{"id":2385,"date":"2006-12-06T00:00:00","date_gmt":"2006-12-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2385"},"modified":"2006-12-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-12-06T00:00:00","slug":"ir-fracasso-diplomtico-de-condoleezza-pode-levar-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/politica\/ir-fracasso-diplomtico-de-condoleezza-pode-levar-guerra\/","title":{"rendered":"Ir&atilde;: Fracasso diplom&aacute;tico de Condoleezza pode levar &agrave; guerra"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 06\/12\/2006 &ndash; A resist&ecirc;ncia da China e da R&uacute;ssia condena ao fracasso os esfor&ccedil;os da chefe da diplomacia norte-americana, Condoleezza Rice, pela aprova&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es contra o Ir&atilde; no Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <!--more--> Os benefici&aacute;rios do fracasso em Washington ser&atilde;o o vice-presidente, Dick Cheney, e outros membros da ala mais conservadora do governo, que se preparam para pressionar o presidente George W. Bush para que autorize o planejamento de um ataque a&eacute;reo contra o Ir&atilde;. Durante mais de sete meses Rice baseou sua estrat&eacute;gia sobre a consolida&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a que integrar&aacute; os outros cinco membros permanentes do Conselho \u2013 China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia \u2013 mais a Alemanha.<\/p>\n<p>A secret&aacute;ria de Estado supunha que t&atilde;o ampla coaliz&atilde;o poderia chegar a um acordo para punir o Ir&atilde; por negar-se e acabar com seu programa de desenvolvimento nuclear, que inclui o enriquecimento de ur&acirc;nio. Rice e o subsecret&aacute;rio de Estado para Assuntos Pol&iacute;ticos, Nicholas Burns, que coordena a pol&iacute;tica referente ao Ir&atilde;, expressaram publicamente em setembro sua confian&ccedil;a em que a coaliz&atilde;o permaneceria unida. Mas, a estrat&eacute;gia unilateral de Rice navega sem rumo preciso em meio a uma poderosa onda geopol&iacute;tica. R&uacute;ssia e China n&atilde;o t&ecirc;m nenhum interesse em enfraquecer o Ir&atilde;, e durante meses haviam assinalado que n&atilde;o iriam aderir &agrave; estrat&eacute;gia de Condoleezza Rice.<\/p>\n<p>Em maio, a secret&aacute;ria prop&ocirc;s uma concess&atilde;o: participar de negocia&ccedil;&otilde;es diretas com Teer&atilde; em troca de que as outras cinco pot&ecirc;ncias da coaliz&atilde;o aprovassem san&ccedil;&otilde;es previstas no Cap&iacute;tulo VII da Carta da ONU. Por&eacute;m, Moscou e Pequim bloquearam esse plano. A proposta apresentada ao Ir&atilde; pelos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a mais a Alemanha n&atilde;o continha nenhuma referencia a tais san&ccedil;&otilde;es. Agora, R&uacute;ssia e China insistem em que qualquer resolu&ccedil;&atilde;o sobre o programa nuclear do Ir&atilde; as exclua.<\/p>\n<p>No m&ecirc;s passado, os europeus divulgaram um projeto que proibiria os pa&iacute;ses da ONU de vender e fornecer uma longa lista de equipamentos e tecnologia para os programas nucleares e de m&iacute;sseis bal&iacute;sticos iranianos, bem como seu financiamento. A iniciativa estipularia que os Estados tamb&eacute;m impediram as viagens de funcion&aacute;rios iranianos ligados a esses programas e que, al&eacute;m disso, congelariam seus bens. Mas, o projeto n&atilde;o qualificava o programa nuclear de Teer&atilde; como uma amea&ccedil;a &agrave; paz e &agrave; seguran&ccedil;a internacional, com pretendia Rice.