{"id":2366,"date":"2006-12-01T00:00:00","date_gmt":"2006-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2366"},"modified":"2006-12-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-pedido-de-clemncia-para-nigerianos-na-singapura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/africa\/pena-de-morte-pedido-de-clemncia-para-nigerianos-na-singapura\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE: Pedido de clem&ecirc;ncia para nigerianos na Singapura"},"content":{"rendered":"<p>LAGOS, 01\/12\/2006 &ndash; Quando Uzonna Tochi levantou o telefone na semana passada na sua casa na Nig&eacute;ria, ouviu estas palavras mortificantes. &quot;Por favor, fa&ccedil;a alguma coisa rapidamente para salvar minha vida. Podem executar me em qualquer momento&quot;, lhe suplicou o seu irm&atilde;o mais velho, Iwuchukwu Amara Tochi, desde a Singapura. <!--more--> Em mar&ccedil;o,o Iwuchukwu Amara Tochi, de 19 anos, foi condenado a morte na Singapura junto ao Okele Nelson Malachy, de 31, depois de transportar 727 gramas de hero&iacute;na no pa&iacute;s. A lei da Singapura sobre a droga obriga a pena morte para qualquer pessoa traficando mais de 15 gramas de hero&iacute;na. Os dois condenados ser&atilde;o executados este ano se n&atilde;o recibam a clem&ecirc;ncia do presidente da Singapura.<\/p>\n<p>Uzonna e as organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos de todo o mundo que se ocupam do caso de irm&atilde;o dele, ainda n&atilde;o perderam a esperan&ccedil;a. De todas as maneiras, admetem que &eacute; dif&iacute;cil concitar a consterna&ccedil;&atilde;o internacional necess&aacute;ria para salvar a vida de um nigeriano pobre. <\/p>\n<p>Segundo a apela&ccedil;&atilde;o apresentada pelo advogado especialista nos direitos humanos e membro do partido da opsosi&ccedil;&atilde;o da Singapura, o M. Ravi, Iwuchukwu e Malachy, entanto que africanos, correm o perigo de ser executados se n&atilde;o se faz algo urgente para salv&aacute;-los. <\/p>\n<p>O Malachy, portadora de um passaporte sulafricano, &eacute; considerado sem p&aacute;tria. Embora tinha um passaporte sulafricano, os funcion&aacute;rios cr&ecirc;em que &eacute; nigeriano. Por isso, nenhum pa&iacute;s tem a responsabilidade direita de lutar para ele.<\/p>\n<p>&quot;Houve uma s&eacute;rie de execu&ccedil;&otilde;es desapercebidas de pessoas de origem africano na &Aacute;sia. As pessoas de origem australiana e occidental obt&ecirc;m a aten&ccedil;&atilde;o diferente na imprensa&quot;, escreveu o Ravi na sua p&aacute;gina web. <\/p>\n<p>Por exemplo, Julia Bohl uma alem&atilde;, foi acusada na Singapura do tr&aacute;fico de drogas en 2002, e escapou do cadafalso, quando foi libertada da cadeia e deportado em 2005.  Este ano, o Ravi empreendeu uma volta dos pa&iacute;ses europeios, realizando confer&ecirc;ncias de imprensa e falando com parlamentares, num esfor&ccedil;o a ganhar apoio para Iwuchukwu e Malachy. <\/p>\n<p>As Organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, como a Anist&iacute;a Internacional, tamb&eacute;m lan&ccedil;aram campanhas para salvar a vida dos dois homens. <\/p>\n<p>Em Lagos, a maior organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos do pa&iacute;s, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Liberdades Civ&iacute;is (CLO) come&ccedil;ou uma iniciativa a obrigar o governo nigeri&aacute;no a intervenir na parte dos condenados.<\/p>\n<p>&quot;Desde que perdiu a &uacute;ltima apela&ccedil;&atilde;o, receio que o pr&oacute;ximo momento ser&aacute; o seu &uacute;ltimo\u201d, disse Uzonna, muito preocupado. <\/p>\n<p>Uzonna deve ser preocupado pelo seu irm&atilde;o, pois Iwuchukwu &eacute; que sustenta a fam&iacute;lia. O irm&atilde;o mais velho que foi jogador de futebol, se dedicou ao com&eacute;rcio antes de ir ao Paquist&atilde;o h&aacute; quatro anos. <\/p>\n<p>Iwuchukwu viajava do Paquist&atilde;o &aacute; Singapura quando foi detido ao aeroporto de Changi, no dia 27 de novembro de 2004, acusado de introduzir hero&iacute;na neste pa&iacute;s. O advogado dele disse ao tribunal que Iwuchukwu n&atilde;o sab&iacute;a que os cumprimidos que levava continham a hero&iacute;na. Ele pensou que eram medicamentos. <\/p>\n<p>Os pais de Iwuchukwu ainda n&atilde;o sabem da deten&ccedil;&atilde;o do filho deles, disse o Uzonna. &quot;Os meus pobres pais morreriam se souberem que um mo&ccedil;o que trabalhava duramente a sustent&aacute;-los est&aacute; condenado a morte &quot;, acrescentou Uzonna.. <\/p>\n<p>Uzonna j&aacute; foi ao Minist&eacute;rio de Assuntos Exteriores de Nigeria duas vezes, e os funcion&aacute;rios lhe prometeram escrever cartas ao apoio do seu irm&atilde;o, mas n&atilde;o est&aacute; certo que cumpriram esta promessa. <\/p>\n<p>Os funcion&aacute;rios deste Minist&eacute;rio n&atilde;o puderam dar uma resposta definitiva quando IPS consultou- os sobre o que estavam a fazer para salvar a vida de Iwuchukwu. <\/p>\n<p>&quot;O governo nigeri&aacute;no n&atilde;o fez nada p&uacute;blico a mostrar que est&aacute; interessado em salvar a vida de Iwuchukwu&quot;, disse o Princewill Akpakpan, direitor do Projeto da Reforma Penal da CLO. <\/p>\n<p>&quot;O governo n&atilde;o est&aacute; preocupado com a quest&atilde;o do Iwuchukwu, porque a Nig&eacute;ria tal como a Singapura, sempre mantem a pena de morte,\u201d disse Akpakpan a IPS.