{"id":2303,"date":"2006-04-01T00:00:00","date_gmt":"2006-04-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2303"},"modified":"2006-04-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-r-d-congo-crianas-destinados-a-cadafalso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/ultimas-noticias\/pena-de-morte-r-d-congo-crianas-destinados-a-cadafalso\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE-R.D.CONGO: Crian&ccedil;as Destinados a cadafalso"},"content":{"rendered":"<p>MBANDAKA, RDC, 01\/04\/2006 &ndash; Num dormit&oacute;rio h&uacute;mido, aluminado s&oacute; por uns feixes de luz vindo de uns buracos no telhado, cem presos congoleses languescem, apertados sobre colch&otilde;es com cobertores molhados e sujos. Alguns deles est&atilde;o a morrer. <!--more--> A cadeia de Mbandaka, o capital da prov&iacute;ncia ocidental, &eacute; t&iacute;pica da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. Quando um rep&oacute;rter do IPS visitou a cadeia em mar&ccedil;o, a metade dos presos estavam gravemente doentes. N&atilde;o houve m&eacute;dicos ou medicamentos para atender aos quarenta presos quetinham diarreia. Os presos defecam numa balde met&aacute;lica que n&atilde;o se cobre, o odor daqual impregnava todo o quarto. Ao menos 10 dos presos que languescem nas cadeias s&atilde;o cria&ccedil;as condenadas a morte, alguns das quais tinham s&oacute; 15 anos, segundo uma carta enviada pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) ao governo da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo em setembr de 2005. <\/p>\n<p>As autoridades n&atilde;o permitiram ao IPS de ter acesso a estes presos. Na sua carta, A ONU fez referencia ao Mbeko Banza, de 15 anos, recrutado como soldado pelo governo durante a guerra civil. Ele foi um dos mais de 33.000 crian&ccedil;as recrutados e armados pelo governo durante a guerra civil de 1998-2002. Em maio de 2005, ele foi condenado a morte por um tribunal militar para o homic&iacute;dio. <\/p>\n<p>Muitas vezes menores como Banza s&atilde;o condenados a pena de morte porque n&atilde;o podem provar a idade deles nem pagar um advogado, disse a ONU. <\/p>\n<p>Os advogados oficiais mal remunerados est&atilde;o sobrecarregados de trabalho e prestam servi&ccedil;os superficiais. Os ju&iacute;zes tamb&eacute;m trabalham nas condi&ccedil;&otilde;es penosas, e devem conduzir processos injustos, agrega a carta. <\/p>\n<p>&quot;Geralmente os processos s&atilde;o expeditos e n&atilde;o oferecem as m&iacute;nimas garant&iacute;as do respeito dos direitos dos acusados ou v&iacute;timas. Algumas crian&ccedil;as condenados nem sequer tinham advogados&quot;, disse a advogada da ONU Daniela Baro, que investiga a situa&ccedil;&atilde;o de adolescentes condenadas a morte. <\/p>\n<p>&quot;No ano passado, uma pessoa foi condenada &aacute; morte depois de s&oacute; um dia de processo,\u201d disse Daniela. <\/p>\n<p>At&eacute; agora, os funcion&aacute;rios da ONU n&atilde;o receceberam nenhuma resposta da carta ao governo. <\/p>\n<p>A nova Constitu&iacute;&ccedil;&atilde;o do Congo aprovada em dezembro de 2005 durante o primeiro ato eleitoral democr&aacute;tico em 40 anos, consagra o direito a vida, mas n&atilde;o menciona a pena de morte. <\/p>\n<p>Embora o c&oacute;digo penal prev&ecirc; a pena de morte em determinadas circunst&acirc;ncias, aplic&aacute;-la aos menores de menos que tinham menos de 18 anos na altura de cometer o crime em quest&atilde;o, &eacute; ilegal.  