{"id":2335,"date":"2006-11-27T00:00:00","date_gmt":"2006-11-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2335"},"modified":"2006-11-27T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-27T00:00:00","slug":"fsm-qunia-espera-por-propostas-para-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/africa\/fsm-qunia-espera-por-propostas-para-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"FSM: Qu&ecirc;nia espera por propostas para o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 27\/11\/2006 &ndash; O pr&oacute;ximo F&oacute;rum Social Mundial ser&aacute; realizado dentro de apenas dois meses na capital do Qu&ecirc;nia. Pela primeira vez uma cidade africana ser&aacute; anfitri&atilde; &uacute;nica. <!--more--> Este pa&iacute;s da &Aacute;frica oriental tamb&eacute;m abriga Kibera, o maior assentamento irregular de casas do continente, por isso se poderia argumentar que n&atilde;o h&aacute; lugar mais apropriado para realizar o FSM. Que outro pa&iacute;s seria melhor para estar perto de uma das comunidades mais afetadas pelas doen&ccedil;as sociais que o F&oacute;rum pretende combater? Em Kibera, na regi&atilde;o sudoeste de Nair&oacute;bi, alguns ainda v&ecirc;em os preparativos para o FSM do ano que vem com ambival&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Em uma reuni&atilde;o com membros do secretariado do f&oacute;rum em Nair&oacute;bi, cerca de cem moradores de Kibera acusaram organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais de ajudarem o assentamento apenas para ganhar credibilidade e arrecadar fundos. Estas entidades n&atilde;o proporcionaram nenhuma melhoria significativa para as vidas das pessoas que moral no lugar, afirmaram. Alguns alegam que, &agrave;s vezes, inclusive ONGs estabelecidas causam mais preju&iacute;zo do que beneficio, impedindo efetivamente que membros da comunidade tenham uma voz em reuni&otilde;es como o FSM. <\/p>\n<p>\u201cAs comunidades s&atilde;o afetadas pela pobreza, pelo v&iacute;rus HIV\/Aids e pelo desemprego\u201d. Mas, raramente ouvimos as vozes dessas pessoas. Por outro lado, s&atilde;o as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais estabelecidas que falam por elas\u201d, disse &agrave; IPS Salim Mohammed, coordenador de programas para Carolina por Kibera, uma organiza&ccedil;&atilde;o juvenil dos Estados Unidos. \u201cAs comunidades n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o inocentes que n&atilde;o possam falar sobre seus problemas. Elas sabem onde lhes d&oacute;i e como querem que sua situa&ccedil;&atilde;o seja abordada. As ONGs podem deixar de usar os problemas dos pobres para enriquecerem? Podemos ver que as comunidades n&atilde;o perdem uma chance de se expressarem a si mesmas em reuni&otilde;es como o FSM\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Liderados pelo ativista Cosmas Musyoka, dos moradores pressionaram na reuni&atilde;o do secretariado para que se realize uma reuni&atilde;o em Kibera simultaneamente ao FSM, denominada F&oacute;rum Social de Kibera. Uma preocupa&ccedil;&atilde;o-chave &eacute; o da propriedade da terra em assentamentos informais, que alimentou as tens&otilde;es entre os habitantes de favelas, propriet&aacute;rios de terras e autoridades. O governo alega que os assentamentos em terras p&uacute;blicas foram constru&iacute;dos ilegalmente e devem ser desalojados. Mas, moradores dessas comunidades, alguns dos quais n&atilde;o conhecem outro lar, sentem que merecem ser donos da terra e resistem &agrave; tentativa para desaloja-los.<\/p>\n<p>As moradias das favelas constru&iacute;das em terra privada demonstraram ser igualmente pol&ecirc;micas. A viol&ecirc;ncia estourou entre os propriet&aacute;rios dessas casas e os donos da terra. \u201cNos assentamentos irregulares ningu&eacute;m tem garantida a terra onde vive. Por est&aacute; raz&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil fazer as pessoas se preocuparem pelo meio ambiente\u201d, disse Mohammed. \u201cComo algu,em pode se preocupar se n&atilde;o tem um espa&ccedil;o para cuidar? Se a quest&atilde;o da propriedade da terra for abordada, ent&atilde;o tudo o mais chegar&aacute; suavemente\u201d, acrescentou. Para Helen Moraa, vi&uacute;va com quatro filhos, o HIV\/Aids constitui um assunto igualmente grave.