{"id":2369,"date":"2006-12-01T00:00:00","date_gmt":"2006-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2369"},"modified":"2006-12-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-01T00:00:00","slug":"pena-de-morte-sudo-execuo-de-crianas-sim-ou-no","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/africa\/pena-de-morte-sudo-execuo-de-crianas-sim-ou-no\/","title":{"rendered":"PENA DE MORTE: SUD&Atilde;O: Execu&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as? Sim ou N&atilde;o?"},"content":{"rendered":"<p>KHARTOUM, 01\/12\/2006 &ndash; A maioria das pessoas nunca ouviram de Nagmeldin Abdallah, porque est&aacute; inacess&iacute;vel na cadeia do Sud&atilde;o oriental onde espera not&iacute;cias da &uacute;ltima apela&ccedil;&atilde;o que pode lhe salvar. Mas Abdallah atinjiu uma certa notoriedade com ativistas de deireitos humanso. <!--more--> Foi o caso de Abdallah que trouxe a aten&ccedil;&atilde;o internacional &aacute;s leis complexas da pena de morte no Sud&atilde;o. Ele foi acusado do assassino de um vendor de legumes em 2003, quando tinha s&oacute; 15 anos. <\/p>\n<p>O desafio com o sistema da pena de morte no Sud&atilde;o, &eacute; como avaliar a gravidade das penas., Embora passam condenas aos juven&iacute;is, os funcion&aacute;rios sudaneses dizem que nunca executaram juven&iacute;is. Ao contr&aacute;rio, dizem que preferem libertar menores, &aacute; responsabilidade dos pais.<\/p>\n<p>Os grupos de direitos humanos n&atilde;o favorecem esta abordagem, porque antes de tudo, condenar um menor a pena de morte constitui uma viola&ccedil;&atilde;o de tratados internacionais aos quais o Sud&atilde;o &eacute; signat&oacute;rio. Segundo, dizem que condenar um menor a pena morte pode de facto terminar no assassino de algu&eacute;m. &Eacute; por isso que o caso de Abdallah &eacute; t&atilde;o importante.<\/p>\n<p>Na sua luta para a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte no Sud&atilde;o, a Anistia Internacional desacredita a deten&ccedil;&atilde;o do Abdallah. <\/p>\n<p>Segundo os funcion&aacute;rios sudaneses, Abdallah j&aacute; foi adulto quando cometeu o seu crime; ele assinou uma confiss&atilde;o declarando que tinha 20 anos na altura do assassino. Ainda por cima a mistura da lei colonial (Brit&acirc;nica) e do c&oacute;digo Shari&#039;a dificulta a actualiza&ccedil;&atilde;o da pena de morte.<\/p>\n<p>O artigo 36-2 da constitui&ccedil;&atilde;o sudanesa permete a execu&ccedil;&atilde;o de menores para crimes huhud, que incluem o assassino, o adult&eacute;rio, a apostasia, o abandono do Isl&atilde;o para uma outra religi&atilde;o, ou para uma vida secular. Contudo os funcion&aacute;rios sudaneses insistem que o estado verdadeiro no pa&iacute;s est&aacute; perdido na interpreta&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o destes dois sistemas.<\/p>\n<p>A tradu&ccedil;&atilde;o inglesa declara: &quot;A pena de morte n&atilde;o se aplicar&aacute; a uma pessoa com menos de 18 anos ou para uma pessoa que j&aacute; tenha atinjido os setenta anos, salvo no caso de retribui&ccedil;&atilde;o ou hudud.&quot; <\/p>\n<p>&quot;Est&aacute; muito confuso,&quot; disse Fathi Khalil, o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Sudanesa de Advogados. \u201cMas a tradu&ccedil;&atilde;o arabica declara claramente que n&atilde;o se pode executar menores\u201d                                                                          Grupos de direitos humanos inclusive a Anistia,denunciam a constitui&ccedil;&atilde;o porque permite a execu&ccedil;&atilde;o de menores.Os grupos d&atilde;o uma lista de quatro jovens condenados a morte pelo Estado.  