{"id":2329,"date":"2006-11-23T00:00:00","date_gmt":"2006-11-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2329"},"modified":"2006-11-23T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-23T00:00:00","slug":"uruguai-argentina-emprstimo-acirra-os-nimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/uruguai-argentina-emprstimo-acirra-os-nimos\/","title":{"rendered":"Uruguai-Argentina: Empr&eacute;stimo acirra os &acirc;nimos"},"content":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 23\/11\/2006 &ndash; A decis&atilde;o do Banco Mundial de conceder um empr&eacute;stimo &agrave; firma holandesa Botnia para financiar sua f&aacute;brica de celulose no Uruguai leva os ativistas argentinos a decidirem, em quest&atilde;o de horas, uma interrup&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego, por tempo indeterminado, no acesso a uma das tr&ecirc;s pontes que unem os dois pa&iacute;ses sobre o rio Uruguai. <!--more--> A Corpora&ccedil;&atilde;o Financeira Internacional, bra&ccedil;o do Banco Mundial encarregado de cr&eacute;ditos para o setor privado, aprovou empr&eacute;stimo de US$ 170 milh&otilde;es para a Botnia. Por sua vez, a Ag&ecirc;ncia Multilateral de Garantias, tamb&eacute;m ligada ao Banco, aprovou um seguro de risco pol&iacute;tico no valor de US$ 300 milh&otilde;es. As decis&otilde;es tomadas por estas institui&ccedil;&otilde;es com sede em Washington abrem caminho para outras linhas de credito privadas para o projeto, severamente criticado por vizinhos argentinos da regi&atilde;o. O Uruguai recebeu estas noticias com al&iacute;vio, mas, tamb&eacute;m com \u201cmuita cautela\u201d, disse &agrave; IPS o ministro do Turismo, H&eacute;ctor Lescano.<\/p>\n<p>\u201cN&atilde;o &eacute; o momento de subir no alambrado, disse, empregando uma express&atilde;o usada no futebol para descrever o entusiasmo da torcida. \u201cA \u201ccautela\u201d do governo uruguaio tem o objetivo de n&atilde;o por mais pedras no dif&iacute;cil caminho de encontro que tenta abrir a miss&atilde;o de facilita&ccedil;&atilde;o iniciada dias atr&aacute;s por um enviado especial do rei da Espanha. As expectativas de Montevid&eacute;u de come&ccedil;ar a resolver a controv&eacute;rsia com Buenos Aires est&atilde;o centradas tamb&eacute;m na pr&oacute;xima reuni&atilde;o do Presidente Tabar&eacute; V&aacute;zquez com Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, possivelmente no dia 8 de dezembro por ocasi&atilde;o da C&uacute;pula Sul-Americana na Bol&iacute;via, disse Lescano.<\/p>\n<p>O governo da Argentina admitiu que as gest&otilde;es especiais para travar o credito feitas em Washington por sua secret&aacute;ria do Meio Ambiente, Romina Picolotti, n&atilde;o foram satisfat&oacute;rias. Mas as decis&otilde;es tomadas na &oacute;rbita do Banco Mundial j&aacute; eram previstas desde a semana passada. Por&eacute;m, desde a costa do Uruguai tamb&eacute;m se ouvem opini&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; instala&ccedil;&atilde;o da f&aacute;brica. \u201cPara o movimento ambientalista, este cr&eacute;dito vai al&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o de uma f&aacute;brica de celulose, pois, lamentavelmente, ap&oacute;ia com muito peso o modelo florestal imposto, seriamente prejudicial\u201d, disse &agrave; IPS a ativista Maria Selva Ortiz.<\/p>\n<p>Est&aacute; integrante da organiza&ccedil;&atilde;o uruguaia Redes-Amigos da Terra considerou \u201cnula\u201d a interven&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea em torno do projeto, participa&ccedil;&atilde;o \u201cque tanto o Banco Mundial promoveu\u201d como pol&iacute;tica geral de tomada de decis&otilde;es. O Banco n&atilde;o \u201clevou em conta nenhuma das observa&ccedil;&otilde;es fundamentadas que apresentamos\u201d contra a f&aacute;brica e as planta&ccedil;&otilde;es de insumos, explicou. A Redes-Amigos da Terra acusou a Botnia perante o n&atilde;o-governamental Tribunal Permanente dos Povos, que colocou no banco dos r&eacute;us da sociedade civil em maio, em Viena, o acionar das corpora&ccedil;&otilde;es multinacionais europ&eacute;ias na Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cExiste evid&ecirc;ncia de que a concretiza&ccedil;&atilde;o deste projeto\u201d