{"id":2364,"date":"2006-12-01T00:00:00","date_gmt":"2006-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2364"},"modified":"2006-12-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-uganda-violadores-com-vih-acercam-se-ao-cadafalso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/africa\/pena-de-morte-uganda-violadores-com-vih-acercam-se-ao-cadafalso\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE-UGANDA: Violadores com VIH acercam se ao cadafalso"},"content":{"rendered":"<p>KAMPALA, 01\/12\/2006 &ndash; Uganda foi sacudido em 1999 pelo caso de Fred Mwanza, de 30 anos e portador do v&iacute;rus de imunodefici&ecirc;ncia humana (VIH), que violou um beb&eacute; de tr&ecirc;s meses num sub&uacute;rbio de Kampala. Mas o mais perturbador foi que este crime n&atilde;o foi um ato isolado. <!--more--> O n&uacute;mero de adultos infetados com VIH que abusam sexualmente as pessoas mais vulner&aacute;veis vai aumentando na Uganda. Os portadores do VIH propagam o v&iacute;rus mortal &aacute; crian&ccedil;as e adolescentes neste pa&iacute;s, onde uma pessoa de cada 10 &eacute; seropositiva ou j&aacute; padece do s&iacute;ndroma de imunodefici&ecirc;ncia adquirida (sida). <\/p>\n<p>Por isso, o governo ugand&ecirc;s prepara um projeto de lei que prev&ecirc; a aplica&ccedil;&atilde;o da pena de morte aos culpados de infetar menores de 18 anos com VIH.<\/p>\n<p>Se a iniciativa for aprovada, qualquer pessoa portadora do v&iacute;rus que tenha uma rela&ccedil;&atilde;o sexual com um menor cometer&aacute; um crime designado por &quot;desonra agravada&quot; e se processada, recibir&aacute; a condena da pena de morte, declarou Elioda Tumwesigye, o presidente do comit&eacute; parlament&aacute;rio sobre o VIH\/sida. <\/p>\n<p>Desonra refere se ao ato sexual com uma pessoa de 18 anos ou menos, com ou sem o consentimento desta. Se o parlamento passar esta lei, pessoas como Mwanga podem ser condenados a morte.<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos deste pa&iacute;s cr&ecirc;em que o projeto de lei est&aacute; fora do foco. Dizem que em vez de se concentrar na pena de morte, deve se esfor&ccedil;ar mais na luta contra o VIH\/sida e nas campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o sobre a enfermidade. <\/p>\n<p>Para al&eacute;m disso, o Estado dever&iacute;a investir mais na pol&iacute;cia e nas ag&ecirc;ncias de investiga&ccedil;&atilde;o para assegurar a preven&ccedil;&atilde;o de delitos e a protec&ccedil;&atilde;o de menores, disse Livingstone Sewanyana, o direitor executive da Funda&ccedil;&atilde;o para uma Iniciativa de Direitos Humanos, sedeada em Kampala. <\/p>\n<p>&quot;Quando se suscreve a pena de morte, o Estado tem uma desculpa inaceit&aacute;vel para perder ou esquecer a sua fun&ccedil;&atilde;o essencial de manter a lei e a ordem&quot;, indicou Sewanyana. <\/p>\n<p>O ato de abusar um menor sexualmente j&aacute; representa a incapacidade do Estado de proteger e prevenir, acrescentou Sewanyana. &quot;Creio que para um Estado cujo dever &eacute; de proteger, concentrar se na execu&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os indica a ren&uacute;ncia de responsabilidade&quot;. <\/p>\n<p> Este projeto de lei &eacute; um dos muitos que est&atilde;o a ser discutidos no parlamento num atentado a lidar com a epidemia crescente do VIH\/sida. Uma variedade de projetos foram elaborados e depois arquivados durante anos, mas segundo o Tumwesigye esta sess&atilde;o do corpo legislativo tomar&aacute; medidas porque o problema j&aacute; est&aacute; a ser dif&iacute;cil a dominar.<\/p>\n<p>Aos princ&iacute;pios de agosto, o presidente da Comis&atilde;o da Reforma da Legisla&ccedil;&atilde;o de Uganda, o Joseph Kakooza, apresentou o documento do projeto de lei sobre o VIH que descreve em parte a inquietude do governo com os casos crescentes de abusos sexuais de menores. <\/p>\n<p>&quot;H&aacute; uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o para as pessoas que infetam &aacute;s outras com o VIH. Em alguns pa&iacute;ses os portadores do v&iacute;rus que deliberadamente infetam outras pessoas s&atilde;o acusadas e consideradas como assassinos &quot;, disse o Kakooza durante a sess&atilde;o parlament&aacute;ria. <\/p>\n<p>O projeto de lei na Uganda &eacute; espicificamente dirigido &aacute;s pessoas que infetam outros com o v&iacute;rus de sida atraves do abuso sexual. <\/p>\n<p>Segundo as informa&ccedil;&otilde;es de uma organiza&ccedil;&atilde;o para a prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as baseada em Kampala &#8211; a Rede Africana para a Preven&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o contra o Abuso Infantil e Abandono (ANPPCAN) &#8211; este abuso sexual de menores est&aacute; aumentando no pa&iacute;s. O documento indicou que 82,9 porcento dos 16.800 casos de abuso denunciados durante tr&ecirc;s meses de 2004, foram do car&aacute;cter sexual. Isto marcou um grande aumento dos 4.495 casos registrados em 2002. <\/p>\n<p>A maioria das v&iacute;timas dos casos documentados deste abuso, 85,8 porcento, foram meninas.  