{"id":2431,"date":"2006-12-15T14:46:11","date_gmt":"2006-12-15T14:46:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2431"},"modified":"2006-12-15T14:46:11","modified_gmt":"2006-12-15T14:46:11","slug":"mexico-guerra-contra-o-crime-desperta-duvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/mexico-guerra-contra-o-crime-desperta-duvidas\/","title":{"rendered":"M\u00e9xico: Guerra contra o crime desperta d\u00favidas"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 15\/12\/2006 &ndash; A presid\u00eancia de Felipe Calder\u00f3n no M\u00e9xico come\u00e7ou com destaque na seguran\u00e7a p\u00fablica e dando maior poder aos militares. A estrat\u00e9gia preocupa organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, mas, parece agradar a maioria da popula\u00e7\u00e3o. <!--more--> \u201cAs a\u00e7\u00f5es do novo governo objetivam dar legitimidade \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o, o que derivar\u00e1 em viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e na criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto social\u201d, disse \u00e0 IPS Adri\u00e1n Ram\u00edrez, presidente da Liga Mexicana pelos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Calder\u00f3n que assumiu o cargo em 1\u00ba deste m\u00eas, determinou uma opera\u00e7\u00e3o militar e policial de dimens\u00f5es sem precedentes no Estado de Michoac\u00e1n, onde desde 1\u00ba de janeiro foram assassinadas 542 pessoas, 24 delas chefes de policia, em atos ligados ao narcotr\u00e1fico. Al\u00e9m disso, ofereceu publicamente um aumento salarial aos soldados. Determinou que 7.500 deles e mais 2.500 homens da marinha passassem para a Policia Federal. Assim, a quantidade de policiais que dependem do governo central passou de 17.154 para 27.154.<\/p>\n<p>O presidente mexicano prop\u00f4s aos legisladores aumento subst\u00e2ncia no or\u00e7amento das \u00e1reas de seguran\u00e7a. O objetivo \u00e9 \u201cque prevale\u00e7a o direito acima da viol\u00eancia\u201d, e para isso \u00e9 preciso usar toda for\u00e7a do Estado contra a criminalidade, afirmou Calder\u00f3n. Na origem e no fim do caminho aberto pelo novo governo \u201cn\u00e3o h\u00e1 mais do que uma bifurca\u00e7\u00e3o: ou se trata somente de manobra pol\u00edtica conjuntural e medi\u00e1tica, mas, sem resultados de fundo, ou \u00e9 a ponta-de-lan\u00e7a, o come\u00e7o, de uma prolongada batalha contra o crime organizado, afirmou Enrique L\u00f3pez, diretor do jornal Prov\u00edncia de Michoac\u00e1n.<\/p>\n<p>Para Isabel Uriarte, respons\u00e1vel pela \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Agust\u00edn Pro Juarez, \u00e9 positivo que o governo enfrente a inseguran\u00e7a e a delinq\u00fc\u00eancia, \u201ctemas que atentam contra os direitos humanos. O que nos preocupa \u00e9 que n\u00e3o est\u00e3o anunciando de forma paralela medidas de preven\u00e7\u00e3o na seguran\u00e7a e fortalecimento das policiais locais civis\u201d, disse a ativista \u00e0 IPS. Uriarte acredita que as a\u00e7\u00f5es do novo governo contra o narcotr\u00e1fico, que certamente atua com uma viol\u00eancia inusitada, \u201cs\u00e3o uma forma de buscar sua legitimidade\u201d.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia do narcotr\u00e1fico mexicano atingiu graus de terror nos \u00faltimos meses. Cerca de duas mil pessoas morreram em diversas a\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas ao tr\u00e1fico, a maioria crivada de balas, mas, cerca de 30 foram decapitadas. \u201cN\u00e3o permitiremos que os criminosos continuem obstruindo o caminho do M\u00e9xico para um futuro de maior prosperidade e desenvolvimento\u201d, declarou Calder\u00f3n. Para os mexicanos, a inseguran\u00e7a \u00e9 uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es, segundo todas as pesquisas. Cerca da metade das fam\u00edlias do pa\u00eds informam que pelo menos um de seus membros foi v\u00edtima de algum delito, diz o estudo sobre \u201cCriminalidade e Vitimiza\u00e7\u00e3o\u201d, realizado em 2004 com o patroc\u00ednio e dire\u00e7\u00e3o do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra as Drogas e o Crime.