{"id":2321,"date":"2006-11-21T00:00:00","date_gmt":"2006-11-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2321"},"modified":"2006-11-21T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-21T00:00:00","slug":"unio-europia-o-ltimo-apaga-a-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/energia\/unio-europia-o-ltimo-apaga-a-luz\/","title":{"rendered":"Uni&atilde;o Europ&eacute;ia: O &uacute;ltimo apaga a luz"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 21\/11\/2006 &ndash; A contagem regressiva j&aacute; come&ccedil;ou. No alvorecer do mil&ecirc;nio, as fontes de energia n&atilde;o-renov&aacute;veis de um mercado mundial extremamente sens&iacute;vel, interdependente e inst&aacute;vel est&atilde;o se esgotando. <!--more--> Consumir somente o necess&aacute;rio, desenvolver fontes renov&aacute;veis de energia e adotar novos h&aacute;bitos se apresentam como os tr&ecirc;s &uacute;nicos caminhos que devem seguir as perdul&aacute;rias sociedades mais industrializadas. Se isso n&atilde;o for feito, o perigo &eacute; que o Norte do mundo fique &agrave;s escuras. A economia de energia se converteu em algo inapel&aacute;vel para uma Uni&atilde;o Europ&eacute;ia que colocou como prioridade m&aacute;xima o combate &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, que constituem uma amea&ccedil;a real ao equil&iacute;brio do planeta.<\/p>\n<p>Uma pol&iacute;tica coerente e eficaz sobre economia de energia, seguran&ccedil;a, sa&uacute;de e preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade s&atilde;o os pilares b&aacute;sicos identificados pela UE para a manuten&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de bem-estar existentes no bloco, hoje com 25 pa&iacute;ses, e seu incremento em outras latitudes. A alta desmedida do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo nos &uacute;ltimos cinco anos acelerou o processo de decis&atilde;o dos europeus para explorar as fontes inesgot&aacute;veis da energia oferecida pela natureza, o que, aliado a novas tecnologias, se apresenta como o caminho inevit&aacute;vel para os pa&iacute;ses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Atualmente, cada Estado europeu mostra uma variedade de fontes de energia. Entre as quatro economias mais fortes do bloco, a Alemanha usa em especial o carv&atilde;o; na Fran&ccedil;a, 80% s&atilde;o de origem nuclear; a Gr&atilde;-Bretanha prefere uma combina&ccedil;&atilde;o entre g&aacute;s, carv&atilde;o e nuclear, enquanto a It&aacute;lia recorre ao g&aacute;s, petr&oacute;leo e carv&atilde;o. Em n&iacute;vel mundial, os Estados Unidos s&atilde;o quem mais consome energia, especialmente petr&oacute;leo, seguidos por Jap&atilde;o, China, Canad&aacute;, Alemanha, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, It&aacute;lia e Brasil.<\/p>\n<p>O portugu&ecirc;s Jos&eacute; Manuel Dur&atilde;o Barroso, presidente da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, &oacute;rg&atilde;o executivo da UE, disse em v&aacute;rias oportunidades que \u201ca energia ocupa o primeiro lugar\u201d no pacote de medidas urgentes que este bloco vai aplicar para enfrentar o aumento da temperatura global, que no final deste s&eacute;culo, calcula-se, ser&aacute; de 5,8 graus, caso continue no ritmo atual. A estrat&eacute;gia da Comiss&atilde;o para desenvolver uma energia sustent&aacute;vel, competitiva e segura mostra que \u201ccombater as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, garantir nossa seguran&ccedil;a energ&eacute;tica e refor&ccedil;ar nossa competitividade s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es indissoci&aacute;veis\u201d, explicou Barroso em um artigo publicado na quinta-feira pelo jornal P&uacute;blico, de Lisboa.<\/p>\n<p>Em outubro, a UE apresentou o Plano de A&ccedil;&atilde;o para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica (PAEE), que prev&ecirc; a acelera&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a para uma economia com baixa emiss&atilde;o de carbono. Este plano assinalou os primeiros passos com vistas ao aumento e &agrave; melhoria da seguran&ccedil;a e da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, a qual se pretende aumentar em 20% at&eacute; 2020. Em janeiro ser&atilde;o anunciadas novas a&ccedil;&otilde;es, que implicar&atilde;o uma revis&atilde;o estrat&eacute;gica da pol&iacute;tica energ&eacute;tica. Mas a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, respons&aacute;vel por 14% das emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa no planeta \u2013 e que se estima ser&atilde;o reduzidas para 8% at&eacute; 2050 \u2013 est&aacute; consciente de que n&atilde;o pode enfrentar sozinha o desafio clim&aacute;tico.