O Congo est&aacute; perseguido pela deteriora&ccedil;&atilde;o do sistema judicial deste pa&iacute;s, a falta de magistrados qualificados e de fundos e infraestruturas suficientes para adequadamente conduzir os processos e proteger as testemunhas de casos delicados assim como os que involvem menores, informou um funcion&aacute;rio da ONU. <\/p>\n<p>Os 32 anos da ditadura de Mobutu Sese Seko e os cinco anos da guerra civ&iacute;l subsequente deixaram o pa&iacute;s num estado de caos e o sistema judicial descalabrado. <\/p>\n<p>Os ju&iacute;zes ganham apenas 10 d&oacute;lares por m&ecirc;s e muitas pessoas cr&ecirc;em que eles sobrevivem de subornos que v&ecirc;m de casos com confl&iacute;tos de bems. Poucos magistrados esfor&ccedil;am se a conduzir casos com menores empobrecidos, pois n&atilde;o ter&atilde;o nenhuma &quot;propina&quot; pelos servi&ccedil;os prestados, disse um funcion&aacute;rio da ONU. <\/p>\n<p>Desde h&aacute; cinco anos n&atilde;o houve nenhuma execu&ccedil;&atilde;o no Congo, devido em parte ao morat&oacute;rio na pena de morte imposto em 2003 e retirado em 2 004. Para os menores condenados a morte, as condenas foram comutadas ao encarceramento perp&eacute;tuo nas condi&ccedil;&otilde;es decr&eacute;pitas.<\/p>\n<p>Mesmo se n&atilde;o houve execu&ccedil;&otilde;es, as pessoas continuam a ser sentenciadas a morte, principalmente nos tribunais militares do Congo. Os ju&iacute;zes, particularmente os militares continuam a emitir condenas a morte. Eles raramente seguem o c&oacute;digo penal, disseram os observadores. <\/p>\n<p>&quot;A justi&ccedil;a militar &eacute; inaceit&aacute;velmente expedita, inclusive nos casos da pena de morte&quot;, disse Luc Henkinbrandt o funcion&aacute;rio da ONU, qu tem uma experi&ecirc;n&ccedil;ia vasta no assunto dos direitos humanos, ao IPS em Kinshasa. <\/p>\n<p>Para al&eacute;m disso, os tribunais militares n&atilde;o deveriam julgar menores porque o recrutamento deles &eacute; ilegal. Em muitos casos, os ju&iacute;zes dizem que os acusados, particularmente os adultos, n&atilde;o apresentam provas adecuadas de idade para mostrar que eram menores na altura em que o delito foi cometido.<\/p>\n<p>Os congoleses, sobretudo as crian&ccedil;as, raramente t&ecirc;m bilhetes de identidade ou algum documento que acredita a sua idade. Para a maioria dos cidad&atilde;os, a campanha de inscri&ccedil;&atilde;o para o ato eleitoral de 2005 permitiu os a obter um documento oficial de identidade pela primeira vez na vida. <\/p>\n<p>&quot;Alguns advogados n&atilde;o podem provar a idade das crian&ccedil;as por falta de recursos para conseguir provas alternativas, e ent&atilde;o o ju&iacute;z os considera adultos. Entretanto, as crian&ccedil;as s&atilde;o condenados a pena de morte &quot;, indicou Baro. <\/p>\n<p>Muitas vezes, as crian&ccedil;as que foram integradas nos grupos armados durante a guerra passaram anos separados das suas familias. Os advogados poderiam, viajar aos povos onde nasceram as crian&ccedil;as e buscar provas e testemunhas sobre a idade dos acusados, mas isto implicar&iacute;a uma viagem de centos de kil&oacute;metros em muitas ocasi&otilde;es. Poucos advogados est&atilde;o dispostos a faz&eacute;-lo. <\/p>\n<p>O problema principal problema que afronta os partid&aacute;rios da aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo &eacute; que os cidad&atilde;os, cansados de guerra, querem ver os criminosos ao cadafalso e condenados. Ainda por cima, consideram que os respons&aacute;veis dos massacres horr&iacute;ficos sofridos pelo pa&iacute;s n&atilde;o merecem processos adequados, e geralmente devem pagar com a sua vida, explicou Henkinbrandt. <\/p>\n<p> Mesmo se a pena