{"id":2317,"date":"2006-11-20T00:00:00","date_gmt":"2006-11-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2317"},"modified":"2006-11-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-20T00:00:00","slug":"infncia-vida-curta-e-tmulo-sem-nome-na-amrica-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/infncia-vida-curta-e-tmulo-sem-nome-na-amrica-latina\/","title":{"rendered":"Inf&acirc;ncia: Vida curta e t&uacute;mulo sem nome na Am&eacute;rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 20\/11\/2006 &ndash; Morreu apunhalado aos 16 ou 17 anos, encontrado em uma rua de Honduras, mas n&atilde;o se sabe seu nome. Foi enterrado por trabalhadores da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Casa Alian&ccedil;a. <!--more--> \u201cA viol&ecirc;ncia contra os menores &eacute; alarmante e, ao menos aqui, n&atilde;o melhora em nada\u201d, disse &agrave; IPS o diretor desse organiza&ccedil;&atilde;o, Jos&eacute; Manuel Capell&iacute;n, por celular deste o cemit&eacute;rio de Durazno, nos arredores da capital hondurenha. \u201cEste jovem que estamos enterrando agora &eacute; como muitos outros, a grande maioria pobres que vivem na viol&ecirc;ncia desde que nascem. Quem os matou? N&atilde;o sabemos. Quem s&atilde;o seus pais? Tampouco sabemos. O que est&aacute; claro &eacute; que existe um c&iacute;rculo de impunidade que reproduz a viol&ecirc;ncia contra meninos e meninas\u201d, afirmou Capell&iacute;n.<\/p>\n<p>Vinte e oito por cento das v&iacute;timas de homic&iacute;dios na Am&eacute;rica Latina e no Caribe, que somam entre 100 mil e 200 mil por ano, correspondem a pessoas entre 10 e 19 anos. Em Honduras,1.976 menores de 23 anos morreram assassinados entre janeiro de 2002 e janeiro deste ano. Tais cifras se referem a um estudo sobre a viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as apresentado na quinta-feira no Panam&aacute; pelo Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef). \u201cOs n&iacute;veis de viol&ecirc;ncia que sofrem as crian&ccedil;as em suas casas, nas escolas e nas comunidades assustam, e o pior de tudo &eacute; que na maioria dos casos os respons&aacute;veis ficam impunes\u2019, disse &agrave; IPS Nils Kastberg, diretor do Unicef para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe.<\/p>\n<p>Somente em Honduras foram assassinados nos &uacute;ltimos 10 anos 3.350 meninos e meninas, supostamente por membros de gangues juvenis, policiais, guardas de seguran&ccedil;a privados e at&eacute; familiares, segundo o diretor da Casa Alian&ccedil;a, uma organiza&ccedil;&atilde;o que trabalha com a inf&acirc;ncia em v&aacute;rios pa&iacute;ses. Uma menina boliviana confessou em certa ocasi&atilde;o que preferia \u201cfazer sexo com o policial do quarteir&atilde;o uma vez por semana para que a protegesse do que ficar em casa para ser violentada todas as noites por seu padrasto\u201d, contou Kastberg. De acordo com o Unicef, h&aacute; grandes graus de viol&ecirc;ncia dentro do contexto familiar sobre os quais n&atilde;o se fala.<\/p>\n<p>\u201cO sil&ecirc;ncio gera uma impunidade que se perpetua por gera&ccedil;&otilde;es. &Eacute; que os castigos corporais e psicol&oacute;gicos e as viola&ccedil;&otilde;es sexuais dentro da familia representam passaporte para entrar em uma sociedade de viol&ecirc;ncia\u201d, afirmou o diretor do Unicef. \u201cA explora&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; uma das filhas da pobreza e da viol&ecirc;ncia familiar\u201d. Na Am&eacute;rica Central, 80% da popula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o pobres e a metade dela tem menos de 18 anos\u201d, afirmou Capell&iacute;n. Mas, Kastberg disse que a viol&ecirc;ncia contra os menores na Am&eacute;rica Latina e no Caribe n&atilde;o fica circunscrita &agrave;s fam&iacute;lias pobres, sendo registrada em todas as classes sociais e em todos os grupos &eacute;tnicos.<\/p>\n<p>O funcion&aacute;rio do Unicef considerou \u201cincr&iacute;vel\u201d que a viol&ecirc;ncia nas escolas seja proibida por lei somente em Honduras, Equador, Rep&uacute;blica Dominicana e Venezuela. \u201cH&aacute; muito por ser feito, n&atilde;o podemos continuar assim\u201d, afirmou. Por&eacute;m, os governos fazem muito pouco, disse Capell&iacute;n. \u201cAqui n&atilde;o h&aacute; melhora, e isso se v&ecirc; em mortos como o que enterramos hoje, nas crian&ccedil;as que andam nas ruas buscando comida no lixo, nas gangues violentas, na viol&ecirc;ncia sexual e em tudo o que n&atilde;o se v&ecirc; nem se fala\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A grande maioria de pa&iacute;ses da regi&atilde;o ratificou instrumentos internacionais que garantem a prote&ccedil;&atilde;o e os direitos das crian&ccedil;as, embora n&atilde;o os cumpram, apesar de ter havido grandes avan&ccedil;os em educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. Alguns esfor&ccedil;os oficiais e independentes merecem ser reproduzidos. No Brasil, o Unicef ap&oacute;ia uma escola popular de fotografia localizada no cora&ccedil;&atilde;o de um bairro pobre e violento do Rio de Janeiro, onde os jovens aprendem a fotografar e, tamb&eacute;m a valorizar seu entorno e o de seus vizinhos.<\/p>\n<p>No M&eacute;xico se desenvolve nas escolas um programa chamado Educa&ccedil;&atilde;o para a Paz, no qual pa&iacute;s, m&atilde;es e filhos assistem a palestras para aprender a solucionar conflitos sem viol&ecirc;ncia. No Haiti, um hospital da capital detecta menores maltratados para lhes dar assist&ecirc;ncia e trabalhar com suas fam&iacute;lias, enquanto na Nicar&aacute;gua foi criada uma rede intergovernamental e da sociedade civil para descobrir e tratar casos de viol&ecirc;ncia sexual em &aacute;reas rurais remotas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 20\/11\/2006 &ndash; Morreu apunhalado aos 16 ou 17 anos, encontrado em uma rua de Honduras, mas n&atilde;o se sabe seu nome. 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