacute;gias concretas coordenadas e pol&iacute;ticas coletivas firmes, em n&iacute;vel nacional e mundial, com a inten&ccedil;&atilde;o de promover e fortalecer a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, tanto regional quanto internacional, para minimizar alguns efeitos negativos da globaliza&ccedil;&atilde;o em curso.<\/p>\n<p>Os angolanos pretendem demonstrar que das palavras &agrave; a&ccedil;&atilde;o o caminho &eacute; curto: a Petrobras assinou na v&eacute;spera da c&uacute;pula um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o com a Sociedade Nacional de Combust&iacute;veis de Angola (Sonangol), sem dar detalhes da quantia em dinheiro que o protocolo representa. O acordo cont&eacute;m quatro contratos de explora&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o conjunta de petr&oacute;leo e g&aacute;s no mesmo n&uacute;mero de blocos de explora&ccedil;&atilde;o. A Petrobras vai perfurar dois po&ccedil;os explorat&oacute;rios no chamado Bloco 6\/06, na bacia angolana do Rio Cuanza, com &aacute;rea de 4.930 quil&ocirc;metros quadrados, com companhia operadora com 40% dos direitos.<\/p>\n<p>No Bloco 8\/6, com 4.611 quil&ocirc;metros quadrados, localizados nas &aacute;guas da bacia do Rio Congo, uma das regi&otilde;es petrol&iacute;feras mais ricas de Angola, os capitais brasileiros contam com 30% de participa&ccedil;&atilde;o, em um contrato que prev&ecirc; a perfura&ccedil;&atilde;o de sete po&ccedil;os explorat&oacute;rios. No Bloco 26, situado em &aacute;guas profundas da ba&iacute;a de Benguela, a estatal brasileira controlar&aacute; 80% dos direitos deste bloco de 4.838 quil&ocirc;metros quadrados. O quarto conv&ecirc;nio, que corresponde ao Bloco 16\/06, contempla uma participa&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria de 5% da Petrobras.<\/p>\n<p>Mas o Brasil n&atilde;o limita sua participa&ccedil;&atilde;o no setor petrol&iacute;fero. Poucos dias antes, em 30 de outubro, a empresa Copasa, dedicada ao abastecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel e tratamento de esgoto de Minas Gerais, anunciou que fornecer&aacute; tecnologia &agrave; Empresa P&uacute;blica de &Aacute;guas de Angola (EPAL). O protocolo entre estas estatais, assinado pelo Secret&aacute;rio de Gest&atilde;o de Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia, e pelo presidente da EPAL, Antonio Rodrigues, compromete a companhia mineira a transferir tecnologia.<\/p>\n<p>O acordo contempla as &aacute;reas de engenharia; obras e opera&ccedil;&atilde;o de sistemas de abastecimento de &aacute;gua; elabora&ccedil;&atilde;o conjunta de projetos de desenvolvimento nos setores administrativos, de transporte, recursos humanos, planejamento, comercial, financeiro, inform&aacute;tica e meio ambiente. Ap&oacute;s a assinatura do documento, Rodrigues disse que \u201ca coopera&ccedil;&atilde;o do Brasil e da Copasa &eacute; o melhor caminho para resolver rapidamente os graves problemas de salubridade de Luanda\u201d, a capital angolana seriamente afetada por focos de c&oacute;lera, alimentados pelo uso de esgoto por parte da popula&ccedil;&atilde;o mais pobre.<\/p>\n<p>O presidente da Copasa, M&aacute;rcio Nunes anunciou, na oportunidade, a visita que o ministro de Energia e &Aacute;guas de Angola far&aacute; no final deste m&ecirc;s a Minas Gerais, para \u201cabrir novas perspectivas de neg&oacute;cios\u201d entre este pa&iacute;s africano de 11,2 milh&otilde;es de habitantes e este Estado brasileiro com 18 milh&otilde;es de habitantes. Angola tamb&eacute;m &eacute; um dos principais objetivos estrat&eacute;gicos da China na &Aacute;frica, um continente onde Pequim est&aacute; apostando fortemente, aumentando em 400% o volume de suas transa&ccedil;&otilde;es comerciais nos &uacute;ltimos seis anos, chegando hoje a US$ 40 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Os chefes de Estado e de governo de 40 pa&iacute;ses que participaram da c&uacute;pula sobre com&eacute;rcio e desenvolvimento no &uacute;ltimo fim de semana na capital chinesa ouviram as garantias dadas por dirigentes de Pequim: enquanto o resto do mundo promete fazer, n&oacute;s faremos. Angola lidera a lista das prioridades da China no continente africano, deslocando a &Aacute;frica do Sul para o segundo lugar. &Eacute; a insaci&aacute;vel sede da ind&uacute;stria chinesa por petr&oacute;leo. As cifras oficiais divulgadas tanto em Pequim quanto em Luanda revelam que entre janeiro e setembro o volume comercial da China com Angola alcan&ccedil;ou US$ 9,390 bilh&otilde;es, enquanto no mesmo per&iacute;odo o com&eacute;rcio com a &Aacute;frica do Sul foi de US$ 7,040 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea energ&eacute;tica, no primeiro semestre deste ano, Angola se converteu no pa&iacute;s que mais vendeu petr&oacute;leo para a China, contabilizando exporta&ccedil;&atilde;o de 94 milh&otilde;es de barris, representando 18,2% do total das importa&ccedil;&otilde;es petrol&iacute;feras do gigante asi&aacute;tico nesse per&iacute;odo. Em 2005, Angola j&aacute; havia deslocado a Ar&aacute;bia Saudita como primeiro fornecedor de petr&oacute;leo para a China. No contexto continental, os analistas econ&ocirc;micos come&ccedil;am a prever que em breve Angola poder&aacute; superar a Nig&eacute;ria como principal exportador africano de petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>A