{"id":2373,"date":"2006-12-01T00:00:00","date_gmt":"2006-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2373"},"modified":"2006-12-01T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-01T00:00:00","slug":"cultura-a-criatividade-em-xeque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/cultura-a-criatividade-em-xeque\/","title":{"rendered":"Cultura: A criatividade em xeque"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 01\/12\/2006 &ndash; O sistema de propriedade intelectual, especialmente os direitos de autor que os artistas possuem sobre suas obras, est&aacute; em xeque e precisa ser modificado para que estimule a criatividade, afirmaram os participantes do II F&oacute;rum Cultural Mundial, que terminou na quinta-feira, no Rio de Janeiro. <!--more--> Mais de 400 especialistas e ativistas de mais de 40 pa&iacute;ses debateram durante seis dias sobre a cultura como fator de desenvolvimento e identidade, a diversidade cultural e os direitos no &acirc;mbito da cria&ccedil;&atilde;o, entre outros t&oacute;picos.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio \u201crepensar o sistema de propriedade intelectual\u201d, isto &eacute;, as normas vigentes para a prote&ccedil;&atilde;o do direito dos autores sobre suas obras art&iacute;sticas, afirmou o ministro da Cultura, Gilberto Gil. O desafio do capitalismo &eacute; \u2018atualizar essa institui&ccedil;&atilde;o de final de Idade M&eacute;dia &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de hoje em dia, de forma democr&aacute;tica, considerando o interesse de todos\u201d, ressaltou. &Eacute; dif&iacute;cil estabelecer o desejado \u201cequil&iacute;brio entre os direitos de autor e o interesse p&uacute;blico\u201d, especialmente diante do surgimento da tecnologia digital, que amplia \u201ccomo nunca\u201d as alternativas de criadores e usu&aacute;rios, mas, tamb&eacute;m a pirataria. Afirmou Richard Owens, diretor da Divis&atilde;o de Gest&atilde;o e T&eacute;cnicas do Com&eacute;rcio Eletr&ocirc;nico no &acirc;mbito de Direitos de Autor, da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI).<\/p>\n<p>Ao desejo de \u201cmanter um forte dom&iacute;nio p&uacute;blico\u201d para impulsionar o fluxo de id&eacute;ias, a educa&ccedil;&atilde;o a pesquisa, as inova&ccedil;&otilde;es e o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, se contrap&otilde;em press&otilde;es para estender ainda mais o per&iacute;odo de prote&ccedil;&atilde;o do direito de autor. A OMPI recebeu \u201cmais de cem propostas para mudar as regras atuais\u201d, disse Owens. Uma dificuldade especifica &eacute; como remunerar os direitos do conhecimento tradicional, de povos ind&iacute;genas e comunidades locais, que muitas vezes se localizam em v&aacute;rios pa&iacute;ses. A quem distribuir os benef&iacute;cios &eacute; uma quest&atilde;o controversa, acrescentou.<\/p>\n<p>O sistema, tal como est&aacute;, n&atilde;o funciona e gera crescentes \u201ctens&otilde;es sociais\u201d, bloqueando o acesso a bens culturais, como livros, e promovendo a pirataria, afirmou Ronaldo Lemos, jurista e diretor da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental brasileira Creative Commons, que procurar derrubar as barreiras legais &agrave; criatividade por meio de nova legisla&ccedil;&atilde;o e novas tecnologias. No Brasil, a venda de CDs caiu de 94 milh&otilde;es em 2000 para 52,9 milh&otilde;es no ano passado; uma empresa multinacional do setor reconheceu que \u201co CD est&aacute; morto\u201d; as salas de cinema no pa&iacute;s diminu&iacute;ram para 1,8 mil, menos da metade das que existiam h&aacute; 15 anos, enquanto a publica&ccedil;&atilde;o de jornais caiu de maneira alarmante nos &uacute;ltimos anos, exemplificou Lemos.<\/p>\n<p>O direito patrimonial do autor trava o fluxo da produ&ccedil;&atilde;o cultural, elevando o custo das opera&ccedil;&otilde;es. O uso comercial de uma can&ccedil;&atilde;o, por exemplo, exige autoriza&ccedil;&atilde;o do compositor, da gravadora, dos int&eacute;rpretes e da editora. O \u201cdilema da propriedade intelectual\u201d ficou mais complexo agora, com a tecnologia digital que permite baixar m&uacute;sica ou textos atrav&eacute;s do computador, destacou Lemos. O computador abre possibilidades, mas &eacute; necess&aacute;rio copiar programas de computa&ccedil;&atilde;o, m&uacute;sicas, filmes e outros bens para desfruta-los, assim, \u201co direito de autor se amplia no ambiente digital\u201d e se aplica de forma autom&aacute;tica, acrescentou o jurista.