de morte n&atilde;o seja executada, a popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; a favor de que a justi&ccedil;a seja expedita e at&eacute; acondena de morte. A aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte n&atilde;o &eacute; muito popular, disse Henkinbrandt. <\/p>\n<p>&quot;Os pol&iacute;ticos abolicionistas conseguiram acabar com as execu&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o t&ecirc;m a coragem necess&aacute;ria a opor a opini&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e eliminar a legisla&ccedil;&atilde;o da pena de morte\u201d, disse Henkinbrandt.  A guerra civ&iacute;l matou quase quatro milh&otilde;es de pessoas, principalmente na forma de fome e do&ecirc;n&ccedil;as, batalhes e massacres pol&iacute;ticos. Os tratados de 2002 acabaram a guerra e trouxeram a paz. Criou se um novo governo interino consistindo de rebeldes, e dirigentes acusados de participar nas piores matan&ccedil;as da guerra. Duzenas de l&iacute;deres militares n&atilde;o participaram neste processo de paz de 2002 e continuam a violar e recrutar crian&ccedil;as, mesmo se a guerra acabou.  Este m&ecirc;s, A Anistia Internacional disse que um n&uacute;mero assustador de crian&ccedil;as sempre est&atilde; a ser recrutados e e integrados nos grupos armados no pa&iacute;s. Estes ficam escondidos no mato porque receiam as consequ&ecirc;ncias severas dos crimes que cometeram como o assassino de civ&iacute;s, a tortura, explora&ccedil;&atilde;o sexual e a escravizagem de crian&ccedil;as..<\/p>\n<p>Os esfor&ccedil;os dos 17.000 soldados da miss&atilde;o de paz da ONU no Congo e do ex&eacute;rcito congol&ecirc;s (o maior a o mais mal formado do mundo) conseguiram deter alguns combatentes descontrolados como o Thomas Lubanga, um ex lider rebelde da zona oeiental de de Ituri. <\/p>\n<p>O caso do Lubanga (acusado de muitos crimes, inclusive o recrutamento de menores) &eacute; o primeiro a ser processado pelo Tribinal Penal Internacional na Haia. A condena m&aacute;xima para este delito na Haia &eacute; o encarceramento perp&eacute;tuo e n&atilde;o a pena de morte. A maioria dos c&uacute;mplices dele, inclusivem as crian&ccedil;as recrutadas a lutar come ele, est&atilde;o no Congo. Tragicamente, estes correm o risco da pena de morte .<\/p>\n<p>Por isso, muitas pensam que Lubanga escapou se da verdadeira justi&ccedil;a. <\/p>\n<p>&quot;Lubanga &eacute; um dos piores e mais perigosos criminosos, mas porque est&aacute; na Haia n&atilde;o ser&aacute; condenado a morte. \u201cQue pena!\u201d, disse Ken Ilunga, de 28 anos, e um t&eacute;cnico inform&aacute;tico em Kinshasa .<\/p>\n<p>&quot;Mas as crian&ccedil;as n&atilde;o deveriam enfrentar a pena de morte. No fim de contas, foram jovens e apenas estavam a obedecer ordens &quot;. (FIM\/2006)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MBANDAKA, RDC, 01\/04\/2006 &ndash; Num dormit&oacute;rio h&uacute;mido, aluminado s&oacute; por uns feixes de luz vindo de uns buracos no telhado, cem presos congoleses languescem, apertados sobre colch&otilde;es com cobertores molhados e sujos. Alguns deles est&atilde;o a morrer. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/ultimas-noticias\/pena-de-morte-r-d-congo-crianas-destinados-a-cadafalso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1583,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[22],"class_list":["post-2303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","tag-pena-de-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1583"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}