finland&ecirc;s no Uruguai \u201cconfiguraria viola&ccedil;&otilde;es dos direitos trabalhistas, ambientais, pol&iacute;ticos e civis\u201d de acesso aos servi&ccedil;os b&aacute;sicos essenciais e &agrave; terra, al&eacute;m de atentar \u201ccontra a soberania e a seguran&ccedil;a alimentar\u201d, afirmou a organiza&ccedil;&atilde;o. O coordenador da Assembl&eacute;ia Cidad&atilde; Ambiental da cidade agentina de Gualeguaych&uacute;, Gustavo Rivollier, concordou com a advert&ecirc;ncia da Redes-Amigos da Terra, e foi mais longe, dizendo que o Banco aprovou um \u201ccredito da morte\u201d, que considerou \u201cuma afronta ao seu pa&iacute;s\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est&atilde;o angustiadas e salvo uma id&eacute;ia superadora, creio que vamos passar o ver&atilde;o na estrada\u201d, advertiu, se referindo &agrave; decis&atilde;o que seguramente ser&aacute; tomada pelo movimento social de Gualeguaych&uacute;, a 20 quil&ocirc;metros da f&aacute;brica da Botnia, tendo ao meio o rio Uruguai. A firma holandesa j&aacute; concluiu 70% das obras perto da cidade uruguaia de Fray Bentos. Os dois governos haviam jogado suas cartas fortes em Washington. A Argentina enviou Picolotti, funciona com v&iacute;nculos diretos com o movimento social de gualeguaych&uacute;, e o, governo de V&aacute;zquez mandou seu ministro da Economia, Danilo Astori, e o secret&aacute;rio da Presid&ecirc;ncia, Gonzalo Fern&aacute;ndez.<\/p>\n<p>Em um comunicado o Banco Mundial explicou que o empr&eacute;stimo foi concedido porque os estudos encomendados conclu&iacute;ram que \u201ca f&aacute;brica vai gerar benef&iacute;cios econ&ocirc;micos significativos para o Uruguai e n&atilde;o causar&aacute; nenhum dano ambiental, pois vai operar segundo as normas mundiais mais elevadas e cumprir&aacute; as leis ambientais e sociais\u201d. A institui&ccedil;&atilde;o acrescenta que investiga&ccedil;&otilde;es \u201cindependentes deram provas concludentes de que a &aacute;rea local, inclu&iacute;da a cidade de Gualeguaych&uacute;, n&atilde;o sofrer&aacute; impactos adversos no meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>O maior investimento estrangeiro na historia do Uruguai, de US$ 1,2 bilh&atilde;o em uma f&aacute;brica prevista originalmente para produzir um milh&atilde;o de toneladas anuais de celulose, permitir&aacute; criar de modo direto e indireto 2.500 postos de trabalho uma vez em funcionamento, e vai gerar um valor agregado equivalente a 2% do produto interno bruto uruguaio, afirmou o Banco. Com o governo argentino de Nestor Kirchiner e os ativistas de Gualeguaych&uacute;, as organiza&ccedil;&otilde;es uruguaias Redes e Comiss&atilde;o Nacional de Defesa da &Aacute;gua e da Vida enviaram ao Banco Mundial uma carta pedindo para n&atilde;o conceder o empr&eacute;stimo.<\/p>\n<p>Nessa carta se alerta \u201cque o modelo florestal, consolidado a partir da produ&ccedil;&atilde;o de celulose, produz impactos negativos nos recursos h&iacute;dricos e, portanto, viola a Constitui&ccedil;&atilde;o uruguaia, que na reforma de outubro de 2004 estabeleceu a prioridade do uso da &aacute;gua para consumo humano\u201d. Apesar de concordarem com os princ&iacute;pios do cuidado ambiental e da sa&uacute;de humana, os ativistas uruguaios discordam do bloqueio de vias usado pelos argentinos para protestar.<\/p>\n<p>\u201cTira-se o debate do foco\u201d, pois n&atilde;o &eacute; apenas a instala&ccedil;&atilde;o de f&aacute;bricas de celulose, mas o modelo de desenvolvimento imposto, que apenas incorpora mais mat&eacute;rias-primas com escasso valor agregado, suplantando pradarias e comprometendo o sistema pecu&aacute;rio, provedor de alimentos naturais, disse Ortiz. A ativista considerou um &ecirc;xito a decis&atilde;o da Empresa Nacional de Celulose da Espanha (Ence) de desistir de construir sua f&aacute;brica perto da unidade da Btnia, e exortou que se insista nessa linha contra as \u201camea&ccedil;as\u201d da instala&ccedil;&atilde;o dessa e de outras f&aacute;bricas do setor em solo uruguaio.