{"id":243,"date":"2005-01-24T00:00:00","date_gmt":"2005-01-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=243"},"modified":"2005-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-24T00:00:00","slug":"fsm-a-variada-esquerda-na-amrica-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/fsm-a-variada-esquerda-na-amrica-do-sul\/","title":{"rendered":"FSM: A variada esquerda na Am&eacute;rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 24\/01\/2005 &ndash; O F&oacute;rum Social Mundial, em seu retorno ao Brasil, encontra na Am&eacute;rica do Sul um variado arquip&eacute;lago de governos progressistas e movimentos de esquerda que impulsionam com convic&ccedil;&atilde;o a integra&ccedil;&atilde;o regional e tentam, pela via de tentativa e erro, responder &agrave;s fortes demandas sociais. Governos como o de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva no Brasil, N&eacute;stor Kirchner na Argentina e Hugo Ch&aacute;vez na Venezuela &quot;aplicam pol&iacute;ticas contradit&oacute;rias e n&atilde;o conseguem resolver o dualismo de ter em seus pa&iacute;ses enclaves de prosperidade frente aos grandes bols&otilde;es de mis&eacute;ria e exclus&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS o especialista em geopol&iacute;tica e general da reserva do ex&eacute;rcito venezuelano, Alberto M&uuml;ller.<br \/> <!--more--> Entretanto, esses governos como os grupos pol&iacute;ticos e sociais que os ap&oacute;iam ou os que em outros pa&iacute;ses ainda s&atilde;o oposi&ccedil;&atilde;o &quot;capitalizam uma esp&eacute;cie de movimento c&iacute;clico da regi&atilde;o, com um p&ecirc;ndulo desta vez do lado esquerdo e da integra&ccedil;&atilde;o&quot;, disse por sua vez &agrave; IPS, Carlos Romero, professor de assuntos internacionais em v&aacute;rias universidades da Venezuela. Outra caracter&iacute;stica da atualidade, destacam os especialistas, &eacute; que o avan&ccedil;o da esquerda se produz no contexto de um desmantelamento de alguns partidos pol&iacute;ticos como intermedi&aacute;rios da sociedade, enquanto os movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais apenas aportam vis&atilde;o e solu&ccedil;&otilde;es parciais ou setoriais diante dos problemas.<br \/> O que mudou? pergunta-se M&uuml;ller. &quot;O crescimento extraordin&aacute;rio da pobreza, como resultado das pol&iacute;ticas neoliberais aplicadas nos anos 80 e sobretudo na d&eacute;cada seguinte, fez surgir um problema de governabilidade&quot;, respondeu ele mesmo. &quot;A ingovernabilidade estar&aacute; presente enquanto n&atilde;o for poss&iacute;vel incorporar o setor que cresceu empobrecido e exclu&iacute;do &agrave; &aacute;rea mais avan&ccedil;ada da vida econ&ocirc;mica e social&quot;, advertiu M&uuml;ller. &quot;Essa realidade sustenta as lutas dos piqueteiros (o movimento criado e movido pelos trabalhadores desempregados) na Argentina, os &quot;cocaladores&quot; (plantadores de coca da Bol&iacute;via), os ind&iacute;genas do Equador ou os guerrilheiros da Col&ocirc;mbia&quot;, ressaltou.<br \/> Para este analista, os governos de &quot;Lula, Kirchner, ou Ch&aacute;vez t&ecirc;m pol&iacute;ticas contradit&oacute;rias e n&atilde;o podem ignorar fatores de poder estabelecidos, que t&ecirc;m dinheiro, conhecimentos, habilidades e um potencial de atuar de maneira aut&ocirc;noma e inclusive desestabilizar governos caso se associem com elites de pa&iacute;ses industrializados. Lula, Kirchner ou Ch&aacute;vez, buscam conciliar esses fatores e, simultaneamente, tratam de aumentar a capacidade dos setores marginalizados que s&atilde;o majorit&aacute;rios. H&aacute; um choque de interesses&quot;, afirmou M&uuml;ller.<br \/> Ao desenhar o mapa pol&iacute;tico atual dos pa&iacute;ses latino-americanos, Romero observa que &quot;&eacute; muito variado. Vai desde a tend&ecirc;ncia moderada dos presidentes do Panam&aacute; (Mart&iacute;n Torrijos) e do Paraguai (Nicanor Duarte Frutos) at&eacute; a esquerda radical do Movimento dos Sem-Terra (MST) do Brasil, passando pelo governante Movimento V Rep&uacute;blica (MVR) na Venezuela, a esquerda colombiana do P&oacute;lo Democr&aacute;tico Independente e o Movimento ao Socialismo de Morales, na Bol&iacute;via&quot;. Outra divis&atilde;o, mais clara &eacute; que alguns desses movimentos chegaram ao poder e outros n&atilde;o. <br \/> Para Romero, &quot;as classifica&ccedil;&otilde;es feitas mostram em geral duas tend&ecirc;ncias: uma radical, segundo a qual chegou a hora da revolu&ccedil;&atilde;o latino-americana e de nos integrarmos para a ruptura, e outra reformista, dos que apostam em governos moderados, que fa&ccedil;am pol&iacute;ticas de esquerda sem sacrificar a rela&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos&quot;. O analisa inclui entre os primeiros Ch&aacute;vez, o P&oacute;lo Democr&aacute;tico Independente, a principal coaliz&atilde;o opositora da Col&ocirc;mbia e que governa Bogot&aacute;, o MST e grupos socialistas do Brasil, os movimentos indigenistas da Bol&iacute;via e do Equador, a esquerda marxista extra-parlamentar do Chile e os piqueteiros (assim chamados por bloquearem ruas como forma de protesto) e setores de esquerda do governante Partido Justicialista da Argentina.