{"id":2297,"date":"2006-09-01T00:00:00","date_gmt":"2006-09-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2297"},"modified":"2006-09-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-09-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-ruanda-a-abolio-aproxima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/09\/ultimas-noticias\/pena-de-morte-ruanda-a-abolio-aproxima\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE-RUANDA: A aboli&ccedil;&atilde;o Aproxima"},"content":{"rendered":"<p>KIGALI, 01\/09\/2006 &ndash; O governo de Ruanda projeta a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte pelo fim de dezembro, com o fim de facilitar a extradi&ccedil;&atilde;o desde a Europa dos respons&aacute;veis suspeitos do genoc&iacute;dio de 1994. <!--more--> A iniciativa foi aplaudida pelos governos estrangeiros, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e as institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, mas causou o mal-estar em muitos sectores da popula&ccedil;&atilde;o ruandesa, que querem ver os respons&aacute;veis pelo genoc&iacute;dio pendurados. <\/p>\n<p>O masacre registrado entre abril e junho de 1994 acabou com 800.000 vidas, deixou miles de feridos e muitas mulheres portadoras do v&iacute;rus de sida devido aos estupros em massa. O ministro de Justi&ccedil;a, Tharcisse Karugarama, admete que a maior&iacute;a dos cidad&atilde;os disseram enf&aacute;ticamente durante a reda&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o querem se descartarem da pena capital, dado a magnitude do sofrimento causado pelo genoc&iacute;dio. <\/p>\n<p>Os respons&aacute;veis foram combatentes extremistas da etnia hutu, maiorit&aacute;ria no pa&iacute;s, que atacaram a comunidade minorit&aacute;ria dos tutsis, e os hutus moderados. <\/p>\n<p>Quando entrevistado por IPS, Karugarama disse que a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte &eacute; necess&aacute;ria para fechar uma etapa obscura da hist&oacute;ria de Ruanda, pois abol&iacute;-la fecharia as portas ao pa&iacute;s  julgar os autores do genoc&iacute;dio nos tribunais locais. <\/p>\n<p>Durante mais de uma d&eacute;cada, o governo pediu a extradi&ccedil;&atilde;o dos suspeitos residentes no estrangeiro. Alguns pa&iacute;ses, particularmente a B&eacute;lgica, a Dinamarca, a Holanda e a Sui&ccedil;a, recusaram entregar os acusados temendo a execu&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Estes pa&iacute;ses preferem julg&aacute;-los no pr&oacute;prio terreno deles. S&oacute; os Estados Unidos, que permite a pena de morte, extraditou a Ruanda um suspeito de genoc&iacute;dio a Ruanda. Enos Kagaba, foi capturado no estado setentrional de Minnesota en 2005, depois de ser julgado de entrar o pa&iacute;s de maneira ilegal, e foi ent&atilde;o extraditado a Ruanda.<\/p>\n<p>O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (ICTR) est&aacute; a rever os casos de 57 acusados, detidos numa cadeia constru&iacute;da especialmente na Tanzania. Ruanda quere repatri&aacute;-los ou, encarcer&aacute;-los no pa&iacute;s, se forem julgados culpados. A ONU tamb&eacute;m receia que os suspeitos ser&atilde;o executados, assim violando os princ&iacute;pios do foro internacional.<\/p>\n<p>Se a Ruanda suprime a pena de morte poder&aacute; melhor advogar para a extradi&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida dos acusados, disse o Karugarama. . &quot;Estamos satisfeitos com a rapidez das negocia&ccedil;&otilde;es com os funcion&aacute;rios do Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Todos os requerimentos para a transferncia dos casos foram cumpridos, salvo a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte&quot;, acrescentou o Karugarama.  O mandato do ICTR &eacute; de acabar com todos os casos pelo dezembro de 2008, os funcion&aacute;rios cr&ecirc;em que n&atilde;o cumprir&atilde;o tudo neste prazo. Desde que come&ccedil;ou o seu trabalho em 1996, o tribunal processou 28 suspeitos, dos quais 25 foram condenados a cadeia perp&eacute;tua por crimes contra a humanidade.