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, teria permitido a Moscou continuar cooperando na constru&ccedil;&atilde;o do reator nuclear na cidade iraniana de Bushehr. O jornal The Washington Post informou no dia 25 de outubro que Condoleezza Rice propusera emendas nesse sentido. Mas, os europeus as rejeitaram, e o ent&atilde;o embaixador norte-americano na ONU, John Bolton (que acaba de renunciar ao cargo) amea&ccedil;ou retirar o apoio &agrave; iniciativa. Brit&acirc;nicos, franceses e alem&atilde;es mantiveram o projeto de resolu&ccedil;&atilde;o no Conselho de Seguran&ccedil;a. Entretanto, os russos insistiram em impor san&ccedil;&otilde;es menos duras do que as inclu&iacute;das no projeto europeu.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio de novembro, as negocia&ccedil;&otilde;es entre as seis na&ccedil;&otilde;es chegaram a um ponto morto. Agora, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia fez circular um projeto que proibiria a exporta&ccedil;&atilde;o ao Ir&atilde; de elementos utiliz&aacute;veis em uma arma nuclear ou m&iacute;ssil bal&iacute;stico, segundo informou na semana passada o jornalista Bill Varner, da agencia de not&iacute;cias Bloomberg. Mas, o texto apresentado mant&eacute;m a proibi&ccedil;&atilde;o das viagens e o congelamento de bens de funcion&aacute;rios iranianos que a R&uacute;ssia havia objetado antes.<\/p>\n<p>O chanceler russo, Sergei Lavrov, esclareceu na sexta-feira que Moscou apoiaria \u201csan&ccedil;&otilde;es para impedir que materiais nucleares e tecnologias delicadas entrem no Ir&atilde;\u201d, mas, foi contra san&ccedil;&otilde;es dirigidas a indiv&iacute;duos. \u201cA R&uacute;ssia &eacute; contra castigar o Ir&atilde;\u201d, afirmou. A posi&ccedil;&atilde;o russa implica, se for aprovada, que a resolu&ccedil;&atilde;o nem mesmo teria tanta for&ccedil;a quanto o compromisso j&aacute; assumido pelo Grupo de Fornecedores Nucleares, organiza&ccedil;&atilde;o multilateral formada pelos 45 pa&iacute;ses que possuem a tecnologia necess&aacute;ria para fabricar armas at&ocirc;micas ou m&iacute;sseis bal&iacute;sticos.<\/p>\n<p>O iminente colapso da coaliz&atilde;o de Condoleezza Rice a respeito das san&ccedil;&otilde;es ao Ir&atilde; reflete o conflito de interesses entre os governo de Bush e Vladimir Putin, n&atilde;o apenas quanto ao programa nuclear iraniano, mas, sobre assuntos geopol&iacute;ticos mais amplos. Moscou n&atilde;o pretende cooperar com o surgimento de arsenais nucleares em pa&iacute;ses que hoje n&atilde;o os possuem, mas, \u201cn&atilde;o colocar&aacute; em risco o v&iacute;nculo pol&iacute;tico com pot&ecirc;ncias regionais\u201d para apoiar os esfor&ccedil;os de Washington, disse Celeste A. Wallander, da Universidade de Georgetown.<\/p>\n<p>O conflito pelo desenvolvimento nuclear iraniano &eacute; visto por 20 funcion&aacute;rios russos da &aacute;rea da defesa entrevistados pela especialista, aposentados e em atividade, como um assunto geopol&iacute;tico. Os informantes de Wallander duvidam que a verdadeira preocupa&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos seja a n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o de armas at&ocirc;micas. A Casa Branca deveria atender as preocupa&ccedil;&otilde;es de Teer&atilde; \u2013 a inseguran&ccedil;a desse pa&iacute;s e o temor que lhe desperta a agressiva pol&iacute;tica externa norte-americana \u2013 em lugar de se concentrar em seu desenvolvimento nuclear.