{"id":2380,"date":"2006-12-05T00:00:00","date_gmt":"2006-12-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2380"},"modified":"2006-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-05T00:00:00","slug":"estados-unidos-outro-falco-perde-as-penas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/politica\/estados-unidos-outro-falco-perde-as-penas\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: Outro falc&atilde;o perde as penas"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 05\/12\/2006 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aceitou nesta segunda-feira a ren&uacute;ncia do embaixador norte-americano na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, John Bolton, o que representa uma nova queda do poder da ala mais belicista do governo. <!--more--> Bolton apresentou sua ren&uacute;ncia menos de tr&ecirc;s semanas depois de Bush ter enviado novamente sua indica&ccedil;&atilde;o ao Senado. A reitera&ccedil;&atilde;o do pedido ao Legislativo tinha o aparente objetivo de indicar ao eleitorado do governante Partido Republicano que a linha do governo se manteria, apesar da derrota para o Partido Democrata nas elei&ccedil;&otilde;es de 7 de novembro.<\/p>\n<p>Bush se mostrou \u201cprofundamente desiludido\u201d porque \u201cum punhado de senadores\u201d impediu a confirma&ccedil;&atilde;o de Bolton no cargo que ocupou sem aval legislativo durante 21 meses. Sua designa&ccedil;&atilde;o aproveitou um recesso do Congresso. \u201cEscolheram obstruir sua confirma&ccedil;&atilde;o, mesmo quando desfruta do apoio majorit&aacute;rio do Senado e apesar de essa t&aacute;tica perturbar nosso trabalho diplom&aacute;tico em tempos delicados e transcendentes\u201d, afirmou Bush. Os inimigos de Bolton aplaudiram a decis&atilde;o da Casa Branca de renunciar &agrave; luta no Senado e exortaram o Presidente a escolher uma figura que possa reunir apoio dos dois grandes partidos norte-americanos.<\/p>\n<p>\u201cCom o Oriente M&eacute;dio &agrave; beira do caos e diante das crescentes amea&ccedil;as nucleares do Ir&atilde; e da Cor&eacute;ia do Norte, precisamos de um embaixador na ONU com pleno apoio do Congresso, que possa conseguir a unidade da comunidade internacional contra as s&eacute;rias amea&ccedil;as que enfrentamos\u201d, disse o senador John Kerry, o candidato presidencial democrata de 2004. \u201cFicou claro que o estilo de nacionalismo belicoso do (ex-senador ultranacionalista) Jesse Helms retrocedeu definitivamente\u201d, afirmou Steven Clemons, diretor do Programa de Estrat&eacute;gia Norte-americana da New American Foundation, que participou das gest&otilde;es contra a designa&ccedil;&atilde;o definitiva de Bolton.<\/p>\n<p>\u201cIsto deveria ser considerado mais como uma vit&oacute;ria dos advers&aacute;rios de Bolton do que como uma mudan&ccedil;a na postura da Casa Branca, no entanto, oferece a Bush a oportunidade de recome&ccedil;ar e enviar &agrave; ONU algu&eacute;m que defenda os interesses norte-americanos e, ainda assim, seja consistente com os valores do Partido Republicano. Mas, ainda falta ver se Bush aproveitar&aacute; a oportunidade\u201d, disse Clemons. Entre os poss&iacute;veis sucessores de Bolton figuram o atual embaixador no iraque, Zalmay Khalilzad, e a neoconservadora subsecret&aacute;ria de Estado para Assuntos Globais, Paula Dobriansky.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m constam da lista tr&ecirc;s legisladores republicanos moderados derrotados em sua tentativa de reelei&ccedil;&atilde;o no m&ecirc;s passado: o representante Jim Leach e os senadores Michael DeWine e Lincoln Chafee. No caso de Chafee, suas possibilidades s&atilde;o menores devido &agrave; sua oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o de Bolton. O assessor do Departamento de Estado Philip Zelikow tamb&eacute;m foi considerado para o cargo, mas, anunciou h&aacute; duas semanas que deixar&aacute; o governo. Bolton, acusado de maltratar seus subordinados e manifestar aberto cepticismo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, &eacute; um protegido de Helms que come&ccedil;ou sua carreira pol&iacute;tica ocupando cargos de escasso destaque durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989).