Actualmente na Uganda, as pessoas declaradas culpados do estupro e da desonra podem ser condenadas a morte, mas os ju&iacute;zes &eacute; que decidem e nornalemente inclinam se para condenas menos dr&aacute;sticas. At&eacute; agora, ningu&eacute;m tem tido condenado a morte para estes crimes.<\/p>\n<p>Os parlament&aacute;rios discutir&atilde;o se a morte deveria ser uma penalidade mandat&oacute;rio. Tamb&eacute;m v&atilde;o debater se uma pessoa que viola crian&ccedil;as deve receber o mesmo castigo como o da desonra de um adolescente. O desafio do governo agora &eacute; definir a idade de consentimento &aacute;s rela&ccedil;&otilde;es sexuais, pois houve um pedido para baix&aacute;-la de 18 anos a 16. <\/p>\n<p>H&aacute; alguns que n&atilde;o est&atilde;o de acordo com esta mudan&ccedil;a. Muitas mo&ccedil;as na universidade foram v&iacute;timas de homens infetados, chamados a &quot;Sugar Daddies&quot;, que d&atilde;o coisas materias em troca de rela&ccedil;&otilde;es sexuais. J&aacute; h&aacute; algumas campanhas a lidar com estas rela&ccedil;&otilde;es sexuais \u201ctrans-geracionais\u201d.<\/p>\n<p> Muitos pais que se encontram metidos nestes casos prefirem resolver o problema fora dos tribunais, porque n&atilde;o querem que os seus parentes v&atilde;o a cadeia perpetuamente ou, pior, que sejam pendurados.<\/p>\n<p>Grupos de direitos human preocupam se de que se a pena de morte for mandat&oacute;ria para os ofensores sexuais, o problema torner&aacute; privado. Isto &eacute; devido a um relat&oacute;rio de ANPPCAN que declarou que em 90 porcento dos casos os perpetradores alegados eram parentes das v&iacute;timas.  Segundo o relat&oacute;rio, houve mais casos de abusos sexuais denunciados &aacute; pol&iacute;cia e que apareceram na imprensa dos que foram resolvidos pelos tribunais. Isto significa que estas quest&otilde;es est&atilde;o a ser resolvidos &agrave;s escondidas.<\/p>\n<p>Os acordos fora dos tribunais ficam cada vez mais comuns na Uganda, e muitas vezes atrav&eacute;s de indemniza&ccedil;&otilde;es na forma de dinheiro, gado e acordos de \u201cmantimento\u2019 si a mo&ccedil;a fica gr&aacute;vida.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio conclu&iacute;u que &quot;O abuso sexual infantil &eacute; um grande problema que exige mais esfor&ccedil;os e advogacia <\/p>\n<p>J&aacute; houve muitos debates sobre a pena capital, particularmente durante o proceso da reda&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o, finalizada em 1995. A maior&iacute;a dos delegados &aacute; Assembleia Constituente votou a derog&aacute;-la apesar da oposi&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. <\/p>\n<p>Segundo os dados do Departamento Penitenci&aacute;rio de Uganda, j&aacute; se executou 377 pessoas, inclusivem uma mulher, desde 1938. Desde que assumiu o poder em 1986 o governo de Yoweri Museveni executou 51 pessoas. Agora h&aacute; 555 pessoas condenados a morte, 27 das quais s&atilde;o mulheres. <\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais cr&ecirc;em que a pena capital &eacute; uma viola&ccedil;&atilde;o flagrante dos direitos humanos e do direito &aacute; vida. N&atilde;o apenas nega o sistema judicial da possibilidade deal corrigir erros, mas tamb&eacute;m nega &aacute;s v&iacute;ctimas toda a possibilidade de reabilita&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&quot;Somos convencidos de que a pena de morte n&atilde;o &eacute; um castigo. No fim de contas, toda a gente h&aacute; de morrer (um dia). A morte n&atilde;o permite a reabilita&ccedil;&atilde;o. A ideia fundamental do castigo &eacute; a possibilidade de que a pessoa possa se remir, e para a sociedade possa cambiar o seu curso&quot;, disse o Sewanyana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KAMPALA, 01\/12\/2006 &ndash; Uganda foi sacudido em 1999 pelo caso de Fred Mwanza, de 30 anos e portador do v&iacute;rus de imunodefici&ecirc;ncia humana (VIH), que violou um beb&eacute; de tr&ecirc;s meses num sub&uacute;rbio de Kampala. 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