{"id":2419,"date":"2006-12-12T14:33:23","date_gmt":"2006-12-12T14:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2419"},"modified":"2006-12-12T14:33:23","modified_gmt":"2006-12-12T14:33:23","slug":"ambiente-chile-quer-regulamentar-os-transgenicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/ambiente-chile-quer-regulamentar-os-transgenicos\/","title":{"rendered":"Ambiente: Chile quer regulamentar os transg\u00eanicos"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 12\/12\/2006 &ndash; No Chile s\u00f3 \u00e9 permitido plantar sementes transg\u00eanicas para exportar, mas \u00e9 poss\u00edvel comer alimentos transg\u00eanicos que, por l\u00f3gica, s\u00e3o importados. <!--more--> Tanto os promotores como os cr\u00edticos dos transg\u00eanicos, ou organismos geneticamente modificados (OGM), concordam quanto \u00e0 necessidade de regulamentar um campo que, no momento \u00e9 \u201ccontradit\u00f3rio\u201d, \u201cconfuso\u201d e \u201cinconsistente\u201d. A chegada ao parlamento de um projeto de lei que promove o cultivo de organismos transg\u00eanicos com vistas a desenvolver a ind\u00fastria do biocombust\u00edvel coloca em estado de alerta as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas.<\/p>\n<p>A multiplica\u00e7\u00e3o de sementes transg\u00eanicas \u2013 cuja base gen\u00e9tica foi modificada em laborat\u00f3rio \u2013 s\u00f3 \u00e9 permitida para exporta\u00e7\u00e3o. Dos 12.928 hectares dedicados em 2005 \u00e0 sua reprodu\u00e7\u00e3o, 93,7% correspondiam ao milho, 4,85% \u00e0 raps (um tipo de oleaginosa) e 1,28% \u00e0 soja. Apesar de n\u00e3o haver estudos concludentes sobre a inocuidade dos OGM para a sa\u00fade humana e o meio ambiente, diariamente os chilenos consomem numerosos produtos elaborados com eles, como gorduras e \u00f3leos vegetais, hamburgeres, salsichas e cereais, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de alimentos e insumos transg\u00eanicos para o consumo.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte do frango chileno \u00e9 alimentada com milho transg\u00eanico procedente da Argentina. Isto quer dizer que se for feita uma an\u00e1lise destas aves, todas registrar\u00e3o alguma variedade de OGM\u201d, disse \u00e0 IPS Alberto Espina, parlamenta do direitista e liberal partido Renova\u00e7\u00e3o Nacional (RN). Espina, senador pela XI Regi\u00e3o da Araucan\u00eda, \u00e9 o autor do projeto de Lei Mo\u00e7\u00e3o sobre biosseguran\u00e7a de vegetais geneticamente modificados, apresentado ao Congresso no \u00faltimo dia 15 de novembro.<\/p>\n<p>Para os parlamentares, a liberaliza\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos melhorar\u00e1 a produtividade das terras, aumentar\u00e1 o emprego e apoiar\u00e1 a futura ind\u00fastria dos biocombust\u00edveis, pois permite cultivos mais rent\u00e1veis para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel e etanol. Os combust\u00edveis de origem biol\u00f3gica s\u00e3o uma alternativa menos contaminante para substituir parcialmente os de origem f\u00f3ssil, ou seja, petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o. \u201cO projeto est\u00e1 sendo desenhado para os biocombust\u00edveis, portanto, a pergunta \u00e9 se servir\u00e3o para solucionar o problema energ\u00e9tico do Chile? Se a resposta for sim, \u00e9 necess\u00e1rio que as esp\u00e9cies vegetais que estes combust\u00edveis v\u00e3o gerar sejam transg\u00eanicas?\u201d, disse \u00e0 IPS Flavia Liberona, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Ecosistemas.<\/p>\n<p>\u201cRecentemente, foi criada uma comiss\u00e3o no Minist\u00e9rio de Agricultura para estudar a possibilidade de desenvolver biocombust\u00edveis, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o\u201d, assegurou a ecologista, para quem o pol\u00edtico se apressou em propor o projeto, pois ainda n\u00e3o est\u00e1 claro o panorama nessa mat\u00e9ria. Mar\u00edza Isabel Manzur, da ONG Funda\u00e7\u00e3o Sociedades Sustent\u00e1veis, qualificou o projeto com \u201cempresarial\u201d, j\u00e1 que, a seu ver, s\u00f3 beneficia \u201cos produtores de sementes gen\u00e9ticas\u201d. O parlamento nega ter elaborado o projeto em conjunto com companhias dedicadas a esse neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cApenas estou defendendo as pessoas pobres, os pequenos agricultores da IX Regi\u00e3o. Convido as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas a visitarem as localidades de Lumaco, Traigu\u00e9n, para verem a pobreza, a mis\u00e9ria que existe\u201d, ressaltou o senado. \u201cN\u00e3o tenhamos uma discuss\u00e3o hip\u00f3crita\u201d, disse Espina, argumentando que a situa\u00e7\u00e3o atual somente prejudica os agricultores chilenos, j\u00e1 que o pa\u00eds n\u00e3o permite que eles comercializem internamente os produtos transg\u00eanicos, mas se consente que importem os mesmos.<\/p>\n<p>Manzur disse \u00e0 IPS que as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, de consumidores e produtores org\u00e2nicos, reunidas na Rede por um Chile Livre de Transg\u00eanicos, exigem a ratifica\u00e7\u00e3o do Protocolo de Cartagena sobre Preven\u00e7\u00e3o de Riscos Biotecnol\u00f3gicos assinado pelo governo chileno em 2002 e n\u00e3o considerado no projeto; a rotulagem de produtos geneticamente modificados, e a declara\u00e7\u00e3o de zonas livres de OGM. Al\u00e9m disso, pedem que as empresas produtoras de sementes sejam obrigadas a apresentar estudos de impacto ambiental.