<\/p>\n<p>&Eacute; que os bloqueios voltaram na v&eacute;spera na rodovia 136 da Argentina, que leva &agrave; ponte binacional, e tudo indica que ser&aacute; por tempo indeterminado, em uma c&oacute;pia fiel do ocorrido no ver&atilde;o austral passado, quando as rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses ficaram extremamente tensas. Montevid&eacute;u afirmou naquela ocasi&atilde;o que o bloqueio causou preju&iacute;zo de US$ 500 milh&otilde;es devido &agrave; queda no n&uacute;mero de turistas argentinos nas praias do sudeste, uma aflu&ecirc;ncia tradicional por diversas vias e que significa praticamente 80% de sua recep&ccedil;&atilde;o de turistas estrangeiros. O ministro Lescano estuda intensificar ofertas alternativas, com benef&iacute;cios para os visitantes e uma ofensiva no sul do Brasil, diante do que parece uma inevit&aacute;vel queda no turismo argentino por via terrestre.<\/p>\n<p>O chanceler uruguaio, Reinaldo Gargano, recordou em nova enviada segunda-feira ao governo argentino que a medida viola as normas do Mercosul, que os dois pa&iacute;ses integram junto com Brasil, Paraguai e Venezuela, uma decis&atilde;o do tribunal de controv&eacute;rsias do bloco referente ao bloqueio anterior e o disposto pelo Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, com sede em Haia. Gargano tentar&aacute; novamente situar o problema dos \u201cobst&aacute;culos &agrave; livre mobilidade de bens, servi&ccedil;os e pessoas pela fronteira\u201d na agenda da reuni&atilde;o de chanceleres do Mercosul dia 15 de dezembro, no Brasil.<\/p>\n<p>Mas o secret&aacute;rio de Com&eacute;rcio e Rela&ccedil;&otilde;es Econ&ocirc;micas Internacionais da chancelaria argentina, Alfredo Chiarad&iacute;a, adiantou que seu pa&iacute;s \u201cn&atilde;o dar&aacute; consenso\u201d para que o assunto seja examinado. Por sua vez, o embaixador argentino no Uruguai, Herm&aacute;n Pati&ntilde;o Meyer, admitiu que \u201cas barreiras n&atilde;o ajudam a estabelecer o di&aacute;logo\u201d, no que aposta seu pa&iacute;s com a \u201cfacilita&ccedil;&atilde;o\u201d do rei Juan Carlos. O enviado do monarca espanhol, Juan Antonio Y&aacute;&ntilde;ez Barnuevo, foi recebido por Kirchner no final de semana passado. Em Montevid&eacute;u, encontrou-se com Gargano, que lhe disse que \u201co Uruguai n&atilde;o negocia sob press&atilde;o\u201d.<\/p>\n<p>O &uacute;ltimo atrito entre os dois pa&iacute;ses ainda n&atilde;o foi solucionado e diz respeito &agrave; reclama&ccedil;&atilde;o Argentina contra a autoriza&ccedil;&atilde;o dada pelo Uruguai &agrave; Botnia para que duplique o volume de &aacute;gua do rio que utilizar&aacute;. Montevid&eacute;u diz que essa medida j&aacute; estava prevista em acordos anteriores. Mas desta vez a situa&ccedil;&atilde;o no bloqueio pode ficar mais tensa do que no ano passado, diante do surgimento de mostras de intoler&acirc;ncia de um e outro lado da fronteira, e, inclusive, entre manifestantes argentinos e turistas tamb&eacute;m argentinos prejudicados pela interrup&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego nas vias, que pode afetar as tr&ecirc;s pontes sobre o rio Uruguai, como j&aacute; ocorreu.<\/p>\n<p>Uma situa&ccedil;&atilde;o impens&aacute;vel no passado entre dois pa&iacute;ses nascidos da mesma matriz hist&oacute;rica e que compartilham vida e obra de sua gente, como o futebol \u2013 a paix&atilde;o predominante nas duas na&ccedil;&otilde;es \u2013 que possivelmente no pr&oacute;ximo domingo levar&aacute; os torcedores do Pe&ntilde;arol a comemorar os gols dos argentinos Alejandro Delorte e Rub&eacute;n Capira, e os do Nacional os de seu compatriota Carlos Juarez. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Marcela Valente, de Buenos Aires.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 23\/11\/2006 &ndash; A decis&atilde;o do Banco Mundial de conceder um empr&eacute;stimo &agrave; firma holandesa Botnia para financiar sua f&aacute;brica de celulose no Uruguai leva os ativistas argentinos a decidirem, em quest&atilde;o de horas, uma interrup&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego, por tempo indeterminado, no acesso a uma das tr&ecirc;s pontes que unem os dois pa&iacute;ses sobre o rio Uruguai. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/uruguai-argentina-emprstimo-acirra-os-nimos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[],"class_list":["post-2329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}