<\/p>\n<p>Si os dois homens tinham acusados do memso crime na Nig&eacute;ria, iriam ser condenados a uma pena menos dura, de entre tr&ecirc;s anos &aacute; cadeia perpetua, disse o direitor de Assuntos P&uacute;blicos da Ag&ecirc;ncia Nacional Antidroga, Jonah Achema, numa entrevista com IPS. <\/p>\n<p>A condena &quot;dependeria da discri&ccedil;&atilde;o do ju&iacute;z e de outros fatores, como por exemplo, se se tratava de um infrator prim&aacute;rio ou n&atilde;o &quot;, explicou Achema. <\/p>\n<p>Em 1986, uma lei nigeri&aacute;na aboliu a pena de morte para crimes ligados &aacute; droga. &quot;Isto indica a evolu&ccedil;&atilde;o na natureza dos nossas leis&quot;, disse Achema a IPS. <\/p>\n<p>No h&aacute; cifras dispon&iacute;veis de pessoas executadas por volta do mundo para delitos ligados &aacute; droga. Segundo Ryan Schlief, do escrit&oacute;rio para a Singapura na sede de Anistia Internacional em L&oacute;ndres, os pa&iacute;ses de &Aacute;sia e do M&eacute;dio Oriente que mant&ecirc;m a pena de morte fazem assim para tomar medidas estringentes contra crimes ligados &aacute; droga.<\/p>\n<p>A Singapura, tem sido muito criticada pela severidade das leis dela sobre a pena de morte. Desde 1991, este pa&iacute;s tem executado 420 pessoas, a maioria para o tr&aacute;fico de drogas. Singapura e o pa&iacute;s com a maior propor&ccedil;&atilde;o de execu&ccedil;&otilde;es por habitante, no mundo. Cr&iacute;ticos questionam a justifica&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o dos traficantes da droga, e dizem que a melhor forma de impedir as infra&ccedil;&otilde;es &eacute; de aumentar e assegurar a dete&ccedil;&atilde;o, deten&ccedil;&atilde;o e acusa&ccedil;&atilde;o dos condenados. <\/p>\n<p>&quot;Os acusados de crimes ligados &aacute; droga n&atilde;o devem pagar com a vida&quot;, disse o Akpakpan. <\/p>\n<p>Ademais, n&atilde;o h&aacute; estudos que provam que a pena de morte reduz a quantidade de infra&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>No Ir&atilde;, quase 2.000 pessoas foram executadas por delitos relacionados &aacute; droga entre 1988 e 1999. Um relat&oacute;rio da ag&ecirc;ncia estatal de not&iacute;cias IRNA observa que apesar das execu&ccedil;&otilde;es, o problema do tr&aacute;fico de drogas ainda n&atilde;o est&aacute; resolvido. <\/p>\n<p>En 1995, 26 governos adoptaram leis que penalizan com a morte os delitos ligados &aacute; droga. Estes pa&iacute;ses consideram a pena de morte como uma forma efectiva e barata de eliminar os delinquentes da sociedade. <\/p>\n<p>A press&atilde;o crescente das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, para a aboli&ccedil;&atilde;o da pena capital, obrigaram o governo nigeri&aacute;no a iniciar um debate nacional sobre manter ou eliminar a pena m&aacute;xima. <\/p>\n<p>Segundo ativistas de direitos humanos, na Singapura no h&aacute; lugar para tais debates. &quot;Normalmente n&atilde;o ha muitos debates p&uacute;blicos na Singapura sobre a pena de morte, devido em parte, aos controles f&eacute;rreos do governo sobre a imprensa as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil&quot;, disse um relat&oacute;rio da Anistia Internacional. <\/p>\n<p>Em abril de 2005, a Anistia Internacional foi v&iacute;tima deste controle do governo, quando a Singapura recusou permitir a um membro de AI a falar numa confer&ecirc;ncia de imprensa sobre a pena de morte. A confer&ecirc;ncia foi organizada pelos dirigentes dos partidos da oposi&ccedil;&atilde;o e defensores de dereitos humanos. <\/p>\n<p>Para al&eacute;m disso, o governo da Singapura raramente d&aacute; clem&ecirc;ncia aos traficantes de drogas, disse Ravi e Anistia Internacional. Assim torna se mais urgente manter a press&atilde;o internacional para salvar as vidas de Malachy e Iwuchukwu Tochi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LAGOS, 01\/12\/2006 &ndash; Quando Uzonna Tochi levantou o telefone na semana passada na sua casa na Nig&eacute;ria, ouviu estas palavras mortificantes. &quot;Por favor, fa&ccedil;a alguma coisa rapidamente para salvar minha vida. 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