{"id":2309,"date":"2006-11-16T00:00:00","date_gmt":"2006-11-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2309"},"modified":"2006-11-16T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-16T00:00:00","slug":"sade-a-omc-tambm-perde-batalhas-por-medicamentos-genricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/saude\/sade-a-omc-tambm-perde-batalhas-por-medicamentos-genricos\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: A OMC tamb&eacute;m perde batalhas por medicamentos gen&eacute;ricos"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 16\/11\/2006 &ndash; O &uacute;nico &ecirc;xito da confer&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) realizada em 2001 em Doha parecia ser a Declara&ccedil;&atilde;o sobre a Propriedade Industrial e a Sa&uacute;de P&uacute;blica, pois o resto das decis&otilde;es sobre uma nova rodada de negocia&ccedil;&otilde;es comerciais est&aacute; paralisado. <!--more--> Mas na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira, ao completar cinco anos da ado&ccedil;&atilde;o desse acordo que submete a comercializa&ccedil;&atilde;o das patentes medicinais &agrave;s necessidades da sa&uacute;de p&uacute;blica, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais especializadas alertam que tampouco essa espec&iacute;fica Declara&ccedil;&atilde;o de Doha tem os efeitos esperados.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses ricos violam o esp&iacute;rito da Declara&ccedil;&atilde;o de Doha, afirmou a ativista C&eacute;line Charveriat, chefe da campanha Por um Com&eacute;rcio Justo, da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Oxfam. \u201cO que ocorre &eacute; que a declara&ccedil;&atilde;o diz as coisas apropriadas, mas s&atilde;o necess&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para coloc&aacute;-las em a&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, vamos para tr&aacute;s. As popula&ccedil;&otilde;es sofrem ou morrem desnecessariamente\u201d, disse Charveriat. Cinco anos depois da hist&oacute;rica declara&ccedil;&atilde;o, os rem&eacute;dios continuam em alta, coincidiu Tido von Schoen-Angerer, chefe da campanha pelo Acesso a Medicamentos Essenciais desenvolvida pela organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras (MSF).<\/p>\n<p>Para conseguir que baixem os pre&ccedil;os dos rem&eacute;dios &eacute; preciso que os pa&iacute;ses utilizem de forma mais generalizada as flexibilidades do acordo da OMC sobre Aspectos da Propriedade Intelectual Relacionados com o Com&eacute;rcio (Trips) que foram consagradas pela Declara&ccedil;&atilde;o de Doha, afirmou o especialista do MSF. O acordo Trips, uma das partes do sistema de regulamenta&ccedil;&atilde;o dos interc&acirc;mbios multilaterais que a OMC administra, se ocupa da comercializa&ccedil;&atilde;o dos direitos de autor e das patentes, entre elas as medicinais.<\/p>\n<p>Um dos par&aacute;grafos da Declara&ccedil;&atilde;o sobre os Trips e a sa&uacute;de p&uacute;blica assume o compromisso de interpretar e aplicar esse acordo sobre propriedade intelectual de uma maneira que ap&oacute;ie o direito dos membros da OMC de proteger a sa&uacute;de p&uacute;blica e, em particular, promover o acesso de todos aos medicamentos. \u201cA Declara&ccedil;&atilde;o afirmava que os pa&iacute;ses em desenvolvimento podiam fazer cumprir as salvaguardas de sa&uacute;de p&uacute;blica permitindo a introdu&ccedil;&atilde;o de medicamentos gen&eacute;ricos que focassem os pre&ccedil;os para baixo. Tamb&eacute;m obrigava os membros da OMC a facilitar a exporta&ccedil;&atilde;o de rem&eacute;dios gen&eacute;ricos para todas as na&ccedil;&otilde;es pobres com pouca capacidade de produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria\u201d, lembra um documento da Oxfam divulgado na ter&ccedil;a-feira.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, as coisas n&atilde;o seguem dessa maneira, com mostra o relat&oacute;rio \u201cPatentes contra pacientes: cinco anos depois da Declara&ccedil;&atilde;o de Doha\u201d, ao recordar que em 2000 os lideres mundiais estabeleceram a sa&uacute;de como uma das prioridades dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio. Desses oito objetivos, tr&ecirc;s prop&otilde;em avan&ccedil;os em &aacute;reas de sa&uacute;de, como redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil, melhoria na sa&uacute;de materna e metas tamb&eacute;m precisas no combate &agrave; aids, mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as. Entretanto, as crises sanit&aacute;rias que devastam os pa&iacute;ses em desenvolvimento n&atilde;o d&atilde;o sinais de diminuir, lembrou a Oxfam. As doen&ccedil;as infecciosas continuam matando milh&otilde;es de crian&ccedil;as e jovens, ressaltou a organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde a ado&ccedil;&atilde;o da Declara&ccedil;&atilde;o de Doha, em 14 de novembro de 2001, mais de 20 milh&otilde;es de pessoas se contagiaram com o HIV (v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica humana), o que eleva para 38,6 milh&otilde;es de pessoas o n&uacute;mero de infectados com esse v&iacute;rus e de sua deriva&ccedil;&atilde;o, a aids. Por outro lado, o acordo dos Trips, aprovado na negocia&ccedil;&atilde;o da Rodada do Uruguai (1986-1994), que deu lugar &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da OMC, obriga os pa&iacute;ses a adotarem um regime de propriedade intelectual ao estilo do vigente nos Estados Unidos, inclusive com a extens&atilde;o por 20 anos das patentes de prote&ccedil;&atilde;o para os rem&eacute;dios, afirmou a Oxfam.