{"id":2289,"date":"2006-11-13T00:00:00","date_gmt":"2006-11-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2289"},"modified":"2006-11-13T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-13T00:00:00","slug":"eua-ir-vitria-dos-democratas-pode-aliviar-tenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/politica\/eua-ir-vitria-dos-democratas-pode-aliviar-tenses\/","title":{"rendered":"EUA-Ir&atilde;: Vit&oacute;ria dos Democratas pode aliviar tens&otilde;es"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 13\/11\/2006 &ndash; Os terremotos pol&iacute;ticos que sacudiram a capital dos Estados Unidos na semana passada abrem oportunidades para resolver os problemas pendentes entre este pa&iacute;s e o Ir&atilde;. <!--more--> A chave para buscar uma solu&ccedil;&atilde;o &eacute; o Iraque. O opositor Partido Democrata obteve nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de ter&ccedil;a-feira passada a maioria nas duas casas do Congresso. Assim, a derrota do governante Partido Republicano levou &agrave; ren&uacute;ncia do secret&aacute;rio de Defesa, Donald Rumsfeld. Diante da iminente publica&ccedil;&atilde;o do informe do Grupo de Estudo sobre o Iraque, um painel de especialistas dos dois partidos criado pelo Congresso, fica claro que os Estados Unidos n&atilde;o poder&atilde;o avan&ccedil;ar nesse pa&iacute;s se n&atilde;o elevar o n&iacute;vel de sua rela&ccedil;&atilde;o com o Ir&atilde;.<\/p>\n<p>Isso tamb&eacute;m seria necess&aacute;rio para resolver a crise pelo desenvolvimento nuclear iraniano que coloca frente a frente Teer&atilde; e Washington e boa parte do Ocidente. A vit&oacute;ria eleitoral democrata e a substitui&ccedil;&atilde;o de Rumsfeld pelo ex-diretor da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA), Robert Gates, na quarta-feira, modificaram o equil&iacute;brio no governo entre a ala pragm&aacute;tica e a neoconservadora em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa. Rumsfeld foi, desde o Pent&aacute;gono, um estreito aliado do vice-presidente, Dich Cheney, em sua posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria a toda abertura diplom&aacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao Ir&atilde;.<\/p>\n<p>Para o ex-secret&aacute;rio-geral do Departamento de Estado na gest&atilde;o de Colin Powell (2001-2005), Lawrence Wilkerson, Cheney e Rumsfeld se certificaram de que Washington descartasse uma oferta de aproxima&ccedil;&atilde;o feita pelo Ir&atilde; em maio de 2003. a iniciativa inclu&iacute;a abrir o programa nuclear iraniano &agrave; inspe&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA), deter as mil&iacute;cias do partido pr&iacute;&oacute;-iraniano liban&ecirc;s Hezbol&aacute; e cooperar contra a rede terrorista Al Qaeda e na seguran&ccedil;a do Iraque. Rumsfeld tamb&eacute;m foi o principal promotor da utiliza&ccedil;&atilde;o de Mujahedin-e Khalq, uma organiza&ccedil;&atilde;o terrorista iraniana opositora aos cl&eacute;rigos governantes, para enfraquecer Teer&atilde;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, Gates pertence a uma escola diferente dentro do Partido Republicano quanto &agrave; sua concep&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica externa. O retrocesso republicano no Congresso e a chegada de Gates ao gabinete do presidente George W. Bush criaram uma oportunidade para mudar o rumo dos acontecimentos no Iraque e no Ir&atilde;. Durante anos, o governo Bush manteve uma pol&iacute;tica maximalista baseada na rejei&ccedil;&atilde;o a todo v&iacute;nculo entre o programa nuclear iraniano e as muitas outras &aacute;reas onde h&aacute; choques entre Estados Unidos e Ir&atilde;.<\/p>\n<p>Com essa postura, a Casa Branca se prop&ocirc;s obter as m&aacute;ximas concess&otilde;es do Ir&atilde; em todas as &aacute;reas sem lhe corresponder nem nunca dar nada em troca. Essa atitude ficou patente no Afeganist&atilde;o, onde um enviado de Bush iniciou conversa&ccedil;&otilde;es com o Ir&atilde; para coordenar esfor&ccedil;os para eliminar o regime Talib&atilde;. Os motivos do presidente foram simplesmente t&aacute;ticos: aceitar a ajuda iraniana no Afeganist&atilde;o sem oferecer nenhuma coopera&ccedil;&atilde;o para produzir uma mudan&ccedil;a de atitude para o regime isl&acirc;mico. Por sua vez, os iranianos esperavam que o resultado de sua assist&ecirc;ncia tivesse implica&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas para sentar as bases de uma rela&ccedil;&atilde;o renovada entre Teer&atilde; e Washington.<\/p>\n<p>Uma vez que a ajuda do Ir&atilde; no Afeganist&atilde;o n&atilde;o foi mais necess&aacute;ria, o enfoque dos Estados Unidos para o Ir&atilde; esfriou sensivelmente, em grande parte pela influ&ecirc;ncia de Rumsfeld. Apenas poucas semanas depois da Confer&ecirc;ncia de Bonn em dezembro de 2001, onde a ajuda do Ir&atilde; foi decisiva para conseguir um acordo entre os muitos senhores da guerra do Afeganist&atilde;o, Bush incluiu o Ir&atilde; entre os pa&iacute;ses integrantes do que ele chama de \u201ceixo do mal\u201d. A atitude conciliadora de Teer&atilde; n&atilde;o serviu para nada.