<\/p>\n<p>A China tem interesses paralelos aos da R&uacute;ssia a esse respeito. Cercada pelas alian&ccedil;as dos Estados Unidos com Jap&atilde;o, &Iacute;ndia e cor&eacute;ia do Sul, procura fortalecer sua associa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica com o governo de Putin, particularmente desde a invas&atilde;o do Iraque. Tanto Pequim quanto Moscou parecem ver a Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o de Xangai como um ve&iacute;culo para se contrapor ao poder dos Estados Unidos na &Aacute;sia. Em 2005, R&uacute;ssia e China assinalaram seu interesse conjunto em cooperar com o Ir&atilde; contra as press&otilde;es de Washington ao convidar o regime isl&acirc;mico a integrar-se &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o de Xangai.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, Condoleezza Rice pareceu admitir que os Estados Unidos n&atilde;o conseguir&atilde;o um acordo sobre o tipo de san&ccedil;&otilde;es que pretende. Assim, se manifestou disposta a \u201cmanter a unidade\u201d. Mas, tamb&eacute;m exortou &agrave; a&ccedil;&atilde;o. \u201cSimplesmente temos de olhar quais s&atilde;o as op&ccedil;&otilde;es\u201d, acrescentou. A secret&aacute;ria de Estado recebeu o conflito com o Ir&atilde; entre as tarefas pendentes quando assumiu o cargo, em janeiro de 2005, e, ao que parece, tentou eliminar a op&ccedil;&atilde;o militar da agenda do governo. No come&ccedil;o deste ano disse em particular a algumas poucas pessoas alheias ao governo que esperava alcan&ccedil;ar negocia&ccedil;&otilde;es com o Ir&atilde; sobre um amplo leque de problemas, atrav&eacute;s de sua oferta de um di&aacute;logo direto.<\/p>\n<p>Mas, as possibilidades de Rice estavam muito limitadas pela inten&ccedil;&atilde;o do governo Bush de rejeitar a possibilidade de qualquer concess&atilde;o diplom&aacute;tica a Teer&atilde;. Cheney e o ent&atilde;o secret&aacute;rio da defesa Donald Rumsfeld acertaram deixar a secret&aacute;ria seguir seu caminho no come&ccedil;o de 2005, porque sabiam que qualquer esfor&ccedil;o diplom&aacute;tico no Conselho de Seguran&ccedil;a para punir o Ir&atilde; acabaria em um fracasso que seria o prel&uacute;dio necess&aacute;rio para qualquer uso da for&ccedil;a.<\/p>\n<p>Os colaboradores de Cheney sabem desde o princ&iacute;pio da gest&atilde;o de Condoleezza Rice que sua estrat&eacute;gia para o Ir&atilde; n&atilde;o seria obst&aacute;culo para os planos do vice-presidente, porque sabiam que fracassaria, segundo informou o jornalista neoconservador Lawrence F. Kaplan no dia 2 de outubro na revista The New Republic. Ao redor de Cheney avalia-se que o governo ainda n&atilde;o est&aacute; politicamente preparado para uma virada ao terreno militar, mas, a press&atilde;o sobre Bush vai aumentar quando o fracasso diplom&aacute;tico de Rice ficar evidente, afirmou Kaplan. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Gareth Porter &eacute; historiador e especialista em pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a nacional dos Estados Unidos, \u201cPerigo de dom&iacute;nio: desequil&iacute;brio de poder e o caminho para a guerra no Vietn&atilde;\u201d, seu &uacute;ltimo livro, foi publicado em junho de 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 06\/12\/2006 &ndash; A resist&ecirc;ncia da China e da R&uacute;ssia condena ao fracasso os esfor&ccedil;os da chefe da diplomacia norte-americana, Condoleezza Rice, pela aprova&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es contra o Ir&atilde; no Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/politica\/ir-fracasso-diplomtico-de-condoleezza-pode-levar-guerra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":84,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[16],"class_list":["post-2385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/84"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}