{"id":2287,"date":"2006-10-01T00:00:00","date_gmt":"2006-10-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2287"},"modified":"2006-10-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-frana-nostalgia-da-guilhotina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ultimas-noticias\/pena-de-morte-frana-nostalgia-da-guilhotina\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE-FRAN&Ccedil;A: Nostalgia da guilhotina"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, 01\/10\/2006 &ndash; A Fran&ccedil;a aboliu a pena de morte h&aacute; dois d&eacute;cadas e m&eacute;dia, mas alguns dos pol&iacute;ticos e institui&ccedil;&otilde;es mais importantes sempre acham que pode ser aplicada em certas condi&ccedil;&otilde;es especiais , tais como em tempo de guerra ou para combater contra o terrorismo. <!--more--> Preocupados caso se repetir um ataque terrorista como os bombardeamentos dos comboios de Madrid em mar&ccedil;o de 2004, 47 parlament&aacute;rios conservadores franceses propuseram a reintrodu&ccedil;&atilde;o da pena capital. Embora o parlamento franc&ecirc;s ignorou a iniciativa, os ativistas de direitos humanos preocupam se dizendo que isto p&otilde;e em relevo uma ambiguidade fundamental no sistema da pena capital. Em 2005, as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil trataram de aproveitar a proposta parlamentar para promover uma iniciativa contr&aacute;ria. Ent&atilde;o pediram ao governo a ratificar um protoc&oacute;lo chave da Conven&ccedil;&atilde;o Europeia, que eliminar&iacute;a a possibilidade de executar presos de guerra ou terroristas. <\/p>\n<p>Este pedido tamb&eacute;m foi mal sucedido. <\/p>\n<p> O protoc&oacute;lo 13 da Conven&ccedil;&atilde;o Europeia para a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e das libertades fundamentais foi adoptado em maio de 2002 pelo Conselho de Europa em Vilnius, o capital de Litu&acirc;nia.  A Fran&ccedil;a assinou este protoc&oacute;lo mas n&atilde;o o ratificou, apesar da press&atilde;o internacional crescente apertando com as autoridades francesas a ratificar. Este pa&iacute;s &eacute; um dos cinco do Conselho de 46 na&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o ratificaram este instrumento que deroga a pena de morte em tempos de guerra ou de uma amea&ccedil;a iminente de conflito b&eacute;lico. Os outros quatro s&atilde;o, a Espanha, a Italia, a Let&ocirc;nia e Portugal. <\/p>\n<p>Em outubro de 2005, el Conselho Constitucional franc&eacute;s, o maior org&atilde;o legislativo do pa&iacute;s, decidiu que a ratifica&ccedil;&atilde;o deste protoc&oacute;lo representaria uma &quot;decis&atilde;o irrevoc&aacute;vel&quot; que &quot;prejudicaria as condi&ccedil;&otilde;es essenciais para o exerc&iacute;cio da sober&acirc;n&iacute;a nacional&quot; se for aplicado &quot;nas situa&ccedil;&otilde;es que comprometem a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia da na&ccedil;&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p>Por estas mesmas raz&otilde;es, a Fran&ccedil;a n&atilde;o assinou um protoc&oacute;lo importante opcional de un tratado internacional que deroga a pena de morte em todas as circunst&acirc;ncias. <\/p>\n<p>A Fran&ccedil;a ratificou o protoc&oacute;lo 6 da Conven&ccedil;&atilde;o Europeia para a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e das libertades fundamentais, que deroga a pena m&aacute;xima em tempos de paz. <\/p>\n<p>Este pa&iacute;s tamb&eacute;m n&atilde;o conseguiu apoiar abertamente uma campanha internacional de uma variedade de organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos humanos europeias encorajando a Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) a adoptar uma resolu&ccedil;&atilde;o que estabele&ccedil;a um morat&oacute;rio mundial sobre a pena capital. <\/p>\n<p>O ex direitor geral de direitos humanos do Conselho de Europa, Pierre-Henri Imbert, disse a IPS que &quot;o racioc&iacute;nio do Conselho Constitucional franc&eacute;s n&atilde;o se pode ser aceitado&quot;, pois