{"id":240,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=240"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"fsm-reforma-da-onu-causa-tenso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/fsm-reforma-da-onu-causa-tenso\/","title":{"rendered":"FSM: Reforma da ONU causa tens&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Uma iniciativa para discutir a reforma do sistema da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no V F&oacute;rum Social Mundial de Porto Alegre gera tens&atilde;o entre os participantes. Alguns defendem fortemente esse debate, enquanto outros temem uma &quot;armadilha reformista&quot; para moderar a a&ccedil;&atilde;o do movimento social. &quot;Concentrar a energia nesse debate &eacute; uma estrat&eacute;gia errada que pode custar caro ao FSM em termos de mobiliza&ccedil;&atilde;o, porque nessa iniciativa o que se defende s&atilde;o interesses dos Estados, n&atilde;o dos povos&quot;, disse &agrave; IPS o soci&oacute;logo Emilio Taddei, do Conselho Latino-americano de Ci&ecirc;ncias Sociais (Clacso).<br \/> <!--more--> <br \/> Taddei representa o Clacso no Conselho Internacional do FSM, composto por cerca de 200 organiza&ccedil;&otilde;es e que se re&uacute;ne periodicamente para orientar debates, fazer balan&ccedil;os e propor metodologias de discuss&atilde;o. &Agrave;s v&eacute;speras do V F&oacute;rum, que acontecer&aacute; entre 26 e 31 deste m&ecirc;s, o acad&ecirc;mico explicou que a proposta de reforma do sistema da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, defendida por alguns grupos, n&atilde;o ser&aacute; o &uacute;nico tema de debate na assembl&eacute;ia, mas &eacute; &quot;o que melhor cristaliza as diferentes cosmovis&otilde;es expressas no F&oacute;rum&quot;.<\/p>\n<p> Segundo sua vis&atilde;o, o FSM &eacute; um coletivo muito heterog&ecirc;neo onde convivem &quot;setores anticapitalistas e setores do reformismo progressista&quot; vinculados com partidos de esquerda, que combatem os efeitos do neoliberalismo. Em alguns casos, os v&iacute;nculos s&atilde;o com partidos da social-democracia europ&eacute;ia, e em outros com partidos de pa&iacute;ses latino-americanos, entre eles o Partido dos Trabalhadores. &quot;As iniciativas reformistas n&atilde;o t&ecirc;m o apoio de organiza&ccedil;&otilde;es importantes de base como o Movimento dos Sem-Terra, mas s&atilde;o apoiadas por outras menores, com recursos econ&ocirc;micos e rela&ccedil;&atilde;o com os governos&quot;, disse Taddei.<\/p>\n<p> Norma Fern&aacute;ndez, tamb&eacute;m integrante do Conselho Internacional representando a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), disse &agrave; IPS que &quot;uma reforma superestrutural&quot; como a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &quot;n&atilde;o deveria impedir nenhuma mobiliza&ccedil;&atilde;o&quot; e considerou que &quot;pode ajudar&quot; os objetivos do FSM. &quot;Tudo soma&quot;, afirmou, acrescentando que &quot;n&atilde;o h&aacute; caminhos &uacute;nicos. Mesmo se se conseguir uma reforma da ordem internacional, n&atilde;o servir&aacute; para deter a guerra e a fome se ao mesmo tempo as organiza&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o se mobilizarem&quot;.<\/p>\n<p> Para entender o panorama deste debate &eacute; preciso analisar o cen&aacute;rio internacional de 2004 e o impacto que teve no movimento social internacional, prop&otilde;e o soci&oacute;logo da Clacso. Neste sentido, explicou que a degrada&ccedil;&atilde;o que sofreu a invas&atilde;o dos Estados Unidos no Iraque ao longo do &uacute;ltimo ano, e depois a reelei&ccedil;&atilde;o de George W. Bush, afetaram negativamente a din&acirc;mica do movimento mundial, que teve um refluxo em rela&ccedil;&atilde;o &aacute;s demonstra&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as de 2003. Estas, sem precedentes na hist&oacute;ria da humanidade, n&atilde;o bastaram para evitar a guerra. &quot;Isso afetou o &acirc;nimo e a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o&quot;, e o novo triunfo de Bush aumentou ainda mais esse sentimento, admitiu Taddei.<\/p>\n<p> A seu ver, a debilidade relativa na qual ficou o movimento se manifestou no impacto menor que tiveram as mobiliza&ccedil;&otilde;es diante de um fato de &quot;extrema gravidade&quot; como foi a &quot;invas&atilde;o do Haiti&quot;, disse se referindo &agrave; decis&atilde;o dos governos latino-americanos de intervir nesse pa&iacute;s.&quot;Propus discutir a crise do Haiti no Conselho Internacional, e teria sido ideal uma declara&ccedil;&atilde;o, mas, evitou-se esse debate e acredito que &eacute; porque h&aacute; organiza&ccedil;&otilde;es sociais no FSM muito ligadas ao governo do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, que encabe&ccedil;ou a miss&atilde;o militar conjunta&quot; nessa na&ccedil;&atilde;o, disse Taddei.