<\/p>\n<p>Entretanto, de cada cem delitos cometidos no M\u00e9xico, apenas 25 terminam em registro na policia, tanto por desconfian\u00e7a quanto pelos complicados tr\u00e2mites exigidos. Desses 25 crimes, cinco, ou menos, s\u00e3o investigados e apenas dois acabam na pris\u00e3o do culpado, segundo a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica. No M\u00e9xico \u00e9 denunciada uma media de 4,6 crimes para cada mil habitantes, informa a secretaria. O ativista Ram\u00edrez considera correto atacar o problema da inseguran\u00e7a com intensidade, mas, reprova que isso seja feito com militares e de uma forma que implica \u201ca viola\u00e7\u00e3o dos direitos de muitas pessoas\u201d.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de barreiras em ruas e estradas de forma indiscriminada, bem como a busca em casas e nas zonas rurais, viola os direitos das pessoas ao livre tr\u00e2nsito e \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica, disse o diretor da Liga Mexicana pelos Direitos Humanos. Al\u00e9m disso, recordou que grande parte da Policia Federal \u00e9 formada por militares e que este grupo foi usado pelas autoridades para enfrentar protestos sociais como o registrado no Estado de Oaxaca entre junho e novembro. Este distrito est\u00e1 desde outubro ocupado por cerca de cinco mil policiais federais. \u201cCom a onda de militariza\u00e7ao agora em Michoac\u00e1n, tamb\u00e9m h\u00e1 um interesse em legitimar sua presen\u00e7a quando nesse Estado as organiza\u00e7\u00f5es sociais ganham for\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em outubro, diversas organiza\u00e7\u00f5es formaram a Assembleia Popular dos Povos de Michoac\u00e1n, que tem car\u00e1ter semelhan te \u00e0 Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca, que conduziu a revolta social registrada nesse Estado. Segundo decidiu o governo, agora para entrar em Michoac\u00e1, seja por ar, mar ou terra, as pessoas e seus ve\u00edculos s\u00e3o submetidos a exaustivas revistas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 vigil\u00e2ncia cont\u00ednua nas ruas das cidades desse Estado e incurs\u00f5es em zonas rurais dos aproximadamente sete mil militares e policiais que o presidente Calder\u00f3n mandou enviar.<\/p>\n<p>Tal presen\u00e7a originou na quarta-feira um confronto \u00e0 bala com supostos narcotraficantes em uma zona rural de Michoac\u00e1n, onde h\u00e1 planta\u00e7\u00f5es de maconha e papoula e bandos rivais disputam a tiros as rotas de mercado. Al\u00e9m disso, em um fato n\u00e3o esclarecido, o corpo de um primo-irm\u00e3o de Margarita Zavala, mulher do presidente mexicano, foi encontrado quarta-feira em um autom\u00f3vel abandonado no Estado do M\u00e9xico, vizinho \u00e0 capital. A v\u00edtima foi executada com tr\u00eas disparos.<\/p>\n<p>Pelas diferentes pesquisas feitas por meios de comunica\u00e7\u00e3o locais e diversas consultas informais feitas pela IPS, parece que a disposi\u00e7\u00e3o de Calder\u00f3n em enfrentar a inseguran\u00e7a com opera\u00e7\u00f5es policiais e militares foi bem recebida pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. Governadores de diversos Estados, especialmente na fronteira com os Estados Unidos, solicitaram ao presidente a realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s de Michoac\u00e1n, enquanto grupos empresariais se declararam satisfeitos pela atitude do governo contra o crime. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 15\/12\/2006 &ndash; A presid\u00eancia de Felipe Calder\u00f3n no M\u00e9xico come\u00e7ou com destaque na seguran\u00e7a p\u00fablica e dando maior poder aos militares. 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