No seu relat&oacute;rio de1995,a Amnstia disse que ao contr&aacute;rio do que se diz, menores est&atilde;o a ser \u201ccondenados a morte\u201d no Sud&atilde;o. Isto &eacute; apesar da exist&ecirc;ncia de quatro tratados internacionais dos direitos humanos que proibem a execu&ccedil;&atilde;o de juven&iacute;is. <\/p>\n<p>Uma investiga&ccedil;&atilde;o de IPS n&atilde;o conseguiu provas de um caso do uso da pena de morte para um juvenil no Sud&atilde;o, inclusivem os quatro jovems identificados pela Anistia Internacional. <\/p>\n<p>Numa tentativa a esclarecer a confus&atilde;o, os funcion&aacute;rios sudaneses disseram que os menores podem ser \u2018condenados\u2019 a morte no Sud&atilde;o, mas n&atilde;o s&atilde;o mortos. Recebem condenas reduzidas ou est&atilde;o libertados a carga dos pais deles. <\/p>\n<p>Khalil acredita que Sud&atilde;o &eacute; v&iacute;tima de uma camphana da difama&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es isl&aacute;micas. Segundo o Occidente, o Isl&atilde;o &eacute; mais cruel e injusto de todas as religi&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;A Anistia Internacional n&atilde;o gosta do Sud&atilde;o,&quot; ele disse &quot;Escrevem sobre Sud&atilde;o sem vir ver a nossa realidade.&quot; <\/p>\n<p>Por via do correio eletr&oacute;nico, Theo Murphy, um representante da Aministia Internacional disse que a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poderia fornecer os nomes dos menores que foram executados, mas s&oacute; tinha os nomes dos quatro jovens que foram condenados a morte. <\/p>\n<p>Outros grupos de direitos humanos tamb&eacute;m fazem acusa&ccedil;&otilde;es parecidas mas tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m provas. <\/p>\n<p>Amir Mohamed Suleiman, um advogado com o Centro de Direitos Humanos e do Desenvolvimento do Meio Ambiental de Khartoum, disse a sua organiza&ccedil;&atilde;o tem provas documentadas da execu&ccedil;&atilde;o de menores. <\/p>\n<p>Contudo, n&atilde;o pude produzir estas provas dizendo que o respons&aacute;vel para os documentos estava na Grande Bretanha. Com uma montanha de documentos, ele disse que sem a ajuda do respons&aacute;vel para os documentos,levava o semanas a encontrar os ditos documentos. <\/p>\n<p>Apesar disto, Amir lembrou se do caso de uma mo&ccedil;a de 15 anos, de Darfur no sul do pa&iacute;s, que foi condenada a morte para o adult&eacute;rio. Depois de uma apela&ccedil;&atilde;o a condena foi reduzida e ela foi chicoteada 75 vezes. <\/p>\n<p>O procurador Shakir Hassan, um ex funcion&aacute;rio do Minist&eacute;rio de Justi&ccedil;a, disse que este tipo de apela&ccedil;&atilde;o &eacute; muito commum. No caso de qualquer d&uacute;vida da idade do menor, a condena &eacute; reduzida,&quot; disse Hassan IPS. <\/p>\n<p>Ambos Hassan e Khalil admitiram que se faz erros e que menores podem ser executados. &quot;Todos os pa&iacute;ses em todo o mundo fazem erros.\u201d Disse Khalil \u201c O que acontece na Inglaterra e nos Estados Unidos? <\/p>\n<p>Em reposta, os oficiais da Anistia disseram que o facto de todos os sistemas serem fal&iacute;veis &eacute; a raz&atilde;o pela qual se deve abolir a pena de morte em toda a parte do mundo, inclusive nos Estados Unidos. A Inglaterra aboliu a pena de morte em 1965. <\/p>\n<p>Os funcion&aacute;rios sudaneses dizem que as pessoas exegeram o problema no Sud&atilde;o. <\/p>\n<p>O Suleiman e a sua colega Ali Agab, insistem que a execu&ccedil;&atilde;o de menores &eacute; muito vulgar no Sud&atilde;o. Depois de algumas semanas do IPS pedir frequentemente os nomes dos menores executados, Agab pediu que IPS retrate os coment&aacute;rios que tinha feito.