{"id":2367,"date":"2006-12-01T00:00:00","date_gmt":"2006-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2367"},"modified":"2006-12-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-frica-do-sul-oposio-ansiosa-para-execues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/africa\/pena-de-morte-frica-do-sul-oposio-ansiosa-para-execues\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE-&Aacute;FRICA DO SUL: Oposi&ccedil;&atilde;o ansiosa para execu&ccedil;&otilde;es"},"content":{"rendered":"<p>JOHANNESBURGO, 01\/12\/2006 &ndash; Preocupados pelo que consideram uma crescente anarqu&iacute;a partidos pol&iacute;ticos da &Aacute;frica do Sul uniram se para a mesma causa: exigir a reinstaura&ccedil;&atilde;o da pena de morte. Esta alian&ccedil;a consiste da Frente da Liberdade, o Partido Democr&aacute;tico Crist&atilde;o e o Partido Pro-Pena de Morte. <!--more--> Mas os ativistas que trabalharam para a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte h&aacute; 11 anos anunciaram que v&atilde;o igualmente op&ocirc;r esta campanha. Dizem que a taxa de homic&iacute;dios reduziu nos &uacute;ltimos cinco anos e que, frequentemente as pessoas inocentes podem ser condenadas a morte pelo estado, como j&aacute; vimos da hist&oacute;ria brutal do sistema de apartheid. A &Aacute;frica do Sul aboliu a pena de morte em 1995, um ano depois do fim do apartheid. Mas Pieter Uys, o portavoz da Frente da Liberdade, sedeada em Pretoria, disse que isso foi um grande erro.<\/p>\n<p>&quot;Cada ano h&aacute; 18.000 assassinos na &Aacute;frica do Sul. Isto significa que h&aacute; 18.000 assassinadores andando livre. Estes criminosos n&atilde;o respeitam nenhuma forma de vida. A &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o &eacute; reinstaurar a pena de morte. Todas as outras iniciativas j&aacute; falharam&quot;, disse Uys. Segundo Uys, o problema &eacute; particularmente grave para os agricultores brancos, que constituem a base da Frente da Liberdade. &quot;Nos &uacute;ltimos cinco anos houve 4.126 ataques contra agricultores (brancos), e 562 deles foram assassinados&#8230; A &Aacute;frica do Sul, &eacute; o &uacute;nico lugar no mundo onde se v&ecirc; estes homic&iacute;dios&quot;., A frustra&ccedil;&atilde;o, junto a inatividade aparente na parte das autoridades levou a Frente da Liberdade a exigir um regresso &aacute;s execu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;A situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; horr&iacute;vel. As pessoas j&aacute; n&atilde;o sabem o que fazer. Houve manifesta&ccedil;&otilde;es, peti&ccedil;&otilde;es escritas, sem resultados &quot;, disse o Uys. <\/p>\n<p>A Frente da Liberdade n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico que pede a volta de pena de morte como resposta aos crimes violentos constantes que aparecem nos titulares dos jornais.   &quot;N&atilde;o se dever&iacute;a ver a pena de morte como um castigo. &Eacute; uma maneira de assegurar a seguran&ccedil;a da nossa sociedade&quot;, disse o Theunas Botha, l&iacute;der nacional do Partido Democr&aacute;tico Crist&atilde;o. <\/p>\n<p>Este partido tem lutado a favor da pena de morte desde h&aacute; cinco anos, com poucos resultados. Botha disse que o governo n&atilde;o est&aacute; disposto a permitir um refer&ecirc;ndo sobre a pena de morte porque receia que ser&aacute; aprovado.<\/p>\n<p>&quot;Si houver um refer&ecirc;ndo hoje, descobrir&iacute;amos que uma maiora esmagadora apoia a reinstaura&ccedil;&atilde;o da pena de morte&quot;, indicou o Botha. <\/p>\n<p> Botha disse que o seu partido est&aacute; convencido de que a amea&ccedil;a da execu&ccedil;&atilde;o pode dissuadir os criminosos. <\/p>\n<p>&quot;Eu viv&iacute; na Grande Bretanha entre 1960 e 1970 quando a pena de morte ainda se aplicava a&iacute;. Havia menos crimes. Desde que sacaram a lei da pena de morte, ouve se falar de todo o tipo de crime, incluindo homic&iacute;dios. Antes, a pol&iacute;cia nem sequer portava armas. Agora sim&quot;, afirmou Botha. <\/p>\n<p>Botha n&atilde;o pude fornecer estat&iacute;sticas para demostrar que a pena de morte dissuadiu os criminosos na Grande Bretanha ou na &Aacute;frica do Sul. De facto, segundo a Anistia Internacional, os estudos n&atilde;o conseguiam mostrar esta correla&ccedil;&atilde;o. Segundo Interpol, a taxa geral de crime na &Aacute;frica do Sul est&aacute; compar&aacute;vel com a dos outros pa&iacute;ses em vias de desenvolvimento. Contudo esta na&ccedil;&atilde;o sofre do &iacute;ndice mais alto de crimes violentos do mundo.