<\/p>\n<p>Os argumentos de que a prote&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual e os benef&iacute;cios obtidos pelo conseq&uuml;ente monop&oacute;lio podem apoiar a inova&ccedil;&atilde;o cientifica \u201ccontinuam sendo discut&iacute;veis\u201d, destacou Charveriat. Ao contr&aacute;rio, a prote&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual, ao impedir a competi&ccedil;&atilde;o com as c&oacute;pias dos rem&eacute;dios a baixo custo (os gen&eacute;ricos), tem com resultado um aumento dos pre&ccedil;os dos medicamentos com desastrosas conseq&uuml;&ecirc;ncias para milh&otilde;es de pobres, acrescentou.<\/p>\n<p>A MSF tamb&eacute;m mencionou o caso da competi&ccedil;&atilde;o entre os gen&eacute;ricos, que desde 2000 determinou a queda dos pre&ccedil;os dos rem&eacute;dios de primeira linha contra a aids, de aproximadamente US$ 10 mil por paciente ao ano para os atuais US$ 130, em m&eacute;dia. Mas os rem&eacute;dios de segunda linha, necess&aacute;rios pela resist&ecirc;ncia que muitos pacientes desenvolvem de maneira natural, mant&ecirc;m pre&ccedil;os muito elevados por causa das barreiras de patentes implantadas em alguns pa&iacute;ses-chave produtores gen&eacute;ricos, como a &Iacute;ndia, disse von Schoen-Angerer.<\/p>\n<p>Charveriat disse que, segundo a OMS, 74% dos medicamentos contra a aids ainda est&atilde;o sobe o regime de monop&oacute;lio, enquanto 77% dos pacientes africanos ainda n&atilde;o contam com acesso ao tratamento contra essa doen&ccedil;a e 30% da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o disp&otilde;em de maneira regular de rem&eacute;dios essenciais. Uma das causas dessa situa&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria &eacute; que os pa&iacute;ses ricos, especialmente os Estados Unidos, est&atilde;o intimidando as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento para impor-lhes normas de propriedade intelectual mais severas e, assim, \u201cpreservar os monop&oacute;lios farmac&ecirc;uticos\u201d, afirmou Charveriat.<\/p>\n<p>A especialista da Oxfam explicou que essas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o feitas atrav&eacute;s das restri&ccedil;&otilde;es &agrave; competi&ccedil;&atilde;o dos gen&eacute;ricos e pela manuten&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os altos. \u201cAs estat&iacute;sticas sanit&aacute;rias mundiais s&atilde;o horr&iacute;veis, mas, igualmente os Estados Unidos continuam negociando acordos comerciais com regras ainda mais r&iacute;gidas que limitam a capacidade de um pa&iacute;s de utilizar as salvaguardas de sa&uacute;de p&uacute;blica\u201d, insistiu Charveriat. Em caso de serem aplicados, esses acordos determinariam que a Col&ocirc;mbia teria de dispor de US$ 940 milh&otilde;es adicionais em 2020 para enfrentar o aumento dos medicamentos, em preju&iacute;zo de cerca de seis milh&otilde;es de pacientes. Tamb&eacute;m no Peru, outro pa&iacute;s que negocia acordos comerciais com Washington, os pre&ccedil;os dos rem&eacute;dios podem aumentar 100% em 10 anos e 162% em 18 anos, previu a ativista da Oxfam.<\/p>\n<p>Esta organiza&ccedil;&atilde;o estima que a Declara&ccedil;&atilde;o de Doha pode recuperar a efetividade se a OMC rever os efeitos dos acordos Trips de maneira que todos seus os pa&iacute;ses-membros preservem a faculdade de proteger a sa&uacute;de p&uacute;blica. Outra f&oacute;rmula seria os Estados Unidos deixarem de pressionar outros pa&iacute;ses para que adotem normas de propriedade intelectual mais exigentes, especialmente atrav&eacute;s das negocia&ccedil;&otilde;es de acordo de livre com&eacute;rcio. A Oxfam tamb&eacute;m quer que os pa&iacute;ses ricos d&ecirc;em apoio pol&iacute;tico e t&eacute;cnico &agrave;s na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento para que empreguem as salvaguardas reconhecidas pelo acordo Trips a fim de assegurar o acesso a rem&eacute;dios em condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis. Os pa&iacute;ses ricos t&ecirc;m de cumprir seus compromissos e deixar de minar a Declara&ccedil;&atilde;o de Doha com seus atos ego&iacute;stas, reafirmou Charveriat. \u201cAgora, mais do que nunca, precisamos de um sistema de com&eacute;rcio mundial que coloque a sa&uacute;de em primeiro lugar\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 16\/11\/2006 &ndash; O &uacute;nico &ecirc;xito da confer&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) realizada em 2001 em Doha parecia ser a Declara&ccedil;&atilde;o sobre a Propriedade Industrial e a Sa&uacute;de P&uacute;blica, pois o resto das decis&otilde;es sobre uma nova rodada de negocia&ccedil;&otilde;es comerciais est&aacute; paralisado. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/saude\/sade-a-omc-tambm-perde-batalhas-por-medicamentos-genricos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[18],"class_list":["post-2309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}