<\/p>\n<p>\u201cO FSM precisa vir aqui e ver por si mesmo o sofrimento das pessoas soropositivas. Espera-se que a gente coma bem para prolongarmos nossas vidas e cuidar de nossos filhos. Mas, isso &eacute; dif&iacute;cil porque n&atilde;o h&aacute; dinheiro para comprar comida. Inclusive, conseguir uma refei&ccedil;&atilde;o por dia &eacute; um grande problema\u2019, disse &agrave; IPS Moraa, ela pr&oacute;pria portadora do v&iacute;rus HIV. \u201cN&atilde;o conseguimos apoio do governo. Se o FSM puder ajudar, talvez vejamos alguma diferen&ccedil;a\u201d, acrescentou Moraa, que pertence ao Grupo de Potencia&ccedil;&atilde;o de Mulheres de Kibera.<\/p>\n<p>Essa entidade re&uacute;ne 25 mulheres que vivem com o v&iacute;rus da Aids e que fazem colares para vender por at&eacute; US$ 14 cada um. Mas, isto raramente acontece, segundo Moraa. Grace, Akinyi, outra integrante da organiza&ccedil;&atilde;o \u2013 e tamb&eacute;m m&atilde;o de quatro filhos \u2013 ainda n&atilde;o sabia o que era o FSM quando a IPS a consultou. \u201cO que &eacute; o FSM? &Eacute; alguma coisa que me trar&aacute; rem&eacute;dios?\u201d, perguntou. \u201cMeu marido tamb&eacute;m est&aacute; doente, como minha filha mais velha de 18 anos, junto com seus dois filhos. Nenhum de n&oacute;s trabalha. O dono da terra n&atilde;o quer saber se estamos doentes. Ele espera seu dinheiro no final do m&ecirc;s. N&atilde;o podemos pagar a mensalidade da escola e nossos filhos, que andam pelas ruas\u201d, disse Akinyi.<\/p>\n<p>\u201cAl&eacute;m disso, nem mesmo podemos pagar uma simples comida e somos pessoas doentes e medicadas. &Agrave;s vezes, os anti-retrovirais n&atilde;o s&atilde;o suficientes, porque n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis em todos os centros de sa&uacute;de\u201d. Acrescentou Akinyu. Os n&uacute;meros oficiais colocam a preval&ecirc;ncia do HIV entre adultos do Qu&ecirc;nia em 6%. Calcula-se que existam cerca de 200 mil pessoas no pa&iacute;s precisando de anti-retrovirais para prolongar suas vidas. Deles, apenas cerca de 110 mil recebem os medicamentos.<\/p>\n<p>Kadara Yusuf, oura moradora de Kibera, de 16 anos, tampouco conhece o FSM. \u201cN&atilde;o sei nada sobre o f&oacute;rum. Os que participam das reuni&otilde;es internacionais falam muito, mas, fazem pouco\u201d, disse &agrave; IPS. \u201cSe falou muito de Kibera, mas as condi&ccedil;&otilde;es de vida de seus habitantes foram &agrave;s mesas durante anos. Isto mostra que o mundo n&atilde;o se importa com os pobres. O FSM pode ser uma reuni&atilde;o onde haja menos palavras e muita a&ccedil;&atilde;o?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>Em geral, informa-se que cerca de 700 mil pessoas vivem em Kibera, uma vasta &aacute;rea de cho&ccedil;as com paredes de barro e cloacas abertas onde as famosas \u201cprivadas voadoras\u201d do Qu&ecirc;nia aterrissam regularmente. Trata-se de sacos pl&aacute;sticos onde as pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias defecam e depois jogam o mais longe poss&iacute;vel. Onyango Oloo, coordenador do F&oacute;rum Social do Qu&ecirc;nia \u2013 capitulo nacional do FSM \u2013 disse que este organismo trabalha junto com os habitantes de Kibera para que suas preocupa&ccedil;&otilde;es sejam postas sobre a mesa no FSM 2007.<\/p>\n<p>Fundado como alternativa ao F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial, reuni&atilde;o anual na localidade su&iacute;&ccedil;a de Davos que atrai a elite empresarial e pol&iacute;tica, o FSM foi realizado pela primeira vez em Porto Alegre, em 2001. Re&uacute;ne uma s&eacute;rie de grupos e indiv&iacute;duos, principalmente da sociedade civil, que se op&otilde;em &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o em suas atuais modalidades. O FSM continuou sendo realizado no Brasil at&eacute; 2004, quando aconteceu na cidade indiana de Mumbai, retornando &agrave; capital ga&uacute;cha no ano seguinte. Neste ano, o f&oacute;rum aconteceu em tr&ecirc;s cidades: Bamako (10 a 23 de janeiro); Caracas (24 a 29 de janeiro) e Carachi (24 a 29 de mar&ccedil;o), centro financeiro do Paquist&atilde;o. Espera-se que cerca de 150 mil pessoas de todo o mundo participem do FSM 20097 em Nair&oacute;bi, segundo o comit&ecirc; organizador. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 27\/11\/2006 &ndash; O pr&oacute;ximo F&oacute;rum Social Mundial ser&aacute; realizado dentro de apenas dois meses na capital do Qu&ecirc;nia. 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