{"id":2337,"date":"2006-11-27T00:00:00","date_gmt":"2006-11-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2337"},"modified":"2006-11-27T00:00:00","modified_gmt":"2006-11-27T00:00:00","slug":"ambiente-pesca-de-arrasto-vai-continuar-arrasando-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/ambiente\/ambiente-pesca-de-arrasto-vai-continuar-arrasando-oceanos\/","title":{"rendered":"Ambiente: Pesca de arrast&atilde;o vai continuar arrasando oceanos"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 27\/11\/2006 &ndash; A Isl&acirc;ndia e outras poucas na&ccedil;&otilde;es pesqueiras conseguiram enfraquecer um esfor&ccedil;o internacional de tr&ecirc;s anos para impor uma morat&oacute;ria &agrave; destrutiva pesca de arrast&atilde;o. <!--more--> Ambientalistas afirmam que o acordo alcan&ccedil;ado na quinta-feira, em uma reuni&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, coloca os interesses comerciais de umas poucas centenas de barcos usados para esse tipo de pesca de um punhado de na&ccedil;&otilde;es acima da comunidade internacional, ignorando o conselho dos cientistas. \u201cO acordo final tem mais buracos do que a blusa de um pescador\u201d, disse Karen Sackj, conselheiras para pol&iacute;ticas oce&acirc;nicas do Greenpeace Internacional, que supervisionou as negocia&ccedil;&otilde;es realizadas na ONU. \u201cOs oceanos est&atilde;o em crise. O acordo nada faz para mudar significativamente a maneira como nossos oceanos s&atilde;o administrados\u201d, disse Sack &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Cientistas e conservacionistas esperavam uma morat&oacute;ria para a pesca de arrast&atilde;o nas profundidades do oceano aberto. \u201cA Isl&acirc;ndia se negou a aprovar qualquer medida referente a alto mar, que n&atilde;o est&aacute; regulamentada\u201d, disse Susanna Fuller, bi&oacute;loga marinha do Centro de A&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica, do Canad&aacute;. Austr&aacute;lia, Chile e outros pa&iacute;ses se mostraram indignados pela disposi&ccedil;&atilde;o da Isl&acirc;ndia de sacrificar o habitat dos peixes de alto mar em favor de seus interesses pesqueiros de curto prazo, afirmou Fuller, que participou das reuni&otilde;es em Nova Yorque como observadoras. Enquanto Brasil, Nova Zel&acirc;ndia, Ilhas Pac&iacute;fico, Estados Unidos, &Iacute;ndia, &Aacute;frica do Sul, Alemanha e inclusive os anteriormente reticentes Espanha e Canad&aacute; apoiaram uma a&ccedil;&atilde;o mais forte. O desejo de conseguir um consenso significou que os interesses da Isl&acirc;ndia se impuseram sobre o sentido comum e a ci&ecirc;ncia, disse Fuller &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica da necessidade de frear a pesca de arrast&atilde;o &eacute; esmagadora. Os barcos utilizados para essa pr&aacute;tica arrastam uma grande rede equipada com grandes e pesadas pe&ccedil;as de metal e rodas de borracha nas profundezas marinhas, levando quase tudo o que encontram pelo caminho. Tudo, incluindo os corais de &aacute;gua fria, cujo crescimento consumiu milhares de anos; peixes e outras criaturas amea&ccedil;adas e desconhecidas s&atilde;o levadas &agrave; superf&iacute;cie e depois jogadas fora como lixo. \u201c&Eacute; como usar um trator em uma selva tropical para pegar p&aacute;ssaros cantores\u201d, disse Arlo Hemphill, encarregado de conserva&ccedil;&atilde;o da DOER Marine, uma empresa que projeta equipamentos para a explora&ccedil;&atilde;o das profundezas do mar.<\/p>\n<p>A pesca n&atilde;o desejada &eacute; muito maior com estes barcos, que tamb&eacute;m destroem o habitat dos peixes e afetam as popula&ccedil;&otilde;es desses animais, acrescentou Hemphill em uma entrevista. Um Projeto de Informe Ambienta da ONU divulgado no come&ccedil;o deste m&ecirc;s estabeleceu claramente que a pesca de arrast&atilde;o est&aacute; prejudicando os ecossistemas oce&acirc;nicos. Aproximadamente a metade dos ecossistemas submarinos de montanhas e corais fica al&eacute;m das fronteiras nacionais, deixando-os sem regular e vulner&aacute;veis &agrave; pr&aacute;tica conhecida como pesca de arrasto, diz o informe.