impl&iacute;citamente estabelece que &quot;a pena de morte continua a ser uma medida judicial conceb&iacute;vel na Fran&ccedil;a, e at&eacute; necess&aacute;ria dependendo das circunst&acirc;ncias&quot;. <\/p>\n<p>Para al&eacute;m disso, a decis&atilde;o do Conselho Constitucional coincide com um inquerito que mostra que apenas uma minoria dos franceses estariam de acordo com isso. <\/p>\n<p>Segundo um inquerito realizado pela institui&ccedil;&atilde;o francesa de sondagens TNS Sofres, noqual apenas 42 por cento dos cidad&otilde;es franceses mostra se a favor do re-estabelecimento da pena capital na Fran&ccedil;a. <\/p>\n<p>Em 1981 quando o parlamento franc&eacute;s aprovou a proposta do presidente de ent&atilde;o Fran&ccedil;ois Mitterand (1981-1995) de abolir a pena m&aacute;xima, 62 por cento dos consultados defendia este castigo extremo como uma medida disuasiva contra o crime. <\/p>\n<p>Depois do veredicto do Conselho franc&eacute;s em janeiro, o presidente actual Jacques Chirac pediu emendar a Constitu&ccedil;&atilde;o para nela estabelecer a aboli&ccedil;&atilde;o definitiva da pena de morte. <\/p>\n<p>&quot; A tal emenda constitucional autenticar&iacute;a nossa ades&atilde;o aos mais altos valores da dignidade humana&quot;, disse o Chirac na altura. Dez meses depois, a autentica&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o francesa continua pendente. <\/p>\n<p>Os ativistas de direitos humanos e peritos consideram inexplic&aacute;vel a par&aacute;lise provocada pelo assunto, j&aacute; que a Fran&ccedil;a derogou a pena m&aacute;xima no dia 9 de outubro 1981 e o C&oacute;digo Penal franc&eacute;s nem sequer prev&eacute;-la. <\/p>\n<p>Um dos ativistas qualificou de incoerente a l&oacute;gica detr&aacute;s do recuso do governo a ratificar o protoc&oacute;lo 13. <\/p>\n<p>&quot;Uma excep&ccedil;&atilde;o &uacute;nica, mesmo se fosse apenas mencionada, destruir&iacute;a todos os argumentos apresentados para a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte&quot;, indicou o Imbert. &quot;Uma vez derogada, a pena capital abandonaria o terreno de possibilidades jur&iacute;dicas e n&atilde;o pode ser considerada como um componente da soberania nacional,&quot; acrescentou Imbert. <\/p>\n<p>Nem o Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a ni os tribunais internacionais criados para investigar os abusos cometidos nas guerras da ex Yugoslavia ou Ru&aacute;nda consideram a pena de morte um castigo poss&iacute;vel, mesmo quando est&atilde;o a julgar os crimes mais atrozes perpetrados pelo g&eacute;nero humano, declarou Imbert. <\/p>\n<p>O interesse renovado na decapita&ccedil;&atilde;o convenceu os expertos de direitos humanos e os ativistas da fragilidade do compromisso do pa&iacute;s para com a aboli&ccedil;&atilde;o da pena m&aacute;xima. <\/p>\n<p>O portavoz da Coali&ccedil;&atilde;o Mundial contra a Pena de Morte, Michel Taube, indicou que desde h&aacute; 25 anos, quando a Fran&ccedil;a derogou a pena m&aacute;xima, muitos parlament&aacute;rios t&ecirc;m regularmente propuseram leis para reinstaurar o castigo. <\/p>\n<p>&quot;Temos que continuar a educar a cidadania sobre este assunto, sublinhando as raz&otilde;es que levaram a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte&quot;, disse Taube a IPS. (FIN\/2006)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, 01\/10\/2006 &ndash; A Fran&ccedil;a aboliu a pena de morte h&aacute; dois d&eacute;cadas e m&eacute;dia, mas alguns dos pol&iacute;ticos e institui&ccedil;&otilde;es mais importantes sempre acham que pode ser aplicada em certas condi&ccedil;&otilde;es especiais , tais como em tempo de guerra ou para combater contra o terrorismo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/ultimas-noticias\/pena-de-morte-frana-nostalgia-da-guilhotina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[22],"class_list":["post-2287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","tag-pena-de-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}