{"id":2334,"date":"2006-11-27T00:00:00","date_gmt":"2006-11-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2334"},"modified":"2006-11-27T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-27T00:00:00","slug":"mulheres-cidade-mexicana-bate-recordes-de-assassinatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/mulheres-cidade-mexicana-bate-recordes-de-assassinatos\/","title":{"rendered":"Mulheres: Cidade mexicana bate recordes de assassinatos"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 27\/11\/2006 &ndash; Ciudad Juarez alcan&ccedil;ou entre ativistas humanit&aacute;rios a fama de \u201ccapital dos feminic&iacute;dios\u201d pelas quase 400 mulheres assassinadas nessa cidade mexicana nos &uacute;ltimos 13 anos. <!--more--> Mas, est&aacute; trag&eacute;dia se estende pelo resto do pa&iacute;s e cruza a fronteira at&eacute; Guatemala e El Salvador. Dados oficiais indicam que, em m&eacute;dia, mil mulheres foram assassinadas por ano entre 1995 e 2005 no M&eacute;xico com 103 milh&otilde;es de habitantes, e na lista dos principais lugares onde foram registradas essas mortes n&atilde;o aparece Juarez, e sim Toluca, vizinha &agrave; capital, e Guadalajara, no Estado de Jalisco.<\/p>\n<p>No entanto, na vizinha Guatemala, com 11,2 milh&otilde;es de habitantes, as vitimas femininas fatais somaram 566 apenas nos primeiros 10 meses deste ano, enquanto em El Salvador, com 6,5 milh&otilde;es de habitantes, chegaram a 286 entre janeiro e agosto. Apesar desta grande quantidade de casos nos tr&ecirc;s pa&iacute;ses em geral, &eacute; Ciudad Juarez que atrai a aten&ccedil;&atilde;o internacional e &eacute; alvo de m&uacute;ltiplas den&uacute;ncias e informes de grupos de defesa dos direitos humanos, de investiga&ccedil;&otilde;es de relatores da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, bem como de livros, filmes e document&aacute;rios.<\/p>\n<p>\u201cJuarez &eacute; como um marco por causa de todas as den&uacute;ncias e mobiliza&ccedil;&otilde;es que os feminic&iacute;dios geraram ali, mas, em outras cidades mexicanas e particularmente na Guatemala a situa&ccedil;&atilde;o agora &eacute; grav&iacute;ssima, muito pior\u201d, disse &agrave; IPS Teresa Rodr&iacute;guez, diretora do Fundo de Desenvolvimento das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Mulher (Unifem) para o M&eacute;xico, Am&eacute;rica Central, Cuba e Rep&uacute;blica Dominicana. \u201cEstamos muito preocupados com estes assassinatos que, na maioria, ficam impunes\u201d, disse a funcion&aacute;ria da ONU, que em 1999 instituiu o dia 25 de novembro como Dia Internacional da Elimina&ccedil;&atilde;o da Viol&ecirc;ncia contra a Mulher.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma cultura que continua admitindo estas situa&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o podemos tolerar isso, que deve ser combatido e prevenido com pol&iacute;ticas, mas, tamb&eacute;m como ocorreu em Ciudad Juarez, &eacute; preciso exp&ocirc;-lo, denunci&aacute;-lo e dizer que n&atilde;o &eacute; normal que ocorram estas mortes e que tampouco &eacute; normal a viol&ecirc;ncia contra mulheres e meninas\u201d, disse Teresa. O feminic&iacute;dio &eacute; uma palavra surgida recentemente que descreve o homic&iacute;dio de uma mulher por motivos de g&ecirc;nero e que em certas ocasi&otilde;es est&aacute; acompanhada de viol&ecirc;ncia sexual.<\/p>\n<p>Em Ciudad Juarez, vizinha da localidade norte-americana de El Paso, foram cometidos desde 1993 at&eacute; hoje cerca de 400 assassinatos, e em 78 deles houve viol&ecirc;ncia sexual, segundo os dados oficiais. A Promotoria Especial para Crimes Relacionados com os Homic&iacute;dios de Mulheres, criada pelo governo mexicano de Vicente Fox, diz em um informe de fevereiro que em Ciudad Ju&aacute;rez n&atilde;o existe nenhum padr&atilde;o de assassinatos em s&eacute;rie, tal como denunciaram grupos humanit&aacute;rios. Al&eacute;m disso, o texto afirma que 1\u201925 mulheres morreram em suas pr&oacute;prias casas v&iacute;timas de familiares ou amigos.