<\/p>\n<p>O tribunal internacional come&ccedil;ou a negociar a reclus&atilde;o dos condenados com pa&iacute;ses nos quais se derogou a pena de morte e que contam com c&aacute;rceres modernos. <\/p>\n<p>&quot;Ruanda &eacute; um de dois pa&iacute;ses que exprimiram o desejo de receber os casos dos perpetradores do genoc&iacute;dio do ICTR . N&oacute;s j&aacute; aceit&aacute;mos esta proposta, mas temos que establecer um sistema de controle rigoroso para asegurar que a lei est&aacute; cumprida&quot;, disse o fiscal do tribunal na Tanz&acirc;nia, Hassan Bubacar Jallow. <\/p>\n<p>Ruanda deve garantir que nenhuma pessoa respons&aacute;vel para o genoc&iacute;dio ser&aacute; condenado a morte, disse o Jallow. <\/p>\n<p>Segundo ao minist&eacute;rio de justi&ccedil;a, h&aacute; alguns 650 condenados que languescem nos pavilh&otilde;es de morte nos c&aacute;rceres ruandeses.<\/p>\n<p>Quarenta pessoas foram condenadas a morte em 2002 para a participa&ccedil;&atilde;o no genoc&iacute;dio. Em 2003, foram 18. Dos condenados em 1998&cedil;22oram executados. <\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, parece que as ideias sobre a pena de morte &ecirc;m evolvidas muito, particularmente nos escrit&oacute;rios deste pa&iacute;s<\/p>\n<p> &quot;Apesar das consequ&ecirc;ncias do genoc&iacute;dio, Ruanda continua a ser um pa&iacute;s que tem que se reconstruir e se integrar nos princ&iacute;pios de just&ccedil;a prevalentes no mundo&quot;, disse o Karugarama. <\/p>\n<p>Contudo, a aboli&ccedil;&atilde;o iminente da pena de morte &eacute; uma not&iacute;cia dolorosa para os sobreviventes da matan&ccedil;a. <\/p>\n<p>&quot;Os respons&aacute;veis para o genoc&iacute;dio devem ser executados para erradicar para sempre a cultura de impunidade que tem perjudicado a Ruanda. A &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o &eacute; a puni&ccedil;&atilde;o severa que as a&ccedil;&otilde;es deles no passado merecem&quot;, disse Fran&ccedil;ois Ngarambe, o presidente da organiza&ccedil;&atilde;o dos sobreviventes, Ibuka (Recuerda, na l&iacute;ngua kinyarwanda). <\/p>\n<p>Para al&eacute;m disso, essa organiza&ccedil;&atilde;o disse que os perpetradores ou os parentes dos perpetradores continuam a amea&ccedil;ar as v&iacute;timas.<\/p>\n<p>&quot;Abolir a pena de morte ser&iacute;a uma nova humilha&ccedil;&atilde;o para os sobreviventes. Motivar&iacute;a os assassinos a terminar o plano deles de extermina&ccedil;&atilde;o\u201d, disse o redator da revista quinquenal Rushyashya, de Kigali. <\/p>\n<p>&quot;&Eacute; lament&aacute;vel que a grande maior&iacute;a dos perpetradores do genoc&iacute;dio mantenhan a mesma ideolog&iacute;a extremista do governo do genoc&iacute;dio, depois de passar 10 anos na cadeia&quot;, <\/p>\n<p>Um advogado de Kigali que pediu reservar a sua identidade n&atilde;o est&aacute; de acordo com esta opni&atilde;o. &quot;O genoc&iacute;dio teve consequ&ecirc;ncias desastrosas para a estrutura social do pa&iacute;s. Mesmo se for necess&aacute;rio conformar com a justi&ccedil;a, temos que admitir as vantagens que a reforma sup&otilde;e para a justi&ccedil;a ruandesa, no que diz respeito aos princ&iacute;pios internacionais&quot;, declarou ele. <\/p>\n<p>Num relat&oacute;rio sobre o avan&ccedil;o nas reformas judiciais, a organiza&ccedil;&atilde;o Advogados Sem Fronteiras, sedeada nos Estados Unidos, disse que para satisfazer a justi&ccedil;a, &eacute; necess&aacute;rio abolir a pena de morte e prever a indemniza&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas. <\/p>\n<p>&quot;Poucas v&iacute;timas do genoc&iacute;dio de 1994 foram indemnizadas. As autoridades ruandesas devem assumir a responsabilidade e resolver este problema imediatamente&quot;, disse o Hugo Jombwe Moudiki, direitor do escrit&oacute;rio ruand&ecirc;s desta organiza&ccedil;&atilde;o (FIM \/2006)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KIGALI, 01\/09\/2006 &ndash; O governo de Ruanda projeta a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte pelo fim de dezembro, com o fim de facilitar a extradi&ccedil;&atilde;o desde a Europa dos respons&aacute;veis suspeitos do genoc&iacute;dio de 1994. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/09\/ultimas-noticias\/pena-de-morte-ruanda-a-abolio-aproxima\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[22],"class_list":["post-2297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","tag-pena-de-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2297\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}