<\/p>\n<p>Mais tarde ainda, o Suleiman enviou uma carta a IPS pelo correio eletr&oacute;nico com o nome de um jovem, Abel Aziz Omer Hamed, que ele disse foi executado em dezembro de 2005. Agib n&atilde;o deu mais detalhes e n&atilde;o foi dispon&iacute;vel para comentar. <\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o todos os grupos que condenam ao Sud&atilde;o. Oferecem explica&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es diferentes da lei da pena de morte e do c&oacute;digo Shari&#039;a. <\/p>\n<p>Ghazi Suleiman, reconhecido por muitos como o padrinho de direitos humanos no Sud&atilde;o, tem passado muito tempo na cadeia para desacreditar os abusos dos direitos no seu pa&iacute;s. Apesar disto, ele defendeu o c&oacute;digo juridico sudan&ecirc;s, dizendo que a lei brit&acirc;nico (her&acirc;n&ccedil;a da coloniza&ccedil;&atilde;o que acabou em 1956) e n&atilde;o o c&oacute;digo Shari&#039;a &eacute; que governa o pa&iacute;s. <\/p>\n<p>De facto, o c&oacute;digo penal do Sud&atilde;o tem 185 se&ccedil;&otilde;es. Quatro destas tratam da pena de morte, o adult&eacute;rio e o roubo, e estas foram Islamizadas. <\/p>\n<p>&quot;Durante o meu trabalho professional como advogado, eu nunca vi um caso de um jovem ser executado,\u201d disse Ghazi Suleiman. \u201cN&oacute;s n&atilde;o temos a lei Shari&#039;a.&quot; <\/p>\n<p>Actualmente, Ghazi Suleiman est&aacute; a defender um grupo de homens do sul do Sud&atilde;o acusados de instigar a revolta de maio 2005 que resultou na morte de 14 pol&iacute;cias e 20 civ&iacute;s. <\/p>\n<p>Os r&eacute;us inclu&iacute;ram tr&ecirc;s rapazes com menos de 18 anos que, segundo Ghazi, foram libertados a carga dos pais deles como foram considerados menores. <\/p>\n<p>&Eacute; por isso que Nagmeldin Abdallah parece ser a cara da injusti&ccedil;a no Sud&atilde;o \u2013 porque ele foi apanhado pelas falhas do sistema. <\/p>\n<p>Apesar do direito a um advogado previsto pela lei no Sud&atilde;o, Abdallah foi ao processo sem advogado, em maio de 2003. Depois do assassino, Abdallah informou &aacute;s autoridades que tinha perdido a sua certid&atilde;o de nascimento. Foi examinado por um m&eacute;dico que conclu&iacute;u que Abdallah j&aacute; era adulto. <\/p>\n<p>Numa declara&ccedil;&atilde;o a policia, que ele assinou, Abdallah jurou que tinha 20 anos e admeteu que punholou a v&iacute;tima de 35 anos. Ele foi acusado e sentenciado a pena de morte em 2003. <\/p>\n<p>O pai do Abdallah lan&ccedil;ou uma apela&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o deu a nada. Em novembro de 2003 Abdallah conheceu Rifaat Makkawi, um advogado trabalhando com um Centro de Ajuda Juridica. <\/p>\n<p>Abdallah informou Makkawi que tinha s&oacute; 15 anos na altura do crime, e que tinha sido torturado para extrair a confiss&atilde;o.. <\/p>\n<p>Ele admeteu que sim teve um motivo para o assassino. Ele disse que a v&iacute;tima o tinha abusado sexualmente, o que n&atilde;o foi mencionado ao processo por causa da presen&ccedil;a do pai dele. <\/p>\n<p>&quot;Segundo a nossa cultura, ele n&atilde;o &eacute; um criminoso. Eu faria a mesma coisa se fosse na mesma situa&ccedil;&atilde;o,\u201d disse Makkawi. <\/p>\n<p>Desde a&iacute; Makkawi est&aacute; a tentar provar que Nagmeldin foi um menor e assim salv&aacute;-lo da morte. <\/p>\n<p>&quot;Durante a apela&ccedil;&atilde;o, tentaram seguir a quest&atilde;o de idade como defesa, disse Abdul Moneim Taha, o chefe do Conselho Consultivo dos Direitos Humanos no Sud&atilde;o. &quot;Uma certid&atilde;o de nascimento foi entregada ao tribunal s&oacute; depois do primeiro processo.&quot; <\/p>\n<p>Moneim diz que a certid&atilde;o &eacute; falsa, e que foi emitida depois do pai de Abdallah jurar num depoimento que o seu filho nasceu no dia 7 de novembro de 1987. <\/p>\n<p>Moneim diz que tr&ecirc;s m&eacute;dicos examinaramAbdallah e determinaram que foi adulto. <\/p>\n<p>Makkawi diz que o seu cliente foi examinado por um m&eacute;dico que simplesmente observou o corpo dele para determinar que era adulto. <\/p>\n<p>O caso e de Abdallah sempre est&aacute; a ser revisto pelo Tribunal Nacional Constituicional. O seu destino fica nas m&atilde;os do mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KHARTOUM, 01\/12\/2006 &ndash; A maioria das pessoas nunca ouviram de Nagmeldin Abdallah, porque est&aacute; inacess&iacute;vel na cadeia do Sud&atilde;o oriental onde espera not&iacute;cias da &uacute;ltima apela&ccedil;&atilde;o que pode lhe salvar. 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