<\/p>\n<p> O soci&oacute;logo alegou que esse contexto de &quot;refluxo relativo&quot; do movimento foi aproveitado por governos europeus que buscam &quot;desmobilizar a resist&ecirc;ncia ao neoliberalismo de guerra&quot;, e atrav&eacute;s de diferentes organiza&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a incentivar a iniciativa de reformar o sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. A organiza&ccedil;&atilde;o que mais trabalhou nessa proposta &eacute; a italiana Mesa da Paz, integrada por diversas organiza&ccedil;&otilde;es sociais e que em novembro realizou um semin&aacute;rio &quot;para uma ordem internacional mais justa, pac&iacute;fica e democr&aacute;tica&quot; na cidade italiana de P&aacute;dua. O encontro contou com o apoio de numerosas organiza&ccedil;&otilde;es, entre elas a argentina CTA, o Instituto Brasileiro de An&aacute;lises Sociais e Econ&ocirc;micas e a Associa&ccedil;&atilde;o pela Taxa&ccedil;&atilde;o das Transa&ccedil;&otilde;es Financeiras e a A&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;.<\/p>\n<p> Os participantes elaboraram um documento intitulado &quot;Reclamemos nossas Na&ccedil;&otilde;es Unidas&quot;, que servir&aacute; de base para a discuss&atilde;o em Porto Alegre. Esse texto critica o unilateralismo e pede &quot;solu&ccedil;&otilde;es globais para problemas globais&quot;. Os que aderiram ao documento consideram indispens&aacute;vel recuperar a ONU, &quot;seq&uuml;estrada por governos poderosos&quot;, e n&atilde;o recha&ccedil;am a a&ccedil;&atilde;o do movimento social, pois a consideram vital para impulsionar as reformas. O secret&aacute;rio de integra&ccedil;&atilde;o do CTA, Juan Gonz&aacute;lez, disse &agrave; IPS que n&atilde;o s&oacute; a ONU deve ser reformada e que no F&oacute;rum haver&aacute; m&uacute;ltiplos debates sobre mudan&ccedil;as no sindicalismo e nas estruturas de integra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> As organiza&ccedil;&otilde;es sindicais n&atilde;o d&atilde;o resposta ao crescimento mundial do desemprego e da explora&ccedil;&atilde;o trabalhista, e tampouco os processos de integra&ccedil;&atilde;o regional contemplam a participa&ccedil;&atilde;o ativa da sociedade civil. Por isso a discuss&atilde;o &eacute; mais ampla, antecipou. Na opini&atilde;o de Gonz&aacute;lez, dentro do FSM &quot;sempre h&aacute; setores aos quais interessa que haja somente reformas superestruturais&quot;, mas h&aacute; tamb&eacute;m organiza&ccedil;&otilde;es com propostas radicais de a&ccedil;&atilde;o. &quot;Os perigos de deforma&ccedil;&atilde;o sempre est&atilde;o latentes, o importante &eacute; que se discuta tudo dentro do F&oacute;rum&quot;, salientou. Taddei acredita que para superar essa tens&atilde;o deve-se ver como &quot;relan&ccedil;ar um processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel internacional em torno da luta contra a guerra e das conseq&uuml;&ecirc;ncias das pol&iacute;ticas neoliberais dentro de cada pa&iacute;s&quot;.<\/p>\n<p> Seria uma armadilha para o movimento concentrar o debate na reforma da ONU, porque os Estados Unidos, que sabem que sua estrat&eacute;gia internacional de &quot;cavaleiro solit&aacute;rio&quot; tem um limite, poderia tomar essa iniciativa a seu favor porque lhe conv&eacute;m voltar a contar com o sistema multilateral&quot;, advertiu. Taddei disse ainda que desde a origem do FSM h&aacute; uma tens&atilde;o entre os que querem dotar o f&oacute;rum de uma estrutura mais org&acirc;nica e os que buscam mant&ecirc;-lo como um espa&ccedil;o de debate aberto. Mas assegurou que quando h&aacute; clareza na a&ccedil;&atilde;o, as quest&otilde;es organizacionais n&atilde;o ocupam o tempo dos participantes.<\/p>\n<p> Nesse sentido, o especialista considerou que o Conselho Internacional avan&ccedil;ou muito ao dotar o f&oacute;rum de uma melhor estrutura para a discuss&atilde;o atrav&eacute;s de consultas a organiza&ccedil;&otilde;es, mas insistiu que &quot;sem um debate pol&iacute;tico, n&atilde;o se conseguir&aacute;&quot;. Para o representante do Clacso, o conselho tem um funcionamento &quot;burocr&aacute;tico&quot; e discute assuntos &quot;pouco relevantes&quot;. Responsabilizou por isso o Comit&ecirc; Brasileiro que cuida da organiza&ccedil;&atilde;o do FSM. &quot;Talvez se evite a discuss&atilde;o de fundo por medo de uma divis&atilde;o, mas sou partid&aacute;rio de que as id&eacute;ias s&atilde;o expressas e processadas&quot;, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/01\/2005 &ndash; Uma iniciativa para discutir a reforma do sistema da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no V F&oacute;rum Social Mundial de Porto Alegre gera tens&atilde;o entre os participantes. 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