<\/p>\n<p>Lemos mencionou o caso de um filme produzido com US$ 219, bem recebido pelos cr&iacute;ticos, mas, sem poder ser exibido porque usa can&ccedil;&otilde;es cujos direitos pertencem a uma empresa que pretendia cobrar a impag&aacute;vel quantia de US$ 400 mil por seu uso. No Brasil n&atilde;o se reconhece nem mesmo o direito a uma copia particular, para uso individual. Assim, muitos estudantes est&atilde;o sofrendo a&ccedil;&otilde;es judiciais por reproduzirem em x&eacute;rox algumas p&aacute;ginas de livros did&aacute;ticos. De maneira que a educa&ccedil;&atilde;o e o conhecimento cient&iacute;fico tamb&eacute;m s&atilde;o bloqueados.<\/p>\n<p>Uma alternativa para essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; o Creative Commons (que poderia ser traduzido como \u201cbens comuns criativos\u201d), um meio-termo entre \u201ctodos os direitos reservados e a anarquia\u201d, mediante o qual os autores permitem que sua obra seja usada ou reproduzida em alguns casos, disse Lemos. Autorizar o uso para fins comerciais ou a livre reprodu&ccedil;&atilde;o condicionada &agrave; men&ccedil;&atilde;o da fonte s&atilde;o alguns exemplos. O movimento j&aacute; alcan&ccedil;ou mais de 60 pa&iacute;ses e 140 mil obras licenciadas sob o \u201ccreative commons\u201d, mas, ainda est&aacute; muito limitado. Representa um em cada 290 sites da Internet registrados no buscador Yahoo!.<\/p>\n<p>\u201cA propriedade intelectual est&aacute; em xeque, em confronto com a realidade\u201d, por isso o Brasil n&atilde;o deve seguir o modelo do mundo industrializado para promover sua ind&uacute;stria cultural, mas, adotar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que estimulem a produ&ccedil;&atilde;o criativa, \u201ctalvez a principal riqueza do pa&iacute;s\u201d, afirmou S&eacute;rgio S&aacute; Leit&atilde;o, assessor cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social. A dimens&atilde;o econ&ocirc;mica da cultura &eacute; algo novo no Brasil e em quase todo o mundo, e somente agora o BNDES, institui&ccedil;&atilde;o estatal de fomento, est&aacute; abrindo cr&eacute;dito regular para atividades culturais que n&atilde;o podem oferecer as \u201cgarantias convencionais\u201d, patrimoniais, que os bancos exigem, explicou Leit&atilde;o.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, &eacute; necess&aacute;rio defender o direito de autor como remunera&ccedil;&atilde;o de artistas e produtores culturais, indispens&aacute;vel para sua sobreviv&ecirc;ncia e condi&ccedil;&otilde;es para criar, disse Garry Neil, diretor da n&atilde;o-governamental Rede Internacional para a Diversidade Cultural, distinguindo esse direito das patentes que, em alguns casos, como no dos rem&eacute;dios, podem afetar o bem-estar humano. O problema &eacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos contratos, que muitas vezes submete os artistas ao poder muito mais forte das empresas que se tornam donas dos direitos de autor, acrescentou.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses muito pobres, como os africanos, a cultura &eacute; \u201cchave para o desenvolvimento sustent&aacute;vel\u201d e a economia, al&eacute;m da identidade nacional e das comunidades, destacou Neil. &Eacute; importante melhorar a regulamenta&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual, estimular sua flexibiliza&ccedil;&atilde;o, ampliando \u201cas exce&ccedil;&otilde;es e limita&ccedil;&otilde;es\u201d para melhorar o acesso aos bens culturais e cient&iacute;ficos, resumiu o ministro Gil. A rigidez &eacute; \u201cuma barreira\u201d &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, em detrimento do interesse p&uacute;blico, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 01\/12\/2006 &ndash; O sistema de propriedade intelectual, especialmente os direitos de autor que os artistas possuem sobre suas obras, est&aacute; em xeque e precisa ser modificado para que estimule a criatividade, afirmaram os participantes do II F&oacute;rum Cultural Mundial, que terminou na quinta-feira, no Rio de Janeiro. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/cultura-a-criatividade-em-xeque\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,4],"tags":[19],"class_list":["post-2373","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-mundo","tag-arte-y-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2373"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2373\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}