<\/p>\n<p>O &iacute;ndice de assassinos na &Aacute;frica do Sul aumentou no in&iacute;cio da democracia h&aacute; 11 anos, mas chegou ao seu pico em 2001, depois doqual come&ccedil;ou a cair.<\/p>\n<p>Segundo as estat&iacute;sticas policiais, entre 2002 e 2003 registrou se 21.405 homic&iacute;dios, e 18.793 entre mar&ccedil;o de 2004 e abril de 2005.<\/p>\n<p>&quot;A pena de morte &eacute; um homic&iacute;dio premeditado. Existe poucas provas de que a pena de morte pode dissuadir assassinadores. Isto &eacute; um argumento muito d&eacute;bil e descuidado&quot;, afirmou a ativista Marjorie Dobson, presidente do Grupo de Apoyo Khulumani, que lan&ccedil;ou uma campanha abolicionista h&aacute; uma d&eacute;cada.  Uma melhor forma de prevenir o crime &eacute; de lidar com a fonte dele, disse Dobson. &quot;Estud&aacute;mos as pessoas condenadas a morte e descobrimos que a maior&iacute;a dos assassinos foram cometidos quando (os perpetradores) estavam b&ecirc;bados&quot;. <\/p>\n<p>Para Dobson, n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o nenhuma para reinstaurar a pena de morte. &quot;Tomar uma vida &eacute; uma puni&ccedil;&atilde;o cruel e inhumana&quot; que permite as pessoas a &quot;lavarem as m&atilde;os e deixar o Estado com a responsibilidade terr&iacute;vel de matar&quot;. <\/p>\n<p>Apesar da aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte h&aacute; 11 anos, actualmente, 63 presos est&atilde;o a espera da execu&ccedil;&atilde;o. Quando se aboliu a pena capital, o Tribunal Constitucional decidiu comutar estas condenas para a cadeia perp&eacute;tua, ou rev&eacute;-las com a possibilidade da liberta&ccedil;&atilde;o condicional.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal prev&ecirc; a liberta&ccedil;&atilde;o condicional caso houver presos inocentes.<\/p>\n<p>No seu relat&oacute;rio, A Commiss&atilde;o de Verdade e Reconcilia&ccedil;&atilde;o, chefiado pelo ex Arcebispo Anglicano do Cabo, Desmond Tutu, identificou mais de 20,000 v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, cometidas entre 1960 e 1994. <\/p>\n<p>Um portavoz do departamento de justi&ccedil;a informou IPS que as autoridades estavam a tratar dos casos dos condenados a pena de morte, avaliando as virtudes de cada.<\/p>\n<p>Botha disse que ele acha que nenhuma pessoa inocente seria executada se a pena de morte foi reinstaudara.<\/p>\n<p>&quot;A pena de morte n&atilde;o deve ser aplicada sem testemunhas e processos apropriados,&quot; disse Botha. &quot;A pessoa deve ter a ocasi&atilde;o de provar a sua inoc&ecirc;ncia&quot;.<\/p>\n<p>Betty Kumalo, uma professora na escola prim&aacute;ria perto de Johannesburgo, n&atilde;o est&aacute; convencida disto, dizendo que o mundo n&atilde;o &eacute; pefeito. Ela sabe bem as conseq&ecirc;ncias de um sistema imperfeito. O marido dela, Duma, foi um dos seis homens condenados a morte para o assassino alegado do presidente do munic&iacute;pio de Sharpeville, perto de Johannesburgo. Isto foi depois das manifesta&ccedil;&otilde;es contra aumentos nas rendas, em 1984. <\/p>\n<p>Duma Kumalo foi libertado depois da aboli&ccedil;&atilde;o da pena de mortem mas nunca teve a ocasi&atilde;o de se remir. Faleceu em Fevereiro.<\/p>\n<p>&quot;O problema &eacute; que pessoas inocentes podem ser detidas e executadas sem justifica&ccedil;&atilde;o,&quot; Betty Kumalo disse a IPS. Segundo Betty, at&eacute; hoje, a fam&iacute;lia dela tem que suportar a estigma da pena de morte do seu falecido marido. &quot;Isto toca negativamente na vida familial, porque fechou todas as portas a tudo. Quando ainda estava vivo, e se pediu um visto a qualquer pa&iacute;s, sempre foi negado. Ele morreu com um registo criminal. Eu quero que o absolvam. Assim eu serei livre.\u201d Kumalo e Dobson continuam a exercer press&atilde;o para que o governo mantenha a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOHANNESBURGO, 01\/12\/2006 &ndash; Preocupados pelo que consideram uma crescente anarqu&iacute;a partidos pol&iacute;ticos da &Aacute;frica do Sul uniram se para a mesma causa: exigir a reinstaura&ccedil;&atilde;o da pena de morte. 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