<\/p>\n<p>O principal risco de se continuar liberando transg\u00eanicos \u2013 dizem os ecologistas \u2013 \u00e9 a eventual contamina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que podem sofrer as esp\u00e9cies convencionais e aut\u00f3ctones do Chile, como as batatas (solanum tuberosum) do austral arquip\u00e9lago de Chilo\u00e9. A controv\u00e9rsia se deve ao fato de opositores dos transg\u00eanicos temerem que os ventos espalhem os OGM aos cultivos tradicionais, afetando a variedade de esp\u00e9cies existentes, enquanto seus defensores argumentam que isso pode ser controlado e que a tecnologia \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para aumentar a quantidade e a qualidade dos alimentos e combater a fome no mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as empresas multinacionais patentearam alguns OGM, que lhes d\u00e1 o controle sobre seu uso e beneficio. Uma pesquisa feita pela consultoria Ipsos, para o cap\u00edtulo chileno do Greenpeace e divulgada em mar\u00e7o do ano passado, revelava que a maioria dos chilenos prefere consumir produtos sem OGM e mais de 90% dos entrevistados disseram que tais alimentos devem ser obrigatoriamente etiquetados. Organiza\u00e7\u00f5es defensoras do meio ambiente e dos direitos cidad\u00e3os declararam simbolicamente como zonas livres de transg\u00eanicos as I e IX regi\u00f5es e o arquip\u00e9lago de Chilo\u00e9.<\/p>\n<p>Espina afirma que \u201ctudo deve ser debatido\u201d e que seu interesse \u00e9 ouvir todos os setores envolvidos. Juan Carlos Sep\u00falveda, gerente-geral da Federa\u00e7\u00e3o de Produtores de Frutas do Chile (Fedefruta), explicou \u00e0 IPS que \u201cat\u00e9 hoje n\u00e3o apoiamos o cultivo de OGM porque poder\u00edamos ter dificuldades em nossos mercados de destino\u201d, que incluem cerca de 70 pa\u00edses. Mas, a entidade, que agrupa mais de mil produtores e 20 associa\u00e7\u00f5es, \u201cap\u00f3ia a pesquisa biotecnol\u00f3gica para resolver alguns problemas que temos com fungos, v\u00edrus e pragas\u201d.<\/p>\n<p>Os transg\u00eanicos s\u00e3o variedades obtidas em laborat\u00f3rio pela introdu\u00e7\u00e3o de genes de outras esp\u00e9cies animais ou vegetais com a inten\u00e7\u00e3o de melhorar suas qualidades ou torn\u00e1-las mais resistentes a determinadas caracter\u00edsticas ambientais. \u201cTeremos de discutir novamente nossa posi\u00e7\u00e3o sobre os transg\u00eanicos para ver se nos beneficiam ou prejudicam. Mas, acreditamos que n\u00e3o podemos nos fechar aos avan\u00e7os da ci\u00eancia\u201d, destacou Sep\u00falveda. No entanto, reconheceu que uma das vantagens comparativas do Chile \u00e9 ser uma \u201cilha fitosanit\u00e1ria\u201d, que produz alimentos in\u00f3cuos e de grande qualidade.<\/p>\n<p>De todo modo, o projeto restringe a libera\u00e7\u00e3o de OGM em \u201ccentros de origem e de diversidade gen\u00e9tica\u201d e em \u00e1reas protegidas, e incorpora normas sobre informa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3o. A iniciativa \u00e9 patrocinada por outros quatro senadores, dois deles da coaliz\u00e3o de centro-esquerda que governa o Chile desde 1990 e que ap\u00f3ia a atual presidente, Michele Bachelet. Mas, a pr\u00f3pria governante, quando candidata \u00e0 Presid\u00eancia em novembro de 2005, se comprometeu com numerosas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas a \u201cn\u00e3o abrir o pa\u00eds aos cultivos transg\u00eanicos comerciais e estabelecer o requisito de estudos de impacto ambiental para a atual reprodu\u00e7\u00e3o de sementes transg\u00eanicas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que a presidente Bachelet cumpra seu compromisso\u201d, afirmou Liberona, embora dizendo n\u00e3o ter muita confian\u00e7a ao avaliar os nove meses de governo. \u201cA Ecossistemas pensa que este n\u00e3o \u00e9 um governo cidad\u00e3o. \u00c9 um governo que n\u00e3o tem o menor interesse pela quest\u00e3o ambiental. Pior ainda, consideramos que este \u00e9 o pior governo nessa \u00e1rea. N\u00e3o existe um rumo claro e h\u00e1 retrocessos\u201d, destacou a representante dessa organiza\u00e7\u00e3o. \u201cEstou convencido de que estamos fazendo um bom trabalho. Creio que o projeto ser\u00e1 aprovado no Senado\u201d, afirmou Espina, enquanto os ecologistas anunciam a cria\u00e7\u00e3o de uma frente contra a iniciativa do Legislativo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 12\/12\/2006 &ndash; No Chile s\u00f3 \u00e9 permitido plantar sementes transg\u00eanicas para exportar, mas \u00e9 poss\u00edvel comer alimentos transg\u00eanicos que, por l\u00f3gica, s\u00e3o importados. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/ambiente-chile-quer-regulamentar-os-transgenicos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,7],"tags":[],"class_list":["post-2419","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2419\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}