<\/p>\n<p>A proposta da UE para fazer frente ao desafio inclui a colabora&ccedil;&atilde;o com outras na&ccedil;&otilde;es de fora do bloco, para adotar uma nova gera&ccedil;&atilde;o de medidas globais, especialmente a coopera&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria europ&eacute;ia com terceiros pa&iacute;ses em mat&eacute;ria de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, fontes renov&aacute;veis e capta&ccedil;&atilde;o e reten&ccedil;&atilde;o de carbono. \u201cDevemos oferecer nosso apoio aos pa&iacute;ses em vias de desenvolvimento no sentido de juntar esfor&ccedil;os para combater as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas\u201d, recomendou o presidente da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia no artigo que escreveu para o P&uacute;blico.<\/p>\n<p>Dessa maneira, segundo Barroso, se poder&aacute; \u201cchegar a um acordo sobre a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es globais e a um mercado global de carbono, a fim de conseguir um impacto genuinamente global\u201d, porque \u201ca Europa tem id&eacute;ias, tem experi&ecirc;ncia e tamb&eacute;m tem a vis&atilde;o necess&aacute;ria para promover as melhorias reais\u201d. Isabel de Castro, destacada ativista ambiental europ&eacute;ia e deputada pelo Partido Ecologista Verde de Portugal, disse &agrave; IPS que as emiss&otilde;es de gases respons&aacute;veis pelo efeito estufa \u201cs&atilde;o um fen&ocirc;meno ineg&aacute;vel que se manifesta no preocupante aumento da temperatura, na eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar, na extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies e na multiplica&ccedil;&atilde;o do registro de fen&ocirc;menos clim&aacute;ticos extremos\u201d.<\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o simples estat&iacute;sticas dos documentos dos especialistas, mas um drama que \u201ctem conseq&uuml;&ecirc;ncias em termos de sofrimento e em perdas humanas e econ&ocirc;micas, o que contribuiu para a crescente conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre sua import&acirc;ncia, compreens&atilde;o e necessidade de agir conjuntamente\u201d, acrescentou Castro. Durante d&eacute;cadas, tanto em n&iacute;vel pol&iacute;tico quanto informativo, o significativo aumento da polui&ccedil;&atilde;o ambiental foi simplesmente ignorado, embora as necessidades energ&eacute;ticas das sociedades mais ricas fossem aumentando vertiginosamente a partir da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial europ&eacute;ia, na segunda metade do s&eacute;culo XVIII.<\/p>\n<p>A partir de ent&atilde;o, o consumo de recursos naturais n&atilde;o-renov&aacute;veis, primeiro o carv&atilde;o e depois o petr&oacute;leo e o g&aacute;s natural, n&atilde;o parou de crescer velozmente, e os c&aacute;lculos indicam que, no ritmo atual de explora&ccedil;&atilde;o, as reservas petrol&iacute;feras conhecidas em sua maioria estar&atilde;o esgotadas em 2050. O g&aacute;s natural demorar&aacute; um pouco mais a desaparecer, o que obrigaria a uma utiliza&ccedil;&atilde;o maior do carv&atilde;o, cujas reservas poder&atilde;o abastecer o planeta alguns s&eacute;culos extras, mas que &eacute; mais nocivo ainda em termos ambientais. As solu&ccedil;&otilde;es residem no abastecimento energ&eacute;tico e&oacute;lico ou fotost&aacute;tico, das ondas e correntes mar&iacute;timas e da biomassa, afirmam os especialistas europeus.<\/p>\n<p>Essa meta fatal dentro de, pelo menos, meio s&eacute;culo, unida ao brutal e imprevis&iacute;vel aumento da demanda das economias em forte crescimento da China e da &Iacute;ndia, determinou que a quest&atilde;o seja inclu&iacute;da na agenda pol&iacute;tica internacional como \u201cpriorit&aacute;ria\u201d. O engenheiro ambiental e deputado do Parlamento Europeu Carlos Pimenta alertou que &eacute; inadi&aacute;vel a defesa das fontes renov&aacute;veis, as quais tamb&eacute;m recomenda para os pa&iacute;ses do Sul, porque \u201cningu&eacute;m &eacute; suficientemente rico para n&atilde;o aproveitar estas energias que desperdi&ccedil;amos, muito menos os pa&iacute;ses em desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>A deputada Isabel de Castro recordou &agrave; IPS que estas previs&otilde;es se devem, sobretudo, \u201c&agrave; irracionalidade e ao fracasso do modelo de crescimento dominante\u201d e, diante disto, existe a imperiosa necessidade de \u201cuma nova cultura energ&eacute;tica, que rompa a depend&ecirc;ncia do petr&oacute;leo, assentada na diversifica&ccedil;&atilde;o das fontes\u201d. A ambientalista portuguesa afirma que a solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; na \u201cefici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, recorrente &agrave;s fontes renov&aacute;veis, aproveitando os recursos end&oacute;genos, mas, sobretudo, na capacidade de colocar em pr&aacute;tica novas formas de viver, produzir e consumir\u201d. S&atilde;o caminhos que prop&otilde;e n&atilde;o apenas para seu pa&iacute;s, porque \u201ca busca de solu&ccedil;&otilde;es alternativas deve ser em n&iacute;vel mundial. Para salvar o clima do planeta n&atilde;o bastam os estados da alma\u201d, conclui a parlamentar. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 21\/11\/2006 &ndash; A contagem regressiva j&aacute; come&ccedil;ou. 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