{"id":22835,"date":"2021-03-04T19:26:19","date_gmt":"2021-03-04T19:26:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=22835"},"modified":"2021-03-15T19:30:34","modified_gmt":"2021-03-15T19:30:34","slug":"removendo-barreiras-ao-papel-principal-das-mulheres-na-agricultura-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2021\/03\/africa\/removendo-barreiras-ao-papel-principal-das-mulheres-na-agricultura-africana\/","title":{"rendered":"Removendo barreiras ao papel principal das mulheres na agricultura africana"},"content":{"rendered":"<p><em>O artigo de opini\u00e3o a seguir faz parte de uma s\u00e9rie que marcar\u00e1 o Dia Internacional da Mulher, em 8 de mar\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p>IBADAN, Nig\u00e9ria, 4 de mar\u00e7o de 2021 (IPS) \u2013 A popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica dobrar\u00e1 at\u00e9 2050 se as taxas de crescimento continuarem sua trajet\u00f3ria atual, mas a cria\u00e7\u00e3o de empregos n\u00e3o est\u00e1 acompanhando esse ritmo, com at\u00e9 cinco vezes mais jovens procurando coloca\u00e7\u00e3o a cada ano. E, al\u00e9m disso, a pandemia de Covid est\u00e1 mergulhando a \u00c1frica em sua primeira recess\u00e3o em 25 anos.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Mas, mais uma vez, a agricultura est\u00e1 demonstrando sua import\u00e2ncia crucial em tempos de crise. Uma pesquisa recente do Banco Mundial, em cinco pa\u00edses africanos, mostrou que mais pessoas est\u00e3o se voltando para a agricultura por causa dos impactos econ\u00f4micos da pandemia. \u201cH\u00e1 evid\u00eancias de que o setor agr\u00edcola est\u00e1 servindo como um amortecedor para fam\u00edlias de baixa renda na regi\u00e3o, semelhante ao papel que desempenhou durante a crise econ\u00f4mica global de 2008\u201d, aponta a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Eti\u00f3pia, por exemplo, 41% das fam\u00edlias que receberam renda da agricultura nos \u00faltimos 12 meses relataram perda de ganho. Mas 85% das fam\u00edlias experimentaram perda de renda em neg\u00f3cios familiares n\u00e3o agr\u00edcolas e 63% relataram uma redu\u00e7\u00e3o nas remessas.<\/p>\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o maior dependendo da agricultura para seguran\u00e7a alimentar e como fonte de sustento, as mulheres e os jovens desempenhar\u00e3o um papel particularmente cr\u00edtico no desenvolvimento da agricultura na \u00c1frica subsaariana, onde 40% a 60% de todas as mulheres empregadas trabalham na agricultura.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a demogr\u00e1fica, \u00e9 importante examinarmos o papel que as mulheres e os jovens desempenham na garantia da seguran\u00e7a alimentar na \u00c1frica subsaariana e entender como essas din\u00e2micas est\u00e3o mudando, al\u00e9m de identificar os velhos e novos desafios enfrentados pelas mulheres.<\/p>\n<p>Um estudo recente apoiado pelo Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), sem fins lucrativos, descobriu que, entre os estudantes universit\u00e1rios do \u00faltimo ano no noroeste da Nig\u00e9ria, as mulheres jovens t\u00eam a mesma probabilidade de expressar a inten\u00e7\u00e3o de se envolver na agricultura ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o, assim como os homens. O Banco Mundial estima, no entanto, que atualmente as mulheres representam cerca de 37% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na Nig\u00e9ria. Maiores investimentos na promo\u00e7\u00e3o das mulheres na agricultura podem beneficiar significativamente a produtividade.<\/p>\n<p>O Conselho de Pesquisa Agr\u00edcola Internacional (CGIAR), uma parceria global que abrange v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es envolvidas na transforma\u00e7\u00e3o de sistemas alimentares, argumenta que a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve repousar em estimativas inflacionadas de quantos alimentos as mulheres produzem, mas sim no \u201creconhecimento de que a remo\u00e7\u00e3o de barreiras que limitam o potencial das mulheres poderia ter o duplo benef\u00edcio de aumentar rendimentos das mulheres agricultoras e oferecer mais alimentos para todos\u201d.<\/p>\n<p>As barreiras para uma maior produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas a uma \u00fanica causa. Terri Raney, editora do relat\u00f3rio da <em>The State of Food and Agriculture<\/em>, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), afirmou: \u201cAs mulheres agricultoras normalmente obt\u00eam rendimentos mais baixos do que os homens, n\u00e3o porque sejam menos qualificadas, mas porque operam fazendas menores e usam menos insumos como fertilizantes, sementes melhoradas e ferramentas\u201d.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio do Banco Mundial, de 2018, detalhou as lacunas de g\u00eanero na posse de propriedades na \u00c1frica subsaariana. Um de seus pontos mais importantes foi que as mulheres t\u00eam menos probabilidade de possuir terras ou casa do que os homens.