<\/p>\n<p>Estimativas da Unifem dizem que entre 20% e 30% dos assassinatos de mulheres no M&eacute;xico e na Am&eacute;rica Central s&atilde;o cometidos por seus companheiros ou familiares. No caso de Ju&aacute;rez, a idade de quase todas as assassinadas estava na faixa dos 15 aos 30 anos, e muitas delas eram de camadas sociais pobres que trabalhavam na fabrica&ccedil;&atilde;o de produtos para exporta&ccedil;&atilde;o na zona franca. Em Ciudad Ju&aacute;rez, como em outras localidades mexicanas sobre a extensa fronteira com os Estados Unidos, se concentra esse tipo de f&aacute;brica que opera sem obriga&ccedil;&otilde;es impositivas e onde s&atilde;o montados produtos com insumos importados. A for&ccedil;a de trabalho delas &eacute; em sua maior parte formada por mulheres jovens.<\/p>\n<p>Embora na Guatemala o contexto seja outro, os assassinatos se parecem com os registrados no M&eacute;xico. Ali a deputada Nineth Montenegro, presidente da Comiss&atilde;o Legislativa da Mulher, confirmou no &uacute;ltimo dia 20 que 566 mulheres foram mortas em seu pa&iacute;s de janeiro a outubro. Os feminic&iacute;dios nesse pa&iacute;s s&atilde;o atribu&iacute;dos, principalmente, ao narcotr&aacute;fico, ao crime organizado e &agrave;s gangues juvenis. Nineth disse que \u201cna maioria das mortes n&atilde;o se chega a conhecer o motivo e observa-se a pouca import&acirc;ncia dada a este tema que est&aacute; se generalizando e instaurando em n&iacute;vel social\u201d.<\/p>\n<p>A diretora da Unifem advertiu que ainda falta muito para acabar com os assassinatos de mulheres e preveni-los. \u201c&Eacute; necess&aacute;ria maior prepara&ccedil;&atilde;o da Justi&ccedil;a e da pol&iacute;cia, setores que no caso da Am&eacute;rica Central est&atilde;o completamente ultrapassados, embora j&aacute; h&aacute; j&aacute; projetos em andamento a esse respeito\u201d, afirmou. <\/p>\n<p>No documento intitulado \u201cEstudo profundo sobre todas as formas de viol&ecirc;ncia contra a mulher\u201d, divulgado em julho pela ONU, o caso de Ju&aacute;rez foi mencionado pena en&eacute;sima vez, mas, tamb&eacute;m surgiu o da Guatemala. \u201cO feminic&iacute;dio ocorre em todas as partes, mas, a escala de alguns casos em contextos comunit&aacute;rios \u2013 por exemplo, em Ciudad Ju&aacute;rez e na Guatemala \u2013 atrai a aten&ccedil;&atilde;o para este aspecto da viol&ecirc;ncia contra a mulher\u201d, diz o documento. Assim, pelo que foi denunciado por organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias e de mulheres especificamente, a ONU diz nesse informe que \u201ca impunidade desse tipo de crime &eacute; um dos fatores fundamentais nessas situa&ccedil;&otilde;es\u201d.<\/p>\n<p>O documento n&atilde;o menciona o caso de El Salvador, mas, tamb&eacute;m nesse pa&iacute;s existe uma situa&ccedil;&atilde;o grave. Entre janeiro e agosto foram registrados 286 casos de mulheres assassinadas, o que implica um aumento na m&eacute;dia anual de mortes, que entre 2001 e 2005 chegaram a 1.320, segundo uma pesquisa da n&atilde;o-governamental Procuradoria para a Defesa dos Direitos Humanos. Cerca de 60% desses crimes, em sua maioria cometidos no contexto familiar, permanecem impunes. Teresa Rodr&iacute;guez, da Unifem, espera que a exposi&ccedil;&atilde;o e a den&uacute;ncia sobre os feminic&iacute;dios em El Salvador, Guatemal e v&aacute;rias cidades mexicanas leve a novas a&ccedil;&otilde;es e programas a partir da sociedade civil e dos governos, pois o que est&aacute; acontecendo \u201c&eacute; totalmente inaceit&aacute;vel\u201d, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 27\/11\/2006 &ndash; Ciudad Juarez alcan&ccedil;ou entre ativistas humanit&aacute;rios a fama de \u201ccapital dos feminic&iacute;dios\u201d pelas quase 400 mulheres assassinadas nessa cidade mexicana nos &uacute;ltimos 13 anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/america-latina\/mulheres-cidade-mexicana-bate-recordes-de-assassinatos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-2334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}