<\/p>\n<p>\u201cNossa investiga&ccedil;&atilde;o demonstra ativamente a vulnerabilidade dos corais da profundidade marinha e de sua biodiversidade associada frente &agrave; pesca de arrasto\u201d, disse Alex Rogers, co-autor do informe e pesquisador da Sociedade Zool&oacute;gica de Londres. \u201cAlguns dos corais destru&iacute;dos t&ecirc;m milhares de anos e n&atilde;o ser&atilde;o substitu&iacute;dos\u201d, afirmou em uma declara&ccedil;&atilde;o escrita. Os governos e as ind&uacute;strias pesqueiras precisam demonstrar que estas regi&otilde;es podem ser utilizadas para a pesca sem destruir estes ecossistemas insubstitu&iacute;veis, afirmou.<\/p>\n<p>J&aacute; se causou muito dano. H&aacute; pouco, cientistas que faziam a primeira explora&ccedil;&atilde;o submarina de infiltra&ccedil;&atilde;o de metano na costa oriental da Nova Zel&acirc;ndia descobriram esp&eacute;cies desconhecidas e evid&ecirc;ncia extensiva de danos causados pelos barcos dedicados &agrave; pesca de arrast&atilde;o a mil metros de profundidade. Em todos os locais que exploraram encontraram marcas das redes, ferramentas de pesca perdidas e &aacute;reas extensivas de escombros de corais. \u201cOs pesquisadores pensavam que a &aacute;rea estava intacta\u201d, explicou Sack.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas dizem que a crescente evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica de deterioradas popula&ccedil;&otilde;es de peixes oce&acirc;nicos \u2013 e com a maioria das na&ccedil;&otilde;es concordando que a pesca de arrasto &eacute; prejudicial \u2013 deveria ter gerado um consenso internacional sobre a necessidade de controlar ou deter est&aacute; pr&aacute;tica n&atilde;o regulamentada em alto mar. \u201cPara os pol&iacute;ticos, os interesses a curto prazo quase sempre prejudicam os futuros interesses a longo prazo\u201d, disse Sack. O acordo da &uacute;ltima quinta-feira ser&aacute; parte da Resolu&ccedil;&atilde;o de Pescarias da ONU, que ser&aacute; adotada pela Assembl&eacute;ia Geral no dia 7 de dezembro.<\/p>\n<p>O resultado positivo do acordo &eacute; que pa&iacute;ses com organiza&ccedil;&otilde;es regionais de administra&ccedil;&atilde;o da pesca, principalmente nos oceanos Atl&acirc;ntico e &Aacute;rtico e no Mar Mediterr&acirc;neo, disseram que avaliar&atilde;o o impacto da pesca de arrasto em sas regi&otilde;es, destacou Fuller. E onde h&aacute; impactos, eles prometeram colocar &aacute;reas fora dos limites permitidos para implementar est&aacute; pr&aacute;tica. Mas, em alto mar ser&aacute; um neg&oacute;cio como de costume gra&ccedil;as &agrave; intransig&ecirc;ncia da Isl&acirc;ndia e da falta de disposi&ccedil;&atilde;o de outras na&ccedil;&otilde;es para se oporem a ela, segundo os cr&iacute;ticos do acordo. Os conservacionistas exortam os pa&iacute;ses que apoiaram a morat&oacute;ria a estabelecerem uma rede global de reservas e parques marinhos. \u201cAlguma coisa tem de acontecer no futuro para proteger o habitat, ou, simplesmente, ficaremos sem peixes\u201d, disse Fuller. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 27\/11\/2006 &ndash; A Isl&acirc;ndia e outras poucas na&ccedil;&otilde;es pesqueiras conseguiram enfraquecer um esfor&ccedil;o internacional de tr&ecirc;s anos para impor uma morat&oacute;ria &agrave; destrutiva pesca de arrast&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/11\/ambiente\/ambiente-pesca-de-arrasto-vai-continuar-arrasando-oceanos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[14],"class_list":["post-2337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}