<\/p>\n<p>Helms o descreveu como \u201co t&iacute;pico homem que gostaria de ter ao meu lado no Armagedon\u201d. &Eacute; considerado o mais unilateralista e menos diplom&aacute;tico entre os mais altos funcion&aacute;rios do servi&ccedil;o exterior do primeiro mandato de Bush (2001-2005). Bolton ocupou, ent&atilde;o, o cargo de subsecret&aacute;rio de Estado para Controle de Armas. Desde o Departamento de Estado, Bolton tentou, com algum sucesso, sabotar os esfor&ccedil;os de seu superior, o ent&atilde;o secret&aacute;rio de Estado Colin Powell, por promover o di&aacute;logo com pa&iacute;ses em confronto com os Estados Unidos, com S&iacute;ria, Ir&atilde; e Cor&eacute;ia do Norte. Apesar de seu rosto corado, seus &oacute;culos e os grossos bigodes lhe darem uma imagem de um tio simp&aacute;tico, Bolton &eacute; conhecido por seu car&aacute;ter conflitivo, combativo e mal-humorado. Apesar de sua inexperi&ecirc;ncia a respeito dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, ocupou no governo Reagan v&aacute;rios cargos na Agencia para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) antes de se converter em um dos principais colaboradores do ent&atilde;o procurador-geral Edwin Messe. Desde esse posto, resistiu a todas as gest&otilde;es do Congresso para investigar o esc&acirc;ndalo Ir&atilde;-Contras e a entrega de armas aos contra-revolucion&aacute;rios na Nicar&aacute;gua em meados dos anos 80.<\/p>\n<p>Sua efici&ecirc;ncia na tarefa lhe valeu a promo&ccedil;&atilde;o a subsecret&aacute;rio de Estado para Organismos Internacionais no governo de George Bush \u2013 pai do atual presidente (1989-1993) \u2013 ao fim do qual se incorporou a institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas neoconservadoras como o Instituto Manhattan e o American Enterprise Institute, do qual foi presidente. Desde que este centro de estudos fustigou a normaliza&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos de Taiwan, territ&oacute;rio que a China considera uma prov&iacute;ncia renegada e de cujas autoridades teria recebido dinheiro, segundo o jornal The Washington Post.<\/p>\n<p>Em 1994, em uma mesa-redonda, Bolton afirmou: \u201cN&atilde;o existe isso que se chama de ONU. Se o pr&eacute;dio da ONU em Nova York perdesse 10 andares, n&atilde;o se notaria muita diferen&ccedil;a\u201d. Tamb&eacute;m defendeu a retirada dos Estados Unidos do Tratado de M&iacute;sseis Antibal&iacute;sticos e atacou outros acordos internacionais de desarmamento, bem como se op&ocirc;s &agrave;s supostas amea&ccedil;as &agrave; soberania de seu pa&iacute;s por parte da ONU. Em cerca ocasi&atilde;o chegou a sugerir a suspens&atilde;o dos pagamentos de Washington &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Bolton tamb&eacute;m integra h&aacute; muito tempo a Sociedade Federalista, organiza&ccedil;&atilde;o nacionalista de advogados de extrema-direita contr&aacute;rios &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do direito internacional, por considerarem que viola a soberania dos Estados Unidos. Al&eacute;m disso, teve um papel-chave na coaliz&atilde;o de nacionalistas agressivos, crist&atilde;os de direita e neoconservadores liderados dentro do governo pelo vice-presidente Dick Cheney, que, ap&oacute;s a sa&iacute;da de Powell, pressionou sua sucessora, Condoleezza Rice, para que promovesse Bolton a subsecret&aacute;rio de Estado. Rice rejeitou a id&eacute;ia, mas, concordou como f&oacute;rmula de concess&atilde;o, com sua nomea&ccedil;&atilde;o para a embaixada na ONU. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 05\/12\/2006 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, George W. 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