<\/p>\n<p>\u201cO Ir&atilde; cometeu um erro ao n&atilde;o vincular sua ajuda no Afeganist&atilde;o com a ajuda norte-americana em outras &aacute;reas e simplesmente esperar que Washington lhe correspondesse\u201d, disse &agrave; IPS o embaixador iraniano na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Javad Zariv, que, representando seu pa&iacute;s, conduziu as negocia&ccedil;&otilde;es com Washington relativas ao seu vizinho. A insist&ecirc;ncia do governo Bush em rejeitar todas as formas de liga&ccedil;&atilde;o piorou uma situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; ruim.<\/p>\n<p>Por um lado, a li&ccedil;&atilde;o do Afeganist&atilde;o para Teer&atilde; foi a de realizar um duro acordo com os Estados Unidos onde nenhuma ajuda foi oferecida de forma gratuita. O resultado foi que Washington ficou sozinho para lidar com a decadente situa&ccedil;&atilde;o no Iraque. Por outro lado, os esfor&ccedil;os da Casa Branca para frear o programa nuclear iraniano o levaram a um beco sem sa&iacute;da. Jogou as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais em um jogo no qual ningu&eacute;m ganha, sem importar as inten&ccedil;&otilde;es reais de Teer&atilde;. O governo Bush n&atilde;o admitiu matizes na tentativa de evitar que o setor nuclear do Ir&atilde; avan&ccedil;asse.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, Teer&atilde; &eacute;, no momento, o ganhador deste jogo em que o vencedor leva tudo. Washington nem mesmo p&ocirc;de conseguir que o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU aprovasse uma resolu&ccedil;&atilde;o para impor restri&ccedil;&otilde;es de viagens a funcion&aacute;rios iranianos envolvidos no programa nuclear. Tudo indica que a &uacute;nica sa&iacute;da desse ponto morto &eacute; o que Bush, e Rumsfeld, se negaram a fazer: relacionar a coopera&ccedil;&atilde;o iraniana no Iraque com a vontade norte-americana de encontrar um acordo em mat&eacute;ria nuclear, onde o enriquecimento de ur&acirc;nio seria considerado uma vari&aacute;vel bin&aacute;ria e n&atilde;o cont&iacute;nua.<\/p>\n<p>A Casa Branca rejeitou essas liga&ccedil;&otilde;es em sua busca de vit&oacute;rias totais. Agora, &eacute; necess&aacute;rio criar v&iacute;nculos para evitar uma derrota completa, tanto no Iraque quanto no Ir&atilde;. O Grupo de Estudo sobre o Iraque, presidido pelo republicano ex-secret&aacute;rio de Estado James Baker, j&aacute; preparou o caminho para tratar com o Ir&atilde;. No in&iacute;cio de outubro Baker se reuniu com o embaixador Zaif em sua resid&ecirc;ncia novaiorquina. A entrevista de tr&ecirc;s horas foi considerada muito proveitosa pelas duas partes. Baker disse que o Ir&atilde; consideraria ajudar os Estados Unidos no Iraque se \u201cprimeiro Washington mudasse sua atitude\u201d em rela&ccedil;&atilde;o a Teer&atilde;, um eufemismo para a falta de disposi&ccedil;&atilde;o do governo bus em tratar com esse pa&iacute;s desde um ponto de vista estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p>Os recentes terremotos pol&iacute;ticos aumentaram a esperan&ccedil;a de alguma mudan&ccedil;a nesses pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio, apesar de o presidente Bush continuar tendo a &uacute;ltima palavra. Nem um Congresso democrata nem um pragm&aacute;tico na cabe&ccedil;a do Pent&aacute;gono tem chances de mudar a situa&ccedil;&atilde;o nessa reuni&atilde;o, a menos que o presidente reconhe&ccedil;a a realidade do terreno: sem o Ir&atilde;, os Estados Unidos n&atilde;o podem ganhar no Iraque, e sem vincular as negocia&ccedil;&otilde;es com a quest&atilde;o nuclear o regime isl&acirc;mico estar&aacute; fora de servi&ccedil;o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Trita Parsi, especialista em pol&iacute;tica externa iraniana da Escola de Estudos Internacionais avan&ccedil;ados da Universidade Johns Hopkins, &eacute; autor de \u201cTreacherous Triangle \u2013 The Secret Dealings of Iran, Israel and the United States\u201d (Tri&acirc;ngulo de trai&ccedil;&atilde;o: as rela&ccedil;&otilde;es secretas de Ir&atilde;, Israel e Estados Unidos), que ser&aacute; publicado em 2007 por Yale University Press.<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 13\/11\/2006 &ndash; Os terremotos pol&iacute;ticos que sacudiram a capital dos Estados Unidos na semana passada abrem oportunidades para resolver os problemas pendentes entre este pa&iacute;s e o Ir&atilde;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/politica\/eua-ir-vitria-dos-democratas-pode-aliviar-tenses\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1491,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[14,16],"class_list":["post-2289","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-america-do-norte","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1491"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2289\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}