China, em sua busca global de mat&eacute;rias-primas para alimentar sua enorme economia em expans&atilde;o, n&atilde;o esconde sua atra&ccedil;&atilde;o pelas abundantes fontes minerais da &Aacute;frica, come&ccedil;ando por se estabelecer uma base s&oacute;lida em Angola. Por outro lado, oferecem linhas de cr&eacute;dito e programas para infra-estruturas. No setor do petr&oacute;leo, a Corpora&ccedil;&atilde;o Petroqu&iacute;mica da China (Sinopec) se mostrou disposta a ser o principal s&oacute;cio da Sonangol na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova refinaria em Lobito, costa central do pa&iacute;s, investimento estimado em cerca de US$ 3 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Abril de 2004, com a concess&atilde;o de um cr&eacute;dito de US$ 2 bilh&otilde;es para a reconstru&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s devastado por tr&ecirc;s d&eacute;cadas de guerra civil, marcou o in&iacute;cio da vertiginosa evolu&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e comerciais entre Pequim e Luanda, que converteu Angola no maior p&oacute;lo de interesse africano para a China. Pouco depois da assinatura do protocolo, come&ccedil;aram a chegar ao pa&iacute;s os primeiros chineses. Traziam as m&aacute;quinas, os equipamentos e parte dos materiais para realizar as obras. Passados dois anos, um grande n&uacute;mero de empresas chinesas, muitas em sociedade com angolanos, proliferam por toda na&ccedil;&atilde;o africana, restaurando sua infra-estrutura.<\/p>\n<p>O cada vez maior n&uacute;mero de chineses nesse pa&iacute;s levou o Banco de Fomento Angola, integralmente controlado desde Lisboa pelo Banco Portugu&ecirc;s de Investimentos, a assinar um acordo com o Banco da China no sentido de facilitar as transfer&ecirc;ncias de dinheiros dos cidad&atilde;os chineses que trabalham em Angola. O aeroporto de Luanda, as ferrovias e principais estradas, escolas, pontes, edif&iacute;cios estatais, centros esportivos e moradia marcam a presen&ccedil;a da China, que j&aacute; anunciou a concess&atilde;o de outro cr&eacute;dito de US$ 2 bilh&otilde;es para Angola, que registra crescimento para 2006 calculado em cerca de 25%. Segundo declara&ccedil;&otilde;es de porta-vozes dos dois governos, a coopera&ccedil;&atilde;o entre os dois pa&iacute;ses poder&aacute; se estender aos transportes, agricultura e pesca, bem como &agrave; cultura e ao esporte.<\/p>\n<p>Entretanto, estes rios de dinheiro circulante em Angola ainda n&atilde;o chegaram &agrave; maioria da popula&ccedil;&atilde;o, onde persiste o cepticismo. Desde seus primeiros contatos com as pot&ecirc;ncias coloniais europ&eacute;ias, a &Aacute;frica acumulou uma vasta experi&ecirc;ncia como v&iacute;tima da pilhagem de sua for&ccedil;a de trabalho e seus recursos naturais. Nesse sentido, projetos como o da coopera&ccedil;&atilde;o no campo da &aacute;gua e salubridade dos esgotos, poder&aacute; n&atilde;o ter a dimens&atilde;o financeira da explora&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&otilde;es de petr&oacute;leo, mas, para as fam&iacute;lias mais vulner&aacute;veis &eacute; de vital import&acirc;ncia, no mais estrito sentido da palavra. Na pr&oacute;pria Luanda, a maior parte das fam&iacute;lias perambula pelas ruas da cidade, capital de um dos pa&iacute;ses potencialmente mais ricos do mundo em uma penosa busca por alimentos e &aacute;gua pot&aacute;vel.<\/p>\n<p>Segundo Allan Cain, respons&aacute;vel pelo Programa de Pobreza Urbana de Luanda, \u201calgumas das fam&iacute;lias mais pobres vivem com sete ou oito litros de &aacute;gua por dia\u201d, quantidade bem abaixo de todo padr&atilde;o internacional. As principais pessoas afetadas \u201cs&atilde;o as mulheres, obrigadas a caminhar por v&aacute;rias horas, todos os dias, para conseguir &aacute;gua\u201d, acrescenta o ativista da Rede de Desenvolvimento, fundada em 1989 com o apoio da Ag&ecirc;ncia Canadense de Desenvolvimento Internacional (CIDA).<\/p>\n<p>Nos sub&uacute;rbios de Luanda, milhares de pessoas expulsas de suas casas para dar lugar &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de complexos habitacionais, vivem em abrigos prec&aacute;rios constru&iacute;dos com chapas de zinco, papel&atilde;o e trapos, expostas ao vento e &agrave; chuva. Concebida pelos portugueses para abrigar 400 mil pessoas, a Luanda de hoje, com quatro milh&otilde;es de habitantes, &eacute; uma vasta mistura de mans&otilde;es coloniais, gigantescas constru&ccedil;&otilde;es de edif&iacute;cios e enormes e insalubres bairros de zinco e papel&atilde;o, onde a c&oacute;lera encontra um &oacute;timo caldo de cultivo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Manuel Cal&ccedil;ada (Portugal)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa\/Luanda, 08\/11\/2006 &ndash; O anunciado aumento da ajuda oficial ao desenvolvimento e as promessas dos ricos pa&iacute;ses credores de perdoar as d&iacute;vidas das na&ccedil;&otilde;es mais pobres continuam sendo apenas o sonho do cumprimento de um prop&oacute;sito de boa vontade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/africa\/desenvolvimento-brasil-produz-e-china-compra-petrleo-em-angola\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,4],"tags":[],"class_list":["post-2273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}