<\/p>\n<p>No entanto, mais barreiras est\u00e3o sendo levantadas ao envolvimento das mulheres na agricultura, pois, sob a press\u00e3o de quest\u00f5es de seguran\u00e7a alimentar global, os governos da \u00c1frica subsaariana est\u00e3o arrendando grandes extens\u00f5es de terra para pa\u00edses e empresas estrangeiras. A Oxfam, em um relat\u00f3rio sobre grilagem de terras, enfatiza que muitas vezes isso prejudica as mulheres rurais: \u201cAssim que um recurso natural ganha valor comercial no mercado internacional de commodities, o controle e as decis\u00f5es sobre esse recurso passam rapidamente das mulheres rurais para as m\u00e3os dos homens\u201d.<\/p>\n<p>Embora aceite que a \u00c1frica subsaariana precisa de investimentos na agricultura, deve-se prestar aten\u00e7\u00e3o em como os trabalhadores rurais, especialmente as mulheres, podem n\u00e3o se beneficiar desses neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O IITA lan\u00e7ou 80 bolsas de pesquisa para jovens acad\u00eamicos africanos, com \u00eanfase espec\u00edfica em profissionais e estudantes do sexo feminino, por meio do projeto Melhoria da Capacidade de Aplica\u00e7\u00e3o de Evid\u00eancias de Pesquisa (Care), financiado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola (Fida), que visa ao desenvolvimento de pol\u00edticas de agroneg\u00f3cio eficazes, que gerem sucesso para os jovens na \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>O Fida est\u00e1 cada vez mais concentrando seus recursos nos jovens como uma prioridade, uma vez que a transforma\u00e7\u00e3o rural bem-sucedida depende de sua inclus\u00e3o no processo.<\/p>\n<p>Os programas para jovens do IITA \u2013 como o IITA Youth Agripreneurs (IYA), o Empowering Novel Agri-Business-Led Employment (ENABLE Youth), o Young Africa Works, e o Start Them Early Program (Step) \u2013 est\u00e3o focados no incentivo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e engajamento de crian\u00e7as em idade escolar e jovens no agroneg\u00f3cio. Investir no futuro da gera\u00e7\u00e3o mais jovem da \u00c1frica enfatiza a import\u00e2ncia de aumentar a ambi\u00e7\u00e3o dos alunos do ensino fundamental e m\u00e9dio para garantir um continente com seguran\u00e7a alimentar e nutricional. Isso tamb\u00e9m seria importante para o desenvolvimento de jovens l\u00edderes femininas na agricultura, cujas habilidades de lideran\u00e7a adquiridas as capacitar\u00e3o a ajudar nos esfor\u00e7os de resposta e recupera\u00e7\u00e3o da Covid-19.<\/p>\n<p>O IITA e organiza\u00e7\u00f5es parceiras, como o Banco Africano de Desenvolvimento, a Funda\u00e7\u00e3o Mastercard, o Fida e o governo do Estado de Oyo, acreditam que a pobreza, a fome e a desnutri\u00e7\u00e3o na \u00c1frica n\u00e3o podem ser abordadas sem levar em considera\u00e7\u00e3o as restri\u00e7\u00f5es enfrentadas pelas mulheres e jovens agricultores que, na maioria das comunidades, fornecem a maior parte da m\u00e3o-de-obra da fazenda familiar, bem como do processamento dos alimentos para os mercados e para o consumo familiar. Essas restri\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma parte central da pesquisa apoiada pelo IITA por meio de seu projeto Care.<\/p>\n<p>Em Camar\u00f5es, Djomo Choumbou Raoul Fani examinou as contribui\u00e7\u00f5es e a competitividade das jovens agricultoras e suas recomenda\u00e7\u00f5es incluem mudan\u00e7as nos sistemas de posse da terra, controles de pre\u00e7os e sistemas de cr\u00e9dito. A pesquisa de Oluwaseun Oginni descobriu que 43% dos jovens que migram para \u00e1reas urbanas do interior da Nig\u00e9ria s\u00e3o mulheres, e os principais motivos citados s\u00e3o \u201ca busca por um futuro melhor, oportunidades educacionais e casamento\u201d.<\/p>\n<p>Cynthia Mkong analisou as motiva\u00e7\u00f5es dos estudantes que escolhem a agricultura como curso universit\u00e1rio em Camar\u00f5es, onde o desemprego feminino \u00e9 o dobro do masculino. Mkong recomenda focar em pol\u00edticas que melhorem a educa\u00e7\u00e3o das meninas e aumentem a renda familiar em todos os n\u00edveis. Essas mudan\u00e7as provavelmente reverter\u00e3o o decl\u00ednio do interesse dos jovens na agricultura.<\/p>\n<p>O projeto Care do IITA est\u00e1 permitindo que as mulheres tragam experi\u00eancias, perspectivas e habilidades diferentes para a mesa, que podem contribuir para decis\u00f5es, pol\u00edticas e leis que funcionam melhor para todos. Seu papel de lideran\u00e7a \u00e9 agora cada vez mais cr\u00edtico nos esfor\u00e7os de resposta e recupera\u00e7\u00e3o da Covid-19.<\/p>\n<p>Ao marcarmos o Dia Internacional da Mulher em 8 de mar\u00e7o, o IITA est\u00e1 empenhado em promover um maior envolvimento das mulheres para que o IITA possa desempenhar um papel mais significativo na pesquisa e no mundo. As mulheres s\u00e3o os l\u00edderes e construtores de que precisamos.<\/p>\n<p><strong>O autor \u00e9 diretor-geral do IITA.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo de opini\u00e3o a seguir faz parte de uma s\u00e9rie que marcar\u00e1 o Dia Internacional da Mulher, em 8 de mar\u00e7o. 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