<br \/> Os moderados s&atilde;o a seu ver, Lula, Kirchner, Torrijos e os principais partidos que os ap&oacute;iam. Possivelmente tamb&eacute;m integre esse grupo o Encontro Progressista\/Frente Ampla que governar&aacute; o Uruguai com Tabar&eacute; V&aacute;zquez como presidente a partir de 1&ordm; de mar&ccedil;o pr&oacute;ximo, acrescentou. No entanto, M&uuml;ller advertiu que &quot;a maioria dessas causas est&atilde;o nas m&atilde;os de l&iacute;deres carism&aacute;ticos, que privilegiam sua atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o que representa um problema de efici&ecirc;ncia para suas gest&otilde;es&quot;.<br \/> Romero evocou que todas essas for&ccedil;as &quot;recolhem a crise de governos e movimentos centristas, reformistas ou modernizadores, que vivem uma hora ruim&quot;, numa refer&ecirc;ncia aos partidos e l&iacute;deres que governaram nos anos 80 e 90, muitos deles impondo pol&iacute;ticas neoliberais depois das ditaduras que assolaram o sul da Am&eacute;rica na d&eacute;cada de 70. A pesquisa do Latinobar&ocirc;metro de 2004, que anualmente inclui um universo de 18 mil habitantes da regi&atilde;o, mostrou que 53% dos consultados ap&oacute;iam o sistema democr&aacute;tico, mas ainda restam 15% deles que preferem governos de for&ccedil;a, 21% se manifestaram indiferentes ao tipo de regime que atenda suas aspira&ccedil;&otilde;es e o restante nem mesmo respondeu.<br \/> Nesse clima, &quot;os movimentos e encontros como o F&oacute;rum Social Mundial, que come&ccedil;a nesta quarta-feira em Porto Alegre, ou o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas de esquerda, de S&atilde;o Paulo, debater&atilde;o sobre a regi&atilde;o e sobre apoiar posi&ccedil;&otilde;es radicais ou o h&iacute;brido entre esquerda e modera&ccedil;&atilde;o que &eacute; aplicada por Lula&quot;, destacou Romero. &quot;As organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil atuar&atilde;o segundo seu alinhamento mundial em uma ou outra esfera&quot;, estimou. M&uuml;ller foi mais cr&iacute;tico, pois em seu conceito &quot;os movimentos sociais freq&uuml;entemente n&atilde;o respondem a uma vis&atilde;o hol&iacute;stica dos problemas da humanidade ou desta regi&atilde;o, sendo quase espont&acirc;neos, ad-hoc, sem capacidade de persist&ecirc;ncia diante do novo modo de produ&ccedil;&atilde;o, informatizado, que substitui a sociedade industrial&quot;.<br \/> Entretanto, segundo o especialista, tanto esses movimentos horizontais quanto os l&iacute;deres carism&aacute;ticos que governam v&aacute;rios dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o podem dar uma contribui&ccedil;&atilde;o importante se apoiarem o caminho da integra&ccedil;&atilde;o, &quot;o que &eacute; uma alternativa para ir definindo um modelo de civiliza&ccedil;&atilde;o ou sociedade, como o norte-americano, o chin&ecirc;s, o indiano ou, em boa parte o europeu. &Eacute; um cen&aacute;rio global, estes movimentos podem parecer fr&aacute;geis, mas se conseguem formular uma ideologia em forma de uma proposta cultural, que se sustente em uma s&eacute;rie de valores comuns para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe, podem ter um car&aacute;ter permanente e oferecer uma sa&iacute;da&quot;, afirmou M&uuml;ller. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 24\/01\/2005 &ndash; O F&oacute;rum Social Mundial, em seu retorno ao Brasil, encontra na Am&eacute;rica do Sul um variado arquip&eacute;lago de governos progressistas e movimentos de esquerda que impulsionam com convic&ccedil;&atilde;o a integra&ccedil;&atilde;o regional e tentam, pela via de tentativa e erro, responder &agrave;s fortes demandas sociais. Governos como o de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva no Brasil, N&eacute;stor Kirchner na Argentina e Hugo Ch&aacute;vez na Venezuela &quot;aplicam pol&iacute;ticas contradit&oacute;rias e n&atilde;o conseguem resolver o dualismo de ter em seus pa&iacute;ses enclaves de prosperidade frente aos grandes bols&otilde;es de mis&eacute;ria e exclus&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS o especialista em geopol&iacute;tica e general da reserva do ex&eacute;rcito venezuelano, Alberto M&uuml;ller.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/fsm-a-variada-esquerda-na-amrica-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}